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Arquivos para março 4th, 2011

O mito de Charles Manson como Jesus Cristo

manson jesuscristo O mito de Charles Manson como Jesus Cristo

Um mito comum sobre Charles Manson é que para os seus supostos “seguidores” ele seria uma reencarnação de Jesus Cristo. Todos que sabem o mínimo sobre Manson ouviram falar disso – isso se confirma pelos comentários postados pelos visitantes desse website. Essa questão foi levantada pelo promotor Vincent Bugliosi durante o julgamento, e usada contra Manson para convencer o júri que o condenou. Mas isso não é verdade. Trata-se apenas de mais um mito, uma mentira perpetuada pela mídia sensacionalista americana e, em seguida, pelo Ministério Público também. Essa mentira apareceu no livro “Helter Skelter”, escrito pelo promotor que condenou Manson, e a partir de então se tornou conhecida entre os leigos como uma verdade.

Charles Manson tem uma explicação clara sobre a forma como ele se tornou conhecido como Jesus Cristo: “Eu costumava andar com esse cara chamado Christopher Jesús. Ele era conhecido como Jesus, mas nós o chamávamos de “Zero”. E os policiais tinham uma lista de quem era quem (eles estavam investigando acusações de incêndio e roubo de veículos), e eles vieram até mim e perguntaram se eu era Jesus [procurando pelo Christopher Jesús]. Eu disse: ‘Não, meu nome é Manson’. E eles disseram: ‘Isso mesmo, você é ele. Manson, o filho do homem, você é ele’. E assim, quando eles me registraram na prisão eles me autuaram com o nome Jesus Cristo”.

Manson contou essa mesma história muitas vezes durante as últimas décadas. É necessário entender que as pessoas que alegavam que ele se auto-intitulava Jesus Cristo não eram pessoas que conheciam Manson por muito tempo. Algumas delas o conheciam apenas há alguns meses, e após os assassinatos em que estavam envolvidas elas simplesmente fugiram: Krenwinkle para o Alabama, Kasabian para New Hampshire, Watson para o Texas e Atkins para outra localidade na Califórnia. É interessante notar que são as histórias dessas pessoas que mudaram vez após vez com o passar de todos esses anos, e não a versão de Manson. É dito que se você achar que alguém pode estar mentindo, basta repetir a mesma pergunta várias vezes. Se a história mudar, as chances são boas de que é tudo mentira.

Outros membros da suposta “Família Manson”, como Steve Grogan e Poston Brooks, confirmam que Manson nunca disse que ele era Jesus Cristo, mas que eles haviam testemunhado Manson fazer coisas que eles julgavam que apenas Jesus seria capaz de fazer. Grogan contou um caso em que Manson uma vez trouxe um pássaro de volta à vida. Poston disse que Manson apenas dizia coisas como “eles me crucificaram” e “eu estava naquela cruz”, com relação a seus anos de detenção. No entanto, Manson ainda fala coisas assim hoje, obviamente em metáfora.

Em seu livro de 1979, “My life with Charles Manson” (“Minha vida com Charles Manson”, em português) Paul Watkins afirmou que Charles Manson, na verdade, ficou chateado quando as meninas começaram a dizer às pessoas que ele era Jesus Cristo. Segundo mais esse membro da suposta “Família Manson”, o título de Jesus Cristo era algo dado a Manson pelas meninas, sem a aprovação do próprio Manson.

E de fato, a maioria das meninas sempre declarou que Manson nunca disse que ele era Jesus Cristo, mas que elas o viam como Deus ou algo semelhante. Susan Atkins foi a primeira a sair dizendo a todos que ele era Deus e Jesus Cristo. Na realidade, foi ela quem batizou Manson dessa forma. Em uma entrevista em 1978, ela diz: “Ele, pessoalmente, nunca se chamou de Jesus Cristo. Ele apenas representava uma pessoa que era como Jesus Cristo para mim”.

Em seu livro publicado em 1978, intitulado “Child of Satan, Child of God” (“Criança de Satã, Criança de Deus”, em português) Susan Atkins menciona duas vezes o seguinte:

Página 87:
“Eu ansiava por ver Charlie. Eu caminhei para fora do ônibus. Charlie estava lá, sozinho. Ele estava vestido com uma longa túnica branca. Eu soube imediatamente que ele poderia ser o próprio Deus; se não, ele era algo perto disso”.

Página 92:
“Os homens se agrupavam em torno dele. Eu contei: havia doze homens. Com seu cabelo longo e barba, os olhos olhando fixamente de rosto em rosto, ele parecia Jesus falando aos seus doze apóstolos. O pensamento simultaneamente me espantou e me emocionou. Foi quando eu senti que ele poderia ser Jesus Cristo”.

Enfim, Susan Atkins foi quem deu início a essa história de que Charles Manson poderia ser Jesus Cristo. Ao que tudo indica, algumas das meninas gostaram da idéia dela – por motivos variados, que vão desde simples brincadeira até realmente a crença em tal coisa. Também foi Atkins quem vendeu a Vincent Bugliosi, o promotor que condenou Manson, esse mito. E como sabemos, foi com o livro de Bugliosi que essa história se tornou conhecida por todos.

Os fatos e as evidências estão disponíveis para todos. Quanto a essa questão de Charles Manson se considerar uma reencarnação de Jesus Cristo, se trata apenas de mais um mito – mais uma fantasia vendida sob o título de “Helter Skelter”, a obra de ficção do promotor Vincent Bugliosi.

 O mito de Charles Manson como Jesus Cristo

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