
Desconheço a origem do seguinte artigo, uma vez que o mesmo foi republicado em diversos websites de mesma orientação, e em todos os casos sem um nome que se responsabilizasse pela autoria. Isso não é um problema, mas é importante enfatizar que essa resposta da ATWA Brasil, portanto, não é endereçada a uma pessoa específica, mas sim ao coletivo das pessoas que têm interesse pelo respeito ao todo da vida.
O artigo é intitulado “A questão humana e o anarquismo”, e procura dar uma luz à questão da ideologia vegana com relação ao papel do homem nessa equação. São eles os animais, somos nós, os somos todos animais? E se somos todos animais, como lidar com isso? São questões importantes, uma vez que se pode dizer que a ética antropocêntrica é o provavelmente o maior inimigo das coisas vivas desse planeta.
O problema que a ATWA Brasil avista no diálogo do citado artigo é a questão do anarquismo, que nesse caso aparece associado à questão de respeitar o reino animal – do qual nós fazemos parte. Em uma crítica à autonomia do Estado, que segue em paralelo à questão da objetificação do homem nesse debate moral sobre a ética do veganismo, o artigo propõe uma “abordagem anárquica, ou seja, anti-coercitiva e libertária”. E nisso nasce outro problema.
O citado artigo afirma:
“O Estado exerce, por definição, forças coercitivas sobre determinada sociedade. Sua legitimidade, contudo, não é incontestável (apesar de pragmaticamente o ser). Qual é a legitimidade das leis que lhes são impostas sem sua participação em sua elaboração? Ao meu ver, teriam caso houve um deslocamento livre e de sua vontade para o campo de influência normativa desse Estado. Mas, e no caso de você simplesmente nascer lá?”
Em outras palavras, o artigo aponta uma falha da teoria democrática contemporânea (a ausência do indivíduo na elaboração de leis) para justificar uma não-relação pessoal com as leis que são impostas. Ele também enxerga um nível de legitimidade dessa ocorrência caso o indivíduo tenha escolhido migrar para tal Estado, mas não necessariamente se “simplesmente nasceu lá”. E a resposta para essa questão (uma delas), está no pensamento anárquico, nesse caso associado ao veganismo como explicado anteriormente.
Mas o caminho deve ser precisamente o contrário. A ordem natural deve ser a primeira lei. ATWA – ar, árvores, água, animais – o sistema de suporte de vida do nosso planeta, é fundamentado na ordem, na interdependência de todos os elementos com seus papéis igualmente importantes. Você perde uma dessas peças, você acaba por perder todas. Nada é mais característico da ordem do que a vida na Terra, e a anarquia é inimiga da ordem.
Uma vez que o indivíduo faz parte de uma área de influência política, ele tem seus direitos e deveres desse ambiente. Ele faz parte desse ambiente, e ele é responsável pelo caminho que esse ambiente trilha. Em uma democracia, o seu não-voto ou o seu voto para um ou outro candidato não altera em nada a sua responsabilidade pelo resultado das eleições e pelas leis que são elaboradas ou impostas a partir desse momento. Vivendo nesse ambiente, você tem um contrato de concordância com seja lá qual for o resultado de eleições ou passagem de leis, porque isso faz parte dos seus direitos e deveres. Sendo assim, o indivíduo é sim responsável por “leis que lhes são impostas sem sua participação em sua elaboração”, não importando o seu posicionamento ideológico.
A democracia exalta o poder do coletivo. Todos dividem os erros e acertos, igualmente, e são responsáveis por todas as decisões, também igualmente. Independentemente das suas orientações pessoais, você faz parte da solução e do problema. Nesse caso, a anarquia nada mais é do que uma extensão da democracia, uma vez que abre mais uma camada de “liberdade”, que pode ser também interpretada como “irresponsabilidade” pelas decisões que são tomadas. Em outras palavras, o indivíduo é posicionado ainda mais distante de onde as leis são impostas, e por estar mais distante, ele sente que pode caminhar sem dividir a responsabilidade com aqueles que elaboram as leis e ditam o caminho da nação.
A solução não está nesse caminho. É necessário olhar para o outro lado da cerca. Se o objetivo final é a natureza, então é imperativo reconhecer e se submeter à ordem natural. Tudo na sua forma original está em ordem, e a busca deve ser para resgatar essa ordem que a humanidade desequilibrou com as suas decisões coletivas.
O sábio mártir Charles Manson diz: “Os anarquistas não ajudam a ordem. A maioria dos anarquistas são pessoas que não se encaixam. Eu sou um deles que não se encaixa, e gostaria de ter a liberdade para poder ser um anarquista. Mas com certeza não ajudaria ATWA. [...] Nós precisamos ter ordem se queremos que a Terra sobreviva.”
E Manson diz: “Vocês têm duas escolhas: anarquia e destruição, ou ordem e vida. E vocês podem ter ordem e vida como uma linda sinfonia, porque nós temos a capacidade de colocar a mente em ordem.”
O homem que procura trazer ordem para a Terra deve encontrar o seu centro no Sol. O homem deve render-se à ordem do universo e às leis da natureza, as leis da vida e da morte – os movimentos de uma roda. As estações e ciclos, fogo e gelo, luz e trevas, criação, destruição e a determinação de existir em harmonia com a lei.
Essa é a ordem de ATWA, a ordem natural, a ordem da vida. Se existe uma revolução a ser feita pelo homem, ela deve pelo resgate da lei. E o anarquismo é inimigo da ordem.
Para ler o artigo “A questão humana e o anarquismo”, clique aqui.

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