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Arquivos para junho, 2009

Algumas perguntas frequentes sobre Charles Manson e ATWA

 Algumas perguntas frequentes sobre Charles Manson e ATWA

Essa compilação de perguntas frequentes foi construída a fim de responder a algumas das dúvidas mais comuns sobre Charles Manson e ATWA.

1. Poderia me fornecer um breve sumário da história de Charles Manson e de seu histórico criminal?

Charles Manson nasceu em Cincinnati, no estado de Ohio dos Estados Unidos, em 11 de novembro de 1934. Ele viveu com sua mãe solteira até os cinco anos de idade, quando ela foi detida pelo crime de roubo a mão armada. Depois disso, ele permaneceu com diversos familiares até ela ser libertada em 1942.

Manson viveu novamente com sua mãe até 1947, quando ela o colocou na Gibault School for Boys, no estado de Indiana. Ele fugiu do internato 10 meses depois, mas a sua fuga não durou muito. Poucos dias depois, o garoto de 14 anos foi detido nas redondezas, acusado de ter cometido uma série de pequenos assaltos.

Manson foi encaminhado para o Juvenile Detention Center, uma espécie de FEBEM dos Estados Unidos, também no estado de Indiana. Depois de alguns dias, ele foi transferido para o famoso Boys Town, em Nebraska, um centro de detenção juvenil para “crianças em risco”. Mas a estadia dele no local também foi breve. Depois de apenas três dias, Manson fugiu novamente. Capturado novamente dias depois, Manson foi encaminhado para outro centro de detenção juvenil – dessa vez, o Indiana School for Boys, em Plainfield. Ele permaneceu por mais de dois anos no local, sem registros de que tenha tentado escapar.

Mas em 1951, com 17 anos de idade, Manson fugiu. Essa escapada durou um pouco mais do que as anteriores, mas Manson foi outra vez preso, dessa vez dirigindo um carro roubado no estado de Utah. Pela primeira vez ele foi acusado de um crime federal, tendo atravessado fronteiras estaduais. Manson foi então transferido primeiramente para o National Training School for Boys, um centro de detenção federal em Washington DC, e depois para o Natural Bridge Training Camp, em Virgínia, ainda em 1951.

Manson permaneceu nesse estabelecimento até meados de 1952, quando passou a ser detido em reformatórios federais. Ele foi primeiramente transferido para o Federal Reformatory de Petersburg, no estado da Pensilvânia. Ainda no mesmo ano, foi encaminhado para o Federal Reformatory de Chillicothe, em Ohio. Finalmente, em 8 de maio de 1954, Charles Manson foi libertado dos centros de detenção. Até esse momento da vida de Manson, em que completou 20 anos de idade, ele havia passado 7 anos em prisões espalhadas pelos Estados Unidos.

Em 1955, Manson casou-se com uma garota chamada Rosalie Willis. Quando completaria um ano em liberdade, ele foi detido em Los Angeles, mais uma vez conduzindo um veículo de procedência duvidosa. Dessa vez, Manson foi sentenciado a 3 anos de prisão em regime fechado na prisão federal de Terminal Island, em San Pedro, na Califórnia. Ele cumpriu a pena inteiramente, e foi libertado em 1958.

Como havia se tornado costume, Manson foi novamente preso pouco depois. Em 1959, antes de completar um ano em liberdade, ele foi detido na Califórnia por ter forjado cheques. A sentença dessa vez foi 10 anos de provação, em que qualquer novo delito o colocaria novamente em uma prisão federal.

Em 1960, Manson foi preso em uma suposta violação do Ato Mann. Essa lei americana de 1910 proibia o “transporte de mulheres para questões imorais”. Basicamente, Manson havia sido acusado de ser o cafetão de algumas mulheres na Califórnia. Sendo assim, Manson quebrou o seu período de provação, e foi condenado a 7 anos e meio de prisão em regime fechado. Manson cumpriu a sentença em dois locais: primeiramente em McNeil Island, em Washington, e depois em Terminal Island, na Califórnia, onde havia cumprido os 3 anos entre 1955 e 1958.

Manson finalmente foi libertado de Terminal Island em 1967. Para a maioria das pessoas, e especialmente para mídia corporativa, a vida de Charles Manson se resume ao período que se inicia nesse momento, em que ele é libertado na Califórnia em meio ao auge da cultura hippie americana. Manson permaneceu livre até outubro de 1969, quando foi preso pelos crimes de incêndio e roubo de veículos. Em dezembro de 1969, ele foi acusado de homicídio pelos crimes que assombraram Los Angeles e que marcaram seu nome na história. Manson foi condenado à morte em janeiro de 1971, mas com a mudança nas leis penais do estado da Califórnia em 1972, a pena foi alterada para prisão perpétua.

Nas últimas décadas, Manson vem tentando conseguir liberdade condicional, mas teve seus apelos negados em todas as ocasiões, permanecendo assim encarcerado na Corcoran State Prison, na Califórnia, em unidade especial de isolamento da penitenciária, onde também se encontra cumprindo prisão perpétua o assassino do senador Robert Kennedy, Sirhan Sirhan. Sua última tentativa em audiência, obviamente negada, foi em 2007. A próxima será em 2012. Charles Manson permanece detido nos Estados Unidos há 40 anos.

2. Por quais crimes Charles Manson foi condenado em 1971?

Pelo caso que se tornou conhecido como Assassinatos Tate-LaBianca. Ele foi condenado por sete contagens de assassinato de primeiro grau e uma contagem de conspiração para cometer assassinato. Ele também foi condenado por outros dois assassinatos de primeiro grau, pelas mortes de Gary Hinman e Donald “Shorty” Shea.

3. Que sentenças Charles Manson recebeu em 1971?

Originalmente, Manson foi condenado à morte pelos Assassinatos Tate-LaBianca. Pelos assassinatos de Gary Hinman e Donald “Shorty” Shea, ele foi condenado à prisão perpétua. A sentença de morte foi posteriormente alterada para “prisão perpétua com a possibilidade de liberdade condicional” quando o Tribunal Supremo dos Estados Unidos aboliu a pena capital no estado da Califórnia. Sendo assim, Manson cumpre hoje a sentença de prisão perpétua.

4. Onde está Charles Manson nesse momento?

Ele está atualmente encarcerado na California State Prison em Corcoran, na Califórnia, a prisão de segurança máxima no estado. Ele permanece no setor 4A-4R, onde frequentemente é encaminhado para o regime de solitária.

5. Quando acontecerá a próxima tentativa de liberdade condicional de Charles Manson?

Manson tem o direito de pedir liberdade condicional mais uma vez em 2012. Na realidade, não passará de mais uma brincadeira. Os advogados que decidirão o futuro de Manson já deixaram claro que ele nunca deixará a prisão.

6. O que Charles Manson faria se deixasse a prisão hoje?

Essa é uma das perguntas que Manson respondeu mais vezes desde que foi condenado em 1971. “Eu não quero sair”, “Sair e sentar um pouco em algum lugar”, “Ir para outro país”, “Ir para o deserto” e “Eu já estou fora da prisão” são as respostas mais comuns dadas por Manson.

7. Charles Manson era o líder de um grupo de seguidores?

De forma alguma. Manson sempre negou ser um líder. A maioria dos amigos que faziam parte da chamada “Família Manson” também confirmaram que não existiam líderes e seguidores – eram somente amigos. Ser o líder de um suposto grupo foi o meio encontrado pelo estado da Califórnia para incriminar Manson pelos assassinatos de 1969, em que ele não teve participação alguma. Com o passar do tempo, isso ficou mais e mais claro. Até mesmo os promotores que condenaram Manson voltaram atrás em muitas das histórias mirabolantes que haviam vendido para os jornais e revistas durante o julgamento.

8. Existe ainda uma “Família Manson”?

Nunca existiu uma “Família Manson”. Esse termo foi inventado pela mídia corporativa sensacionalista quando Manson foi detido em 1969, e foi desde então usado pelas autoridades do estado da Califórnia e figuras envolvidas no caso de Manson a fim de rotular um certo grupo de pessoas e criar uma falsa impressão sobre o relacionamento entre essas pessoas. Na suposta “Família Manson”, Charles Manson seria o pai, um “líder”, e portanto responsável pelas atitudes dos seus “seguidores”. Fato é que Manson ainda tem contato com muitos admiradores e amigos, muitos deles antigos conhecidos da década de 1960. Mas a suposta “Família Manson”nunca existiu.

9. Posso contatar Charles Manson? Se sim, como?

Como qualquer outro condenado nas prisões dos Estados Unidos, Charles Manson pode receber cartas normalmente. Apesar disso, as restrições são muitas, e ele recebe muito mais cartas do que é capaz de responder. Em alguns casos, ele poderá passar uma carta de um novo contato para um amigo, que responderá em nome dele. Para enviar uma carta para Manson, o endereço é:

Charles Manson, B-33920
4A 4R PHU Unit
P. O. Box 3476
Corcoran, CA 93212
United States

10. Quem está por trás da Ordem de ATWA – Brasil?

Um grupo de amigos e simpatizantes de Charles Manson que mantém contato com ele e que apóiam a sua visão ecológica sobre o futuro dos seres humanos e da vida na Terra.

11. O que eu posso fazer para colaborar?

Essa é uma pergunta com infinitas respostas. Cada um sabe o que é capaz de fazer para colaborar com Charles Manson e ATWA. Quem sabe, a melhor resposta para essa pergunta é uma segunda pergunta: o que você faria por Manson e ATWA? Conte-nos, e certamente qualquer apoio é necessário.

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© 2009 ATWA Brasil


Charles Manson fala um pouco sobre ATWA

Charles Manson e o Barco de ATWA

Charles Manson e o Barco de ATWA

“Tudo o que dizemos um para o outro pode ser verdadeiro, correto e tranquilizador, mas o que é algo bom sem ter ATWA? ATWA é como um barco de areia, e a poluição é como um buraco nesse barco. Ele está afundando enquanto nós brincamos com os nossos jogos de ego que não fazem nada por ATWA. Ou todos vivem por ATWA, ou ninguém viverá.

Tudo na Terra deveria ter um único governo, uma única moeda, um único exército, tudo isso trabalhando em união para restabelecer a ordem e resgatar tudo para ATWA, de acordo com um balanço universal e com a vontade de Deus.

Mas quem é que gostaria desse emprego? Ninguém, ninguém gostaria. Mas o zero sabe que, sem ninguém, não haverá ninguém. Alguém precisa escolher esse alguém, e é isso o que nós fizemos e em que estamos trabalhando agora.

Se um homem gritasse os nomes de todos os insetos, arbustos e vidas animais que estão se tornando extintas, expulsas da Terra, ele ficaria gritando por dias e noites. A vida está morrendo mais rapidamente a cada dia, e não existe ninguém com força para tentar resgatar isso. Os últimos que se levantaram para isso foram também exterminados. O Japão não tinha mais espaço físico, e a Alemanha tinha o dinheiro cortando milhões de árvores diariamente.

O seu planeta está morrendo, e os chamados ‘seres humanos’ são incapazes de perdoar as crianças da década de 1960 por terem tentado alertá-los sobe a necessidade de mudança, de dar um fim às guerras e virar o jogo”.

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Charles Manson – "Peace in Your Heart"

Charles Manson – Peace in Your Heart

Gravado em Vacaville (Vacaville Medical Facility) em Abril de 1985.
Lançado em 1994 para comemorar o 60º aniversário de Charles Manson.

We’ll make us some money
Make the world look funny
As they glance on through a burning asshole
Down to the castles of the vampire dreams
And you know Frankenstein I am
Mean man in a can
Way down on that lonesome road
Where nobody goes, it’s a terrible thing
It’s just the peace in your heart you know
It’s just the peace in your heart that you’re playing like a part
Of another world someplace somewhere
As if there was another dream way beyond what you see
Moving right in your mind right there
You’ve got Christ on twice
Got the rivers on boats and then you’re floatin’ down the stream
Yeah youre floatin’ like an old goat on Bill Grogan’s goat
Wasn’t feeling mighty fine in the rain
Bill Grogan’s on goat and it’s tied to the railroad train
You coughed him up a can and you threw away the man
And then you flagged him on down again
Around and round again around and round again
Once on friend like a brother coming in and then
I’m back on my round Again
All down people all down on the down you know what is down on the slide
And everyone told you and everyone told you and everybody told a goddamn Lie
They were lying and the cheat laying in the graves
Way down in the Devil’s Hole
He was down with the soul where you do what you’re told
Or you die and you never get back again
Yeah on a riverboat ride down to the world you say what you are
Like you said something to some dollar bill
on somebody on somebody else’s star
You was ringin’ em thing and then am swingin’ em ding ah na na
Riding Harley on a Charlie on a Ho Minh Chin trail
Down in a outlaw bout on a mafioso
Motherfucker till ya godfathers met on a telephone ride
You seeing how much you got to spend
He said you keeping my money from acting kinda funny
And ya calling me back to play like your honey
And it comes around and you jump like easter bunny in my mind
Yeah yeah yeah yeah yeah
I been down through that old hat dreams on fine and you
You been playing behind yourself you double dirty crossing you dog
You lied and snitched and ran off
Left your father in a grave,
In a grave
He had died and burned in the fire lying there Nuremburg
Freeing bird purest word down on it studersburg(?)
Dreams on the sky said to fly higher than your eye
Beyond everything you ever thought a dream
In your mind I can shine
Way beyond thought
Way beyond to my lizard
And my spiders on my rock
And my deepest down deeper
Than my Devil’s Hole
And I cried down again
I said goddamn you lost your soul
You sold out you damn fool
What you end up with
Somebody’s rule
You got to play evil
And down in sin
You got to be there
Truss it back again
Cut it on down
Bring it around
And let me go on
To my home where I love
Down on anywhere’s OK
I’m just livin’ in my own motherfuckin’ dream
You’ve been walking every goddamn day
In my motherfuckin’ day death row
Down on the hole
Fix the green submarines you jellybean jerkin’ jeans
Down through everybody’s mind can’t you see
Geneva on the M.X. riding on the world free
How come you wont let me back in and live what I earned. I earned my way
Out of this goddamn can. I told you I didn’t break your motherfuckin’
Law. you goddamn fool. 1776, you think I’m gonna die for that again?
Fuck you! you carry it back. you carry that motherfucker back one time.
And then bring it on back to my city in my rhyme and play like you’re
Something over me, fool. I’ll take my pistol and teach you a rule.
Down through my outlaw swing on a noose
You think I was playing fancy fantail with your bridge party and your
Mother Goose
You better get down on your spiritual mind
Try back through samurai
Moving on a shallow wish know I
Arrows arrows
Sweet purple bug brain
All slave to the one self of all god is all in the wisdom of the one
That lives down inside of you, fool
Don’t keep trying to take me back to school
Teach me whose motherfuckin’ rule
I read that book crook
I took another look
To seeing the cement was even dying under your feets
And the walls had great cracks
And then you play like your wisdom was God’s on some summer mind’s
Walker
And then you told somebody you drank another bottle of scotch
Then I took up on my Cutty Sark
And I flew around the world on a drunk ride

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Por que Charles Manson merece um novo julgamento?

De todas as inúmeras violações dos direitos de Charles Manson que têm ocorrido desde a sua prisão em 1969, nenhuma é tão significativa quanto a negação do seu direito constitucional, em teoria garantido pela Sexta Emenda da Constituição dos Estados Unidos: o direito de autodefesa em tribunais de justiça.

Desde o início do julgamento de 1969, Manson manifestou o seu desejo de representar-se perante o juiz. Segundo ele, “como poderia um rato defender um leão?” Manson reconhecia a complexidade do seu caso, e achava inviável que algum advogado escolhido pelo estado lhe representasse. Em 17 de dezembro de 1969, ele fez um pedido formal ao juiz William Keene em uma sessão do julgamento:

“Vossa senhoria, de maneira alguma eu posso desistir da minha voz nesse caso. Se eu não posso falar, então isso tudo já está terminado. Se eu não posso falar em minha própria defesa e dialogar livremente neste tribunal, então minhas mãos estão amarradas em minhas costas. Sem a minha voz, não há sentido em ter uma defesa. Advogados brincam com as pessoas, e eu sou uma pessoa que não quer brincar esse jogo. A mídia já me executou e me enterrou. Se alguém está hipnotizado, está hipnotizado pelas mentiras que estão sendo contadas. Não há advogado no mundo que possa representar-me. Tenho que fazer isso eu mesmo”.

Manson foi examinado por Joseph Ball, um ex-presidente da Califórnia State Bar Association, uma autoridade com credibilidade de nível internacional nos campos de psicologia e psiquiatria. Em sua avaliação de Manson, que Ball apresentou ao tribunal na véspera de Natal de 1969, ele descreve Manson como:

“Um homem capaz, inteligente, jovem, calmo e suave, que fala educadamente. Discutimos diversos problemas de direito, e eu acho que ele tem pronta compreensão. De fato, uma compreensão excepcional. Ele tem um cérebro perfeitamente em ordem. Eu o elogiei por causa disso. Eu lhe disse que ele tinha um alto Q.I. Ele sente que, se ele for para julgamento e tiver a permissão para os jurados de ouvi-lo e verem-no, eles vão perceber que ele não é o tipo de homem que poderia cometer esses crimes horríveis”.

O juiz William Keene respondeu: “Trata-se, no presente parecer do Tribunal de Justiça, de um triste e trágico erro que você está fazendo, mas não posso convencê-lo do contrário. Sr. Manson, você agora é seu próprio advogado”. Essa situação se manteve por alguns meses, até 6 de março de 1970. Foi então que o juiz Keene, chateado por causa de algumas moções supostamente “estranhas” e “absurdas” apresentadas por Manson, revogou-lhe o direito de ser o seu próprio advogado. Porque as propostas “estranhas e absurdas” não foram simplesmente anuladas não foi explicado pelo juiz. Seja qual for o motivo real, a decisão do juiz Keene representou uma violação do direito constitucional de Charles Manson de se defender. Qualquer defesa apresentada após essa decisão (e na verdade não houve uma) foi considerada inválida, e em direta oposição à Sexta Emenda, que supostamente garantiria o direito à auto-representação.

Esta questão foi levantada por Manson em seu recurso após a sentença de condenação. Na ocasião, o Estado da Califórnia recusou o recurso de Manson, que pedia direito a um novo julgamento, afirmando que a Sexta Emenda não se aplicava mais ao caso da chamada “Família Manson”. O motivo dado foi o recurso ter sido aberto somente após a sentença final e, dessa forma, “não seria dada aplicação retroativa”. Essa interpretação da lei foi posteriormente anulada no caso judicial Bittaker contra Enomoto, no qual o caso de Manson é citado como exemplo, em que o Tribunal Federal de Apelações dos Estados Unidos definiu: “O requerido julgamento ocorreu antes da decisão do Tribunal Supremo que confirma o direito constitucional dos acusados à auto-representação. A negação do direito de auto-representação no estado da Califórnia foi um defeito constitucional federal que deveria promover a anulação da condenação”. Manson é especificamente mencionado na nota nº 2 da presente decisão.

O direito à auto-representação é tão fundamental e evidente quanto qualquer outro direito. Nos Estados Unidos, em teoria, trata-se de um direito constitucional de todos os cidadãos. Não importa se a defesa do réu pareça ser pouco convencional – a auto-representação ainda assim é o seu direito constitucional. Curiosamente, esse direito é normalmente respeitado em todos os casos criminais notórios nos Estados Unidos. No caso da chamada “Família Manson”, porém, esse não foi o caso.

Portanto, a negação do direito de se defender de Charles Manson representa uma falha inaceitável na legitimidade do julgamento que o condenou à prisão perpétua. A condenação de Manson e a sua reclusão, que perdura a 40 anos ininterruptos, são ilegais.

Ao longo dos anos, Manson tem apresentado diversas solicitações de habeas corpus ao Tribunal Superior de Los Angeles, protestando contra a sua detenção ilegal. A base das solicitações é que lhe foi negado o direito de autodefesa. Todas essas petições foram negadas até hoje, sempre com a mesma justificativa de que “o requerente (Charles Manson) falhou em estabelecer que os pedidos formulados na petição justifiquem a concessão do habeas corpus”. Trata-se, obviamente, de uma negação carimbada, sem qualquer consideração. Nenhum dos argumentos jurídicos questionados nas petições de Manson foram sequer abordados pela justiça. Mas isso é mesmo de se esperar. O sistema judiciário da Califórnia sabe o que foi feito contra Charles Manson, e pela notoriedade e publicidade que o caso obteve internacionalmente, teme as conseqüências que enfrentaria se Manson conquistasse seus direitos. Em função disso, é óbvio que Manson nunca irá obter qualquer conforto quanto a essa questão se depender do estado da Califórnia.

Enfim, não existe hoje uma pessoa condenada nos Estados Unidos que merecesse mais um segundo julgamento do que Charles Manson.

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