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A beleza de ATWA na época dos dinossauros

atwa florestasdinossauros A beleza de ATWA na época dos dinossauros

Os primeiros mapas detalhados das florestas da Terra na época dos dinossauros foram elaborados. Os padrões de vegetação, juntamente com informações sobre a taxa de crescimento das árvores, apoiam a ideia de que o planeta vivia sob um calor sufocante há cerca de 100 milhões de anos.

Altas temperaturas e possivelmente mais dióxido de carbono atmosférico permitia que florestas crescessem até muito mais próximas dos polos do planeta, expandindo com mais que o dobro da velocidade de crescimento de hoje.

Cientistas elaboraram os mapas depois de criar um banco de dados de mais de duas mil áreas de florestas fossilizadas do período Cretáceo, quando os dinossauros estavam eu seu auge. A pesquisa mostra que a maior parte do planeta era coberta por densas florestas, com mais ênfase nas regiões dos trópicos. Em latitudes médias havia florestas secas de cipreste, e perto do Polo Norte havia florestas de pinheiros.

Naquela época, os trópicos úmidos se estendiam sobre uma área maior do que agora, e climas temperados chegavam muito mais perto dos polos do planeta, que eram cobertos mais por florestas do que por gelo.

Parece, porém, que pouco antes da extinção dos dinossauros, as florestas foram alteradas com a aparição de angiospermas – plantas com flores. Árvores floridas semelhantes às atuais magnólias surgiram, trazendo cor e cheiro ao mundo pela primeira vez. As angiospermas gradualmente assumiram habitats anteriormente dominados pelas coníferas, e pelo final do período Cretáceo já haviam se tornado as árvores mais comuns da Terra.

Segundo o estudo, se o nível de concentração de dióxido de carbono continuar a subir no ritmo atual, a Terra retornará a uma condição climática semelhante à do período Cretáceo em menos de 250 anos. Se isso acontecer, florestas voltarão a ocupar partes do planeta geladas como a Antártida – e os seres humanos não existirão mais para documentar essa transformação.

 A beleza de ATWA na época dos dinossauros

© 2012 ATWA Brasil


Perspectiva de ATWA sobre a questão dos gatos

atwa gatos Perspectiva de ATWA sobre a questão dos gatos

Muitas ONGs, movimentos sociais, e ativistas que se dizem simpatizantes de direitos para os animais e respeito pelo meio ambiente têm falhado enormemente devido a uma básica incompreensão sobre o que está em jogo quando se fala de natureza.

Grupos ingenuamente bem intencionados (e alguns bem financiados) têm colocado pressão em governos locais pelo Brasil a fora a fim de promover programas de captura, castração, vacinação, e devolução de gatos de rua. Isso em nome de alguma noção obscura de respeito à vida dos animais por parte de voluntários genuinamente bem intencionados. Eles tendem a argumentar que programas assim seriam mais “humanos” do que simplesmente sacrificar esses gatos.

Mas isso não passa de imaginação (de novo, bem intencionada) de pessoas que, na realidade, sabem muito pouco sobre a vida animal. Gatos de rua vivem vidas curtas e violentas, e são comumente atropelados por carros, ou mortos por doenças, maus-tratos, ou predação. Mais importante do que isso, eles também representam uma fonte de propagação de doenças como raiva e toxoplasmose para humanos e outras formas de vida nativas. E sejam eles bem alimentados ou não, gatos de rua caçam e matam formas de vida naturais em escalas catastróficas – uma realidade que é longe de ser “humana”.

Algumas estimativas sugerem que exista cerca de 70 milhões de gatos selvagens vagando livremente pelo Brasil – incluindo gatos domesticados criados fora de casa, fugitivos, ou simplesmente selvagens. E baseado nesses números, estima-se que esses gatos matem cerca de um milhão de pássaros a cada dia, e mais de duas vezes esse número de pequenos roedores. Pergunto aos bem intencionados ativistas pelos direitos dos animais: onde estão os gritos de indignação por todas essas mortes?

Toda essa matança vem de um animal que nem sequer é nativo da América. Em suporte dessa afirmação, a União Internacional pela Conservação da Natureza lista os gatos domésticos como “uma das piores espécies invasivas do planeta”, e cientistas de conservação têm soado o alarme sobre a urgência de controlar esses gatos para preservar um equilíbrio ecológico, particularmente em áreas como parques urbanos.

Mas essa ameaça vai além dos centros urbanos. Um recente estudo americano do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas mostrou que o parasita que causa toxoplasmosis, que contamina a água a partir de fezes de gatos, contribui todos os dias para a morte de milhares de mamíferos marinhos, como focas, golfinhos, e baleias.

A ciência é clara: gatos estão causando danos irreparáveis para a fauna nativa, e devem ser mantidos em locais fechados. Infelizmente, muitos oficiais públicos, políticos, e ativistas praticam uma eco-ignorância generalizada sobre a questão dos gatos, ignorando a ciência.

Inspirados bela beleza dos gatos e pela sua aparente fragilidade, pessoas bem intencionadas têm representado um verdadeiro obstáculo para um equilíbrio natural. Essa resposta emocional ignora a ciência, mas é a ciência – e não a emoção – que deve determinar as políticas de como lidar com a questão dos gatos. Quantos outros estudos científicos serão necessários para convencer políticos e ativistas de que é necessário mudar a maneira como está se lidando com o crescimento desenfreado da população de gatos? Já passou do momento de fazermos as perguntas corretas sobre essa questão, e ouvirmos respostas racionais.

 Perspectiva de ATWA sobre a questão dos gatos

© 2012 ATWA Brasil


ATWA Brasil: “Charles Manson: Fãs, não Família”

Abaixo, mais uma produção da ATWA Brasil: “Charles Manson: Fãs, não Família”.

Uma conversa por telefone da ATWA Brasil com Charles Manson, em que o Emissário de ATWA fala sobre a diferença entre fãs e amigos (família). Um alerta aos supostos “simpatizantes” de ATWA e Charles Manson que estão caminhando nas ruas da confusão (Helter Skelter). Com legenda em português, cortesia da ATWA Brasil.

 ATWA Brasil: Charles Manson: Fãs, não Família

© 2011 ATWA Brasil


Algumas contradições sobre quem é Charles Manson

manson hollywood Algumas contradições sobre quem é Charles Manson

Considerando os esforços recentes e as boas notícias quanto à possibilidade da libertação de Charles Manson após esses 42 anos de detenção ilegal (leia sobre isso aqui), é oportuno destacar as mentiras e fabricações elaboradas pelo promotor que condenou Manson em 1969, Vincent Bugliosi. Uma dessas falsas afirmações faz parte do perfil de Manson que Bugliosi criou para o júri popular que veio a condená-lo.

No tribunal, Bugliosi alegou que desde o primeiro minuto que Charles Manson foi libertado da prisão de Terminal Island, em 1967, ele estava “cheio de ódio pela humanidade”, e seu propósito era viajar até São Francisco para decidir qual seria o seu “alvo”. O fato de que Manson realmente pediu aos oficiais da prisão de Terminal Island para não ser libertado foi usado por Bugliosi para justificar esse “ódio” que Manson estaria sentindo. Na realidade, Manson pediu para continuar preso alegando o seguinte: “Não conheço ninguém lá fora, e não conheço aquele mundo. Todos os meus amigos estão aqui. Esse é o meu lar”. Simples assim.

De qualquer maneira, nada do que veio à tona sobre Manson desde então (por exemplo, documentos, palavras em áudio, entrevistas) apóia essa teoria de Bugliosi. Em primeiro lugar, a primeira menina que Manson conheceu ao sair de Terminal Island, Mary Brunner, decidiu viver com ele por sua espontânea vontade, assim como todos aqueles que se tornaram erroneamente conhecidos como “seguidores” de Manson. Se essa palavra deve ser usada, então eram eles que o seguiam, e não Manson que os forçava de qualquer maneira ou os “programava”, como Bugliosi também afirmou.

Todas as informações que existem sobre Charles Manson nesses primeiros anos fora da prisão (1967 e 1968) indicam que ele era um homem muito calmo e cheio de amor. Bugliosi criou a percepção de que Manson é racista (e para os ignorantes, a suástica em sua testa serve de comprovação dessa acusação), mas existem inúmeras ocasiões nessa época em que Manson é abertamente anti-racismo (por exemplo, a entrevista para a Universal Studios em 1967). Quanto a isso, aqui está mais uma contradição do promotor: os supostos “seguidores” de Manson usavam muitas citações anti-racismo. Se eles estavam “programados” por Manson, então não seria essa postura anti-racismo também uma emulação do que Manson pensava e dizia? Mas toda a teoria de Bugliosi que convenceu o júri e condenou Manson está baseada no fato de que ele é racista. De fato, não faz nenhum sentido.

Em uma entrevista realizada com Manson na Universal Studios em 1967, quando ele estava gravando as canções que mais tarde iriam aparecer nos álbuns “Lie: The Love and Terror Cult” e “All The Way Alive” (note, por curiosidade, as iniciais de A-T-W-A nesse título), ele afirma que é “contra todos os tipos de guerra”. A postura documentada de Manson e as informações de seus amigos da época confirmam essa afirmação. Mas se ele era anti-guerras, como é que ele poderia estar tramando o início de uma guerra racial, como o promotor Bugliosi propôs? A questão é bem simples: a suposta guerra racial que Bugliosi tentou – e conseguiu – jogar sobre Charles Manson era um conflito armado que Manson comentou que havia ouvido falar sobre na prisão de Terminal Island. Tratava-se de um ataque que estava sendo planejado de dentro das prisões para muçulmanos negros atacarem civis brancos americanos do lado de fora. Esse ataque de fato aconteceu, em São Francisco em 1973, e tornou-se conhecido como “Zebra Murders” (em português, “Assassinatos da Zebra”).

Naturalmente, imagina-se que um homem “cheio de ódio pela humanidade”, “racista” e envolvido em maquinar uma “guerra racial” – como é o perfil de Manson criado por Bugliosi – falaria desses temas, ou ao menos mencionaria algo sobre isso alguma vez, quem sabe até em suas próprias músicas? Mas não. Nada registrado de Manson em seus anos fora da prisão (1967 – 1969) condizem com esse perfil criado pelo promotor. As suas músicas gravadas nessa época falavam sobre amor, sobre o deserto, sempre com o tema anti-guerra. As suas palavras registradas nessa época são todas anti-racismo, anti-violência, anti-ódio. Elas fazem todo o sentido se comparadas ao que os amigos de Manson da época falavam sobre ele, mas de forma alguma apóiam a teoria vendida por Bugliosi para o júri popular.

Enfim, para tudo nesse caso existe uma explicação clara e lógica. É incrível como a história mirabolante criada pelo promotor Vincent Bugliosi em seu livro best-seller “Helter Skelter” convence tanta gente, enquanto a história verdadeira, que é simples, clara e coerente, é conhecida por tão poucos. Ao que tudo indica, Manson estava mesmo certo quando sentou naquela sala de julgamento: o povo realmente estava à procura de mais um filme de terror de Hollywood, e Manson recebeu o papel de vilão.

 Algumas contradições sobre quem é Charles Manson

© 2011 ATWA Brasil


Chachapoyas: Os índios brancos da Amazônia

atwa chachapoyas Chachapoyas: Os índios brancos da Amazônia

Uma cidade perdida descoberta nas profundezas da floresta amazônica pode desvendar os segredos de uma tribo lendária.

Pouco se sabe sobre o “Povo das Nuvens” do Peru, uma civilização antiga, de pele branca, dizimada pelas doenças trazidas pelos colonizadores europeus no século 16. Mas agora, arqueólogos descobriram uma cidade fortificada em uma área remota e montanhosa do Peru conhecida pela sua beleza natural. Acredita-se que essa descoberta possa finalmente ajudar os historiadores a descobrir os segredos dos “guerreiros brancos das nuvens”.

A cidadela descoberta está escondida em uma das áreas mais distantes da Amazônia. Ela se encontra na borda de um abismo que a tribo pode ter utilizado como um mirante para espionar inimigos.

O acampamento principal é composto por casas circulares de pedra cobertas por mata. Pinturas rupestres cobrem algumas das fortificações, e próximo às residências encontram-se plataformas que teriam sido usadas para moer sementes e plantas para alimentos e medicamentos.

A tribo amazônica dos Chachapoyas tinha pele branca e cabelos loiros – características que intrigam os historiadores, uma vez que não há ascendência europeia documentada na região, onde a maioria dos habitantes é de pele mais escura.

O “povo das nuvens” uma vez comandou um vasto reino que se estendeu através dos Andes, até as margens da floresta amazônica do norte do Peru. Nomeados assim porque viviam em florestas tropicais cheias de névoa e nuvens, a tribo mais tarde aliou-se aos colonizadores espanhóis para derrotar os incas, mas foram todos mortos por epidemias de doenças européias, como o sarampo e a varíola. Grande parte do seu modo de vida, que remonta ao século IX, foi também destruída pela pilhagem, deixando pouco para os arqueólogos a examinarem.

Os cientistas têm grandes esperanças com a nova descoberta, feita por uma expedição ao distrito de Jamalca, na província peruana de Utcubamba, cerca de 800 km a nordeste da capital, Lima.

Até recentemente, muito do que se sabia sobre essa civilização perdida vinha de lendas incas. Até mesmo o nome que eles chamavam a si próprios é desconhecido. O termo Chachapoyas, ou “pessoas das nuvens,” foi dado a eles pelos próprios incas.

Sua cultura é mais conhecida pela fortaleza de Kuellap, no topo de uma montanha em Utcubamba.Dois anos atrás, arqueólogos encontraram uma câmara mortuária subterrânea dentro de uma caverna com cinco múmias – duas delas intactas, com pele e cabelo.

Um historiador da época, Pedro Cieza de Leon, escreveu suas análises pessoais sobre os Chachapoyas: “Eles são os mais brancos e os mais lindos de todos os povos que eu já vi. Suas mulheres são tão bonitas que, por causa da sua beleza, tornam-se esposas dos incas e são levadas para o Templo do Sol”.

Ele também escreveu: “As mulheres e seus maridos sempre se vestem com roupas de lã, e em suas cabeças usam seus llautos [turbantes de lã], um sinal que eles usam para serem reconhecidos por toda parte”.

O território dos Chachapoyas era localizado nas regiões do norte dos Andes, no Peru de hoje. Ele abrangia a região triangular formada pela confluência dos rios Marañón e Utcubamba, na zona de Bagua, até a bacia do Rio Abiseo. Em função do tamanho do Marañón e do terreno montanhoso, a região permanecia relativamente isolada até então.

Abaixo, uma galeria de imagens mostrando um pouco sobre os Chachapoyas, os índios brancos da Amazônia:

 Chachapoyas: Os índios brancos da Amazônia

© 2010 ATWA Brasil


Aquecimento global: Colocando os céticos em foco

atwa aquecimento Aquecimento global: Colocando os céticos em foco

Enquanto caminhamos para a nossa própria extinção, é possível ver todo o tipo de percepção quanto à questão do aquecimento global. A maioria parece compreender que se trata de uma ameaça real, mas apesar disso poucos saem da frente da televisão para fazer algo a respeito. São os agentes passivos. Entre os agentes ativos, existem os que se auto-intitulam “céticos” ou “negacionistas” da mudança do clima. Esses são os objetos de foco desse artigo.

O negócio deles é semear a dúvida, lançar suspeitas e espalhar desinformação. Em todas as guerras a desinformação (ou propaganda inimiga) teve um papel primordial, e no caso da guerra atual do homem contra ATWA não poderia ser diferente. Faz parte da estratégia.

Um de seus argumentos é que o aquecimento global estaria virando desaquecimento global. Afinal, a temperatura média da troposfera (a camada mais baixa da atmosfera) não aumentou desde 1998, o ano mais quente no registro histórico. Mas e se 2010 bater o recorde de 1998? Nada mudará na estratégia provocadora dos negacionistas. Como sempre fazem, ignorarão o dado que lhes seja desfavorável.

Eles passarão para o próximo “argumento”. Por exemplo: que não é possível apurar uma grandeza como a temperatura média da atmosfera, ou que o tratamento estatístico dos dados é manipulação, ou que a atividade solar é a verdadeira causa do aquecimento, e não os gases do efeito estufa. São incorrigíveis.

Acima de uma prova de estupidez perigosa, essa posição dos negacionistas serve como lição para aqueles que realmente lutam por ATWA: não será com números que a ordem natural será restabelecida. Ciência e números são coisas complexas. São coisas que para o homem comum, que faz as coisas do dia a dia como um robô e no fim do dia não quer muito além de uma televisão e um pouco de entretenimento, vão além do conhecimento. Você pode oferecer números sobre tudo, e convencê-los de muita coisa, mas os números parecem ser muito subjetivos. Em outras palavras, com números tudo que parece provável por ser confundido e negado também. Eles não somam muito quando a questão é mobilizar as massas em uma mesma direção.

Para os que procuram números, há boa chance de 2010 se tornar, de fato, o ano mais quente de todos os tempos – ou melhor, desde que se iniciaram as medidas em escala planetária. Não houve outro período janeiro-agosto mais quente que o desse ano. E isso numa fase de atividade mínima do Sol, em que a radiação solar pouco contribui para esquentar a atmosfera além do usual.

Mas nada disso será suficiente para mobilizar a espécie humana com relação ao aquecimento do planeta – causado em grande escala pelas nossas atividades diárias. Aliás, eis aqui outro fator que os negacionistas procuram lutar contra, em um desespero para inocentar a própria espécie. Não passa de antropocentrismo mal formulado. Não reconhecer que embarcamos no caminho errado é cavar a própria sepultura.

Mas a “esperteza” dos céticos encontra barreiras, sim. Seu limite está na nossa própria capacidade de buscar a melhor ciência, contornar as armadilhas do senso comum e pensar com a própria cabeça.

A alavanca da revolução contra a poluição não serão os números. Resta saber se haverá alguma outra ferramenta para isso antes que ATWA decida, de vez, nos expulsar dos seus domínios.

 Aquecimento global: Colocando os céticos em foco

© 2010 ATWA Brasil


Sobre Charles Manson e ATWA para o Brasil

atwa guerramentiras Sobre Charles Manson e ATWA para o Brasil

A ATWA Brasil é uma concepção relativamente recente. As idéias que culminaram no desembarque desse pensamento no território brasileiro existiam há algum tempo antes de serem comunicadas abertamente a todos, mas ainda assim se trata de um fenômeno novo. Sendo assim, é compreensível que as pessoas que se interessam (ou não) por esse modo de pensar e agir tenham dificuldade em assimilar o que ATWA propõe.

Inicialmente, as pessoas que ouvem falar de ATWA questionam a figura de Charles Manson como mentor intelectual desse pensamento. Muitas pessoas concordam inteiramente com o que ATWA parece sugerir, mas quando pensam em Charles Manson ficam com um “pé atrás”. Trata-se de um comportamento lógico e compreensível, afinal, muita desinformação foi fabricada sobre Manson desde que ele foi preso em 1969. São mais de 40 anos de pessoas falando “por” e “sobre” Charles Manson, e muito pouco disponibilizado de Charles Manson falando por si mesmo. As palavras, os conceitos, as idéias são colocadas sobre ele. Nesse contexto, é natural mesmo que as pessoas tenham dificuldade em compreendê-lo.

Um dos propósitos da ATWA Brasil é precisamente oferecer um pouco mais de Charles Manson falando sobre ele mesmo para o povo do Brasil. Infelizmente, em língua portuguesa temos apenas um ou dois livros e um filme, todos baseados – ou escritos – pelo promotor do caso de condenou Charles Manson e fez disso a sua fortuna: Vincent Bugliosi. Até a ATWA Brasil desembarcar no sul do continente americano, o povo brasileiro era refém dessa única versão da história de Charles Manson, escrita por aquele que inventou tal história, vendeu ao público, e condenou Manson (com suas fabricações) no tribunal do estado da Califórnia. Mas agora, e a cada dia mais, Charles Manson tem sua voz comunicada em língua portuguesa. Das milhares de pessoas que a ouvem, algumas acordam e compreendem, enquanto outras permanecem cegas. Mas até então, nem isso era possível.

Levará tempo e empenho para que os julgamentos das pessoas mudem sobre Charles Manson. Foi assim para construir o mito do “monstro Manson” – o “homem mais perigoso que já viveu”, como estamparam na capa da revista americana Rolling Stone. Para resgatar a imagem de Manson também levará tempo, mas a realidade nunca é derrotada. Com o tempo, ela será estabelecida, por bem ou por mal. A luta de Charles Manson nunca foi outra senão ATWA. As confusões, as mentiras, e as incertezas que ofuscaram isso são fruto daqueles que fizeram seus milhões de dólares vendendo ao público uma história mirabolante – em outras palavras, vendendo ao público o que o público queria. Fizeram da simples realidade um filme de ficção de Hollywood, e o publicou compareceu em massa.

O que não lhes foi dito é que ao atropelar os direitos de Charles Manson no tribunal, a fim de promover uma história fictícia que resultou na fama e riqueza de uns poucos advogados, juízes, jornalistas e políticos, todos os direitos de todas as pessoas foram atropelados também. Quando um direito foi tirado, todos os direitos de todos foram tirados. Não há leis enquanto a lei permanecer enterrada. Para ATWA, ATWA é a única lei. Todos os livros, páginas escritas, assinaturas desse ou daquele outro, não passam de piadas até que a lei e a ordem sejam resgatadas.

ATWA desembarcou no Brasil porque nós temos o coração e os pulmões dessa luta. O Brasil está no foco da guerra do homem contra a natureza. Charles Manson está pendurado na cruz há mais de 40 anos, mas a sua luta não tem fim porque aqueles que o penduraram na cruz penduraram a eles mesmos. A luta de Charles Manson é uma: ATWA. É resgatar ATWA, é uma guerra santa contra a poluição, contra a destruição da vida.

A luta de Manson pela sua sobrevivência nesses mais de 40 anos de encarceramento ilegal serve como uma analogia para a luta de ATWA pela sua sobrevivência contra os horrores causados diariamente pelas ações humanas. O centro dessa realidade é que somente o próprio homem pode colocar um fim a essa guerra que ele mesmo iniciou. Existe uma chance de se salvar, e essa chance se resume em reconhecer e aceitar a ordem de ATWA.

 Sobre Charles Manson e ATWA para o Brasil

© 2010 ATWA Brasil


Charles Manson e as recentes histórias falsas

manson desenho Charles Manson e as recentes histórias falsas

Charles Manson e os acontecimentos ao redor da sua vida têm sido explorados pela mídia inúmeras vezes. Histórias sensacionalistas escritas para agradar o público servem apenas a um propósito – fazer dinheiro. Muito dinheiro foi feito à custa desse tipo de histórias vicárias que muitas vezes são completamente falsas, e em alguns casos nascem daqueles dispostos a mentir para simplesmente chamar a atenção.

Duas histórias que circularam no ano passado, na época do 40º aniversário dos assassinatos de 1969, são bons exemplos deste tipo de campanha publicitária da mídia corporativa: um músico incógnito afirmou ser o filho de Charles Manson, e alguém alegou que Charles Manson havia escrito uma carta para Phil Spector (produtor musical conhecido por produzir o último álbum dos Beatles) dizendo querer trabalhar com ele. É necessário um pouco de cautela para lidar com essas duas histórias. Como qualquer pessoa inteligente sabe: você não pode acreditar em tudo o que lê.

  

História falsa número um: Matthew Roberts

Matthew Roberts, da banda de rock amadora “New Rising Son”, afirmou ser filho de Charles Manson, e tem inventado uma história banal em torno de ser filho de uma mulher mentalmente instável de Wisconsin, que supostamente teria sido estuprada por Manson em uma festa regada a ácido. Essa história esteve por todos os tablóides, inclusive no Brasil, embora nenhuma evidência substancial para provar a reivindicação ter sido apresentada.

Existem algumas questões para se considerar. A pessoa que diz ser filho de Manson inventou o nome da sua banda, “New Rising Son”, e apareceu pela primeira vez em público em um programa de rádio barato em busca de atenção para si mesmo, alegando como é terrível descobrir que Manson é o seu suposto pai. Essa reivindicação aparece em seu site pessoal e em páginas de perfil da banda espalhadas pela internet. A página do MySpace da banda “New Rising Son” tem como introdução o seguinte: “Bem-vindos ao mundo dele – a primeira letra de música da canção-título, New Rising Son, diz tudo – o que você faria se descobrisse que Charley [sic] Manson estuprou a sua mãe?” De fato, a história está sendo bem aproveitada por Roberts para chamar a atenção e divulgar o seu trabalho.

A sua suposta e possivelmente imaginária mãe nunca se pronunciou sobre o caso – de fato, ela nem nunca apareceu. Roberts também não forneceu mais informações para comprovar a história que tem contado. Tudo indica que seja apenas um caso de imaginação fértil, sem nenhuma prova de que essa suposta mãe exista mesmo ou que o próprio Roberts tenha sequer falado com ela. Nem sequer documentos que mostrem que ele foi adotado por tal mulher apareceram. O músico amador soltou essa história na mídia, os tablóides passaram o mito a diante, e a banda “New Rising Son” teve os seus quinze minutos de fama.

Roberts afirma que a sua mãe lhe disse que seu nome era “Laurence Alexander”, o que é bastante conveniente, pois ele tem um par de cartas escritas por Charles Manson dirigidas a um suposto homem com esse nome. As cartas não foram escritas para Matthew Roberts. É possível que elas tenham sido escritas para alguém e adquiridas por Roberts (muitas cartas de Manson são vendidas online por valores razoáveis), ou que ele simplesmente tenha inventado esse nome. Uma pergunta basta: onde está a sua certidão de nascimento com o nome “Laurence Alexander”. Nenhuma resposta.

Nada nas cartas de Charles Manson fazem sentido com relação às afirmações de Roberts. As cartas contêm imagens abstratas e metáforas relativas a motociclistas e patriarcado, temas comuns considerados por Manson. As cartas também retratam um sentimento de consciência sobre uma possível crise de identidade de Roberts. Enfim, Manson teve a gentileza de escrever a carta para quem quer que seja “Laurence Alexander”. Roberts simplesmente usou essa história para fazer um nome para si mesmo.

Roberts afirma que sua mãe foi apanhada por amigos de Manson em Wisconsin em 1967 e trazida com eles de volta para a Califórnia. Nas dezenas de livros escritos sobre a chamada “Família Manson”, não há nenhuma menção de que eles tenham viajado na costa oeste dos Estados Unidos com o ônibus negro, de terem ido até Wisconsin e ainda ter trazido pessoas de lá para a Califórnia – isso incluindo as autobiografias das pessoas que estavam lá. O que Manson e seus amigos estavam fazendo no verão de 1967 está escrito em vários livros. As informações podem não ser exatamente precisas, mas se eles tivessem viajado todo o caminho até Wisconsin e ainda trazido de volta alguém, seria muito estranho que até hoje tal história não tivesse sido mencionada por ninguém.

Roberts afirma que a sua mãe conhecia Mary Brunner, a mãe do verdadeiro filho de Charles Manson. O filho de Manson e Brunner, que foi chamado de “Sunstone Hawk”, já teve muita coisa escrita sobre ele no passado. Ele foi entrevistado na televisão, e não tem qualquer semelhança com Matthew Roberts. Roberts afirmou que sua mãe era loira e de olhos azuis, como Mary Brunner, o que não parece plausível ao olhar para as características físicas de Roberts. Se Charles Manson tivesse um filho com uma mulher loira e de olhos azuis, a criança teria uma aparência norte-européia, assim como o verdadeiro filho de Charles Manson. Roberts não tem essas características.

Houve muitos casos de crianças impostoras no círculo da suposta “Família Manson”. Lembra-se de Julian, o filho impostor de Ouish? O caso de Matthew Roberts não é novo, e não é original. Pessoas como ele mentiram no passado, e outros mentirão sobre isso no futuro.

Quanto tempo passará até que mais essa falsidade seja desmentida?

 

História falsa número dois: Phil Spector

Algum tempo atrás, foi publicada uma história alegando que Charles Manson queria gravar músicas com Phil Spector. Aparentemente, a história foi criada com base em um fato simples: Phil Spector iria para a prisão de Corcoran, na Califórnia, a mesma em que Manson está hoje. Alegou-se que Charles Manson havia passado uma nota para Spector afirmando seu desejo de gravar músicas com ele. Nenhuma nota existiu, e não foi Spector quem lançou essa mentira. Charles Manson nunca escreveu uma nota para Phil Spector, e nunca expressou desejo de trabalhar com ele. Além disso, o Departamento de Administração Penitenciária da Califórnia também negou a história. Charles Manson e Phil Spector estão alojados em instalações separadas, muito distantes, cada um com uma equipe separada de guardas. Essa história simplesmente nunca aconteceu.

Charles Manson negou essas duas histórias, chamando-as de falsas. Ele também manifestou pouco interesse em ambas.

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Árvores de Natal: Perder ou perder?

natal Árvores de Natal: Perder ou perder?

Uma Breve História das Árvores de Natal

A origem da árvore de Natal é mais antiga que o próprio nascimento de Jesus Cristo, ficando entre o segundo e o terceiro milênio AC. Naquela época, uma grande variedade de povos indo-europeus que estavam se expandindo pela Europa e Ásia consideravam as árvores uma expressão da energia de fertilidade de ATWA, ou a Mãe Natureza. Por isso lhes rendiam culto. A árvore era um símbolo pagão de adoração à natureza, em festas relacionadas principalmente a solstícios – o ciclo contínuo da vida.

O carvalho foi, em muitos casos, considerado a rainha das árvores. No inverno, quando suas folhas caíam, os povos antigos costumavam colocar diferentes enfeites nele para atrair o espírito da natureza, que se pensava que havia fugido.

Mas essa origem têm pouco haver com as árvores de hoje. A árvore de Natal moderna surgiu na Alemanha, e suas primeiras referências datam do século 16. Foi a partir do século 19 que a tradição chegou à Inglaterra, França e Estados Unidos. Depois, já no século 20, virou tradição na Espanha e na maioria da América Latina – incluindo o Brasil.

Árvores de Natal e a Sociedade Consumista

Desde a globalização das árvores de Natal, essa prática que nasceu como uma reverência a ATWA se tornou apenas mais uma mera indústria – mais um mercado de exploração. O sentido foi rapidamente perdido. A profundidade da falta de consciência é tamanha que poucos sabem hoje o significado das árvores de Natal. Alguns associam a Jesus Cristo, obviamente. Outros pensam somente como uma peça de decoração. Outros a vêem apenas como o objeto que dá sombra aos presentes – mais um crime contra o espírito de ATWA. Tudo caminhou em paralelo à adoração do Deus Dinheiro, e assim tudo foi perdido.

Nesse contexto contemporâneo, vale entender o paradoxo e o peso dessas decisões. Criou-se uma situação insustentável, em que ter uma árvore de Natal é dificilmente um bem para ATWA, a simplicidade da vida.

Para ilustrar essa questão, vale considerar a cultura de Natal dos Estados Unidos, que foi exportada para a América Latina – com o Papai Noel vermelho da Coca-Cola, a árvore com luzes e às vezes coberta de neve, etc. É em grande parte o Natal americano que nós comemoramos no Brasil.

De acordo com um recente estudo da Universidade de Illinois, são cortadas aproximadamente 31,3 milhões de árvores todos os anos para enfeitar os lares americanos. Outras pesquisas passadas afirmam que esse número varia entre 33 e 36 milhões. Esse é um mercado enorme nos Estados Unidos, que foi aberto em 1850, quando árvores de Natal passaram a ser vendidas comercialmente. Até recentemente, todas as árvores de Natal eram cortadas de florestas naturais. Com a destruição do que restava das florestas americanas, passou-se então a produzir árvores de Natal para o corte. Plantar para matar. Em 2009, uma árvore de Natal nos Estados Unidos custa em média 41,50 dólares. Isso significa que algo em torno de 1,3 bilhões de dólares foram gastos em 2009 para enfeitar os lares americanos. Agora pense na competição em Copenhague sobre quem gastaria mais ou menos, todos regulando migalhas para tentar resgatar ATWA. O que poderia ser feito para balancear o desmatamento ou a destruição de habitat com 1,3 bilhões de dólares anuais?

No Brasil, essa questão caminha em paralelo com outro paradoxo: as árvores de Natal artificiais. Alguns consideram essas árvores uma solução para o assassinato generalizado de árvores na época do Natal, mas a verdade passa longe disso. Trata-se hoje de um caso de perder ou perder quando se fala de árvores de Natal.

No mundo, existe o embate evidente do interesse econômico entre produtores de árvores naturais e os vendedores das artificiais, como uma forma de concorrência, sobre a qual podemos encontrar milhares de páginas na Internet. Essa concorrência é clara para qualquer brasileiro, porque o sentimento por trás da compra da árvore é puramente material – o respeito por ATWA parece ter morrido. No sul do Brasil, por exemplo, temos magníficas coníferas plantadas nos jardins sem nenhuma decoração, tendo ao seu ao lado a artificialidade do resíduo (ou popularmente lixo) das árvores feitas de garrafas PET ou outros “plásticos”, induzindo um falso respeito e que este plástico não vai logo após o Natal virar resíduo ou lixo novamente.

Nessa competição entre perder e perder, no Brasil parece que as árvores de lixo venceram. Em uma breve pesquisa na Internet, usando as palavras “plantio de árvore de Natal natural”, encontra-se meia dúzia de sites, e a mais recente matéria é de um produtor que espera vender, de árvores plantadas tipo Tuia, no Paraná, algo em torno de 100 mil reais este ano, o equivalente a umas 5 mil unidades. Nossos artesanatos de garrafas PET são úteis, devem ser estimulados, mas não resolvem o fim do PVC, que volta a ser plástico com dificuldade de eliminação natural.

Enfim, o paradoxo é esse: plantar para matar, ou simplesmente poluir? Não existe vitória ou honra nessa guerra. O homem parece ser capaz de plantar uma árvore se ela for convertida em dinheiro, mas incapaz de fazê-lo por ele mesmo e pela Terra. Árvores de lixo? O lixo não deixa de ser lixo, e lixo nós temos mais do que somos capazes de lidar. Um símbolo de vida foi transformado em apenas mais um mercado, e é simples assim como chegamos onde estamos. Podemos orar, pregar e nos emocionar, mas estamos de joelhos diante do Deus Dinheiro.

Que o plástico das árvores artificiais continue com os bons produtores chineses ou coreanos e que agricultores brasileiros sejam estimulados a plantar e plantar florestas, inclusive para o Natal. Seria o mínimo para fazer do Natal uma verdadeira comemoração.

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Charles Manson: Mitos e fatos

 Charles Manson: Mitos e fatos

Quando o álbum de Charles Manson intitulado “Lie: The Love and Terror Cult” foi lançado durante o julgamento de 1970, poucos perceberam que a intenção do disco, algo que era explícito na capa e no título do álbum, era refutar as mentiras sensacionalistas publicadas na revista Life em sua edição de 19 de dezembro de 1969.

Durante o julgamento, muitos dos argumentos usados pela acusação para convencer o júri popular a condenar Manson eram teorias que haviam sido vendidas pelos próprios advogados da acusação à revista. Essas teorias publicadas pela revista Life durante o julgamento de Manson se tornaram mitos conhecidos mundialmente – basicamente, o que a pessoa comum sabe hoje sobre Charles Manson são esses mitos. A idéia de que havia uma “Família Manson”, e o próprio termo “Família Manson”, foram publicados pela primeira vez na edição da Life de 19 de dezembro de 1969. A teoria de que Manson e seus conhecidos eram “hippies”, e de que Manson era um “líder” e os demais eram “seguidores”, também foram publicadas pela primeira vez nessa mesma revista.

Muitos desses mitos foram vitais para a acusação conseguir a condenação de Charles Manson. Eles se tornaram tão conhecidos entre as pessoas que o júri popular era incapaz de separar os mitos dos fatos. Todas as teorias conspiratórias podem ser encontradas no livro Helter Skelter, escrito por Vincent Bugliosi, o promotor do caso que conseguiu a condenação de Manson. Infelizmente, esse livro cheio de histórias mirabolantes se tornou a principal fonte de informação sobre o caso de Charles Manson.

Portanto, lidar com alguns desses mitos, e separá-los dos fatos, é a proposta dessa seção.

Mito 1 – Charles Manson é um assassino

A hipótese de que Charles Manson seja um assassino, ou como ainda é mais comum, um assassino-serial, tornou-se tão amplamente aceitada que a maioria das pessoas a consideram como uma verdade incontestável. Não é à toa que fotos de Manson rotineiramente ilustram as capas de revistas e DVDs sobre assassinos famosos. Até mesmo entrevistadores famosos assumem que Manson é de fato um assassino, como disse Geraldo Rivera em sua famosa entrevista com Manson: “Você é um cachorro, um assassino-serial!”

Apesar disso, Manson nunca matou ninguém. A própria acusação nunca alegou que ele tenha matado qualquer uma das pessoas por quais os assassinatos ele foi condenado. Segundo a acusação, Manson nunca esteve na residência de Sharon Tate, e ele teria abandonado a casa da família LaBianca antes de qualquer pessoa ter sido agredida. Apesar da coleção de rumores de que Manson tenha matado e enterrado pessoas em Spahn Ranch, até hoje, após inúmeras investigações e escavações, não existe qualquer evidência que sustente tais mitos.

Mito 2 – Charles Manson era obcecado pela banda The Beatles

Esse mito foi elaborado pelo promotor, Vincent Bugliosi, para sustentar a sua teoria, conhecida como Helter Skelter, que acabou por condenar Manson pelos assassinatos conhecidos como Assassinatos Tate-LaBianca. Sem o apoio da mídia sensacionalista que repetia as palavras da acusação diariamente na televisão, rádio, jornais e revistas, seria impossível convencer o júri popular sobre a teoria de Helter Skelter.

É difícil de acreditar que um homem de mais de 30 anos de idade, que viveu em orfanatos, centros de detenção juvenis e prisões federais, que passou pelas mais difíceis condições possíveis nos Estados Unidos da década de 1960, sairia da prisão e se tornaria o fã número um da então moda jovem chamada The Beatles. Não é muito provável. Obviamente, Manson ouviu a música dos Beatles, e a banda era parte do mundo de Manson assim como era parte do mundo da maioria dos jovens e adultos na década de 1960. Mas dizer que Manson era obcecado pelos Beatles é simplesmente mais um mito da acusação.

A maioria prova disso é a própria música de Charles Manson. De todas as faixas de áudio que são hoje disponíveis, sejam elas releases profissionais não-autorizados ou material de circulação underground, nada se assemelha ou tem haver com qualquer trabalho relacionado aos Beatles. Se Manson era mesmo obcecado pelos Beatles, não seria natural que existisse no mínimo uma semelhança mínima entre a música de Manson e a música dos Beatles?

Mito 3 – Charles Manson queria ser um artista reconhecido

Na sociedade ocidental, e especialmente nos Estados Unidos, celebridades e chamar à atenção das pessoas se tornaram coisas tão importantes que muitas pessoas que se destacam em alguns campos (sobretudo na música, cinema e esportes) podem atingir um status e adoração que tempos atrás era algo reservado para grandes líderes políticos, heróis militares, etc. Hoje, ser reconhecido é tido como um sinal de grandeza. Em função desse “culto de celebridades”, que nasceu com a indústria cultural dos Estados Unidos, se tornou plausível para muitas pessoas acreditar que fama e dinheiro representam o desejo de todos.

Mas basta uma pequena análise da vida de Charles Manson para compreender que esse fascínio pelo reconhecimento público era uma realidade muito distante. Manson, quando não estava encarcerado, morou nas ruas e nas áreas desérticas da Califórnia. Ele raramente saía do deserto para “fazer parte” da sociedade americana. Em um tom de ironia quando questionado pelo entrevistador Tom Snyder em 1981 sobre esse mito, Manson foi claro: “Eu tive todo o dinheiro do mundo três vezes, e ele só serviu para ser devolvido. Para que serve ter dinheiro? No rancho (Spahn Ranch) nós imprimíamos o dinheiro, colocávamos nossos rostos nele”. Não existem evidências de que Manson sonhasse em se tornar uma celebridade, mas existem dezenas de fatos que comprovam que a vida que ele desejava era underground, às margens da sociedade consumista americana.

Mito 4 – A existência de uma suposta “Família Manson”

As pessoas que moravam ou visitavam o Spahn Ranch nunca se referiram a eles mesmos por qualquer nome coletivo. O que existiu no Spahn Ranch, e Charles Manson abertamente falou sobre isso diversas vezes, era um grupo musical underground chamado “The Family Jams”. O que aconteceu é que o termo “Family”, usado no nome do grupo musical foi aproveitado pela mídia sensacionalista, e colocando Manson com a figura de um líder, e portanto um pai, surgiu o termo tão conhecido: “Família Manson”.

Os promotores do caso, aliás, fizeram parte da elaboração desse termo ao vender informações sigilosas do julgamento à revista Life para a sua edição de 19 de dezembro de 1969. Ao promover Manson como o pai dessa suposta “Família Manson”, se tornou possível colocar todos os jovens que de fato participaram dos Assassinatos Tate-LaBianca como filhos, seguidores de Manson e, portanto, sob responsabilidade dele. O termo “Família Manson” não é nada mais do que um mito, uma expressão conveniente usada pela acusação para implicar e condenar Manson pelos assassinatos de 1969. É triste que a maioria das pessoas tenha comprado essa história.

Mito 5 – Charles Manson era o líder da “Família Manson”

Primeiramente, se nunca existiu uma “Família Manson”, então é impossível que tenha havido um líder para tal grupo. De qualquer maneira, tirando de lado os jovens que cometeram os assassinatos de 1969 e que viam na teoria de incriminar Manson como líder uma esperança de escapar da prisão, a maioria das pessoas que moravam e visitavam o Spahn Ranch deram testemunhos de que, na comunidade, não havia líderes nem seguidores.

Mito 6 – Charles Manson e seus amigos abusavam de drogas

Embora seja até ridículo negar que as pessoas que frequentavam o Spahn Ranch usavam substâncias como maconha, LSD, mescalina, peiote e cogumelos psicoativos, fato é que não existem evidências de que houvesse qualquer utilização generalizada dessas drogas ou de outras drogas como cocaína ou anfetaminas. Esse fato é bem documentado até por testemunhas que decidiram apoiar os advogados da acusação em condenar Manson, como por exemplo, Paul Watkins.

O líder das suas noites de assassinatos em agosto de 1969, Charles “Tex” Watson, em seu livro “Will You Die For Me?”, também demonstra que, na maioria das vezes, Charles Manson tentava impedir que os jovens abusassem das drogas no Spahn Ranch. Muitos outros frequentadores do Spahn Ranch confirmaram que Manson “colocava para correr” pessoas que abusavam de drogas. Em todos os seus livros escritos pós-prisão, Tex Watson e Susan Atkins, principais figuras dos crimes de 1969, afirmam que tinham que se esconder de Manson e dos demais frequentadores do rancho para usar algumas drogas como anfetaminas. Além disso, nas diversas batidas policiais no Spahn Ranch, não foram apreendidas quantidades substanciais de drogas.

Mito 7 – O motivo dos Assassinatos Tate-LaBianca era dar início a Helter Skelter

Esse é o maior dos mitos – e o mais importante, uma vez que ele é o único que incrimina Charles Manson, e é o mito pelo qual ele foi condenado a prisão perpétua. De todos os mitos criados durante o julgamento, esse é o único que supostamente evidenciaria uma motivação pessoal de Manson por trás dos Assassinatos Tate-LaBianca. Motivação pessoal não é uma necessidade para a acusação conseguir uma condenação nos Estados Unidos, mas é um fator importantíssimo, uma vez que a decisão final é do júri popular. Apresentada uma motivação, dificilmente um júri inocenta um réu. Foi assim no caso de Manson.

Por outro lado, a ausência de uma motivação pessoal é uma evidência substancial de inocência. O advogado da acusação, Vincent Bugliosi, assumiu de imediato no início do julgamento que Manson era culpado por todos os crimes, e a sua missão a partir de então foi encontrar meios de relacionar Manson com os assassinatos. Nenhuma outra teoria sobre o caso ou interpretação de qualquer evidência foram considerados. Acontece que, mesmo assim, a acusação enfrentou dificuldades em incriminar Manson, principalmente porque não se encontrava uma motivação pessoal. Bugliosi, em seu livro best-seller sobre o caso intitulado Helter Skelter, dedica mais de 60 páginas à dificuldade de mostrar que Manson havia uma parcela de culpa pelos assassinatos. Sendo assim, é compreensível que a única teoria encontrada por Bugliosi tenha sido algo fantasioso e literalmente inacreditável: a teoria de Helter Skelter.

Resumidamente, a teoria de Helter Skelter é a seguinte: a “Família Manson”, liderada pelo manipulador e criminoso Charles Manson, era uma comunidade de racistas drogados que pretendiam iniciar uma guerra racial nos Estados Unidos, cometendo assassinatos chocantes contra brancos e fazendo parecer terem sido crimes cometidos por negros. A revolta consequente causaria os brancos a retaliarem contra os negros, dando início à guerra, apelidada de Helter Skelter.Enquanto a guerra se desenvolvia, Manson e o seu grupo de seguidores iriam se esconder em um poço escondido no meio do deserto de Death Valley, na Califórnia. Segundo a teoria, os negros venceriam a guerra contra os brancos, mas seriam incapazes de governar sem a ajuda de pessoas brancas. Nesse momento, os únicos brancos restantes, a “Família Manson”, sairia do seu esconderijo para governar. De fato, é uma história mirabolante, que só poderia mesmo virar um best-seller ou um filme de Hollywood. Seria injusto tirar esse crédito de Vincent Bugliosi, mas acontece que Charles Manson foi de fato condenado por essa fantasia.

O motivo verdadeiro por trás dos assassinatos era, na realidade, bem simples: tirar um dos amigos de Spahn Ranch, Bobby Beausoleil, da prisão. Dias antes, Beausoleil havia sido preso após esfaquear Gary Hinman em uma briga por dinheiro de venda de drogas. A idéia dos jovens que cometeram os Assassinatos Tate-LaBianca, sob a liderança de Charles “Tex” Watson, era repetir crimes semelhantes nas redondezas, a fim de indicar à polícia que o verdadeiro assassino de Hinman estaria ainda em liberdade. Eles acreditavam que isso poderia fortalecer a defesa de Beausoleil e livrá-lo da prisão. Esse motivo, muito mais realista e carregado com provas e evidências, foi descartado pelos advogados da acusação. O motivo real era esse, mas só havia um problema: Charles Manson não estava envolvido.

Mito 8 – O livro “Manson em Suas Próprias Palavras” é de Charles Manson

“Existe alguma maneira de apagar esse livro? Essa coisa tem sido uma maldição. Tem destruído todos nós e ATWA por mais de 10 anos. Deveria ser o suficiente!”. Foi isso que Charles Manson escreveu em uma carta. Tirando de lado as próprias palavras de Manson, que sempre negou ter envolvimento com esse livro, a maior evidência de que o livro não tem participação de Manson é que as palavras supostamente usadas por ele no livro são extremamente diferentes das que ele normalmente usa, tanto falando como escrevendo. Até mesmo Vincent Bugliosi afirmou que as palavras não podem ser de Manson.

Isso não é surpreendente, porém, porque nas entrevistas que o autor do livro diz ter feito com Manson ele não teria direito a um gravador de voz ou a escrever suas anotações. Em função dessas limitações, e de outros motivos pessoais do autor do livro, como por exemplo a intenção de lançar um livro best-seller, muito do que é apresentado como as palavras literais de Manson deve ser ignorado. No fim, o livro representa uma coletânea de palavras, idéias, pensamentos e percepções do próprio autor, Nuel Emmons, e não de Charles Manson. Para encerrar com esse mito, existem dezenas de evidências que comprovam que muitos dos acontecimentos descritos no livro nunca aconteceram.

Mito 9 – O pai de Charles Manson era um homem negro

Esse mito foi criado pelo advogado de acusação, Vincent Bugliosi, em seu livro best-seller sobre o caso de Manson intitulado Helter Skelter. Segundo o autor do mito, o pai de Manson era um homem negro, e isso teria motivado Manson a se tornar um homem branco racista a fim de promover uma guerra racial. Não é diferente da história tão contada sobre a avó de Adolf Hitler ter sido uma judia. No melhor das contas, trata-se de um argumento ridículo.

Primeiramente, Manson não carrega nenhum traço genético de uma pessoa negra. Por menos negro que o pai de Manson possa ter sido, sempre existem traços físicos reconhecíveis. Além disso, o autor do mito baseia-se puramente no antigo mito de que “o cozinheiro de cor Colonel Scott” era o pai de Manson. Esse é um dos mistérios que emergiram durante o julgamento, em que a figura de Manson transformava-se diariamente, em mutações fantásticas geradas pela fome de audiência da mídia sensacionalista americana. Mas mesmo que o misterioso Colonel Scott fosse o pai de Manson, é improvável que ele (Scott) fosse negro. Para provar isso, basta dar uma breve olhada nas antigas reportagens publicadas em maio de 1969 no jornal Daily Independent, de Ashland, em Kentucky, que fez uma cobertura sobre o assassinato de Darwin Orell Scott, irmão biológico do misterioso Colonel Scott. A fotografia de Darwin Scott que acompanha o artigo mostra claramente que ele é um homem branco. Veja abaixo o artigo escaneado do Daily Independent, que mostra a foto do suposto tio de Charles Manson:

A foto do tio de Charles Manson

A foto do tio de Charles Manson

Mito 10 – A “Família Manson” é responsável por pelo menos 35 assassinatos

A base desse mito é uma única alegação feita em 18 de agosto de 1970 por Juan Flynn, um ajudante do Spahn Ranch, em uma entrevista com a polícia de Los Angeles. Flynn teria dito à polícia: “Manson admitiu – ele se gabou – de ter matado 35 pessoas em um período de dois dias”. Essa é a única “evidência” sobre o mito de que Manson estaria envolvido em dezenas de assassinatos nunca descobertos.

O mito foi fortalecido também no livro de Vincent Bugliosi, em que ele dedica 10 páginas listando assassinatos e desaparecimentos que ele acredita terem sido cometidos por pessoas relacionadas a Charles Manson. Acontece que não existem evidências sobre nenhum desses casos. A justificativa de Bugliosi em seu livro é uma apenas: “Todos esses casos aconteceram no mesmo período que a ‘Família Manson’ estava agindo como maníacos homicidas”. Obviamente, isso não explica muito. Vamos então fazer uma breve análise dos três maiores casos descritos por Bugliosi como possíveis crimes da suposta “Família Manson”:

a) Assassinato de Darwin Orell Scott em Ashland, Kentucky, em 27 de maio de 1969:
Essa vítima foi encontrada morta esfaqueada em seu apartamento em Ashland. Segundo Bugliosi, o motivo pelo crime seria que Darwin Orell Scott era o tio de Charles Manson, irmão de Colonel Scott. Apesar de diversos moradores de Ashland terem testemunhado que teriam visto Charles Manson na cidade na época do assassinato, até mesmo o próprio Bugliosi, autor do mito, sugere que Manson estava na Califórnia quando esse assassinato aconteceu. Os artigos de jornais locais de Ashland diziam que Darwin Scott possuía altas quantias de dinheiro em seu modesto apartamento, e que a polícia local acreditava que roubo seguido de morte era a explicação para o caso. A vítima, que tinha passagem na polícia por crimes de invasão de propriedade privada e falsificação, estaria envolvida no comércio ilegal de bebidas alcoólicas. Uma evidência que sustenta essa afirmação é que a polícia encontrou no apartamento de Scott dezenas de garrafas lacradas de uísque.

b) Assassinato de Joel Dean Pugh em Londres, Inglaterra, em 1º de dezembro de 1969:
Essa vítima foi encontrada morta em um hotel de Londres com a garganta e os pulsos cortados. Joel é normalmente descrito como marido de Sandra Good, uma fiel companheira de Charles Manson. Na realidade, eles nunca foram casados. Joel também é descrito como um “ex-membro da ‘Família Manson” de acordo com a teoria Helter Skelter de Vincent Bugliosi, mas ele nunca conheceu Manson. Após anunciada a morte de Joel Pugh, seus familiares viajaram até Londres para contestar o veredicto oficial da polícia londrina de que Joel havia se suicidado. O pai de Joel era um médico da Mayo Clinic, em Rochester, no estado de Minnesota, e teve acesso às conclusões médicas dos legistas de Londres. Ele se convenceu de que Joel havia mesmo cometido suicídio, e a família retornou para os Estados Unidos. É estranho que Bugliosi tenha ousado contestar a polícia e os legistas da Inglaterra, além da própria família de Joel Pugh, sem ter acesso a qualquer informação sobre o caso.

c) Assassinato de Marina Habe em Los Angeles, Califórnia, em 30 de dezembro de 1969:
Esse caso é provavelmente o mais simples. Não existe qualquer evidência que possa conectar qualquer frequentador do Spahn Ranch com o assassinato de Marina Habe. Bugliosi somente colocou esse caso entre os mais prováveis de seu livro porque o crime aconteceu em Los Angeles enquanto a suposta “Família Manson” estava livre. Enfim, logicamente improvável.

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Algumas perguntas frequentes sobre Charles Manson e ATWA

 Algumas perguntas frequentes sobre Charles Manson e ATWA

Essa compilação de perguntas frequentes foi construída a fim de responder a algumas das dúvidas mais comuns sobre Charles Manson e ATWA.

1. Poderia me fornecer um breve sumário da história de Charles Manson e de seu histórico criminal?

Charles Manson nasceu em Cincinnati, no estado de Ohio dos Estados Unidos, em 11 de novembro de 1934. Ele viveu com sua mãe solteira até os cinco anos de idade, quando ela foi detida pelo crime de roubo a mão armada. Depois disso, ele permaneceu com diversos familiares até ela ser libertada em 1942.

Manson viveu novamente com sua mãe até 1947, quando ela o colocou na Gibault School for Boys, no estado de Indiana. Ele fugiu do internato 10 meses depois, mas a sua fuga não durou muito. Poucos dias depois, o garoto de 14 anos foi detido nas redondezas, acusado de ter cometido uma série de pequenos assaltos.

Manson foi encaminhado para o Juvenile Detention Center, uma espécie de FEBEM dos Estados Unidos, também no estado de Indiana. Depois de alguns dias, ele foi transferido para o famoso Boys Town, em Nebraska, um centro de detenção juvenil para “crianças em risco”. Mas a estadia dele no local também foi breve. Depois de apenas três dias, Manson fugiu novamente. Capturado novamente dias depois, Manson foi encaminhado para outro centro de detenção juvenil – dessa vez, o Indiana School for Boys, em Plainfield. Ele permaneceu por mais de dois anos no local, sem registros de que tenha tentado escapar.

Mas em 1951, com 17 anos de idade, Manson fugiu. Essa escapada durou um pouco mais do que as anteriores, mas Manson foi outra vez preso, dessa vez dirigindo um carro roubado no estado de Utah. Pela primeira vez ele foi acusado de um crime federal, tendo atravessado fronteiras estaduais. Manson foi então transferido primeiramente para o National Training School for Boys, um centro de detenção federal em Washington DC, e depois para o Natural Bridge Training Camp, em Virgínia, ainda em 1951.

Manson permaneceu nesse estabelecimento até meados de 1952, quando passou a ser detido em reformatórios federais. Ele foi primeiramente transferido para o Federal Reformatory de Petersburg, no estado da Pensilvânia. Ainda no mesmo ano, foi encaminhado para o Federal Reformatory de Chillicothe, em Ohio. Finalmente, em 8 de maio de 1954, Charles Manson foi libertado dos centros de detenção. Até esse momento da vida de Manson, em que completou 20 anos de idade, ele havia passado 7 anos em prisões espalhadas pelos Estados Unidos.

Em 1955, Manson casou-se com uma garota chamada Rosalie Willis. Quando completaria um ano em liberdade, ele foi detido em Los Angeles, mais uma vez conduzindo um veículo de procedência duvidosa. Dessa vez, Manson foi sentenciado a 3 anos de prisão em regime fechado na prisão federal de Terminal Island, em San Pedro, na Califórnia. Ele cumpriu a pena inteiramente, e foi libertado em 1958.

Como havia se tornado costume, Manson foi novamente preso pouco depois. Em 1959, antes de completar um ano em liberdade, ele foi detido na Califórnia por ter forjado cheques. A sentença dessa vez foi 10 anos de provação, em que qualquer novo delito o colocaria novamente em uma prisão federal.

Em 1960, Manson foi preso em uma suposta violação do Ato Mann. Essa lei americana de 1910 proibia o “transporte de mulheres para questões imorais”. Basicamente, Manson havia sido acusado de ser o cafetão de algumas mulheres na Califórnia. Sendo assim, Manson quebrou o seu período de provação, e foi condenado a 7 anos e meio de prisão em regime fechado. Manson cumpriu a sentença em dois locais: primeiramente em McNeil Island, em Washington, e depois em Terminal Island, na Califórnia, onde havia cumprido os 3 anos entre 1955 e 1958.

Manson finalmente foi libertado de Terminal Island em 1967. Para a maioria das pessoas, e especialmente para mídia corporativa, a vida de Charles Manson se resume ao período que se inicia nesse momento, em que ele é libertado na Califórnia em meio ao auge da cultura hippie americana. Manson permaneceu livre até outubro de 1969, quando foi preso pelos crimes de incêndio e roubo de veículos. Em dezembro de 1969, ele foi acusado de homicídio pelos crimes que assombraram Los Angeles e que marcaram seu nome na história. Manson foi condenado à morte em janeiro de 1971, mas com a mudança nas leis penais do estado da Califórnia em 1972, a pena foi alterada para prisão perpétua.

Nas últimas décadas, Manson vem tentando conseguir liberdade condicional, mas teve seus apelos negados em todas as ocasiões, permanecendo assim encarcerado na Corcoran State Prison, na Califórnia, em unidade especial de isolamento da penitenciária, onde também se encontra cumprindo prisão perpétua o assassino do senador Robert Kennedy, Sirhan Sirhan. Sua última tentativa em audiência, obviamente negada, foi em 2007. A próxima será em 2012. Charles Manson permanece detido nos Estados Unidos há 40 anos.

2. Por quais crimes Charles Manson foi condenado em 1971?

Pelo caso que se tornou conhecido como Assassinatos Tate-LaBianca. Ele foi condenado por sete contagens de assassinato de primeiro grau e uma contagem de conspiração para cometer assassinato. Ele também foi condenado por outros dois assassinatos de primeiro grau, pelas mortes de Gary Hinman e Donald “Shorty” Shea.

3. Que sentenças Charles Manson recebeu em 1971?

Originalmente, Manson foi condenado à morte pelos Assassinatos Tate-LaBianca. Pelos assassinatos de Gary Hinman e Donald “Shorty” Shea, ele foi condenado à prisão perpétua. A sentença de morte foi posteriormente alterada para “prisão perpétua com a possibilidade de liberdade condicional” quando o Tribunal Supremo dos Estados Unidos aboliu a pena capital no estado da Califórnia. Sendo assim, Manson cumpre hoje a sentença de prisão perpétua.

4. Onde está Charles Manson nesse momento?

Ele está atualmente encarcerado na California State Prison em Corcoran, na Califórnia, a prisão de segurança máxima no estado. Ele permanece no setor 4A-4R, onde frequentemente é encaminhado para o regime de solitária.

5. Quando acontecerá a próxima tentativa de liberdade condicional de Charles Manson?

Manson tem o direito de pedir liberdade condicional mais uma vez em 2012. Na realidade, não passará de mais uma brincadeira. Os advogados que decidirão o futuro de Manson já deixaram claro que ele nunca deixará a prisão.

6. O que Charles Manson faria se deixasse a prisão hoje?

Essa é uma das perguntas que Manson respondeu mais vezes desde que foi condenado em 1971. “Eu não quero sair”, “Sair e sentar um pouco em algum lugar”, “Ir para outro país”, “Ir para o deserto” e “Eu já estou fora da prisão” são as respostas mais comuns dadas por Manson.

7. Charles Manson era o líder de um grupo de seguidores?

De forma alguma. Manson sempre negou ser um líder. A maioria dos amigos que faziam parte da chamada “Família Manson” também confirmaram que não existiam líderes e seguidores – eram somente amigos. Ser o líder de um suposto grupo foi o meio encontrado pelo estado da Califórnia para incriminar Manson pelos assassinatos de 1969, em que ele não teve participação alguma. Com o passar do tempo, isso ficou mais e mais claro. Até mesmo os promotores que condenaram Manson voltaram atrás em muitas das histórias mirabolantes que haviam vendido para os jornais e revistas durante o julgamento.

8. Existe ainda uma “Família Manson”?

Nunca existiu uma “Família Manson”. Esse termo foi inventado pela mídia corporativa sensacionalista quando Manson foi detido em 1969, e foi desde então usado pelas autoridades do estado da Califórnia e figuras envolvidas no caso de Manson a fim de rotular um certo grupo de pessoas e criar uma falsa impressão sobre o relacionamento entre essas pessoas. Na suposta “Família Manson”, Charles Manson seria o pai, um “líder”, e portanto responsável pelas atitudes dos seus “seguidores”. Fato é que Manson ainda tem contato com muitos admiradores e amigos, muitos deles antigos conhecidos da década de 1960. Mas a suposta “Família Manson”nunca existiu.

9. Posso contatar Charles Manson? Se sim, como?

Como qualquer outro condenado nas prisões dos Estados Unidos, Charles Manson pode receber cartas normalmente. Apesar disso, as restrições são muitas, e ele recebe muito mais cartas do que é capaz de responder. Em alguns casos, ele poderá passar uma carta de um novo contato para um amigo, que responderá em nome dele. Para enviar uma carta para Manson, o endereço é:

Charles Manson, B-33920
4A 4R PHU Unit
P. O. Box 3476
Corcoran, CA 93212
United States

10. Quem está por trás da Ordem de ATWA – Brasil?

Um grupo de amigos e simpatizantes de Charles Manson que mantém contato com ele e que apóiam a sua visão ecológica sobre o futuro dos seres humanos e da vida na Terra.

11. O que eu posso fazer para colaborar?

Essa é uma pergunta com infinitas respostas. Cada um sabe o que é capaz de fazer para colaborar com Charles Manson e ATWA. Quem sabe, a melhor resposta para essa pergunta é uma segunda pergunta: o que você faria por Manson e ATWA? Conte-nos, e certamente qualquer apoio é necessário.

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Uma breve “biografia oficial” de Charles Manson

Para aqueles que não conhecem a história de Charles Manson, o criador do acrônimo ATWA, aqui vai uma breve biografia. É importante reconhecer, porém, que a vida de Manson foi muito polemizada. Isso dificulta muito separar o que são fatos e o que são mitos. Portanto, chamamos essa breve biografia abaixo de “biografia oficial”, uma vez que ela é baseada no que se tornou mais conhecido e aceitável como “realidade” – pelo menos pela mídia e a maioria das pessoas. Em momento algum sugerimos que a história abaixo é inteiramente fatual. Quando possível, citações do próprio Manson serão utilizadas para dar credibilidade aos fatos.

Charles Milles Maddox Manson, nascido em Cincinnati, nos Estados Unidos, em 11 de novembro de 1934, se tornou conhecido no final da década de 1960 por ser uma figura particular relacionada a um grupo de jovens que cometeu vários assassinatos, entre eles o da famosa atriz de Hollywood, Sharon Tate, esposa do diretor de cinema Roman Polanski.

Charles Manson com 14 anos de idade

Charles Manson com 14 anos de idade

Filho de uma jovem mãe com problemas familiares e um pai ausente, Manson passou a ser um freqüentador assíduo de reformatórios juvenis em diversas regiões dos Estados Unidos. “Eu não tinha mãe e eu não tinha um pai. Aonde você vai quando você não tem uma família?” disse Manson, explicando a sua infância nos reformatórios. Ainda quando criança, ele foi entregue a um abrigo de crianças por sua própria mãe. Esse foi o começo de uma infância conturbada. Entre suas diversas saídas e fugas dos reformatórios, Manson foi preso algumas vezes pelos crimes de falsificação e pequenos furtos.

Manson em meados de 1960

Manson em meados de 1960

Em 1964, aos 30 anos de idade, Charles Manson acabava de cumprir uma pena de dez anos quando foi parar no centro mundial da cultura hippie: Haight-Ashbury, um distrito da cidade de São Francisco. Manson se considerava um “hobo”, termo em inglês usado para designar os migrantes sem lar fixo, que vagavam pelo país comendo do que encontravam e dormindo onde se sentiam cansados. Fora da prisão, Manson acabou por se instalar na região de Haight-Ashbury, e tornou-se conhecido entre os círculos de jovens hippies. Manson era um excelente compositor musical, e vivia com seu violão pelas ruas de São Francisco. No auge da contracultura, Manson se tornou uma figura conhecida entre os jovens, que o seguiam para conhecer a sua música e seus costumes peculiares.

Foi tocando as suas músicas nas esquinas de Haight-Ashbury que os jovens hippies adotaram Manson como um ícone. É importante deixar claro, porém, que Manson nunca se considerou um hippie. “Eu era um beatnik na década de 1950, antes de os hippies existirem. Eu dancei ao som de Acapulco, e eu fumei Acapulco antes de vocês saberem o que isso era. E eu vivi nas tumbas [...] enquanto vocês iam para a escola. Você vê? Eu vivo em outro mundo. Eu vivo no mundo das pessoas das ruas”, disse Manson em uma entrevista na década de 1980. Manson saiu da prisão e voltou ao “mundo de fora” no auge da cultura hippie, e pouco sabia sobre como as coisas haviam mudado durante o longo período em que ele permaneceu isolado da sociedade. Foi com a sua música que os hippies abraçaram Manson.

A "Família Manson" no Spahn Ranch

A "Família Manson" no Spahn Ranch

Em função de troca de favores, Manson e seus jovens amigos hippies conseguiram um local para morar próximo a Los Angeles. Eles se alojaram no Spahn Ranch, um rancho onde foram gravados filmes famosos de faroeste, como Duelo ao Sol, e diversas cenas de séries de TV, como Bonanza e Zorro. Um cenário de cidade do oeste permaneceu instalado no rancho durante a estadia de Manson e seus amigos na década de 1960. O Spahn Ranch recebeu esse nome de um fazendeiro, George Spahn, que comprou a propriedade em 1948 e lá vivia em 1968, quando Charles Manson apareceu procurando um local onde pudesse morar. O Sr. Spahn permaneceu morando no local junto com Manson e seus amigos. Em troca de o grupo ajudar o já debilitado Sr. Spahn com o trabalho puxado do rancho, eles puderam se hospedar em uma das casas do local.

Mais de um ano depois, em 9 de agosto de 1969, um grupo de amigos de Manson invadiu uma casa alugada pelo diretor de Hollywood, Roman Polanski, em 10050 Cielo Drive, na região de Bel Air de Los Angeles. Os jovens assassinaram a esposa de Polanski, Sharon Tate, e mais quatro amigos do casal. As vítimas foram baleadas, esfaqueadas e espancadas até a morte, e o sangue delas foi usado para escrever mensagens nas paredes e porta da residência. Uma das escrituras foi “Pig” (”porco”, em inglês). Na noite seguinte, o mesmo grupo invadiu a casa de Rosemary e Leno LaBianca, matando os dois de maneira semelhante. As mensagens escritas na parede da casa com o sangue das vítimas dessa vez foram “Helter Skelter“, “Death to Pigs” (“morte aos porcos”) e “Rise” (“levante-se”). Os assassinatos de Sharon Tate, seus amigos e do casal LaBianca pela ficaram conhecidos como Assassinatos Tate-LaBianca.

Porta da casa de Roman Polanski com escritura "Pig"

Porta da casa de Roman Polanski com escritura "Pig"

Segundo a acusação e a “história oficial”, baseados em testemunhos dos amigos de Manson que cometeram os crimes, os assassinatos teriam sido planejados por Charles Manson. O objetivo seria começar uma guerra que, segundo a teoria, seria a maior já travada na terra, denominada “Helter Skelter“. A “história oficial” indica que esse nome corresponde ao título de uma música dos Beatles onde haveria uma quantidade de mensagens subliminares. Charles Manson, porém, já explicou em diversas entrevistas que para ele “Helter Skelter” significava somente “confusão” – era o que ele ouvia na música dos Beatles, barulheira e berros, e o que ele via nas ruas dos Estados Unidos. Durante o julgamento do caso, a acusação formalizou uma história em que, para Manson, “Helter Skelter” seria uma guerra entre negros e brancos, em que os brancos seriam exterminados da Terra. Nesse contexto, ao enviar seus amigos para cometer os assassinatos, devido ao caráter racista dos Estados Unidos, algum negro seria acusado pelos assassinatos, o que faria com que os confrontos explodissem pelas ruas. Como Manson e sua “família” eram todos brancos, planejavam esconder-se em um poço, supostamente denominado por Manson como “poço sem fundo”, em algum lugar no deserto californiano, assim que a suposta guerra começasse.

Linda Kasabian, que denunciou Charles Manson

Linda Kasabian, que denunciou Charles Manson

Linda Kasabian, uma das integrantes da comunidade hippie e participante das duas noites dos assassinatos, depois de cerca de um mês resolveu fugir e denunciar Charles Manson e os outros integrantes à polícia, além de depor contra eles em seu julgamento. Segundo Kasabian, ela não concordava com os assassinatos, apesar de ter participado e ter permanecido com os assassinos em Spahn Ranch nos dias seguintes. Ela conseguiu um acordo com a acusação, o Estado de Los Angeles, para testemunhar contra Manson em troca de imunidade e uma nova vida, com nova identidade para ela e sua filha recém-nascida e uma pensão do governo. Os depoimentos de Kasabian foram vitais para a condenação de Manson, uma vez que ela testemunhou que tudo havia sido planejado por ele, que seria uma espécie de líder espiritual da comunidade. Sem o depoimento de Kasabian, dificilmente Charles Manson seria condenado.

Charles Manson é preso em 1969

Charles Manson é preso em 1969

Manson, então com 37 anos, foi acusado de seis assassinatos e levado à Justiça, juntamente com Charles ‘Tex’ Watson, Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Leslie Van Houten. Embora acusado de líder da “Família Manson”, como o grupo de amigos se tornou conhecido após o escândalo, ele alegou não ter participado pessoalmente de nenhum dos crimes. Manson declarou durante o julgamento o seu ódio profundo pela humanidade, chamando os membros de sua “família” de “rejeitados pela sociedade”. “Eles são as suas crianças. Eu não as criei, vocês as criaram. Elas fizeram o que vocês ensinaram a elas”, disse Manson durante o julgamento. A promotoria se referiu a ele como “o homem mais maligno e satânico que já caminhou na face da Terra”, e o quinteto foi sentenciado à morte em 1971. Mas com a mudança nas leis penais do estado da Califórnia em 1972, a pena de todos foi alterada para prisão perpétua.

Charles Manson em 2009, mais de 60 anos em prisões

Charles Manson em 2009, mais de 60 anos em prisões

Enfim, Manson esteve em reformatórios e prisões desde os 9 anos de idade. Hoje, com 74 anos, ele passou mais de 60 anos da sua vida em centros de detenção. Ele permanece encarcerado na Corcoran State Prison, na Califórnia, em uma unidade especial de isolamento da penitenciária. Sua última tentativa em audiência para libertação condicional, obviamente negada, foi em 2007. A próxima será em 2012.

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