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[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (3)

Abaixo, a terceira postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Ainda permanecem os argumentos sobre a “tolerância religiosa” dos nossos tempos e a nossa “humanidade” em comparação com a “barbárie” do passado. Duas piadas, para dizer o mínimo!

Recordando alguns dos horrores mais espetaculares da história – a queima de “hereges” e “bruxas” nas fogueiras, o massacre indiscriminado de “pagãos”, e outras manifestações não menos repulsivas do que a civilização cristã na Europa, como a conquista da América, de Goa, e de outros lugares – o homem moderno é cheio de orgulho quanto ao “progresso” realizado, em uma linha, pelo menos, desde o fim da idade das trevas do fanatismo religioso. Por pior que sejam os nossos contemporâneos, eles pelo menos deixaram de cultivar o hábito de torturar as pessoas para tais “insignificâncias”, como a concepção da Santíssima Trindade ou as suas ideias acerca da predestinação e do purgatório. Esse é o sentimento do homem moderno – porque as questões teológicas perderam toda a importância nas suas vidas. Mas nos dias em que as igrejas cristãs perseguiam umas às outras e incentivavam a conversão das nações pagãs, por meio de sangue e fogo, ambos os perseguidores e os perseguidos, os cristãos e aqueles que queriam se manter fiéis aos credos não-cristãos, encaravam essas questões como vitais de uma maneira ou de outra. E a verdadeira razão porque ninguém é condenado à tortura nos dias hoje pelas suas crenças religiosas não é que a tortura, como tal, tenha tornado-se desagradável para todos, na civilização “avançada” do século XX, e não que os indivíduos e os Estados se tornaram “tolerantes”, mas apenas porque, entre aqueles que têm o poder de infligir dor, quase ninguém tem qualquer interesse vívido e fundamental na religião, e muito menos na teologia.

A suposta “tolerância religiosa” praticada pelos Estados modernos e seus indivíduos brota de qualquer outro pensamento, exceto uma inteligente compreensão e amor por todas as religiões como expressões simbólicas das poucas verdades essenciais e eternas – como a tolerância hindu faz, e sempre fez. Essa suposta “tolerância” é, em vez disso, resultado de um desprezo grosseiramente ignorante sobre todas as religiões; de uma indiferença para com as verdades que vários de seus fundadores se esforçaram para afirmar, vez após vez. Isso não é tolerância de forma alguma.

Para avaliar até que ponto os nossos contemporâneos têm ou não o direito de se vangloriar de seu “espírito de tolerância”, o melhor é observar seu comportamento para com aqueles a quem eles decididamente olham como os inimigos de seus deuses: os homens que, por acaso, têm pensamentos contrários aos deles não com relação a alguma ladainha teológica, em que eles mesmos não estão interessados, mas com relação a alguma ideologia política ou sócio-política que eles vêem como “uma ameaça à civilização” ou como “o único credo pelo qual a civilização pode ser salva.” Ninguém pode negar que, em todas as circunstâncias, e especialmente em tempos de guerra, todos eles realizam – na medida em que eles têm o poder – ou justificam – na medida em que eles não têm, eles próprios, a oportunidade de realizar – ações que em todos os aspectos são horríveis como as que foram encomendadas, realizadas, ou toleradas no passado, em nome de diferentes religiões. A única diferença é, talvez, que as modernas atrocidades a sangue frio só se tornam conhecidas quando os poderes ocultos em controle dos meios de condicionamento do rebanho – da imprensa, do rádio e do cinema – decidem, para fins nada “humanitários”, que elas deveriam ser; ou seja, quando são atrocidades do inimigo, e não deles mesmos – e nem dos seus “corajosos aliados” – e quando a sua história é, portanto, considerada como “boa propaganda”, no sentido da subseqüente onda de indignação que se espera criar e do novo incentivo que se espera dar aos esforços de guerra. Além disso, depois de uma guerra, realmente travada ou supostamente travada por uma ideologia – o equivalente moderno dos amargos conflitos religiosos do passado – os horrores com ou sem razão que teriam sido perpetrados pelos derrotados são os únicos a serem transmitidos para todo o mundo, enquanto os vitoriosos tentam o máximo possível fingir que o seu Alto Comando nunca fechou os olhos diante de quaisquer horrores semelhantes. Mas na Europa do século XVI, e antes; e entre os guerreiros do Islã, envolvidos na “Jihad” contra os homens de outras religiões, cada um dos lados estava bem ciente dos atrozes meios utilizados, não apenas pelos seus adversários para os seus “fins sórdidos”, mas também por seu próprio povo e pelos seus próprios líderes, a fim de “extirpar a heresia”, ou para “enfrentar o papado”, ou “pregar o nome de Allah aos infiéis”. O homem moderno é mais um covarde moral. Ele quer as vantagens da intolerância violenta – que é natural – mas ele foge das responsabilidades da mesma. Progresso, também.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (3)

© 2011 ATWA Brasil

~ por ATWA Brasil em 24/01/2011.

2 Respostas para “[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (3)”

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