
Pesquisas divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que entre os censos brasileiros de 1940 e 2000, a população do Brasil cresceu quatro vezes. Ou seja, em números, passou de 41,2 milhões para 169,8 milhões de habitantes. Em 2009, o último censo estima 192,2 milhões de brasileiros – como se pode ver, o crescimento continua acelerado.
Considerando essa realidade, e os perigos dessa situação para o presente e futuro, é vital considerar o pensamento inovador de Thomas Malthus. Algumas passagens de seu trabalho, publicado ainda em 1798, causam um frio na espinha daqueles que vivem e enxergam ao considerar a situação do planeta hoje com a ameaça da superpopulação.
Thomas Robert Malthus nasceu na Inglaterra em 1766. Malthus estudou na Universidade de Cambridge, e ingressou depois na carreira eclesiástica como pastor anglicano. Na história do pensamento econômico, poucos economistas chegaram a suscitar tantas controvérsias como ele. O livro do socialista inglês William Godwin, “Um Inquérito Concernente aos Princípios da Justiça Política e Sua Influência sobre a felicidade e a Virtude em Geral”, provocou um grande impacto na vida de Malthus em 1793. Ele não conseguia concordar com alguns pensamentos de Godwin, como por exemplo: que no futuro não haverá mais um punhado de ricos, mas uma multidão de pobres; que não haverá mais guerras, nem doenças; que o homem não se angustiará nem mais viverá melancolicamente; que não haverá necessidade nem da administração da justiça, nem de governo, entre outras coisas. Diante a isso, Malthus decidiu escrever sua própria visão sobre o futuro da humanidade e o crescimento populacional.
Em 1798, Malthus escreveu e publicou sob anonimato o seu célebre livro, “Um Ensaio sobre o Princípio da População que Afetam o Melhoramento Futuro da Sociedade: com Observações sobre as Especulações do Senhor Godwin, Monsieur Condorcet e Outros Escritores”, uma obra essencialmente polêmica, dirigida os autores e as idéias utópicas oriundas da Revolução Francesa. Malthus foi o primeiro a desenvolver uma teoria populacional relacionando crescimento populacional com a fome.
A teoria de Malthus pode ser compreendida com base em dois fatores: 1) que o alimento é necessário à existência do homem; 2) que a paixão entre os sexos é necessária e permanecerá aproximadamente em seu presente estado. Portanto, a capacidade de crescimento da população humana é indefinidamente maior que a capacidade da terra de produzir meios de subsistência para o homem. De acordo com Malthus, existem dois tipos de obstáculos: 1) obstáculos positivos (a fome, a desnutrição, as epidemias, doenças, as pragas, as guerras), no sentido de aumentar a taxa de mortalidade; 2) obstáculos preventivos (as práticas anticoncepcionais voluntárias), no sentido de reduzir as taxas de natalidade.
Citando Malthus diretamente: “Pode-se seguramente declarar que, se não for a população contida por freio algum, irá ela dobrando de 25 em 25 anos, ou crescerá em progressão geométrica (1,2,4,8,16,32,64,128,256,512,…). Pode-se afirmar, dadas as atuais condições médias da terra, que os meios de subsistência, nas mais favoráveis circunstâncias, só poderiam aumentar, no máximo, em progressão aritmética (1,2,3,4,5,6,7,8,9,10). [...] O poder da população é tão superior ao poder do planeta de fornecer subsistência ao homem que, de uma maneira ou de outra, a morte prematura acaba visitando a raça humana.”
Em outras palavras, não importando os esforços humanos, no fim a fome nivelará a população humana e os alimentos disponíveis no planeta. Alguns comerão e viverão; outros muitos morrerão de fome.
Escrevendo em 1798, Malthus não levou em consideração o avanço tecnológico do homem no setor agrícola – mecanização, irrigação, “melhoramento genético”, etc – o que aumenta a produção de alimentos. De fato aumenta, mas não distribui. Em outras palavras, a população com menos poder aquisitivo continua sem capital (dinheiro) para comprar comida para si, e continua a se proliferar (pois quanto mais filhos, mais mão-de-obra, portanto, mais dinheiro em casa). Malthus também não pôde levar em conta os avanços no campo da medicina, que prolonga a vida humana a limites até então inimagináveis.
Portanto a produção agrícola mundial cresce, e a população humana também cresce – e morre cada vez menos.
Nesse contexto, vale voltar às definições humanas de causas e conseqüências em referência ao que se entende por “praga”. A definição biológica de praga é quando uma população fica com alta taxa de natalidade e baixa taxa de mortalidade, e o número de indivíduos cresce em progressão geométrica de forma anormal no meio ambiente natural. A superpopulação fica então sem controle, até que surjam predadores que façam esse controle externo, ou se os predadores e parasitas (doenças) não aparecerem, o descontrole continua até que acabe o alimento disponível no ambiente. Como explicado por Malthus acima: na ordem natural, a fome nivelará a população humana e os alimentos disponíveis no planeta.
Quando isso acontece, fenômenos biológicos significantes aparecem para conter a explosão dessas populações descontroladas, e esses fenômenos podem ser de várias formas. No caso da população humana, esse controle vem sendo feito com guerras, doenças e miséria. No fim, será a fome – a guerra pelo alimento. ATWA há de agir, essa é a ordem natural.

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