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21 de junho: O dia dos solstícios

atwa solsticio1 21 de junho: O dia dos solstícios

O Sol atingiu hoje, às 8h28, o ponto mais ao norte de sua trajetória no céu.

O dia de hoje (21 de junho) marca o Solstício de Inverno para nós no hemisfério sul. Trata-se de um fenômeno astronômico usado para marcar o inicio do inverno.

O Solstício de Inverno ocorre quando o Sol atinge a maior distância angular em relação ao plano que passa pela linha do equador, ou seja, o afastamento máximo do astro em relação a nós. Marca também o dia mais curto do ano no hemisfério sul – isso é, com menos horas de luz natural por aqui. Em São Paulo, o Sol nasceu às 6h47 e vai e pôr às 17h28.

A partir de agora, o Sol começa a voltar em nossa direção, até atingir sua altura mais meridional em dezembro, quando teremos o Solstício de Verão.

A data era de grande importância para diversas culturas antigas, que de um modo geral a associavam simbolicamente às aspectos como o nascimento ou renascimento. Muitas festas tradicionais surgidas na Europa (e disseminadas pelo restante do mundo com a expansão da civilização ocidental) estão ligadas ao ciclo do analema, como a Páscoa, o Natal e diversas celebrações pagãs.

Para quem mora acima do equador, isso tudo se inverte. Com o Sol alto no céu hoje, os povos do hemisfério norte comemoram o Solstício de Verão.

Os solstícios de 2010

Milhares de neopagãos dançaram e saltaram em alegria nesta segunda-feira quando o Sol se elevou sobre o círculo de pedras de Stonehenge, na Inglaterra, marcando o Solstício de Verão do hemisfério norte. Na Bolívia, índios aimará celebraram seu ano novo, que coincide com o Solstício de Inverno do hemisfério sul.

Cerca de 20 mil pessoas lotaram o local pré-histórico em Salisbury, no sul da Inglaterra, para ver o alvorecer às 4h52, hora local, após uma tradicional festa que já havia durado a noite inteira. O evento costuma atrair milhares de participantes com estilos de vida alternativos, que aguardam a aurora na Pedra do Calcanhar, um pilar localizado do lado de fora do círculo. Enquanto o Sol de erguia, uma mulher escalou uma das pedras do círculo e tocou uma corneta de chifre, dando as boas-vindas ao dia mais longo do ano para o hemisfério norte. Tambores, pandeiros e gritos reverberavam ao fundo.

Na Bolívia, milhares de devotos celebraram o Solstício de Inverno, também conhecido pelos índios aimará como Willka Kuti, ou Retorno do Sol. Próximo ao lago Titicaca, Tiwanaku é um dos pontos magnéticos que atraem peregrinos de todos os cantos do mundo. “Os habitantes do norte festejam o nascimento de Jesus e o ano-novo do calendário gregoriano”, diz Dom Lucas, presidente do Conselho de Amautas (sábios) de Tiwanaku. “O início do ano sempre coincide com o começo do inverno, quando a terra está descansando, preparando- se para um novo ciclo. Por isso, aqui no sul, celebramos o Willka Kuti no final de junho”. Os incas de Cuzco também marcavam essa data com a Festa do Sol, o Inti Raymi. O festival Inti Raymi moderno recomeçou em 1944 e vinculou a efeméride natural com o dia de São João, em 24 de junho.

Feliz Solstício!

Abaixo, imagens do Solstício de Inverno do hemisfério sul e do Solstício de Verão do hemisfério norte nesse ano de 2010:

 21 de junho: O dia dos solstícios

© 2010 ATWA Brasil


Charles Manson e o nascimento de ATWA

atwa arvores Charles Manson e o nascimento de ATWA

Perguntei ao Charles Manson quando ele havia se tornado consciente sobre o ar, as árvores, a água e os animais – ATWA.

Essa resposta é parafraseada de uma narrativa que Manson ofereceu durante uma visita em outubro de 2008. Outras partes foram extraídas de algumas de suas cartas ao longo do tempo.

Há muito tempo atrás, Manson foi preso e colocado em isolamento em uma cela solitária, também conhecida como “the hole”, ou “o buraco”, por mais de cinco anos. A mesma cela escura, todas as horas do dia, todos os dias, por cinco anos.

“Tudo o que eu podia ver através da minha pequena janela era uma única árvore. Eu olhei para essa uma árvore por quase cinco anos. Primavera, verão, outono, inverno. Você pode vir a conhecer uma árvore muito bem, se você olhar para ela por cinco anos”.

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“A maioria das pessoas, quando elas pensam em uma árvore, pensam apenas em papel e móveis. Apenas madeira. Elas não pensam nessa árvore como um ser vivo, como uma alma, o mesmo que você e eu”.

Manson conviveu com essa única árvore durante cinco anos. No outono, suas folhas mudavam de cor. No inverno, as folhas caíam, deixando galhos nus. No entanto, ela ainda estava viva. No início da primavera, cresciam alguns brotos. Os brotos se transformavam em folhas inteiras. As folhas voltavam-se para o sol. Era a perfeição da vida. As folhas caíam quando não havia água suficiente, e elas bebiam da chuva quando chovia. A árvore foi a casa de muitos pássaros, animais e insetos. Todo esse tempo, nessa cela solitária, Manson observava as mudanças da árvore.

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Perguntei a ele se aquela árvore, em algum momento, começou a “falar” com ele – não como uma piada, mas da forma como os xamãs dizem poder ouvir as vozes de árvores, animais e espíritos.

“A árvore realmente não falava comigo, pelo menos não como as pessoas falam. Mas sim, aquela árvore me contou algo. Ela disse que queria viver”.

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Sentado em sua cela, Manson tornou-se ciente de que a árvore não estava apenas “sentada” ali – era criava oxigênio, vivia e gerava vida. Ela produzia o ar que nós respiramos. Não era só madeira. A árvore também foi um habitat, um lar para muitos animais. Ela tinha uma consciência, uma espiritualidade. Ela era mesmo um ser, o mesmo que os animais e as pessoas são. Uma idéia tão simples assim, tão pura, mas que na prática poucos hoje respeitam.

manson assinado2 Charles Manson e o nascimento de ATWA

Manson conviveu diretamente com algo que é, de fato, muito simples: sem as árvores, não há ar. Sem o ar, não há vida. Sem o ar, não podemos existir. O ciclo da vida.

“E é quando a minha mente mudou, e é quando ATWA nasceu”.

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