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Por trás dos pingüins mortos no Brasil

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As centenas de pingüins que aparentemente morreram de fome e apareceram nas praias do Brasil, na Baixada Santista, têm preocupado os cientistas que investigam o que exatamente os mataram. Cerca de 500 pingüins foram encontrados nos últimos dez dias em Peruíbe, Praia Grande e Itanhaém, praias no estado de São Paulo. A maioria eram pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus), um pinguim sul-americano característico de águas temperadas.

Aparentemente, os animais estavam migrando em direção norte a partir da Argentina, Chile e das Ilhas Malvinas, a procura de comida em águas mais quentes. Mas muitos não estão encontrando alimento: autópsias de várias aves têm revelado que os seus estômagos estavam inteiramente vazios – indicando que provavelmente morreram de fome.

Cientistas estão investigando se as correntes fortes e águas mais frias do que o normal podem ter ferido as populações das espécies que compõem a dieta dos pingüins, e se a atividade humana pode ter um papel significativo nesse desastre. A sobrepesca na região pode ter feito com que o peixe e a lula se tornassem mais escassos nessa época do ano, resultando assim em falta de alimento para os pingüins e outros animais.

É comum para os pingüins nadar em direção norte nessa época do ano. Inevitavelmente, alguns se perdem pelo caminho ou morrem de fome ou exaustão, e acabam na costa brasileira, longe de casa. Esse é um fenômeno natural. Mas não é natural o que tem acontecido nos últimos dias – existe algo fora do balanço comum.

Cientistas locais afirmam que é comum encontrar entre 100 e 150 pingüins vivos nessas praias do Brasil nessa época do ano, e somente cerca de 10 mortos. Dessa vez, o susto foi encontrar um número absurdamente alto de pingüins mortos, e em curto período de tempo.

Alguns veículos de comunicação têm passado a diante a história de que a morte desses animais “está dentro da normalidade para essa época”. Trata-se de pura desinformação. Como explicado antes, a morte de pingüins nessa época é sim um fenômeno “dentro da normalidade”, mas o número de mortos nesse ano supera qualquer índice de normalidade.

O número de animais que apareceram mortos na Baixada Santista – 535 pingüins, 28 tartarugas, 6 golfinhos e algumas aves oceânicas, como atobás – é surpreendente. No caso das tartarugas, foi encontrado plástico no estômago dos animais, outro indício de que os animais estavam famintos, a procura de qualquer tipo de alimento.

A sobrepesca para alimentar os desejos carnívoros dos homens pode tido um papel fundamental na morte de todos esses animais – e dezenas de outros, que nem sequer chegaram às praias brasileiras. É o que está por trás dos pingüins mortos no Brasil. Mas é conveniente para o ser humano esconder atrás do argumento que essas mortes estão “dentro da normalidade”. Ironicamente, nenhuma morte por fome de seres humanos é considerada “dentro da normalidade”. Quem sabe, deveria ser.

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 Por trás dos pingüins mortos no Brasil

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