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[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (13)

Abaixo, a décima terceira postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Os objetivos destas pessoas – dos homens dentro do Tempo, por excelência – são sempre objetivos egoístas, mesmo quando, devido à sua magnitude material e importância histórica, eles transcendem imensuravelmente a vida do próprio homem, assim como de fato acontece, às vezes. Isso porque o egoísmo – a justificação da “parte” por mais espaço e mais significado do que lhe é naturalmente atribuído no quadro da totalidade – é a própria raiz da desintegração e, portanto, uma característica indissociável do Tempo. Pode-se dizer, praticamente, que quanto mais uma pessoa é completamente e inexoravelmente egoísta, mais ela ou ele vive “dentro do Tempo”.

Mas, como temos dito, o egoísmo se manifesta de muitas maneiras diferentes. Ele pode encontrar expressão na luxúria da mera satisfação pessoal, que caracteriza o libertino sem vergonha; ou na ganância insaciável do avarento pelo ouro; ou na ambição individual do aspirante a honras e posição social; ou na ambição familiar do homem que está preparado para sacrificar todos os interesses de todo o mundo pelo bem estar e pela felicidade de sua esposa e filhos. Mas o egoísmo também pode aparecer na exaltação da tribo ou da nação de um homem acima de todas as outras tribos e nações, não por seu valor inerente à hierarquia natural da Vida, mas apenas por ser a tribo ou a nação específica daquele homem. O egoísmo pode aparecer – ou melhor, muitas vezes aparece – na exaltação indevida de todos os seres humanos, não importando o seu nível de degradação, acima de todo o resto da criação viva, irrespectivamente da saúde e da beleza destes últimos – a paixão que inspira a tirania secular do “homem” sobre a Natureza. O “amor pelo homem” não está em harmonia com os direitos e deveres ordenados por Deus para cada espécie (assim como para cada raça e cada indivíduo), mas existe num espírito de mera solidariedade entre parentes, bons ou maus, dignos ou indignos, apenas porque são os seus próprios. Homens “dentro do Tempo” sabem apenas diferenciar o que é seu e o que é dos outros, e eles amam a si mesmos em tudo o que é deles.

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© 2011 ATWA Brasil


[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (12)

Abaixo, a décima segunda postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Parte 1

Capítulo 3 – Homens dentro do Tempo, acima do Tempo, e contra o Tempo

Todos os homens, na medida em que eles não estão libertos da escravidão do Tempo, seguem o caminho degenerativo da história, sabendo disso ou não, e gostando disso ou não.

Poucos realmente e completamente gostam dessa situação, mesmo em nossa época – e muito menos em idades mais felizes, quando as pessoas liam menos e pensavam mais. Poucos seguem em frente sem hesitações, sem olhar, em algum momento ou outro, tristemente para o distante paraíso perdido que eles sabem, na sua consciência mais profunda, que eles nunca entrarão; o paraíso da Perfeição dentro do tempo – uma coisa tão distante do presente que as primeiras pessoas sobre as quais temos conhecimento lembram apenas como um sonho. No entanto, eles seguem o caminho fatal. Eles obedecem a seu destino.

Essa submissão à terrível lei da decadência – essa aceitação da escravidão do Tempo por criaturas que vagamente sentem que poderiam ser livres dela, mas que acham que essa é uma tarefa árdua demais para ser apostada; que sabem de antemão que nunca teriam sucesso, mesmo que tentassem – está no fundo da infelicidade incurável do homem, lamentada vez após vez nas tragédias gregas, e também muito antes destas terem sido escritas. O homem é infeliz porque ele sabe, e porque ele sente – em geral – que o mundo em que ele vive e do qual ele faz parte não é o que deveria ser, e o que poderia ser, e o que, na verdade, foi na aurora do Tempo, antes da decadência se armar, e antes da violência ter se tornado inevitável. Ele não é capaz de honestamente aceitar esse mundo como o seu – especialmente não aceitar o fato de que tudo está indo de mal a pior – e ainda assim ser feliz. Por mais que ele tente ser um “realista” e arrancar do destino o que ele puder, quando puder, ainda assim um anseio invencível sobre algo melhor continua no fundo do seu coração. Ele não pode – em geral – desejar o mundo como ele atualmente é.

Mas poucas pessoas – tão raras quanto aquelas libertadas, para as quais o Tempo não existe, e talvez ainda mais raras do que isso – desejam tal mundo; e agem de acordo com essa vontade. Estas são as mais aprofundadas, os agentes mais impiedosos e eficazes das forças da morte na Terra: extremamente inteligentes, e por vezes extraordinariamente perspicazes; sempre sem o mínimo de escrúpulos; trabalhando sem hesitação e sem remorsos no sentido de acelerar a queda da história e (mesmo que não consigam enxergar a situação claramente dessa forma) a chegada da sua conclusão lógica: a aniquilação do homem e de toda a vida.

Naturalmente, eles nem sempre vêem tão longe. Mas quando o fazem, ainda assim eles não se importam. Como a Lei do Tempo é o que é, e como o fim deve naturalmente chegar, para eles vale a pena conquistar todo o lucro que for possível durante esse processo que, afinal, mais cedo ou mais tarde, trará o fim. Como ninguém é capaz de recriar o esperado Paraíso perdido – ninguém senão a própria roda do tempo, depois de ter completado o seu ciclo – então para eles, que podem esquecer completamente essa distante visão, ou que nunca foram capazes de vislumbrar seu brilho; eles, que sufocam em si mesmos o anseio pela Perfeição, ou melhor, eles quem nunca puderam experimentá-la; então assim, para eles vale a pena tentar espremer desse momento (minutos ou anos, pouco importa) todos os prazeres intensos e imediatos que eles puderem, até que chegue a hora em que eles deverão morrer. Para eles, vale a pena deixar a sua marca no mundo – e forçar as gerações a lembrá-los – até a hora em que o mundo morrer. Assim eles se sentem. Para eles, tanto faz o que eles podem causar de sofrimento para os homens ou outros seres vivos agindo como eles agem. Tanto os homens como as demais criaturas são obrigados a sofrer, de qualquer maneira – eles pensam. Qualquer coisa vale, através deles assim como através de outros, se isso puder avançar os objetivos destas pessoas.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (12)

© 2011 ATWA Brasil


[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (11)

Abaixo, a décima primeira postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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A “verdade desagradável” é que o pacifismo, a não-violência e assim por diante, são, na maioria das vezes, apenas ferramentas em serviço das forças de desintegração; truques desonestos para blefar os tolos, para enfraquecer os fortes, e para colocar milhões de covardes e hipócritas (a maioria do mundo) contra as poucas pessoas cuja inspiração política, perseguida implacavelmente pelo seu fim lógico, poderia, talvez, mesmo agora, parar a decadência do homem.

Como foi dito no início, a não-violência só pode existir em um mundo em que a ordem temporal sócio-política é, na escala humana, uma réplica da eterna Ordem do Cosmos. Qualquer pregação eficaz – e qualquer prática parcial – de pacifismo na política, ou seja, dentro do tempo, fora de tal ordem temporal, leva apenas, em última instância, a uma maior violência; a uma maior exploração da natureza viva, e a uma maior opressão do homem nas mãos daqueles que trabalham pelas forças da morte. Mas, há milênios que a ordem perfeita deixou de existir. Ela deve ser recriada antes que a paz possa florescer. E ela não pode, agora, ser criada de novo sem violência extrema, exercida, desta vez, com um espírito altruísta, por homens de visão.

O melhor caminho para aqueles que desejam sinceramente uma paz justa e duradoura seria, portanto, naturalmente, fazer todo o possível para entregar o mundo para os homens de visão, o mais rapidamente possível; ou pelo menos, não tentar impedi-los de conquistá-lo. Infelizmente, a maioria dos pacifistas ou não querem realmente a paz, e apenas fingem querer, ou então realmente querem tal coisa, mas apenas sob certas condições ideológicas que são incompatíveis com a realidade agora, e que se tornarão mais e mais incompatíveis até o final do atual ciclo histórico. Qualquer violência praticada contra seres humanos os choca. As pessoas que apóiam abertamente o uso da força – seja no espírito mais desinteressado e para o melhor dos propósitos – são, por isso mesmo, um anátema em seus olhos. Ajudá-los a conquistar e dominar o mundo? Oh, não! Tudo menos isso! Os ideais dos homens de visão podem muito bem ser ideais da “Era Dourada”; mas os métodos deles! – a atitude cínica deles em relação à vida humana; a perseguição implacável e impiedosa para a eliminação até mesmo de possíveis obstáculos para a realização rápida de seus objetivos altruístas; sua “lógica terrível” (para citar as palavras de um oficial francês na Alemanha ocupada, depois desta guerra) – os nossos pacifistas nunca poderiam se aliar a estes! Como resultado, eles representam algo muito pior – e geralmente sem saber. Pois, através da sua recusa em encarar os fatos e tomar a única atitude razoável que um verdadeiro amante da paz deveria tomar, eles se tornam instrumentos a serviço das forças de desintegração.

Não é possível ter ambas as coisas: quem não está com as eternas Forças da Vida e Luz, está contra elas. A menos que se viva “fora” ou “acima” do Tempo, caminha-se no sentido da evolução inevitável da história – ou seja, no sentido da decadência e dissolução – ou em protesto contra a corrente dos séculos, em uma luta amarga e aparentemente impossível, mas, no entanto, ainda assim bela, com os olhos fixos sobre os ideais eternos que podem ser traduzidos integralmente para a realidade material uma só vez, no início de cada ciclo sucessivo, por cada nova e sucessiva humanidade. Mas é verdade que a minoria corajosa de homens de ação que lutam “contra o Tempo” por ideais da “Era Dourada” é obrigada a tornar-se, conforme o tempo passa, mais e mais cruel em seu esforço para superar uma oposição universal cada vez mais bem organizada e cada vez mais evasiva. E por essa razão, torna-se cada vez mais difícil para que os pacifistas os sigam. Com toda probabilidade, eles continuarão a preferir identificar-se com os agentes mentirosos das Forças das Trevas. E isso é natural. Mais uma vez: está dentro da lei do tempo. As forças da morte devem ter praticamente todo o mundo sob seu controle antes da vinda de um novo recomeço, que sempre nasce como uma reafirmação do triunfo da Vida.

E assim, dia após dia, ano após ano, agora e no futuro, os poderes conflitantes da luz e das trevas não deixam de travar a sua luta mortal, como sempre fizeram, mas cada vez mais ferozmente na medida em que o tempo passa. E na medida em que o tempo passa, a luta também será mais e mais entre uma violência abertamente reconhecida e abertamente aceita, e uma violência desonestamente dissimulada, sendo a primeira colocada a serviço do mais alto propósito da Vida na Terra – ou seja, a criação de uma humanidade ideal, ou de uma humanidade aos moldes da “Era Dourada” – e a outra, colocada a serviço dos inimigos da Vida. E será assim até que, após a queda final – o “fim do mundo” como nós o conhecemos – a liderança da sobrevivência da humanidade caia para aquela elite vitoriosa que, mesmo em meio à decadência geral do homem, nunca perdeu a fé nos eternos valores cósmicos, nem a vontade de desenhar a partir deles, e somente a partir deles, as suas leis de ação.

Essa elite irá, então, não mais ser obrigada a recorrer à violência para impor sua vontade. Ela irá governar sem oposição em um mundo pacífico, em que a Nova Ordem dos seus sonhos será, para todos, o único estado natural e racional das coisas. Até que o homem esqueça novamente a Verdade imutável, volte a agir como se as leis de ferro de causa e conseqüência não lhe afetassem, e novamente se deteriore.

Nada pode parar a roda do tempo.

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[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (10)

Abaixo, a décima postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Essa desonestidade geral sobre a violência, que tem se tornado progressivamente mais comum desde os primórdios da história, está clara hoje na forma como as pessoas deliberadamente escondem de si próprias e dos outros os horrores que eles perdoam, mas que ainda assim são incapazes de justificar.

Muitas das atrocidades cometidas contra os animais com a intenção de avançar conhecimentos médicos são tão terríveis que, apesar de suas alegadas “justificativas”, é “do interesse da ciência” – e do interesse das questões comerciais do mercado de patentes de medicamentos – não permitir que o público saiba sobre elas. E o público é deliberadamente mantido na ignorância – induzido a acreditar que esses horrores não existem realmente, ou que eles não são, na realidade, tão sanguinolentos quanto parecem ser. Sendo assim, logicamente as inúmeras crueldades cometidas por mera curiosidade ou por luxo, ou por diversão, são as mais escondidas – negadas sutilmente. Milhares de tolos bem-intencionados, que falam sobre o suposto “progresso moral” da nossa época, não têm idéia alguma sobre o que se passa em institutos científicos, no comércio de peles ou nos circos.

Milhares de pessoas igualmente bem-intencionadas e igualmente insensatas, que não questionam o que lhes é dado para ler e sabem pouco além do que lhes é oferecido, também não fazem idéia sobre os horrores perpetrados por seus compatriotas em países de outras pessoas como colonos ou como membros de exércitos de ocupação, ou melhor, não fazem nenhuma idéia sobre o que se passa em seus próprios países, atrás das grades, nas câmaras de tortura para a investigação política, e nos campos de concentração. Na verdade, na Inglaterra e em outras nações democráticas, muitos têm a impressão de que seus governos nunca toleraram coisas tais como campos de concentração e câmaras de tortura para seres humanos. Apenas “o inimigo” tinha essas coisas – isso é o que essas pessoas acreditam. Anos atrás, elas teriam de admitir que “todo mundo tem” essas coisas, e deveria tê-las, porque não se pode executar uma guerra sem esses acessórios desagradáveis, mas extremamente úteis. Mas agora a hipocrisia sobre a violência atingiu o seu ápice. Nunca houve no mundo tanta crueldade, aliada a uma tentativa tão generalizada de escondê-la, de negá-la, esquecê-la e, se possível, fazer com que os outros também a esqueçam. Nunca as pessoas têm sido tão dispostas a esquecê-la, com cenários externos “decentes” e agradáveis – casas e ruas em que nenhuma tortura de homens ou animais pode ser vista ou reconhecida – desde que, evidentemente, não seja a crueldade “do inimigo”. A única vez em que homens e mulheres modernos não tentam minimizar horrores, mas na verdade os exageram (e muitas vezes deliberadamente os inventam) é quando esses são (ou são apresentados como) os horrores do “inimigo” – nunca os seus próprios. E isso é em si apenas uma instância adicional da característica geral dos nossos tempos: o amor pelas mentiras.

O que virou o mundo inteiro tão amargamente contra os francos defensores dos métodos cruéis tanto no governo como nas guerras, não é tanto que eles fossem violentos, mas o fato de que eles eram verdadeiros. Mentirosos odeiam aqueles que contam as verdades desagradáveis, e que agem em conformidade com elas.

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Homens e animais: A raiz do debate para ATWA

atwa ordemnatural 2 Homens e animais: A raiz do debate para ATWA

As touradas, a caça, a vivisseção, as peles, os matadouros, as “festas” baseadas na brutalidade contra os animais – esses são temas clássicos de debate quando o tema é a relação do homem com os outros animais. Ambos os lados dessa discussão perdem muito tempo e energia rodeando as mesmas questões e raramente chegando a um consenso. Isso acontece porque dois pontos de vista sempre serão dois pontos de vista, até que algo surja que lhes domine, e os transforme em um único ponto de vista.

O sábio mártir Charles Manson diz: “Tudo é um. Não existem dois. Dois continua sendo um, mas com os seus dois lados. O que você precisa é trazer um símbolo de medo que una os dois lados, e assim eles voltarão a ser um – subjugado pelo seu símbolo.”

Sendo assim, nesse debate eterno sobre a relação entre os homens e os outros animais, o problema é que as pessoas se perdem nos ramos do argumento, e deixam de lidar com o núcleo do problema. Sem lidar com a raiz do problema, o problema persistirá.

Não, o problema não está em discutir se é cruel ou não cada um desses subtemas do relacionamento homem-animais. É pura hipocrisia que um toureiro diga que o touro está contente em ser ferido. O mesmo acontece quando pessoas tentam justificar o assassinato coletivo diário de animais para a alimentação humana. Não, as desculpas para tudo isso sobram. O problema é outro, e ninguém aborda esse problema pela raiz.

O problema é entender se a crueldade contra os animais pode ser aceita em interesses de fins mais ou menos justificáveis para o próprio homem. Por exemplo, milhões de “pessoas” pelariam vivo um cervo se pudessem com isso ganhar um carro de presente. Esse é o verdadeiro problema!

O sábio mártir Charles Manson diz: “O problema são as pessoas!”

E Manson diz: “ATWA não são pessoas. ATWA é ar, árvores, água e animais trancados em zoológicos espalhados pelo mundo.”

Portanto, não vamos às desculpas, e sim direto ao problema. A atormentação do touro é um espetáculo mítico, sangrento como eram os sacrifícios humanos maias. E matar, seja o cervo, ou o pato, ou mesmo um ser humano, faz parte de uma sensação de “poder” inata no interior daquele que mata. Muitos triturariam seu pobre cachorro, depois de 10 anos de tê-lo em casa, se com isso pudessem extrair um remédio que lhes garantisse vidas mais longas. Diz um ditado que “o homem é lobo para o homem”. Mas pobre é a origem desse ditado, que pouco conhecia sobre os lobos e os homens. O homem é uma besta cruel e insensível, capaz de fazer o que nenhum lobo ousaria.

Fato é que para os desejos das massas não existem barreiras. Qualquer crueldade é aceitável se a mesma permitir o alcance de confortos e desejos pessoais. A questão, portanto, é convencer as pessoas a deixarem de ser cruéis, embora isso custe o sacrifício de alguns de seus gostos e desejos. Em outras palavras, não se trata, por exemplo, de proibir ou limitar o consumo de animais como alimento, mas de conseguir com que as pessoas não consigam nem sequer pensar em se alimentar de carne e sangue.

Sendo assim, a solução está mesmo nas palavras do sábio mártir, Charles Manson. O ser humano é fraco e medroso. Tudo o que eles construíram serviu para fortalecê-lo quanto às suas fraquezas diante da ordem natural. Para aqueles que amam a vida, é necessário explorar melhor a maior fraqueza do homem – o medo da morte. Todos os homens nascem condenados à morte, e todos vivem em fuga do dia da execução. O método deve ser cercá-los usando o maior símbolo de medo do coletivo da humanidade: a sua própria extinção. Esse é o símbolo capaz de contornar qualquer debate. Afinal, você abandonaria os seus gostos e desejos se isso lhe salvasse da morte? E essa é a raiz da questão quanto ao relacionamento entre os homens e os outros animais – o problema somos nós. E somente nós podemos resolver o problema.

 Homens e animais: A raiz do debate para ATWA

© 2010 ATWA Brasil