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Novo cartão postal enviado por Charles Manson

manson suastica Novo cartão postal enviado por Charles Manson

Abaixo, um novo cartão postal enviado por Charles Manson da cela solitária onde ele atualmente se encontra. Ele diz:

cartao17 frente Novo cartão postal enviado por Charles Manson

“Red Star Horse, Blue Star Horse, Gold Star Horse, Silver Star Horse, Black Hawk, Gold Hawk, Gray Wolf, Grave, Charles Milles Maddox [nomes e codinomes de contatos] – vocês não inventam um Deus. No fundo da realidade, Deus inventa tudo, e não existem altos e baixos na mente de Deus. Eles não cultuam Deus. Eles cultuam e oram para um conceito que eles acreditam ser Deus. É isso que continua morrendo, e não Deus. Deus não morre ou vive. Conceitos morrem e vivem. Há milhões de anos não existia mistura de raças. As pessoas não haviam se encontrado ainda, e quando elas se encontravam elas lutavam. Os judeus não estavam na Terra. Não havia mistura, e os judeus são uma mistura. 100 milhões de anos não é muito tempo. Os judeus são como ciganos. Eles não tinham terra porque eles não vinham de nenhuma terra, e eram chamados de ‘povo do amor’ porque eles viviam sozinhos, não como um e outro, mas como dois em apenas um. Os católicos destruíram toda essa história e colocaram isso em livros”.

- Charles Manson

 Novo cartão postal enviado por Charles Manson

© 2012 ATWA Brasil


[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (13)

Abaixo, a décima terceira postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Os objetivos destas pessoas – dos homens dentro do Tempo, por excelência – são sempre objetivos egoístas, mesmo quando, devido à sua magnitude material e importância histórica, eles transcendem imensuravelmente a vida do próprio homem, assim como de fato acontece, às vezes. Isso porque o egoísmo – a justificação da “parte” por mais espaço e mais significado do que lhe é naturalmente atribuído no quadro da totalidade – é a própria raiz da desintegração e, portanto, uma característica indissociável do Tempo. Pode-se dizer, praticamente, que quanto mais uma pessoa é completamente e inexoravelmente egoísta, mais ela ou ele vive “dentro do Tempo”.

Mas, como temos dito, o egoísmo se manifesta de muitas maneiras diferentes. Ele pode encontrar expressão na luxúria da mera satisfação pessoal, que caracteriza o libertino sem vergonha; ou na ganância insaciável do avarento pelo ouro; ou na ambição individual do aspirante a honras e posição social; ou na ambição familiar do homem que está preparado para sacrificar todos os interesses de todo o mundo pelo bem estar e pela felicidade de sua esposa e filhos. Mas o egoísmo também pode aparecer na exaltação da tribo ou da nação de um homem acima de todas as outras tribos e nações, não por seu valor inerente à hierarquia natural da Vida, mas apenas por ser a tribo ou a nação específica daquele homem. O egoísmo pode aparecer – ou melhor, muitas vezes aparece – na exaltação indevida de todos os seres humanos, não importando o seu nível de degradação, acima de todo o resto da criação viva, irrespectivamente da saúde e da beleza destes últimos – a paixão que inspira a tirania secular do “homem” sobre a Natureza. O “amor pelo homem” não está em harmonia com os direitos e deveres ordenados por Deus para cada espécie (assim como para cada raça e cada indivíduo), mas existe num espírito de mera solidariedade entre parentes, bons ou maus, dignos ou indignos, apenas porque são os seus próprios. Homens “dentro do Tempo” sabem apenas diferenciar o que é seu e o que é dos outros, e eles amam a si mesmos em tudo o que é deles.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (13)

© 2011 ATWA Brasil


[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (12)

Abaixo, a décima segunda postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Parte 1

Capítulo 3 – Homens dentro do Tempo, acima do Tempo, e contra o Tempo

Todos os homens, na medida em que eles não estão libertos da escravidão do Tempo, seguem o caminho degenerativo da história, sabendo disso ou não, e gostando disso ou não.

Poucos realmente e completamente gostam dessa situação, mesmo em nossa época – e muito menos em idades mais felizes, quando as pessoas liam menos e pensavam mais. Poucos seguem em frente sem hesitações, sem olhar, em algum momento ou outro, tristemente para o distante paraíso perdido que eles sabem, na sua consciência mais profunda, que eles nunca entrarão; o paraíso da Perfeição dentro do tempo – uma coisa tão distante do presente que as primeiras pessoas sobre as quais temos conhecimento lembram apenas como um sonho. No entanto, eles seguem o caminho fatal. Eles obedecem a seu destino.

Essa submissão à terrível lei da decadência – essa aceitação da escravidão do Tempo por criaturas que vagamente sentem que poderiam ser livres dela, mas que acham que essa é uma tarefa árdua demais para ser apostada; que sabem de antemão que nunca teriam sucesso, mesmo que tentassem – está no fundo da infelicidade incurável do homem, lamentada vez após vez nas tragédias gregas, e também muito antes destas terem sido escritas. O homem é infeliz porque ele sabe, e porque ele sente – em geral – que o mundo em que ele vive e do qual ele faz parte não é o que deveria ser, e o que poderia ser, e o que, na verdade, foi na aurora do Tempo, antes da decadência se armar, e antes da violência ter se tornado inevitável. Ele não é capaz de honestamente aceitar esse mundo como o seu – especialmente não aceitar o fato de que tudo está indo de mal a pior – e ainda assim ser feliz. Por mais que ele tente ser um “realista” e arrancar do destino o que ele puder, quando puder, ainda assim um anseio invencível sobre algo melhor continua no fundo do seu coração. Ele não pode – em geral – desejar o mundo como ele atualmente é.

Mas poucas pessoas – tão raras quanto aquelas libertadas, para as quais o Tempo não existe, e talvez ainda mais raras do que isso – desejam tal mundo; e agem de acordo com essa vontade. Estas são as mais aprofundadas, os agentes mais impiedosos e eficazes das forças da morte na Terra: extremamente inteligentes, e por vezes extraordinariamente perspicazes; sempre sem o mínimo de escrúpulos; trabalhando sem hesitação e sem remorsos no sentido de acelerar a queda da história e (mesmo que não consigam enxergar a situação claramente dessa forma) a chegada da sua conclusão lógica: a aniquilação do homem e de toda a vida.

Naturalmente, eles nem sempre vêem tão longe. Mas quando o fazem, ainda assim eles não se importam. Como a Lei do Tempo é o que é, e como o fim deve naturalmente chegar, para eles vale a pena conquistar todo o lucro que for possível durante esse processo que, afinal, mais cedo ou mais tarde, trará o fim. Como ninguém é capaz de recriar o esperado Paraíso perdido – ninguém senão a própria roda do tempo, depois de ter completado o seu ciclo – então para eles, que podem esquecer completamente essa distante visão, ou que nunca foram capazes de vislumbrar seu brilho; eles, que sufocam em si mesmos o anseio pela Perfeição, ou melhor, eles quem nunca puderam experimentá-la; então assim, para eles vale a pena tentar espremer desse momento (minutos ou anos, pouco importa) todos os prazeres intensos e imediatos que eles puderem, até que chegue a hora em que eles deverão morrer. Para eles, vale a pena deixar a sua marca no mundo – e forçar as gerações a lembrá-los – até a hora em que o mundo morrer. Assim eles se sentem. Para eles, tanto faz o que eles podem causar de sofrimento para os homens ou outros seres vivos agindo como eles agem. Tanto os homens como as demais criaturas são obrigados a sofrer, de qualquer maneira – eles pensam. Qualquer coisa vale, através deles assim como através de outros, se isso puder avançar os objetivos destas pessoas.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (12)

© 2011 ATWA Brasil


[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (11)

Abaixo, a décima primeira postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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A “verdade desagradável” é que o pacifismo, a não-violência e assim por diante, são, na maioria das vezes, apenas ferramentas em serviço das forças de desintegração; truques desonestos para blefar os tolos, para enfraquecer os fortes, e para colocar milhões de covardes e hipócritas (a maioria do mundo) contra as poucas pessoas cuja inspiração política, perseguida implacavelmente pelo seu fim lógico, poderia, talvez, mesmo agora, parar a decadência do homem.

Como foi dito no início, a não-violência só pode existir em um mundo em que a ordem temporal sócio-política é, na escala humana, uma réplica da eterna Ordem do Cosmos. Qualquer pregação eficaz – e qualquer prática parcial – de pacifismo na política, ou seja, dentro do tempo, fora de tal ordem temporal, leva apenas, em última instância, a uma maior violência; a uma maior exploração da natureza viva, e a uma maior opressão do homem nas mãos daqueles que trabalham pelas forças da morte. Mas, há milênios que a ordem perfeita deixou de existir. Ela deve ser recriada antes que a paz possa florescer. E ela não pode, agora, ser criada de novo sem violência extrema, exercida, desta vez, com um espírito altruísta, por homens de visão.

O melhor caminho para aqueles que desejam sinceramente uma paz justa e duradoura seria, portanto, naturalmente, fazer todo o possível para entregar o mundo para os homens de visão, o mais rapidamente possível; ou pelo menos, não tentar impedi-los de conquistá-lo. Infelizmente, a maioria dos pacifistas ou não querem realmente a paz, e apenas fingem querer, ou então realmente querem tal coisa, mas apenas sob certas condições ideológicas que são incompatíveis com a realidade agora, e que se tornarão mais e mais incompatíveis até o final do atual ciclo histórico. Qualquer violência praticada contra seres humanos os choca. As pessoas que apóiam abertamente o uso da força – seja no espírito mais desinteressado e para o melhor dos propósitos – são, por isso mesmo, um anátema em seus olhos. Ajudá-los a conquistar e dominar o mundo? Oh, não! Tudo menos isso! Os ideais dos homens de visão podem muito bem ser ideais da “Era Dourada”; mas os métodos deles! – a atitude cínica deles em relação à vida humana; a perseguição implacável e impiedosa para a eliminação até mesmo de possíveis obstáculos para a realização rápida de seus objetivos altruístas; sua “lógica terrível” (para citar as palavras de um oficial francês na Alemanha ocupada, depois desta guerra) – os nossos pacifistas nunca poderiam se aliar a estes! Como resultado, eles representam algo muito pior – e geralmente sem saber. Pois, através da sua recusa em encarar os fatos e tomar a única atitude razoável que um verdadeiro amante da paz deveria tomar, eles se tornam instrumentos a serviço das forças de desintegração.

Não é possível ter ambas as coisas: quem não está com as eternas Forças da Vida e Luz, está contra elas. A menos que se viva “fora” ou “acima” do Tempo, caminha-se no sentido da evolução inevitável da história – ou seja, no sentido da decadência e dissolução – ou em protesto contra a corrente dos séculos, em uma luta amarga e aparentemente impossível, mas, no entanto, ainda assim bela, com os olhos fixos sobre os ideais eternos que podem ser traduzidos integralmente para a realidade material uma só vez, no início de cada ciclo sucessivo, por cada nova e sucessiva humanidade. Mas é verdade que a minoria corajosa de homens de ação que lutam “contra o Tempo” por ideais da “Era Dourada” é obrigada a tornar-se, conforme o tempo passa, mais e mais cruel em seu esforço para superar uma oposição universal cada vez mais bem organizada e cada vez mais evasiva. E por essa razão, torna-se cada vez mais difícil para que os pacifistas os sigam. Com toda probabilidade, eles continuarão a preferir identificar-se com os agentes mentirosos das Forças das Trevas. E isso é natural. Mais uma vez: está dentro da lei do tempo. As forças da morte devem ter praticamente todo o mundo sob seu controle antes da vinda de um novo recomeço, que sempre nasce como uma reafirmação do triunfo da Vida.

E assim, dia após dia, ano após ano, agora e no futuro, os poderes conflitantes da luz e das trevas não deixam de travar a sua luta mortal, como sempre fizeram, mas cada vez mais ferozmente na medida em que o tempo passa. E na medida em que o tempo passa, a luta também será mais e mais entre uma violência abertamente reconhecida e abertamente aceita, e uma violência desonestamente dissimulada, sendo a primeira colocada a serviço do mais alto propósito da Vida na Terra – ou seja, a criação de uma humanidade ideal, ou de uma humanidade aos moldes da “Era Dourada” – e a outra, colocada a serviço dos inimigos da Vida. E será assim até que, após a queda final – o “fim do mundo” como nós o conhecemos – a liderança da sobrevivência da humanidade caia para aquela elite vitoriosa que, mesmo em meio à decadência geral do homem, nunca perdeu a fé nos eternos valores cósmicos, nem a vontade de desenhar a partir deles, e somente a partir deles, as suas leis de ação.

Essa elite irá, então, não mais ser obrigada a recorrer à violência para impor sua vontade. Ela irá governar sem oposição em um mundo pacífico, em que a Nova Ordem dos seus sonhos será, para todos, o único estado natural e racional das coisas. Até que o homem esqueça novamente a Verdade imutável, volte a agir como se as leis de ferro de causa e conseqüência não lhe afetassem, e novamente se deteriore.

Nada pode parar a roda do tempo.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (11)

© 2011 ATWA Brasil


[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (10)

Abaixo, a décima postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Essa desonestidade geral sobre a violência, que tem se tornado progressivamente mais comum desde os primórdios da história, está clara hoje na forma como as pessoas deliberadamente escondem de si próprias e dos outros os horrores que eles perdoam, mas que ainda assim são incapazes de justificar.

Muitas das atrocidades cometidas contra os animais com a intenção de avançar conhecimentos médicos são tão terríveis que, apesar de suas alegadas “justificativas”, é “do interesse da ciência” – e do interesse das questões comerciais do mercado de patentes de medicamentos – não permitir que o público saiba sobre elas. E o público é deliberadamente mantido na ignorância – induzido a acreditar que esses horrores não existem realmente, ou que eles não são, na realidade, tão sanguinolentos quanto parecem ser. Sendo assim, logicamente as inúmeras crueldades cometidas por mera curiosidade ou por luxo, ou por diversão, são as mais escondidas – negadas sutilmente. Milhares de tolos bem-intencionados, que falam sobre o suposto “progresso moral” da nossa época, não têm idéia alguma sobre o que se passa em institutos científicos, no comércio de peles ou nos circos.

Milhares de pessoas igualmente bem-intencionadas e igualmente insensatas, que não questionam o que lhes é dado para ler e sabem pouco além do que lhes é oferecido, também não fazem idéia sobre os horrores perpetrados por seus compatriotas em países de outras pessoas como colonos ou como membros de exércitos de ocupação, ou melhor, não fazem nenhuma idéia sobre o que se passa em seus próprios países, atrás das grades, nas câmaras de tortura para a investigação política, e nos campos de concentração. Na verdade, na Inglaterra e em outras nações democráticas, muitos têm a impressão de que seus governos nunca toleraram coisas tais como campos de concentração e câmaras de tortura para seres humanos. Apenas “o inimigo” tinha essas coisas – isso é o que essas pessoas acreditam. Anos atrás, elas teriam de admitir que “todo mundo tem” essas coisas, e deveria tê-las, porque não se pode executar uma guerra sem esses acessórios desagradáveis, mas extremamente úteis. Mas agora a hipocrisia sobre a violência atingiu o seu ápice. Nunca houve no mundo tanta crueldade, aliada a uma tentativa tão generalizada de escondê-la, de negá-la, esquecê-la e, se possível, fazer com que os outros também a esqueçam. Nunca as pessoas têm sido tão dispostas a esquecê-la, com cenários externos “decentes” e agradáveis – casas e ruas em que nenhuma tortura de homens ou animais pode ser vista ou reconhecida – desde que, evidentemente, não seja a crueldade “do inimigo”. A única vez em que homens e mulheres modernos não tentam minimizar horrores, mas na verdade os exageram (e muitas vezes deliberadamente os inventam) é quando esses são (ou são apresentados como) os horrores do “inimigo” – nunca os seus próprios. E isso é em si apenas uma instância adicional da característica geral dos nossos tempos: o amor pelas mentiras.

O que virou o mundo inteiro tão amargamente contra os francos defensores dos métodos cruéis tanto no governo como nas guerras, não é tanto que eles fossem violentos, mas o fato de que eles eram verdadeiros. Mentirosos odeiam aqueles que contam as verdades desagradáveis, e que agem em conformidade com elas.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (10)

© 2011 ATWA Brasil


[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (9)

Abaixo, a nona postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Temos falado de dois tipos de violência. Em nenhum caso a diferença na natureza desses dois tipos é mais evidente, talvez, do que na atitude dos defensores – ou condizentes – de cada um com relação à criação viva fora da humanidade.

A violência franca e corajosa, que qualquer idealista com uma visão real é obrigado a usar assim que ele tentar traduzir sua intuição da verdade eterna em ação, em um mundo teimosamente degenerado, curvado sobre a sua própria destruição, é a violência que, dizemos, nunca é exercida – e nunca poderia, logicamente, ser exercida, salvo, talvez, em certos casos de urgência vital – contra quaisquer outras criaturas vivas que não sejam pessoas. Seu único propósito é esmagar, tão rápida e completamente como for possível, toda a resistência a uma ordem sócio-política imposta muito cedo para ser apreciada por todos aqueles a quem ela afetaria. Como veremos, ela não afeta apenas os seres humanos. Ela inclui, e deverá abranger, também, no longo prazo, todos os seres vivos. Caso contrário, ela não seria uma ordem baseada na verdade eterna, e a violência usada para impô-la não se justificaria. Mas apenas os seres humanos podem e se opõem a essa ordem. Apenas eles são, portanto, à medida que se tornam obstáculos ao seu estabelecimento ou à sua manutenção, vítimas justificadas da violência necessária daqueles cujo dever é defendê-la. Como conseqüência do fato de que eles não têm nada a ver com a formação da sociedade humana, os animais inocentes nunca são atormentados por homens que acreditam que, em todo caso, a tortura pode somente ser dispensada quando aplicada para avançar fins impessoais políticos que estejam em harmonia com os princípios eternos.

Esses homens não toleram a imposição de dor sobre as criaturas que vivem para pesquisas destinadas, nas mentes dos torturadores e dos seus apoiadores, a aliviar os sofrimentos da humanidade doente ou para satisfazer simples desejos por informações “científicas”. Porque se eles realmente são expoentes dos ideais da “Era Dourada” – homens de ação, com a consciência da verdade eterna e um amor ardente pela perfeição – não há chance de eles compartilharem, seja sobre a humanidade ou sobre as doenças, ou sobre a ânsia mórbida por um ocioso conhecimento a qualquer custo, os preconceitos comuns que têm vindo a se desenvolver, há séculos, como resultado da crescente decadência deste mundo. Eles não podem acreditar que todas as vidas humanas, degeneradas como possam ser, sejam, necessariamente, válidas de serem salvas. E eles devem acreditar que a melhor forma de erradicar as doenças não é descobrindo novos tratamentos para ensinar homens e mulheres a viverem vidas mais saudáveis, mas sim, antes de tudo, fortalecendo as raças naturalmente privilegiadas com uma política sistemática e racional, aplicada, em primeiro lugar, à arte básica da procriação. E eles devem sentir um desprezo para com todas as formas de pesquisa inúteis, sem falar da curiosidade criminal sobre o mistério da vida, que transformou centenas de homens como Pavlov, ou Voronoff – ou Claude Bernard – em verdadeiros monstros.

Há mais. A ideologia do forte naturalmente anda de mãos dadas com repulsa por todas as formas de crueldade para com os lindos animais indefesos. Nietzsche exaltou a bondade como a maior força do super-homem – “a última vitória do herói sobre si mesmo”. E a bondade que não abrange toda a vida não é bondade de forma alguma. A bondade que leva o homem a “amar os seus inimigos” sem exigir que ele ame as criaturas inocentes da terra, que não lhe causaram nenhum dano intencional; a bondade que o aconselha a poupar as vidas dos homens, mas o permite perseguir e comer os outros animais, e vestir suas peles, ou é hipocrisia ou imbecilidade. A ideologia do forte rejeita esses dois mil anos de contradição com desprezo.

Isto é tão verdade que as únicas pessoas que têm, em nossos tempos, se esforçado para criar uma ordem sócio-política sobre a base de uma tal ideologia; as pessoas que defendem mais consistentemente a violência saudável, necessária, que é indissociável de qualquer luta contra as forças da decadência – os fundadores da Alemanha nacional-socialista – são precisamente aquelas que expressaram o amor mais sincero por toda a Natureza em seu sistema educacional, e fizeram tudo o que podiam para proteger, por lei, tanto os animais como as florestas; é tão verdadeiro, que o líder que os inspirou – Adolf Hitler, agora tão descaradamente caluniado e tão amargamente odiado por um mundo inútil – não só se absteve de carne em sua própria dieta diária, mas é , pelo que sei, o único governante europeu que já contemplou seriamente a possibilidade de um continente sem matadouros, e ele realmente tinha a intenção de tornar esse sonho uma realidade, logo que pudesse.

Compare isso com o tratamento das criaturas nas mãos da maioria das pessoas que negam os indivíduos e raças superiores o direito de serem implacáveis em sua heróica luta contra o Tempo; daqueles que gostariam que nós acreditássemos que eles “amam os seus inimigos” e que eles têm um verdadeiro horror com relação a quaisquer atrocidades! Nós vimos, e nós vemos todos os dias, como os hipócritas tratam os seus inimigos – quando eles os pegam. E nós sabemos quais atrocidades eles podem executar contra outros seres humanos – ou ordenar, ou pelo menos tolerar – quando elas se adaptam às suas finalidades. Eles tratam os animais da mesma maneira. Eles consideram os crimes ocultos diariamente cometidos contra os animais neste mundo cada vez mais perverso, como uma coisa natural, tal como fazem com os que são cometidos contra os homens e mulheres que eles consideram como “fanáticos perigosos”, “criminosos de guerra” e assim por diante.

Naturalmente, eles acham boas desculpas para justificar sua atitude – e sempre farão isso; a lógica foi concedida ao homem para que ele pudesse se justificar aos seus próprios olhos, seja qual for a monstruosidade que ele possa decidir apoiar. Mas suas premissas são totalmente diferentes daquelas das pessoas altruístas que lutam com brutalidade consistente pelos ideais de harmonia com a perfeita ordem cósmica. Seu argumento básico é “o interesse da humanidade” – de forma indiscriminada; o “interesse da humanidade” como um todo; da “maioria” dos seres humanos, bons, maus e indiferentes; e apenas dos seres humanos. Seus ideais – expressão da tendência decadente do Tempo, que acelera o homem para o seu fim – são qualquer coisa, exceto ideais da “Era Dourada”.

Qual é a humanidade que os agentes de bom coração das forças da escuridão querem realmente “salvar”, à custa de sofrimentos indizíveis infligidos a criaturas saudáveis, inocentes e belas nas câmaras de tortura da “ciência”? Certamente não a elite forte e orgulhosa da humanidade, à espera do seu dia para começar um novo ciclo histórico, sobre as ruínas do mundo atual. Esses homens e mulheres que pertencem a essa minoria saudável não precisam de tal medicamento laboriosamente descoberto, e não iriam aceitá-lo. Não. A maioria dos nossos contemporâneos que defendem a imposição de dor sobre as criaturas que vivem em prol da “pesquisa” está preocupada com o alívio do “sofrimento” da humanidade. Eles são cheios desse amor mórbido para com os doentes e os aleijados, os fracos e os deficientes de todo tipo, que o Cristianismo colocou na moda e que é, sem dúvida, um dos sinais mais nauseantes da decadência do homem moderno. Sejam eles professos cristãos ou não, todos se apegam à crença idiota de que é um “dever” salvar, ou pelo menos prorrogar, a qualquer custo, qualquer vida humana, mesmo que sem valor – um dever de prolongar a vida simplesmente porque é uma vida humana. Como conseqüência, eles estão dispostos a sacrificar qualquer número de animais saudáveis e bonitos, se imaginarem que isso poderá ajudar a corrigir os corpos de pessoas que, na maioria dos casos, não teriam sido permitidas a viver, ou melhor, nunca nem teriam nascido, em uma sociedade bem concebida e bem organizada. Em seus olhos, um idiota humano vale mais do que o modelo mais perfeito de vida animal ou vegetal. De fato, enquanto a nossa espécie se degenera, a sua vaidade cresce! E essa vaidade ajuda a manter os homens satisfeitos, embora eles sejam completamente afastados da visão da perfeição, gloriosa e saudável, que dominou a consciência do mundo em sua juventude e que ainda é, e permanecerá até o fim, a visão inspiradora de uma minoria decrescente.

Os relatos das atrocidades cometidas contra os animais inocentes, a fim de encontrar meios para combater doenças em uma humanidade mais e mais contaminada, ou até mesmo a fim de encontrar meios para incentivar vícios para um número cada vez maior de degenerados, encheriam livros inteiros. As abominações semelhantes realizadas por mera curiosidade científica, também. Este não é o lugar para ponderar sobre esse assunto horripilante. No entanto, quando lembramos que as pessoas que desculparam esses e outros horrores, ou melhor, que aprovaram esses horrores – que admiraram alguém como Pasteur, e que nunca disseram nem uma palavra sequer contra outros, como Claude Bernard ou, neste século, Pavlov – quando lembramos que essas pessoas tiveram o descaramento de serem juízes em 1945, 1946 e 1947, e que, com o consentimento do mundo, sentenciaram à morte os médicos alemães, justa ou injustamente acusados de terem realizado experimentos muito menos cruéis a inimigos ativos ou potenciais de tudo o que eles amavam e defendiam, então é um nojo a profundidade de hipocrisia que a humanidade tem alcançado em nossa época. Porque nunca antes, talvez, tal exposição teatral de indignação sobre determinados atos de violência tenha caminhado de mãos dadas com uma tolerância universal de atos de violência muito mais horríveis.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (9)

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[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (8)

Abaixo, a oitava postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Quanto à violência que é usada para avançar os objetivos de guerra das forças da morte, ela é e sempre foi de dois tipos: por um lado, dirigida contra a própria Vida – primeiro, contra toda a inocente Natureza, e então contra os interesses vitais da alta humanidade, em nome do “plano comum” – e, por outro lado, contra os homens em particular que, cada vez mais conscientes da realidade trágica dessa idade da escuridão, adotam uma posição em favor do reconhecimento dos valores eternos da Vida e do restabelecimento da ordem de acordo com a sua verdadeira e eterna base.

De fato, na tentativa de trazer o triunfo da desintegração lenta, mas constante, da cultura, a violência é cada vez menos necessária. O mundo evolui naturalmente para a desintegração, com um ritmo cada vez mais acelerado. Poderia ter sido necessário, uma vez, empurrá-lo desfiladeiro abaixo. Mas isso não tem mais sido necessário, há séculos. O mundo caminha sobre a sua própria destruição, sem ajuda. Nesse sentido, portanto, os guerreiros da desintegração desfrutam de uma tarefa fácil. Eles só têm de seguir e enaltecer as tendências viciosas da maioria cada vez mais desprezível dos homens para se tornarem os queridos do mundo. Mas, em sua guerra contra os poucos, mas mais conscientes e práticos expoentes dos valores mais elevados – os defensores da hierarquia natural das raças; os adoradores da luz, da força, da juventude – eles são (e estão vinculados a ser) cada vez mais violentos, ou melhor, mais e mais implacavelmente cruéis. O ódio deles cresce enquanto a história se desenrola, como se eles soubessem – como se eles sentissem, com a agudeza da percepção física – que cada uma de suas vitórias, espetaculares como possam parecer, os traz para mais perto da queda final redentora na qual eles se encontram vinculados a perder, e da qual seus superiores, agora perseguidos, serão obrigados a emergir como os líderes da Nova Era – os super-homens, no início do próximo ciclo de tempo – mais do que nunca como deuses. O ódio deles cresce, e sua ferocidade também, com a aproximação da queda redentora e, junto com ela, o alvorecer da Nova Ordem universal, tão inevitável como a chegada da primavera. Como a história dos últimos anos tem mostrado – como a história da escura Europa (e dos orgulhosos, mas pobres japoneses) mostraria hoje, se apenas os seus horrores escondidos fossem revelados – nada é pior em termos de violência do que a perseguição dos melhores homens e mulheres do mundo pelos agentes das forças da morte, nesse último período da “Era das Trevas”. Assim como as crianças da Luz, esses também – embora por motivos contrários – agem sob a pressão inflexível do tempo. Eles têm poucos anos para tentar acabar com a eterna ideologia divina; para esmagar o máximo de seus adeptos que puderem, antes de serem, eles próprios, transformados em pó em uma guerra fratricida de demônios contra demônios.

Eles estão com pressa – não como a heróica elite, por impaciência generosa; não por um desejo de ver a “Era da Verdade” ser restabelecida antes de seu tempo, mas apenas por uma luxúria febril; por uma vontade de roubar do mundo, para si mesmos, todas as vantagens materiais e todas as satisfações da vaidade que forem possíveis, antes que seja tarde demais. E conforme o tempo passa, essa pressa se transforma em delírio. O único obstáculo em seu caminho que ainda os desafia – que irá sempre desafiá-los, até o fim – é precisamente essa elite orgulhosa a qual o desastre não desanima, a qual a tortura não pode quebrar, a qual o dinheiro não pode comprar. Consciente ou inconscientemente, sejam eles próprios completamente maus, ou apenas cegos por uma estupidez inata, os agentes da desintegração guerreiam contra os homens de ouro e aço com uma fúria infernal, sem esmorecer.

Mas deles não é a violência franca e desavergonhada dos inspirados idealistas que lutam para trazer de volta, rapidamente, a elevada ordem sociopolítica que é boa demais para o mundo indigno de sua época. A deles é um tipo de violência covarde, safada, escondida, mais e mais eficaz por ser, do lado de fora, mais enfaticamente negada, tanto pelos miseráveis que a aplicam ou aceitam, como pelos estúpidos bem-intencionados que realmente acreditam que tal coisa não exista. Ela é motivada por sentimentos que não se pode apresentar, mesmo em um mundo degenerado, sem correr o risco de derrotar o próprio propósito: por puro ódio, enraizado na inveja – o ódio dos fracos inúteis com relação aos fortes, por não outro motivo senão por eles serem realmente fortes; o ódio das almas feias (encarnado, mais frequentemente, em corpos não menos feios) com relação aos de grande beleza natural; com relação à nobre, magnânima, abnegada, e real aristocracia do mundo; o ódio do infeliz, e mais ainda, do tedioso – daqueles que vivem apenas por seus bolsos, e não têm nenhum motivo para morrer – com relação àqueles que vivem, e estão prontos para morrer, por valores eternos. Assim é, cada vez mais, a violência generalizada dos nossos tempos, cada vez menos reconhecida, em seu disfarce sutil, até mesmo para as pessoas que realmente sofrem com ela.

Os povos da antiguidade sabiam melhor do que nossos contemporâneos sobre quem eram seus amigos e quem eram seus inimigos. E isso é natural. Em um mundo correndo para sua perdição, é natural o aumento da ignorância – a ignorância precisamente dessas coisas que se deve conhecer melhor para sobreviver. Os antigos sofriam, mas sabiam a quem amaldiçoar. Os homens e mulheres modernos, como regra, não sabem; realmente não se importam de saber; são preguiçosos demais, cansados demais, próximos demais do fim do seu mundo para se darem ao trabalho de questionar qualquer coisa seriamente. E os malandros espertos, eles próprios os autores de todo esse mal, os incitam a jogar a culpa sobre as únicas pessoas cuja infalível sabedoria e amor poderiam tê-los salvado, se eles quisessem ter sido salvos; sobre essa elite odiada que se posiciona contra a corrente do Tempo, com a visão do glorioso novo Início por trás da desgraça do mundo atual, clara e brilhante diante de seus olhos. A totalidade do montante de baboseiras escritas e contadas desde o final da Segunda Guerra Mundial (e mesmo antes do seu final, nos jornais e nas estações de rádio controladas pelos Poderes Democráticos) sobre os sofrimentos dos povos europeus, é o exemplo flagrante mais recente desta campanha sistemática de mentiras, mais e mais comum na medida em que as forças da desintegração se tornam, com o tempo, mais bem sucedidas e secretas. A Europa está em ruínas – consequência de seis anos de bombardeamentos desumanos. As Nações Unidas fizeram o bombardeio, a fim de acabar com o Nacional-Socialismo – a única coisa que poderia ter restaurado a ordem e a sanidade na Europa, se o altruísmo absoluto, combinado com genialidade, fosse capaz de virar a maré do tempo em um mundo condenado. E agora as pessoas dizem que o Nacional-Socialismo é responsável por todos os males que os bombardeios tenham causado, e que o seu inspirador fundador é o maior egoísta megalomaníaco que já pisou nesta terra. Algumas pessoas acreditam nisso – até mesmo na Alemanha; ou estavam preparadas para acreditar em 1945, antes que tivessem um gosto do substituto que as democracias lhes ofereceriam no lugar do regime muito criticado. A maioria das pessoas acredita nisso no resto da Europa. Os vilões insidiosos, completamente desonestos com relação à violência, que definiram o tom dessa propaganda, têm uma tarefa fácil: eles trabalham no sentido do Tempo: para a desordem, levando à desintegração; para a destruição de tudo o que ainda é forte e valioso no momento presente da humanidade; de tudo o que é destinado a sobreviver, apesar de tudo, a vinda da destruição. E eles exploram muito as características de uma época decadente: o ódio de toda a disciplina óbvia e de toda a liderança visível e tangível (e responsável), aliado à crescente arrogância, aumentando a imbecilidade, e, conseqüentemente, aumentando também a ingenuidade.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (8)

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[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (7)

Abaixo, a sétima postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Apenas uma “Era da Verdade”, em que tudo é como deveria ser – um mundo no qual a ordem social e política na Terra é uma réplica perfeita da eterna Ordem da Vida – pode ser não-violenta. E nas lendas eloqüentes de todas as nações antigas, a sociedade ideal, no alvorecer do tempo, é dita ter sido naturalmente assim. Havia, então, nada a ser mudado; nada para que derramar o próprio sangue ou o de outras pessoas; nada a fazer, senão desfrutar em paz a beleza e as riquezas da Terra iluminada pelo Sol, e louvar os deuses sábios – os “devas” ou os “resplandecentes”, como os arianos antigos os chamavam – reis da terra no verdadeiro sentido da palavra. Cada homem e cada mulher, cada raça, cada espécie estava, então, em seu devido lugar, e toda a divina hierarquia da Criação era uma obra de arte para a qual e da qual não havia nada para adicionar ou tirar. A violência era impensável.

A violência se tornou uma necessidade a partir do momento em que a ordem sociopolítica do mundo deixou de ser o reflexo sem distorções da Ordem cósmica eterna; a partir do momento em que um espírito centrado no homem, exaltando indiscriminadamente toda a humanidade em detrimento da vida gloriosa da Natureza, em um lado, e assim também os indivíduos naturalmente superiores e as raças naturalmente privilegiadas, por outro lado, foi erguido, em oposição à Tradição de vida que esteve permitindo, por sabe-se lá quantos milênios, a hierarquia harmoniosa e divinamente ordenada dos povos, espécies animais e variedades vegetais; a partir do momento em que uma tendência viciosa pela uniformidade – levando à desintegração – se instalou, em oposição à Unidade primordial da diversidade, infinita e disciplinada. A partir desse momento, repetimos, a violência tornou-se a lei do mundo, para o bem e para o mal. A única maneira de evitar fazer uso dela seria, de agora em diante, ou se isolar completamente do mundo como ele é, virar as costas à vida e seguir em frente em um tempo artificial, como um sonho – a ilusão de uma ilusão – ou então, viver fora do tempo completamente. Muito poucos indivíduos eram suficientemente tolos para optar pela primeira opção, e menos ainda suficientemente desenvolvidos e, ao mesmo tempo, suficientemente indiferentes, para adotar a segunda.

Mas a violência não é uma coisa ruim em si mesma. Verdade, ela se pôs como uma necessidade apenas depois que o mundo havia se tornado, em grande medida, “ruim” – infiel ao seu arquétipo atemporal; não mais em sintonia com o sonho criativo da Mente universal, que uma vez ele expressou. O próprio surgimento da violência era um sinal de que a “Era da Verdade” havia sido irremediavelmente fechada; que o processo de queda da história estava ganhando velocidade. No entanto, a violência não pode ser julgada independentemente de sua finalidade. E o propósito é bom ou ruim; valioso ou não. Ele é valioso quando aqueles buscam fazê-lo, não apenas desinteressadamente – sem nenhum desejo primordial de glória pessoal ou felicidade – mas também de acordo com uma ideologia que expresse a verdade impessoal e atemporal, mais-que-humana; uma ideologia enraizada na clara compreensão das leis imutáveis da vida, e destinada a apelar a todos aqueles que, em um mundo em queda, ainda mantêm dentro de seus corações um desejo invencível pela Ordem perfeita como ela realmente era e será novamente; como ela não poderia deixar de ser, no início de cada retorno do ciclo do tempo. Qualquer finalidade que seja inteligente, e objetivamente consistente com os objetivos de guerra das imortais Forças da Luz na sua luta eterna contra as Forças das Trevas, isto é, da desintegração – aquela luta ilustrada em todas as mitologias do mundo – esse propósito, eu digo, justifica qualquer quantidade de violência altruísta. Além disso, enquanto a “Era das Trevas” em que estamos vivendo continua, mais e mais escura e mais e mais feroz ano após ano, torna-se cada vez mais impossível de evitar o uso da violência a serviço da verdade. Nenhum homem – nenhum semi-deus – pode trazer, nos dias hoje, mesmo uma quantidade relativa de ordem real e de justiça a qualquer área do globo, sem o uso da força, especialmente se ele tem apenas alguns anos à sua disposição para tentar fazê-lo. E, infelizmente, quanto mais o mundo avança na era atual das maravilhas técnicas e humilhação humana, mais os grandes homens de inspiração são submetidos ao fator do tempo, assim que eles tentam aplicar seus elevados conhecimentos intuitivos da verdade eterna para a solução de problemas práticos. Eles são forçados a agir, não apenas por completo, mas também rapidamente, se não quiserem ver as forças da desintegração acabar com seu inestimável trabalho. E, gostem ou não, por completo e rapidamente significa, quase inevitavelmente, agir com violência firme. Pode-se dizer, com mais e mais certeza enquanto a “Era das Trevas” avança, que os homens-deus de ação são derrotados, pelo menos por enquanto, não por terem sido cruéis demais (e, portanto, por terem despertado contra si mesmos e suas idéias e seus colaboradores a indignação das “pessoas decentes”), mas por não terem sido cruéis o suficiente – por não terem matado os seus inimigos em fuga, até o último homem, na breve hora do triunfo; por não terem silenciado tanto os milhões de hipócritas como os seus mestres, os produtores de contos de atrocidades, com violência mais substancial, e extermínios mais completos.

Sendo assim, é evidente que condenar a violência indiscriminadamente é condenar a própria luta das Forças da Vida e da Luz contra as Forças da Desintegração – luta essa, cada vez mais heróica e desesperada, também, enquanto o mundo corre em direção a seu fim. É condenar essa luta que, em cada uma das suas longas e variadas fases, e até mesmo através de desastres temporários, tem assegurado para o mundo, além de seu merecido castigo, o glorioso novo Início, que poucos merecem. Dentro das amarras do tempo, especialmente dentro desta “Kali Yuga”, não se pode ser sempre não-violento, sem contribuir, voluntariamente ou involuntariamente, consciente ou inconscientemente, para o sucesso das Forças da Desintegração; das que chamamos de forças da morte.

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Abaixo, a sexta postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Parte 1

Capítulo 2 – Tempo e violência

Considerando os poucos fatos mencionados no capítulo anterior, está bastante claro que não há crueldade na história antiga – nenhum horror da Assíria, nenhum horror cartaginês, nenhum horror antigo chinês – que a inventividade dos nossos contemporâneos do Oriente e Ocidente, auxiliada por uma técnica aperfeiçoada, não tenha já superado. Mas a crueldade – a violência dos covardes – é apenas uma expressão da violência, entre muitas outras, embora reconhecidamente seja uma das mais repulsivas. Auxiliado e encorajado por conquistas científicas cada vez mais surpreendentes, que podem ser colocadas em uso para qualquer finalidade, o homem tem, ao longo da história, tornado-se cada vez mais violento – e não menos, como as pessoas alimentadas com propaganda pacifista muitas vezes são inclinadas a pensar! E mais, não poderia ter sido de outra maneira; e isso não pode ser diferente em qualquer período do futuro, até que a destruição violenta e completa do que chamamos hoje em dia de “civilização” abra para o mundo uma nova “Idade da Verdade”; uma nova “Era Dourada”. Até então, a violência, sob uma forma ou outra, é inevitável. É a lei da vida num mundo em queda. A escolha que nos é dada não é entre a violência e a não-violência, mas entre a violência clara e sem vergonha, em plena luz do dia, e a violência escondida, sutil – a chantagem; entre a violência aberta e a violência discreta e lenta, porém aos moldes de uma perseguição implacável, tanto econômica como cultural: a repressão sistemática de todas as possibilidades para os vencidos, sem “mostrar” tal coisa; o “condicionamento” impiedoso de crianças, mais horrível do que nunca porque é mais impessoal, mais indireto, e mais externamente “suave”; a disseminação inteligente de terríveis mentiras (e meias-mentiras); a violência sob o pretexto de não-violência. A escolha é também entre a brutalidade abnegada posta a serviço da causa da verdade; a violência sem crueldade, aplicada para trazer sobre a terra uma ordem baseada em princípios eternos, que transcendem o homem; a violência na perspectiva da criação, ou manutenção, de um Estado humano em harmonia com o propósito maior da vida, e entre a violência aplicada para fins egoístas.

As duas alternativas paralelas são uma e a mesma coisa. Porque é um fato que, quanto mais desinteressado é o seu objetivo e mais altruísta a sua aplicação, mais franca e direta a violência é; enquanto, por outro lado, quanto mais sórdidos são os motivos para qual na realidade ela é utilizada, mais ela é ocultada, ou melhor, negada; e mais os homens que recorrem a ela se gabam de serem admiradores da não-violência, assim blefando para os outros e às vezes também para si mesmos; agindo como enganadores e sendo enganados – apanhados na rede das suas próprias mentiras.

Conforme o tempo passa e a deterioração toma conta, o tema predominante da história humana não é cada vez menos violência, e sim cada vez menos honestidade sobre a violência.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (6)

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[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (5)

Abaixo, a quinta postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Mas o mais covarde e hipócrita, talvez, do que qualquer outra coisa, é o comportamento “progressista” do homem moderno com relação à Natureza viva, e particularmente com relação ao reino animal. Falei sobre isso extensamente em outro livro, e vou, portanto, aqui, me contentar a sublinhar alguns fatos.

O homem primitivo – e, muitas vezes, também, o homem cuja civilização não é nada “moderna” – é ruim o bastante, é verdade, com relação ao seu tratamento dos animais. Basta viajar aos países menos industrializados do sul da Europa, ou ao Próximo e Médio Oriente, para adquirir uma certeza muito clara sobre este ponto. E nem todos os líderes modernos têm sido igualmente bem sucedidos em colocar um fim a essa antiga e burra crueldade, seja no Oriente ou no Ocidente. Gandhi não pôde, em nome daquela bondade universal que ele repetidamente anunciava como o princípio essencial da sua fé, evitar que os homens hindus matassem de fome deliberadamente os seus bezerros machos, a fim de vender algumas pintas extras de leite de vaca. Mussolini não conseguiu detectar e lidar com todos os italianos que, sob seu governo, persistiram com o hábito detestável de depenar frangos vivos sob o fundamento de que “as penas saem mais facilmente”. Não há como fugir do fato de que a bondade com os animais em escala nacional não depende dos ensinamentos de qualquer religião ou filosofia. É uma das características distintivas das raças verdadeiramente superiores. E nenhuma alquimia religiosa, filosófica ou política pode transformar metais comuns em ouro.

Isso não significa que um bom ensino não possa ajudar a trazer o melhor de cada raça, assim como em cada homem ou mulher individualmente. Mas a civilização industrial moderna, na medida em que ela é centrada no homem – e não controlada por qualquer inspiração de um modo super-humano, cósmico – e tende a enfatizar a quantidade em detrimento da qualidade, produção e riqueza em vez do caráter e valor intrínseco, é tudo menos conveniente para o desenvolvimento de uma bondade universal consistente, mesmo entre as melhores pessoas. Ela esconde a crueldade. Ela não faz nada para suprimi-la, ou até mesmo para diminuí-la. Ela perdoa, ou melhor, exalta qualquer atrocidade contra os animais que seja direta ou indiretamente relacionada com ganhar dinheiro, dos horrores diários dos abates dos matadouros ao martírio dos animais nas mãos do circo, do caçador ao vivisseccionista. Naturalmente, o “maior” interesse dos seres humanos é apresentado como justificativa – sem que as pessoas percebam que o homem que está disposto a comprar entretenimento ou luxo, “comidas saborosas”, ou mesmo informações científicas e meios de curar doentes, já não é mais digno de estar vivo. O fato é que nunca houve tamanha degeneração e doenças de todos os tipos de descrições entre os homens quanto neste mundo de vacinação obrigatória (ou quase obrigatória) e inoculação; este mundo que exalta os criminosos contra a Vida – carrascos de seres vivos inocentes para fins do homem, tais como Louis Pasteur – considerado entre os “grandes” homens, embora tenha condenando os realmente grandes, que se esforçaram para destacar a sagrada hierarquia das raças humanas diante da hierarquia óbvia de todos os seres, e que, aliás, construíram o único Estado no Ocidente cujas leis de proteção dos animais lembravam, pela primeira vez depois de séculos (e na medida em que foi possível em um país industrial moderno de clima frio), os decretos do imperador Asoka e Harshavardhana.

Esse mundo pode muito bem se vangloriar de seus cuidados com cães e gatos e animais de estimação em geral, enquanto tentando esquecer (e tentando fazer as melhores civilizações esquecerem) o fato hediondo de que um milhão de criaturas passa por vivissecção anualmente somente na Grã-Bretanha. Mas não é possível nos fazer esquecer dos seus horrores escondidos e nos convencer de seu “progresso” quanto à bondade para com os animais, tanto quanto à sua bondade crescente para com as pessoas “independentemente do seu credo”. Nós nos recusamos a ver nela outra coisa senão a prova viva mais escura daquilo que os hindus têm caracterizado desde tempos imemoriais como “Kali Yuga” – a “Idade das Trevas”, a Era da Melancolia, a última (e, felizmente, a mais curta) subdivisão do atual ciclo da história. Não há nenhuma esperança de “colocar as coisas em ordem” em tal fase. Essa é, essencialmente, a fase descrita com tanta força embora laconicamente no Livro dos livros – o Bhagavad-Gita – como aquela em que “da corrupção das mulheres nasce a confusão das castas; da confusão das castas, a perda da memória; da perda da memória, a falta de compreensão; e deste último, todos os outros males”; a fase em que a mentira é chamada de “verdade” e a verdade é perseguida como falsidade ou ridicularizada como loucura; em que os expoentes da verdade, os líderes divinamente inspirados, os verdadeiros amigos de sua raça e de toda a vida – os homens como Deus – são derrotados, e seus seguidores humilhados e sua memória caluniada, enquanto os mestres das mentiras são tidos como “salvadores”; a fase em que cada homem e mulher está no lugar errado, e o mundo é dominado por indivíduos inferiores, raças bastardas e doutrinas viciosas, tudo parte integrante de uma ordem inerente de feiúra muito pior do que a completa anarquia.

Esta é a fase em que os nossos democratas triunfantes e os nossos orgulhosos comunistas ostentam o “progresso lento, mas constante, por meio da ciência e da educação”. Muito obrigado por tal “progresso”! A simples visão de tal “progresso” é suficiente para confirmar-nos na nossa crença na teoria cíclica da história imemorial, ilustrada nos mitos de todas as antigas religiões naturais (incluindo aquela através da qual os judeus – e, através deles, os seus discípulos, os cristãos – derivam a história simbólica do Jardim do Éden; Perfeição no começo do Tempo). Impressiona-nos o fato de que a história humana, longe de ser uma ascensão constante para o melhor, é um processo cada vez mais desesperado de emasculação, abastardamento e desmoralização da humanidade; uma “queda” inexorável. Ela desperta em nós o desejo de ver o fim – a queda final, que vai empurrar para o esquecimento tanto os inúteis “ismos” que são produto da decadência do pensamento e de caráter, e as não menos inúteis religiões de igualdade que lentamente tem preparado o terreno para eles; a vinda de Kalki, o Destruidor divino do mal; a aurora de um novo ciclo que se abre, como todos os ciclos de tempo sempre fizeram, com uma nova “Era Dourada”.

Não importa quão sangrenta a queda final possa ser! Não importam os tesouros antigos que podem perecer para sempre nesse incêndio! Quanto mais cedo ele vier, melhor. Estamos esperando por isso – e para as glórias que se seguirão – confiantes na lei cíclica divinamente estabelecida que rege todas as manifestações da existência no tempo: a lei do eterno retorno. Estamos esperando por ele, e para o triunfo posterior da Verdade perseguida hoje; pelo triunfo, sob qualquer nome, da única fé em harmonia com as leis eternas do ser; do único “ismo” moderno, que de “moderno” tem muito pouco, sendo apenas a mais recente expressão de princípios tão antigos quanto o Sol; o triunfo de todos os homens que, ao longo dos séculos e hoje, nunca perderam a visão da Ordem eterna, decretada pelo Sol, e que têm lutado com um espírito altruísta para expor essa visão aos demais. Estamos aguardando a restauração gloriosa, desta vez, em escala mundial, da Nova Ordem; a projeção no tempo, na próxima assim como em todas as recorrentes “Eras Douradas”, da Ordem eterna do Cosmos.

Essa é a única coisa para a qual vale a pena viver – e morrer, se for dado esse privilégio – agora, em 1948.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (5)

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[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (4)

Abaixo, a quarta postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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A suposta “humanidade” dos nossos contemporâneos (em comparação com seus antepassados) é apenas uma falta de coragem ou falta de sentimentos fortes – um aumento de covardia, ou uma crescente apatia.

O homem moderno é escrupuloso sobre as atrocidades – até mesmo sobre a brutalidade comum, sem imaginação – apenas quando os objetivos para os quais as ações atrozes ou simplesmente brutais são executadas são odiosas ou indiferentes com relação a ele. Em quaisquer outras circunstâncias, ele fecha os seus olhos para quaisquer horrores – especialmente quando ele sabe que as vítimas nunca podem retaliar (como é o caso com todas as atrocidades cometidas pelo homem contra os animais, para qualquer fim que seja), e ele exige, no máximo, que não seja lembrado delas com muita frequência ou convicção. Ele reage como se houvesse classificado as atrocidades sob duas categorias: as “inevitáveis” e as “evitáveis”. As “inevitáveis” são aquelas que servem ou deveriam servir para a finalidade do homem moderno – em geral: “o bem da humanidade” ou o “triunfo da democracia”. Elas são toleradas, ou melhor, justificadas. As “evitáveis” são aquelas que são ocasionalmente cometidas, ou supostamente cometidas, por pessoas cujo objetivo é alheio ao seu. Só elas são condenadas, e seus autores reais ou supostos – ou inspiradores – são marcados pela opinião pública como “criminosos contra a humanidade”.

Quais são, afinal, os sinais dessa suposta “humanidade” maravilhosa do homem moderno, de acordo com aqueles que acreditam no progresso? Já não temos hoje em dia – eles dizem – as execuções horríveis dos tempos antigos; traidores não são mais “enforcados e esquartejados”, como era costume na gloriosa Inglaterra do século XVI; qualquer coisa que se aproxime da crueldade da tortura e execução de François Damien, na praça central de Paris, diante de milhares de pessoas vindas com o propósito de vê-lo, em 28 de maio de 1757, seria impensável na França moderna. O homem moderno também não defende a escravidão, nem ele (em teoria, pelo menos) justifica a exploração das massas sob qualquer forma. E suas guerras – até mesmo suas guerras, monstruosas como podem parecer, com seus aparatos elaborados de máquinas demoníacas – estão começando a admitir, no seu código (ou assim se diz), certa quantidade de humanidade e justiça. O homem moderno é horrorizado pelo simples pensamento sobre os hábitos dos povos antigos durante períodos de guerra – como o sacrifício de doze jovens troianos sob o herói grego Pátroclo, para não falar dos menos antigos, mas mais atrozes sacrifícios dos prisioneiros de guerra do deus da guerra asteca, Huitzilopochtli (mas os astecas, apesar de relativamente modernos, não eram cristãos, nem, pelo que sabemos, crentes no progresso como um todo). Finalmente – dizem – o homem moderno é mais amável, ou menos cruel, com relação aos animais do que seus antepassados eram.

Uma enorme quantidade de preconceito em favor de nosso tempo pode permitir que pessoas sejam conquistadas por tais falácias.

Certamente, o homem moderno não “defende” a escravidão; ele a denuncia com veemência. Mas ele a pratica, no entanto – e em maior escala do que nunca, e com muito mais planejamento do que os antigos jamais poderiam – tanto no Ocidente capitalista como nos trópicos, ou (do que se ouve fora de seus muros impenetráveis) mesmo no único Estado que supostamente é, hoje, o “paraíso dos trabalhadores”. Existem diferenças, claro. Na Antiguidade, até mesmo o escravo tinha horas de lazer e alegria que eram propriedade dele; ele tinha seus jogos de dados, à sombra das colunas do pórtico de seu mestre, suas piadas grosseiras, suas conversas, sua vida livre fora de sua rotina diária. O escravo moderno não tem o privilégio da vadiagem, de estar totalmente despreocupado, nem que seja por meia hora. Seu suposto lazer é cheio de entretenimento compulsório, tão exigente e muitas vezes tão triste quanto o seu trabalho, ou – na “terra da liberdade” – envenenado por preocupações econômicas. Mas ele não é abertamente comprado e vendido. Ele é apenas tomado. E tomado não por um homem que, de alguma forma, é pelo menos superior a si mesmo, mas por um gigantesco sistema impessoal, sem qualquer corpo para se chutar, ou uma alma para amaldiçoar, ou uma cabeça para responder por suas ofensas.

E da mesma forma, antigos horrores certamente desapareceram dos registros dos chamados homens civilizados, com relação à justiça e às guerras. Mas novos e piores horrores, desconhecidos nos tempos “bárbaros”, apareceram em seu lugar. Um exemplo simples é arrepiador o suficiente para comprovar isso. O julgamento prolongado não de criminosos, não de traidores, nem regicidas, nem magos, mas dos melhores personagens líderes da Europa; a sua condenação injusta, depois de meses e meses de todo os tipos de humilhação e tortura sistemática moral; e o seu enforcamento final, da forma mais lenta e cruel possível – aquela farsa sinistra, encenada em Nuremberg, em 1945-1946 (e 1947) por um bando de covardes e hipócritas vitoriosos, é incomensuravelmente mais nojenta do que todos os sacrifícios humanos de pós-guerra do passado unidos em um, inclusive aqueles realizados de acordo com o conhecido ritual mexicano. Porque pelo menos lá, por mais doloroso que possa ter sido o processo tradicional de matar, as vítimas eram francamente levadas à morte para o deleite do deus tribal dos vencedores e dos próprios vencedores, sem qualquer pretensão macabra de estabelecer “justiça”. E eles eram, aliás, escolhidos de todas as fileiras de combatentes capturados, e não malignamente selecionados da elite do seu povo. Nem a elite do povo vencido representava, na maioria dos casos – como de fato ocorreu no julgamento da vergonha dos nossos tempos progressivos – a própria elite do seu continente.

Quanto às atrocidades impensáveis como as que ocorreram na França e na Espanha, e em muitos outros países a partir da Idade Média, pode-se encontrar um grande número de episódios da recente guerra civil espanhola – para não mencionar o registro não menos impressionante dos horrores realizados, ainda mais recentemente, pelos “heróis” da resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial – que são tão horríveis quanto e, muitas vezes, ainda piores.

Curiosamente – embora eles digam que “odeiam essas coisas” – um número considerável de homens e mulheres de hoje, quando falta a coragem para cometer atos horríveis, pessoalmente, parecem estar dispostos como sempre a assisti-los sendo realizados ou, pelo menos, a pensar sobre e regozijá-los, apreciando-os de forma indireta, se negado o prazer mórbido de ver. Essas são as pessoas que, na Inglaterra moderna, se unem diante das portas da prisão sempre que um homem está para ser enforcado, esperando só Deus sabe que tipo de emoção doentia pelo simples fato de ler o anúncio de que “a justiça foi feita” – pessoas que, se apenas dadas uma oportunidade, correriam para assistir uma execução pública, ou melhor, uma queima pública de bruxas ou hereges, com certeza tão rapidamente quanto seus antepassados uma vez fizeram. Esses também são os milhões de pessoas, considerados “civilizados” e aparentemente bondosos, que se revelam de forma tão clara logo que uma guerra eclode, ou seja, tão logo eles se sentem incentivados a mostrar o tipo mais repugnante de imaginação nas descrições competitivas sobre o que “infligiriam” aos líderes do inimigo, se ele – ou mais frequentemente ela – tivesse irrestrita liberdade para agir. Tais são, no fundo, aqueles que tripudiam sobre o sofrimento do inimigo morto após uma guerra vitoriosa. E são milhões deles: milhões de selvagens vicários, desprezíveis e ao mesmo tempo cruéis, a quem os guerreiros da chamada idade do “barbarismo” teriam completamente desprezado.

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[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (3)

Abaixo, a terceira postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Ainda permanecem os argumentos sobre a “tolerância religiosa” dos nossos tempos e a nossa “humanidade” em comparação com a “barbárie” do passado. Duas piadas, para dizer o mínimo!

Recordando alguns dos horrores mais espetaculares da história – a queima de “hereges” e “bruxas” nas fogueiras, o massacre indiscriminado de “pagãos”, e outras manifestações não menos repulsivas do que a civilização cristã na Europa, como a conquista da América, de Goa, e de outros lugares – o homem moderno é cheio de orgulho quanto ao “progresso” realizado, em uma linha, pelo menos, desde o fim da idade das trevas do fanatismo religioso. Por pior que sejam os nossos contemporâneos, eles pelo menos deixaram de cultivar o hábito de torturar as pessoas para tais “insignificâncias”, como a concepção da Santíssima Trindade ou as suas ideias acerca da predestinação e do purgatório. Esse é o sentimento do homem moderno – porque as questões teológicas perderam toda a importância nas suas vidas. Mas nos dias em que as igrejas cristãs perseguiam umas às outras e incentivavam a conversão das nações pagãs, por meio de sangue e fogo, ambos os perseguidores e os perseguidos, os cristãos e aqueles que queriam se manter fiéis aos credos não-cristãos, encaravam essas questões como vitais de uma maneira ou de outra. E a verdadeira razão porque ninguém é condenado à tortura nos dias hoje pelas suas crenças religiosas não é que a tortura, como tal, tenha tornado-se desagradável para todos, na civilização “avançada” do século XX, e não que os indivíduos e os Estados se tornaram “tolerantes”, mas apenas porque, entre aqueles que têm o poder de infligir dor, quase ninguém tem qualquer interesse vívido e fundamental na religião, e muito menos na teologia.

A suposta “tolerância religiosa” praticada pelos Estados modernos e seus indivíduos brota de qualquer outro pensamento, exceto uma inteligente compreensão e amor por todas as religiões como expressões simbólicas das poucas verdades essenciais e eternas – como a tolerância hindu faz, e sempre fez. Essa suposta “tolerância” é, em vez disso, resultado de um desprezo grosseiramente ignorante sobre todas as religiões; de uma indiferença para com as verdades que vários de seus fundadores se esforçaram para afirmar, vez após vez. Isso não é tolerância de forma alguma.

Para avaliar até que ponto os nossos contemporâneos têm ou não o direito de se vangloriar de seu “espírito de tolerância”, o melhor é observar seu comportamento para com aqueles a quem eles decididamente olham como os inimigos de seus deuses: os homens que, por acaso, têm pensamentos contrários aos deles não com relação a alguma ladainha teológica, em que eles mesmos não estão interessados, mas com relação a alguma ideologia política ou sócio-política que eles vêem como “uma ameaça à civilização” ou como “o único credo pelo qual a civilização pode ser salva.” Ninguém pode negar que, em todas as circunstâncias, e especialmente em tempos de guerra, todos eles realizam – na medida em que eles têm o poder – ou justificam – na medida em que eles não têm, eles próprios, a oportunidade de realizar – ações que em todos os aspectos são horríveis como as que foram encomendadas, realizadas, ou toleradas no passado, em nome de diferentes religiões. A única diferença é, talvez, que as modernas atrocidades a sangue frio só se tornam conhecidas quando os poderes ocultos em controle dos meios de condicionamento do rebanho – da imprensa, do rádio e do cinema – decidem, para fins nada “humanitários”, que elas deveriam ser; ou seja, quando são atrocidades do inimigo, e não deles mesmos – e nem dos seus “corajosos aliados” – e quando a sua história é, portanto, considerada como “boa propaganda”, no sentido da subseqüente onda de indignação que se espera criar e do novo incentivo que se espera dar aos esforços de guerra. Além disso, depois de uma guerra, realmente travada ou supostamente travada por uma ideologia – o equivalente moderno dos amargos conflitos religiosos do passado – os horrores com ou sem razão que teriam sido perpetrados pelos derrotados são os únicos a serem transmitidos para todo o mundo, enquanto os vitoriosos tentam o máximo possível fingir que o seu Alto Comando nunca fechou os olhos diante de quaisquer horrores semelhantes. Mas na Europa do século XVI, e antes; e entre os guerreiros do Islã, envolvidos na “Jihad” contra os homens de outras religiões, cada um dos lados estava bem ciente dos atrozes meios utilizados, não apenas pelos seus adversários para os seus “fins sórdidos”, mas também por seu próprio povo e pelos seus próprios líderes, a fim de “extirpar a heresia”, ou para “enfrentar o papado”, ou “pregar o nome de Allah aos infiéis”. O homem moderno é mais um covarde moral. Ele quer as vantagens da intolerância violenta – que é natural – mas ele foge das responsabilidades da mesma. Progresso, também.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (3)

© 2011 ATWA Brasil


A suástica de ATWA

suastica atwa A suástica de ATWA

Se existe um comentário que é repetido mais vezes que outros entre os interessados (ou não) em ATWA e Charles Manson é a questão da suástica. O poder de expressão desse símbolo é realmente intenso, e não é à toa que ele tem sido usado a milhares de anos por diferentes povos ao redor do planeta. Acontece que muitas pessoas, provavelmente programadas pelos seus professores e livros, filmes e mídia em geral, referenciam a suástica somente ao breve período da cultura alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Isso se deve, entre outras coisas, pela quantidade de imagens da guerra em que a suástica aparece – imagens assim não existem da suástica original, aquela de milhares de anos atrás. Existem também outros fatores, é claro, como a demonização de todo um sistema ideológico, a compra e venda da guerra por aqueles que, em teoria, foram vitoriosos, entre outros. De uma forma ou outra, o que nos interessa aqui é contextualizar um pouco mais a suástica de ATWA.

 

Compreendendo o termo “suástica”

O termo “suástica” deriva da língua sânscrita, ou simplesmente sânscrito. A palavra original seria algo como “svastika”. Ela é formada do prefixo “su-“, significando “bom, bem” e “-asti”, uma forma abstrata para representar o verbo “ser”. “Suasti” significa, portanto, “bem-ser”. O sufixo “-ca” designa uma forma diminutiva, portanto “suástica” pode ser literalmente traduzida por: “pequenas coisas associadas ao que traz um bom viver (ser)”.

 

Geometria da suástica

suastica direita ant A suástica de ATWA

Sentido anti-horário

suastica direita hor A suástica de ATWA

Sentido horário

 A suástica é classificada como uma cruz. Geometricamente, ela pode ser definida como um icoságono (polígono de 20 lados) irregular. Os “braços” têm largura variável e são freqüentemente retilíneos (mas isto não é obrigatório).

Existem inúmeras variações da suástica. As variações podem ser de sentido de rotatividade (sentido horário ou anti-horário), de sentido (com o braço superior apontado para a direita ou para a esquerda), invertida ou não, etc. São inúmeras variações porque são inúmeros símbolos – ele se desenvolveu por todo o mundo, mas não paralelamente, com sentidos muitas vezes semelhantes, mas nem sempre idênticos, como veremos a seguir.

Também vale a pena lembrar que não existe tal coisa como “a suástica hindu” ou “a suástica nazista”. Diferentes povos adotaram o símbolo com conotações dos seus momentos, que refletiam sentidos e necessidades das suas épocas. É impraticável reduzir o símbolo da suástica a um único momento na história, porque isso induz que alguma pessoa ou povo alguma vez tomou conta da definição desse símbolo milenar.

As inúmeras variações da suástica não dão á suástica um novo nome, uma nova simbologia. O símbolo é um único símbolo, com suas variações em formatos e sentidos, mas ainda assim, um único símbolo. A suástica é a suástica.

 

Variações de simbolismo

suastica india A suástica de ATWA

Ritual Hindu da Suástica

As variações de simbolismo são infinitas, mas existe um padrão que se repete freqüentemente – uma referência às coisas naturais do planeta Terra e do universo.

Por exemplo, no hinduísmo, a suástica é incorporada em seus dois sentidos, apontada para a direita ou para a esquerda. Quando apontada para a direita, representa a evolução do universo. Para a esquerda, a involução do universo. Por também apontar para todas as quatro direções (norte, leste, sul e oeste), pode significar terra de estabilidade, ou as quatro direções cardeais.

O seu uso como um símbolo do Sol pode ser relatado primeiramente em sua representação do deus hindu Surya – o Deus-Sol. A suástica também é um dos 108 símbolos da divindade hindu Vishnu, e representa os raios do sol, do qual a vida depende.

Para o budismo, a suástica age como uma representação gráfica da eternidade. O símbolo é usado na arte e escritura budista, e representa dharma, ou harmonia universal, e o equilíbrio dos opostos.

Na China antiga, suástica também era usada como um símbolo alternativo do sol. Essa é uma das mais freqüentes referências da suástica às coisas naturais do planeta Terra e do universo. O formato da suástica, com o seu aspecto de rotatividade, freqüentemente se refere ao sol e aos raios solares que possibilitam a vida na Terra.

Na arquitetura greco-romana, a suástica freqüentemente representa o movimento perpétuo, refletindo a concepção de um moinho girando.

Os antigos armênios consideravam o sol como seu deus, e tinham rituais de adoração. Também nesse caso, a suástica aparecia constantemente como uma ilustração do Deus-Sol.

Para os povos germânicos, o símbolo da suástica é associado com Thor, deus do trovão na mitologia germânica, possivelmente representando o seu martelo Mjolnir – simbólico do trovão – e, eventualmente, está conectado à roda do sol da Idade do Bronze.

Para o cristianismo em geral, a suástica é usada como uma versão da cruz cristã, o símbolo da vitória de Cristo sobre a morte. Algumas igrejas cristãs construídas nos estilos românico e gótico são decoradas com suásticas.

Para os judeus, uma suástica incomum, composta das letras hebraicas Aleph e Resh, aparece na obra cabalística do século XVIII chamada “Parashat Eliezer”, pelo rabino Eliezer Fischl de Strizhov. Refere-se explicitamente ao poder do sol, bem como a forma do símbolo mostra um forte simbolismo solar. Nessa tradição, o símbolo se destina a ajudar um místico a contemplar a natureza cíclica e a estrutura do universo.

Enfim, essas são apenas algumas das variações de simbolismo da suástica. Obviamente, não é possível definir um único significado a esse símbolo, e é exatamente isso que permite a suástica ser tão poderosa – ela comunica além das diferenças e definições dos homens. Se existe, porém, um sentido que aparece com maior freqüência, esse é o da conexão entre o homem e as forças da Terra e do universo.

 

O caminho da suástica pelo mundo

suastica viking A suástica de ATWA

Suástica em um barco Viking

A imagem da suástica foi primeiro utilizada ainda na Pré-História. Os primeiros indícios remetem ao Período Neolítico, também chamado de Idade da Pedra Polida, na Eurásia.

As primeiras formas da suástica conservadas são datadas de cerca de 4000 a.C., em antigas inscrições européias, e como parte da escrita encontrada na região do Indo, de cerca de 3000 a.C., a qual as religiões posteriores (hinduísmo e budismo) passaram a usar como um de seus símbolos.

Na Idade Antiga, a suástica foi usada amplamente pelos indo-arianos, hititas, celtas e gregos, dentre outros. Em especial, a suástica era um símbolo sacro do hinduísmo, budismo e jainismo. Ela ocorre em outras culturas asiáticas, européias, africanas e indígenas americanas – eventualmente como símbolo religioso.

A suástica também foi usada por alguns dos povos americanos. Foi encontrada em escavações junto ao rio Mississipi, como no vale do rio Ohio, e era usada por muitas tribos norte-americanas, com destaque pelos Navajos. Também é um símbolo bastante antigo na cultura Kuna, de Kuna Yala, no Panamá. Para eles, a imagem lembra o polvo que criou o mundo: seus tentáculos, voltados para os quatro pontos cardeais, deram origem ao arco-íris, ao sol, à lua e às estrelas.

O símbolo tem uma história bastante antiga também na Europa, aparecendo em artefatos de culturas européias pré-cristãs. O símbolo era usado em moedas do século XIX como referência a uma cunha usada como calço nas janelas das igrejas medievais, e aparece como ornamento em muitos artefatos pré-cristãos, tanto com as pontas viradas para a esquerda como para a direita. Motivos similares, dentro de círculos ou formas arredondadas, foram também interpretados como formas da suástica.

O símbolo nórdico denominado “Cruz do Sol” ou “Roda do Sol”, forma habitualmente interpretada como uma variante da suástica, aparece freqüentemente na arte antiga desse povo europeu. Também foram encontradas formas semelhantes em artefatos alemães antigos, como uma ponta de lança encontrada em Brest-Litovsk, Rússia, ou a pedra de Snoldelev, em Ramsø, Dinamarca.

As religiões neo-pagãs Asatru e Heathenry germânicas a forma da suástica é freqüentemente usada como símbolo religioso.

No começo do século XX, a suástica era amplamente utilizada em muitas partes do mundo, considerada como amuleto de sorte e sucesso.

Enfim, a suástica vive a pelo menos 10 mil anos. Pensando assim, é simples compreender que limitar a compreensão desse símbolo milenar à breve história da Segunda Guerra Mundial é, no mínimo, um sinal de ignorância. A suástica traçou o seu caminho pelo mundo por milhares de anos – antes de as culturas atuais serem as culturas atuais, a suástica já era a suástica.

 

A suástica de ATWA

suastica manson A suástica de ATWA

A suástica de Charles Manson

A suástica de ATWA é a suástica de Charles Manson – simples assim. Como foi demonstrado anteriormente, diferentes povos, em diferentes lugares, de diferentes épocas, adotaram a suástica como símbolo. Charles Manson adotou a suástica como símbolo durante seu julgamento (1969-1971) e subseqüente condenação à morte.

Nada melhor do que o próprio homem para definir o seu próprio símbolo. Charles Manson diz: “Essa suástica para mim são quatro ‘L’ – uma roda, um círculo do sol. Um símbolo da completa eternidade, para sempre: o pai, o chefe, conhecer a paz, amizade, verdade, sabedoria”. Obviamente, a suástica de Manson tem um aspecto místico.

Charles Manson diz: “Quando eu fui para o julgamento, e um monte de assassinatos estavam acontecendo, eu marquei todas as minhas cabeças. As cabeças que estavam no mesmo suor, no mesmo esforço – ar, árvores, água e animais, como a minha vida”. Ou seja, Charles Manson adotou a suástica, rasgada em sua testa para a eternidade, inicialmente para marcar a distinção entre aqueles que estavam sendo acusados de assassinato, e aqueles que estavam assassinando. Duas mentes diferentes, duas intenções. As cabeças do mesmo suor: ATWA – ar, árvores, água e animais.

Charles Manson diz: “Esse é um símbolo das pessoas que nunca foram derrotadas”. Um símbolo de resistência, de martírio, quem sabe, mas nunca de derrota. Em ATWA, não existe derrota. ATWA, o sistema de suporte de vida desse planeta, a vontade de Deus, não é possível de se derrotar, porque sem ATWA não há vida – não há um vencedor.

Charles Manson diz: “As pessoas colocaram o símbolo em Hitler, mas Hitler colocou-se sobre ele. Quando eu o peguei, estava comigo no fundo, discriminado e indesejado”. De fato, as pessoas ignorantes que ousam expressar suas opiniões infundadas sobre a suástica de Charles Manson freqüentemente se referem a Adolf Hitler e ao governo alemão do período da Segunda Guerra Mundial. Para quem sabe o mínimo sobre a suástica, seria até vergonhoso perder tempo para responder a tais argumentos. Manson sabia do peso da sua decisão de resgatar a suástica da escuridão do corredor da morte.

Charles Manson costuma se referir à suástica tatuada em sua testa como o seu pai. Isso se refere aos homens que retornavam dos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial, e que de volta aos Estados Unidos trabalhavam como oficiais e guardas nas prisões em que Manson vivia. Charles Manson diz: “Eu fui a minha própria mãe. O meu pai era o sistema [penitenciário]”. Ele foi criado por esses homens na prisão e, portanto, o símbolo também marca esse momento importante.

Para ATWA, a suástica também pode ser vista como um símbolo da continuidade da vida. Cada “braço” do símbolo como uma das estações do ano, a totalidade do tempo – a eternidade. Um símbolo de luta e ordem, com certeza, mas para a eternidade. O infinito existe e sempre existirá, mas ele é construído no “agora”. ATWA, uma guerra contra a poluição, agora!

 A suástica de ATWA

© 2010 ATWA Brasil