
Existem muitas histórias sobre a existência de uma “cidade subterrânea” no deserto californiano de Death Valley – onde Charles Manson foi preso pela última vez em 1969, e por onde costumava sair em longas expedições de exploração que poderiam durar dias. Entre as centenas de exploradores que se aventuram até hoje por um dos desertos mais perigosos e desafiadores do mundo, de tempo em tempo sempre surge algum deles com alguma credibilidade para alimentar a história sobre a existência de tal cidade misteriosa.
O autor americano Bourke Lee é um dos mais recentes instigadores dessa história. Em seu livro “Death Valley Men” (em português, “Homens de Death Valley”), no capítulo intitulado “Old Gold”, ele descreve uma conversa que teve com um pequeno grupo de residentes do deserto de Death Valley, na Califórnia. O assunto da conversa de Lee tratava de lendas dos índios Paihute, nativos americanos que habitaram a região no passado. Foi quando dois dos residentes de Death Valley revelaram suas experiências com uma “cidade subterrânea” no deserto californiano, descoberta depois de terem descido através de um buraco no fundo de uma antiga mina de ouro abandonada (ainda comuns na região).
Segundo esses moradores de Death Valley, a descida pelo buraco revelou uma caverna natural subterrânea. Eles teriam caminhado por cerca de 30 km nessa caverna, passando sob as Montanhas de Panamint. Para seu espanto, os dois homens se depararam com uma enorme e antiga cidade cavernosa, com múmias perfeitamente preservadas, espadas e lanças de ouro, entre outras coisas.
A cidade havia aparentemente sido abandonada há séculos. Exceto pelas múmias, todo o resto do sistema subterrâneo aparentava ser muito antigo. Descobriu-se que a caverna era iluminada por um sistema engenhoso de luzes formado a partir da queima de gases subterrâneos. Eles afirmaram ter visto uma enorme mesa redonda em meio a um hall separado, que poderia ter sido uma antiga sala de reuniões. E muito mais: enormes estátuas de ouro sólido, cofres de pedra cheios de barras de ouro e pedras preciosas de todos os tipos, carrinhos de mão feitos de pedra que eram perfeitamente equilibrados e cientificamente construídos ao ponto de que até uma criança poderia facilmente usá-los, e enormes portas de pedra cavadas a partir das paredes da caverna. Os exploradores teriam seguido em direção norte, e descoberto uma subida que se abria para uma série de aberturas arcadas que saíam em meio às Montanhas de Panamint. De uma dessas saídas, percebeu-se visivelmente que o vale abaixo era mesmo coberto de água no passado, e concluiu-se que as aberturas arcadas serviam como ancoradouros para pequenas embarcações, além de entradas para as cavernas subterrâneas. Os exploradores disseram ser possível avistar Furnace Creek e Golar Wash a partir dessas saídas – duas áreas que Charles Manson visitou em suas explorações, e documentou com desenhos e marcações pelo deserto californiano.
Os dois exploradores teriam levado algumas peças do tesouro encontrado, e apresentado a cientistas do Smithsonian Institute a fim de registrar a descoberta de uma nova “maravilha do mundo”. Mas a história não convenceu os cientistas, especialmente porque os dois homens foram incapazes de localizar novamente o buraco que levava para a caverna subterrânea. Segundo eles, as peças do tesouro permanecem com o Smithsonian Institute hoje, que desde então tem investido em localizar a caverna independentemente. Considerando a ininterrupção de pequenos terremotos, desagregações e outras mudanças do cenário do deserto de Death Valley (comumente documentados), entende-se que o acesso à misteriosa caverna também se altere com frequência, podendo até desaparecer por anos e reaparecer em outros locais tempos depois. Esse é um obstáculo que tem sempre dificultado enormemente as pesquisas dos cientistas californianos.
Em 1946, o Dr. F. Bruce Russell, um doutor aposentado da Universidade de Cincinnati, também contou uma história similar sobre ter descoberto uma estranha caverna subterrânea em Death Valley. O Dr. Russell afirmou ter encontrado uma enorme sala subterrânea da qual saíam diversos túneis em diferentes direções. Um desses túneis teria o levado para outro hall maior, onde ele teria encontrado três múmias em estados de conservação surpreendentes. Segundo o doutor, artefatos encontrados no local aparentavam ter uma combinação de designs egípcios e nativo americanos. Até então, a história do Dr. Russell era muito semelhante a outras contadas por muitos exploradores do passado sobre as descobertas em Death Valley, mas o doutor foi além: segundo ele, as múmias eram enormes, com mais de dois metros e meio de altura.
Ao contrário dos dois atuais residentes de Death Valley entrevistados pelo autor Bourke Lee, o Dr. Russell foi capaz de encontrar a caverna subterrânea novamente, levando com ele outros exploradores que, após confirmarem a existência do local, abriram uma empresa chamada “Amazing Explorations” para lucrar com a grande descoberta. Mas pouco tempo depois o Dr. Russell desapareceu, e com ele a rota de acesso para a caverna. Meses mais tarde, o carro do doutor foi encontrado, com um radiador furado, em uma área remota de Death Valley. A sua maleta ainda estava no carro, mas ninguém nunca mais ouviu falar do Dr. Russell.
Apesar dos diversos relatos sobre a existência de uma “cidade subterrânea” sob o deserto de Death Valley, de lendas nativas a casos recentes, alguns inclusive bem documentados, as expedições de Charles Manson pelo deserto californiano têm sido há anos ridicularizadas pela mídia corporativa americana.
A transformação de dezenas de carros de rua em jipes preparados para o deserto, os galões de combustível abandonados por Death Valley, os equipamentos de mergulho apreendidos com Manson, os mapas desenhados a mão por ele – são evidências de que Manson procurava algo no deserto. E Charles Manson, ainda hoje, mais de 40 anos depois, não deixa de mencionar a seus amigos sobre um tal de “poço sem fundo”, que estaria cheio de água, e que seria um acesso que ele havia encontrado para um “mundo subterrâneo” em Death Valley. Manson inclusive diz ter cruzado a fronteira para o México uma vez através de túneis subterrâneos, que poderiam chegar até o deserto californiano. Mas assim como quase tudo que cerca o caso de Manson, coisas curiosas e interessantes assim são sempre caricaturadas, perdendo o seu verdadeiro valor.
Mas afinal, teria Charles Manson descoberto outro acesso à misteriosa “cidade subterrânea” de Death Valley?
Os irmãos e irmãs da ATWA Brasil estarão no deserto de Death Valley, na Califórnia, no final de 2011. Com todas as informações fornecidas por Charles Manson com o passar dos anos, cópias dos seus mapas pessoais, e registros das autoridades californianas, partiremos para uma expedição a fim de localizar o suposto “poço sem fundo” na maravilhosa paisagem do deserto. Junte-se aos irmãos e irmãs de ATWA! Para mais informações, nos escreva para: contato@atwabrasil.com

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