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[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (7)

Abaixo, a sétima postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Apenas uma “Era da Verdade”, em que tudo é como deveria ser – um mundo no qual a ordem social e política na Terra é uma réplica perfeita da eterna Ordem da Vida – pode ser não-violenta. E nas lendas eloqüentes de todas as nações antigas, a sociedade ideal, no alvorecer do tempo, é dita ter sido naturalmente assim. Havia, então, nada a ser mudado; nada para que derramar o próprio sangue ou o de outras pessoas; nada a fazer, senão desfrutar em paz a beleza e as riquezas da Terra iluminada pelo Sol, e louvar os deuses sábios – os “devas” ou os “resplandecentes”, como os arianos antigos os chamavam – reis da terra no verdadeiro sentido da palavra. Cada homem e cada mulher, cada raça, cada espécie estava, então, em seu devido lugar, e toda a divina hierarquia da Criação era uma obra de arte para a qual e da qual não havia nada para adicionar ou tirar. A violência era impensável.

A violência se tornou uma necessidade a partir do momento em que a ordem sociopolítica do mundo deixou de ser o reflexo sem distorções da Ordem cósmica eterna; a partir do momento em que um espírito centrado no homem, exaltando indiscriminadamente toda a humanidade em detrimento da vida gloriosa da Natureza, em um lado, e assim também os indivíduos naturalmente superiores e as raças naturalmente privilegiadas, por outro lado, foi erguido, em oposição à Tradição de vida que esteve permitindo, por sabe-se lá quantos milênios, a hierarquia harmoniosa e divinamente ordenada dos povos, espécies animais e variedades vegetais; a partir do momento em que uma tendência viciosa pela uniformidade – levando à desintegração – se instalou, em oposição à Unidade primordial da diversidade, infinita e disciplinada. A partir desse momento, repetimos, a violência tornou-se a lei do mundo, para o bem e para o mal. A única maneira de evitar fazer uso dela seria, de agora em diante, ou se isolar completamente do mundo como ele é, virar as costas à vida e seguir em frente em um tempo artificial, como um sonho – a ilusão de uma ilusão – ou então, viver fora do tempo completamente. Muito poucos indivíduos eram suficientemente tolos para optar pela primeira opção, e menos ainda suficientemente desenvolvidos e, ao mesmo tempo, suficientemente indiferentes, para adotar a segunda.

Mas a violência não é uma coisa ruim em si mesma. Verdade, ela se pôs como uma necessidade apenas depois que o mundo havia se tornado, em grande medida, “ruim” – infiel ao seu arquétipo atemporal; não mais em sintonia com o sonho criativo da Mente universal, que uma vez ele expressou. O próprio surgimento da violência era um sinal de que a “Era da Verdade” havia sido irremediavelmente fechada; que o processo de queda da história estava ganhando velocidade. No entanto, a violência não pode ser julgada independentemente de sua finalidade. E o propósito é bom ou ruim; valioso ou não. Ele é valioso quando aqueles buscam fazê-lo, não apenas desinteressadamente – sem nenhum desejo primordial de glória pessoal ou felicidade – mas também de acordo com uma ideologia que expresse a verdade impessoal e atemporal, mais-que-humana; uma ideologia enraizada na clara compreensão das leis imutáveis da vida, e destinada a apelar a todos aqueles que, em um mundo em queda, ainda mantêm dentro de seus corações um desejo invencível pela Ordem perfeita como ela realmente era e será novamente; como ela não poderia deixar de ser, no início de cada retorno do ciclo do tempo. Qualquer finalidade que seja inteligente, e objetivamente consistente com os objetivos de guerra das imortais Forças da Luz na sua luta eterna contra as Forças das Trevas, isto é, da desintegração – aquela luta ilustrada em todas as mitologias do mundo – esse propósito, eu digo, justifica qualquer quantidade de violência altruísta. Além disso, enquanto a “Era das Trevas” em que estamos vivendo continua, mais e mais escura e mais e mais feroz ano após ano, torna-se cada vez mais impossível de evitar o uso da violência a serviço da verdade. Nenhum homem – nenhum semi-deus – pode trazer, nos dias hoje, mesmo uma quantidade relativa de ordem real e de justiça a qualquer área do globo, sem o uso da força, especialmente se ele tem apenas alguns anos à sua disposição para tentar fazê-lo. E, infelizmente, quanto mais o mundo avança na era atual das maravilhas técnicas e humilhação humana, mais os grandes homens de inspiração são submetidos ao fator do tempo, assim que eles tentam aplicar seus elevados conhecimentos intuitivos da verdade eterna para a solução de problemas práticos. Eles são forçados a agir, não apenas por completo, mas também rapidamente, se não quiserem ver as forças da desintegração acabar com seu inestimável trabalho. E, gostem ou não, por completo e rapidamente significa, quase inevitavelmente, agir com violência firme. Pode-se dizer, com mais e mais certeza enquanto a “Era das Trevas” avança, que os homens-deus de ação são derrotados, pelo menos por enquanto, não por terem sido cruéis demais (e, portanto, por terem despertado contra si mesmos e suas idéias e seus colaboradores a indignação das “pessoas decentes”), mas por não terem sido cruéis o suficiente – por não terem matado os seus inimigos em fuga, até o último homem, na breve hora do triunfo; por não terem silenciado tanto os milhões de hipócritas como os seus mestres, os produtores de contos de atrocidades, com violência mais substancial, e extermínios mais completos.

Sendo assim, é evidente que condenar a violência indiscriminadamente é condenar a própria luta das Forças da Vida e da Luz contra as Forças da Desintegração – luta essa, cada vez mais heróica e desesperada, também, enquanto o mundo corre em direção a seu fim. É condenar essa luta que, em cada uma das suas longas e variadas fases, e até mesmo através de desastres temporários, tem assegurado para o mundo, além de seu merecido castigo, o glorioso novo Início, que poucos merecem. Dentro das amarras do tempo, especialmente dentro desta “Kali Yuga”, não se pode ser sempre não-violento, sem contribuir, voluntariamente ou involuntariamente, consciente ou inconscientemente, para o sucesso das Forças da Desintegração; das que chamamos de forças da morte.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (7)

© 2011 ATWA Brasil

~ por ATWA Brasil em 21/02/2011.

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