header image

Charles Manson e a caverna subterrânea de Death Valley

atwa deathvalley Charles Manson e a caverna subterrânea de Death Valley

Existem muitas histórias sobre a existência de uma “cidade subterrânea” no deserto californiano de Death Valley – onde Charles Manson foi preso pela última vez em 1969, e por onde costumava sair em longas expedições de exploração que poderiam durar dias. Entre as centenas de exploradores que se aventuram até hoje por um dos desertos mais perigosos e desafiadores do mundo, de tempo em tempo sempre surge algum deles com alguma credibilidade para alimentar a história sobre a existência de tal cidade misteriosa.

O autor americano Bourke Lee é um dos mais recentes instigadores dessa história. Em seu livro “Death Valley Men” (em português, “Homens de Death Valley”), no capítulo intitulado “Old Gold”, ele descreve uma conversa que teve com um pequeno grupo de residentes do deserto de Death Valley, na Califórnia. O assunto da conversa de Lee tratava de lendas dos índios Paihute, nativos americanos que habitaram a região no passado. Foi quando dois dos residentes de Death Valley revelaram suas experiências com uma “cidade subterrânea” no deserto californiano, descoberta depois de terem descido através de um buraco no fundo de uma antiga mina de ouro abandonada (ainda comuns na região).

Segundo esses moradores de Death Valley, a descida pelo buraco revelou uma caverna natural subterrânea. Eles teriam caminhado por cerca de 30 km nessa caverna, passando sob as Montanhas de Panamint. Para seu espanto, os dois homens se depararam com uma enorme e antiga cidade cavernosa, com múmias perfeitamente preservadas, espadas e lanças de ouro, entre outras coisas.

A cidade havia aparentemente sido abandonada há séculos. Exceto pelas múmias, todo o resto do sistema subterrâneo aparentava ser muito antigo. Descobriu-se que a caverna era iluminada por um sistema engenhoso de luzes formado a partir da queima de gases subterrâneos. Eles afirmaram ter visto uma enorme mesa redonda em meio a um hall separado, que poderia ter sido uma antiga sala de reuniões. E muito mais: enormes estátuas de ouro sólido, cofres de pedra cheios de barras de ouro e pedras preciosas de todos os tipos, carrinhos de mão feitos de pedra que eram perfeitamente equilibrados e cientificamente construídos ao ponto de que até uma criança poderia facilmente usá-los, e enormes portas de pedra cavadas a partir das paredes da caverna. Os exploradores teriam seguido em direção norte, e descoberto uma subida que se abria para uma série de aberturas arcadas que saíam em meio às Montanhas de Panamint. De uma dessas saídas, percebeu-se visivelmente que o vale abaixo era mesmo coberto de água no passado, e concluiu-se que as aberturas arcadas serviam como ancoradouros para pequenas embarcações, além de entradas para as cavernas subterrâneas. Os exploradores disseram ser possível avistar Furnace Creek e Golar Wash a partir dessas saídas – duas áreas que Charles Manson visitou em suas explorações, e documentou com desenhos e marcações pelo deserto californiano.

Os dois exploradores teriam levado algumas peças do tesouro encontrado, e apresentado a cientistas do Smithsonian Institute a fim de registrar a descoberta de uma nova “maravilha do mundo”. Mas a história não convenceu os cientistas, especialmente porque os dois homens foram incapazes de localizar novamente o buraco que levava para a caverna subterrânea. Segundo eles, as peças do tesouro permanecem com o Smithsonian Institute hoje, que desde então tem investido em localizar a caverna independentemente. Considerando a ininterrupção de pequenos terremotos, desagregações e outras mudanças do cenário do deserto de Death Valley (comumente documentados), entende-se que o acesso à misteriosa caverna também se altere com frequência, podendo até desaparecer por anos e reaparecer em outros locais tempos depois. Esse é um obstáculo que tem sempre dificultado enormemente as pesquisas dos cientistas californianos.

Em 1946, o Dr. F. Bruce Russell, um doutor aposentado da Universidade de Cincinnati, também contou uma história similar sobre ter descoberto uma estranha caverna subterrânea em Death Valley. O Dr. Russell afirmou ter encontrado uma enorme sala subterrânea da qual saíam diversos túneis em diferentes direções. Um desses túneis teria o levado para outro hall maior, onde ele teria encontrado três múmias em estados de conservação surpreendentes. Segundo o doutor, artefatos encontrados no local aparentavam ter uma combinação de designs egípcios e nativo americanos. Até então, a história do Dr. Russell era muito semelhante a outras contadas por muitos exploradores do passado sobre as descobertas em Death Valley, mas o doutor foi além: segundo ele, as múmias eram enormes, com mais de dois metros e meio de altura.

Ao contrário dos dois atuais residentes de Death Valley entrevistados pelo autor Bourke Lee, o Dr. Russell foi capaz de encontrar a caverna subterrânea novamente, levando com ele outros exploradores que, após confirmarem a existência do local, abriram uma empresa chamada “Amazing Explorations” para lucrar com a grande descoberta. Mas pouco tempo depois o Dr. Russell desapareceu, e com ele a rota de acesso para a caverna. Meses mais tarde, o carro do doutor foi encontrado, com um radiador furado, em uma área remota de Death Valley. A sua maleta ainda estava no carro, mas ninguém nunca mais ouviu falar do Dr. Russell.

Apesar dos diversos relatos sobre a existência de uma “cidade subterrânea” sob o deserto de Death Valley, de lendas nativas a casos recentes, alguns inclusive bem documentados, as expedições de Charles Manson pelo deserto californiano têm sido há anos ridicularizadas pela mídia corporativa americana.

A transformação de dezenas de carros de rua em jipes preparados para o deserto, os galões de combustível abandonados por Death Valley, os equipamentos de mergulho apreendidos com Manson, os mapas desenhados a mão por ele – são evidências de que Manson procurava algo no deserto. E Charles Manson, ainda hoje, mais de 40 anos depois, não deixa de mencionar a seus amigos sobre um tal de “poço sem fundo”, que estaria cheio de água, e que seria um acesso que ele havia encontrado para um “mundo subterrâneo” em Death Valley. Manson inclusive diz ter cruzado a fronteira para o México uma vez através de túneis subterrâneos, que poderiam chegar até o deserto californiano. Mas assim como quase tudo que cerca o caso de Manson, coisas curiosas e interessantes assim são sempre caricaturadas, perdendo o seu verdadeiro valor.

Mas afinal, teria Charles Manson descoberto outro acesso à misteriosa “cidade subterrânea” de Death Valley?

Os irmãos e irmãs da ATWA Brasil estarão no deserto de Death Valley, na Califórnia, no final de 2011. Com todas as informações fornecidas por Charles Manson com o passar dos anos, cópias dos seus mapas pessoais, e registros das autoridades californianas, partiremos para uma expedição a fim de localizar o suposto “poço sem fundo” na maravilhosa paisagem do deserto. Junte-se aos irmãos e irmãs de ATWA! Para mais informações, nos escreva para: contato@atwabrasil.com

 Charles Manson e a caverna subterrânea de Death Valley

© 2011 ATWA Brasil


Charles Manson: “Pecar contra ATWA…”

manson linhadeatwa Charles Manson: Pecar contra ATWA…

“Você tem X tempo para salvar ATWA. As pessoas passam por cima de você e param você, empilham pedras no seu caminho e roubam o seu esforço, e em breve a sua vida passa e os atores e as bandas de rock and roll e as pessoas da TV dizem: ‘Hahaha, olha lá aquele homem louco.’ E aí lentamente eles começam a se tornar conscientes sobre o que você disse, porque eles repetem isso por dinheiro e não sabem sobre, mas eles estão usando os seus pensamentos e o seu jeito, e eles começam a compreender a pouca chance de vida de ATWA como uma realidade.

Você já viu alguém que sabia que iria morrer? Eles fogem da morte. Você sabe o que as pessoas farão pelo medo de morrer? O medo dos Vikings construiu castelos. Se alguém interrompe a sua vida para que ele possa ser uma estrela do cinema, e outros vêem ele sair impune disso, e fazem a mesma coisa, e outros também fazem a mesma coisa, as pessoas de ATWA percebem que a única vida na Terra se foi com aquele pensamento, e que não pode mais ser salvo. E as mortes começam, e eles percebem que a única forma de retornar ao trilho é usar essa câmara como puderem, e os atores vêem isso e correm para seus agentes e as pessoas que lhes pagam, e lhes colocam a serviço disso, e a ordem das coisas é alterada.

Para mim é apenas um pensamento. As formigas vermelhas e as formigas pretas já comeram todas as formigas brancas, e elas têm se comido. O meu maior e melhor eram piores do que um zoológico perfeito, mais profundo do que o nada, gritando de volta paras os ciclos da história e para os desejos de morte dos atores da época.

O ponto de partida é: qualquer um que pecar contra ATWA deve recompensá-la, ou embarcar nos trens para os campos da morte ou para a frente de batalha russa.”

- Charles Manson

 Charles Manson: Pecar contra ATWA…

© 2010 ATWA Brasil


Seria Charles Manson vítima de uma armação?

manson armacao Seria Charles Manson vítima de uma armação?

Não é necessário procurar muito para encontrar desinformação sobre Charles Manson e o seu caso – as informações, hora fraudulentas, hora simplesmente ignorantes, chegam aos curiosos com muita facilidade. A verdadeira dificuldade está em encontrar fatos e informações legítimas, e essa guerra contra as mentiras é um dos comprometimentos da ATWA Brasil.

Nesse contexto, qualquer artigo jornalístico que apresente discussões reais ao invés de simplesmente reproduzir a “história oficial” que foi vendida ao público, resultando na criação de um monstro chamado Charles Manson (o “homem vivo mais perigoso” do planeta, como colocou a revista americana Rolling Stone em sua edição número 61), é um trabalho a ser considerado.

Um desses artigos é o publicado por Jon C. Hopwood em 16 de julho de 2008, intitulado “Seria Charles Manson vítima de uma armação?” (o título original, em inglês, é “Was Charles Manson Framed?”) Apesar das confusões do autor, que tende a encarar os fatos da “história oficial” com alguns questionamentos ao invés de esquecê-la por inteiro e evidenciar os fatos concretos que a derrubam, o artigo serve para ilustrar a ilegitimidade do julgamento que condenou Charles Manson – os acordos a portas fechadas que contornaram a lei e determinaram a sentença final.

O artigo completo escrito por Jon C. Hopwood tem 13 páginas. Abaixo, algumas passagens traduzidas que resumem o espírito do texto, e devem ser consideradas ao pensar em Charles Manson:

“Embora Charles Manson realmente não tenha participado diretamente nos assassinatos, e de fato nunca ter sido provado em um tribunal que ele tenha matado alguém, o promotor de Los Angeles, Vincent Bugliosi, conseguiu lhe acusar como o líder dos assassinos e indiciá-lo sob o conceito de culpabilidade contingente, segundo o qual ele era tão culpado pelos assassinatos quanto os próprios agressores. Ele também foi condenado por conspiração para cometer assassinatos – conspiração sendo uma manta popularizada na repressão a sindicatos e comunistas na época. Quando todo o resto falha, pegue-os em uma conspiração. Charlie negou ter ordenado os assassinatos, e muitos aficionados pensam que há boas razões para acreditar que ele foi vítima de uma armação.”

“[Charles] Tex Watson, que em um sentido tático era o verdadeiro chefe dos assassinatos, havia fugido para o Texas, e foi julgado separadamente devido às exigências de extraditá-lo de lá – pelo menos isso é o que o gabinete do Procurador de Los Angeles disse. Em vez de esperar para que o Texas devolvesse o seu belo exemplo de um filho nativo para a ensolarada Califórnia, o Ministério Público decidiu avançar com o julgamento de [Susan] Atkins, [Charles] Manson, [Patricia] Krenwinkel e [Leslie] Van Houten, com Linda Kasabian como sua principal testemunha, e não se preocupou com as enormes despesas de ter que julgar Tex Watson separadamente. Para você ver, se Tex Watson tivesse sido julgado juntamente com Charles Manson, o defensor público de Manson, Irving Kanarek, poderia ter sido capaz de transferir a culpa para Tex Watson, o homem que realmente liderou ambos os assassinatos.”

“Quando se considera a moralidade de Vincent Bugliosi [o promotor que condenou Charles Manson], considere isso: quando Linda Kasabian, que teria fugido da “Família” após o assassinato da família LaBianca, rendeu-se em Concord, em New Hampshire, e foi extraditada de volta para a Califórnia, seu advogado tentou fazer um acordo com Bugliosi. Ele recusou firmemente. Isso porque ele tinha Susan Atkins, mais conhecida como Sadie Mae Glutz, para testemunhar ao Ministério Público – ela agora como testemunha do estado perante o júri que proferiu as acusações de assassinato. Quando Atkins empacou e retirou seu testemunho do júri de inquérito, Bugliosi retornou ao advogado de Kasabian para negociar. Em seu resumo no julgamento, Bugliosi – que originalmente não queria nada com Linda Kasabian porque tinha Susan Atkins como sua “testemunha especial” – passou a elogiá-la.”

“Quando se lê o que aconteceu em Cielo Drive [a casa alugada pelo casal Polanski em que os assassinatos aconteceram] naquela noite, deixando de lado o cenário de “Helter Skelter” proposto por Vincent Bugliosi, não é provável considerar se o que Tex Watson e as meninas estavam realmente empenhados era um caso de roubo com invasão de domicílio? Que quando Jay Sebring [amigo de Sharon Tate] estendeu as mãos para roubar a arma de Tex, sendo então baleado na axila e levando um chute no rosto, somente nesse momento o crime se transformou em um frenesi de assassinatos?”

“Quando se analisa as transcrições do julgamento, surge a pergunta: foi a morte de Sharon Tate, de seu filho ainda não nascido, e de seus três amigos realmente planejada, como alegou Bugliosi, ou foi uma questão de mais uma vez Tex ter perdido a cabeça, como aconteceu nos casos com Gary Hinman e Lotsapoppa? Nós nunca saberemos, uma vez que a exclusão de Tex Watson do julgamento impossibilitou que o advogado de Manson, Kanarek, fosse capaz de levantar essa questão, embora ele tenha requerido isso durante o julgamento dos demais envolvidos no caso e alegado que as garotas estavam apaixonadas por Tex Watson.”

“Em teoria, o réu é inocente até provado culpado num caso criminal além de uma dúvida razoável. Ao manter Tex Watson fora do julgamento, não teria Bugliosi planejado tal coisa de modo a minimizar as dúvidas que os advogados dos réus poderiam produzir nas mentes dos jurados?”

“A teoria de “Helter Skelter” de Vincent Bugliosi, com [Charles] Manson como um “guru do amor” pregando um Armagedom racial no deserto, parece tão inacreditável quanto as teorias de conspiração sobre John F. Kennedy que Bugliosi ilustra em seu tomo de mais de 1600 páginas, chamado “Reclaiming History”, escrito como parte de sua participação no show business. Ele tinha começado originalmente investigando o assassinato como parte de um programa especial da rede de televisão BBC, que seria palco de uma simulação de julgamento de Lee Harvey Oswald, o homem acusado pela Comissão Warren de ter sido o único assassino no caso. O livro sobre o assassinato de JFK, em que Bugliosi faz a estranha afirmação que Lee Harvey Oswald foi provado ser um assassino solitário para além de qualquer dúvida razoável, foi adquirido por Tom Hanks para ser feito em uma minissérie da HBO. Nem mesmo Arlen Specter, o autor da teoria da “bala mágica”, afirmaria tal coisa. [...]Isso teve de ser escrito para mostrar que Vincent Bugliosi, autor do cenário de “Helter Skelter”, é um admirador de outros fantasistas da lei.”

“O trabalho de Bugliosi foi enviar Charles Manson e sua suposta “Família” para a câmara de gás, e ele fez isso com grande entusiasmo. Isso o fez, como ele sabia que seria, um homem de sucesso em termos de reputação e finanças. Ele ofereceu ao mundo a sua versão da “bala mágica” – nesse caso, chamada de “Helter Skelter” – e sem Tex Watson no julgamento, não houve argumento de compensação para refutá-lo. Combinando isso com o advogado ruim de Charles Manson e a sua própria aceitação fatalista de que seria “condenado pelo sistema”, a estratégia se provou um sucesso.”

“No entanto, os “massacres de Manson” se tornaram tão infames em parte devido ao manuseio hábil de Vincent Bugliosi durante o caso e através dos meios de comunicação como promotor de justiça – e devido ao seu livro “Helter Skelter”, o maior best-seller de literatura de crime na história. Todos os membros condenados da suposta “Família Manson” (um termo que Charles Manson nunca utilizou, mas que Bugliosi popularizou) têm tido seus pedidos de liberdade condicional repetidamente negados desde que suas sentenças de morte foram comutadas.”

“O que abriu meus olhos sobre o fato de “Helter Skelter” ser um saco de mentiras elaborado por Vincent Bugliosi é o fato de Virginia Graham, a mulher que misteriosamente ouviu a confissão de Sadie Mae [antes do caso se tornar popular] e alertou as autoridades, ter realmente visitado 10050 Cielo Drive [a casa alugada pelo casal Polanski]. Graham era uma prostituta de carreira, presa por um cheque sem fundo. Quais são as chances de um prisioneiro que tenha visitado a cena de morte se encontrar na mesma cela de um suspeito da chacina? A polícia de Los Angeles e a promotoria do caso, obviamente, sabiam mais – e num momento muito anterior – do que Bugliosi nos fez saber. Virginia Graham foi obviamente plantada naquela cela para obter uma confissão de Susan Atkins.”

“No outono de 1969, Virginia Graham conheceu Susan Atkins no Instituto Sybil Brand para Mulheres. Graham era uma prostituta de 36 anos presa por ter passado um cheque sem fundo. Ambas, Graham e Atkins, serviram como “mensageiras” para os guardas da prisão, o que lhes deu a oportunidade de se conhecerem nos corredores. O fato de um prisioneiro ser mensageiro indica um nível de fidelidade, o que sugere que Graham estava em conluio com as autoridades da prisão, e que a recém-chegada Atkins – dificilmente o tipo de pessoa que receberia um cargo de confiança na prisão – tinha sido armada para uma confissão. Atkins havia sido detida sob suspeita de ter participado no assassinato de Gary Hinman, a primeira morte atribuída à suposta Família Manson. [...]Junto com o testemunho de Linda Kasabian, que muitos acreditam ter realmente participado dos assassinatos, foi o testemunho de Graham que deu a Vincent Bugliosi os elementos necessários para conseguir uma condenação por homicídio.”

“O problema de confissões de dentro da prisão para informantes da polícia é que é fácil para um informante obter informações sobre um criminoso e o crime e simplesmente fabricar uma confissão. Além disso, há ainda um incentivo para o informante para fazer isso: eles recebem tratamento especial das autoridades, e talvez até sua libertação.”

“O cenário de “Helter Skelter” de Vincent Bugliosi e sua descrição da “Família Manson” como vítimas de Charles Manson foi parcialmente motivada pelo seu desejo de reduzir a culpabilidade da sua testemunha especial, Linda Kasabian, aos olhos do júri. Como Bugliosi admitiu em seu somatório final, Kasabian foi igualmente culpada pelos assassinatos, de acordo com a lei da Califórnia. (Ela tinha sido concedida imunidade total por Bugliosi após Susan Atkins, a quem ele chamou de “pequena vagabunda” durante o julgamento, ter descumprido um acordo para fornecer provas ao estado em troca de uma promessa de não ter a pena de morte requerida contra ela.)”

“Vincent Bugliosi explicou anomalias no caráter de Linda Kasabian, dizendo, por exemplo, que ela havia roubado 5 mil dólares sob as ordens de Charlie [Manson]. Apesar do fato de que ela havia conhecido Charles Manson a pouco mais de um mês antes de estar envolvida nos assassinatos, e apenas a uma semana e meia antes de ter roubado o dinheiro, isso foi o suficiente: em apenas 10 dias, o campo de força da personalidade do carismático Charles Manson deixou Kasabian pronta para roubar para ele. Um mês depois, ela estava disposta a matar por ele. Agora, ela era testemunha especial do estado contra ele.”

“Charles Manson, Susan Atkins e os outros membros da “Família Manson” não receberam sentença de prisão perpétua, mas isso é o que as sentenças se tornaram. Quando suas sentenças de morte foram revogadas, eles foram re-sentenciados a prisão perpétua com a possibilidade de liberdade condicional. O fato é que Vincent Bugliosi fez o seu trabalho tão bem em sua tentativa de colocar Charles Manson na câmara de gás que ele criou um mito que perdura quase 40 anos após o crime. Ele criou um mito de Charles Manson como esse monstro manipulador hippie, transformando assim Tex Watson, Susan Atkins e os outros envolvidos em robôs sem alma, que teriam matado a seu comando.”

“Legalmente, para provar a culpa de Charles Manson e seus companheiros Vincent Bugliosi não era obrigado a revelar um motivo para os assassinatos. Os assassinatos poderiam ter sido conseqüência de uma invasão de domicílio para assalto: Linda Kasabian testemunhou que acreditava que eles estavam apenas saindo para invadir casas, como o grupo havia feito antes. (Depois ela se contradisse, afirmando que Manson havia declarado “o amanhecer de Helter Skelter” antes de ela ter saído para cometer os assassinatos, adotando então o cenário proposto por Bugliosi. Há motivos para acreditar que ela foi orientada [por Bugliosi].)”

“O que eu acredito é que o cenário de “Helter Skelter” de Vincent Bugliosi foi fabricado a fim de vender uma convicção de Charles Manson aos jurados, e assim vender Vincent Bugliosi para as editoras de livros – e também para o público, que continua a acreditar nesse mito.”

As passagens acima ilustram uma parte da abundância de contradições que cercam o caso de Charles Manson. Trata-se de uma história que se tornou tão famosa em função dos mitos que foram criados a portas fechadas nos bastidores do julgamento. Infelizmente, essas fabricações permanecem vivas nas mentes das pessoas ainda hoje, mais de 40 anos depois. Essa triste realidade, porém, não torna a ficção mais verdadeira. É importante reconhecer isso.

Para ler o artigo original de Jon C. Hopwood, clique aqui

 Seria Charles Manson vítima de uma armação?

© 2010 ATWA Brasil


Entrevista de Charles Manson com Michal Ben Horin em 1992

Aqui, a entrevista sem cortes de Charles Manson com a jornalista israelense Michal Ben Horin, gravada em 1992.

A entrevista está dividida em quatro partes, todas abaixo:

 Entrevista de Charles Manson com Michal Ben Horin em 1992

© 2010 ATWA Brasil


O poder da televisão

televisao sangue O poder da televisão

Estranhamente, a ATWA Brasil recebeu no dia de hoje mais de dez vezes o número habitual de visitas e comentários. Da noite para o dia, o interesse por Charles Manson e ATWA se multiplicou.

Seria mágico, se não fosse tão ordinário. Ontem, às 23:00 horas, um canal da rede aberta de televisão passou um filme fictício, “baseado em fatos”, sobre os crimes que aterrorizaram a alta sociedade de Hollywood, na Califórnia. Ao que tudo indica, a audiência foi muito alta.

Um verdadeiro experimento contemporâneo sobre o poder da televisão sobre as massas: um filme “baseado em fatos” foi o suficiente para movimentar milhares de pessoas. E pensar que muitos historiadores e acadêmicos ainda falam da Alemanha, Hitler e a Segunda Guerra Mundial como se o poder da televisão fosse espantoso. Estamos em 2010, mais de 70 anos depois da subida ao poder to Terceiro Reich, e o poder da televisão é o mesmo.

As pessoas se comportam de uma maneira curiosa. Recebemos e-mails e comentários de pessoas recontando cenas do filme, criticando Charles Manson e os seus irmãos e irmãs de ATWA pela história fictícia que o filme mostrou. Essas pessoas, obviamente, não pesquisaram nada sobre o verdadeiro caso de agosto de 1969 antes de se sentirem confiantes para expor as suas idéias tão pouco formuladas em público. Se esse fosse o caso, provavelmente teríamos recebido mais e-mails e comentários questionando mais sobre a realidade, e não sobre o filme.

“A televisão vende crime e violência todos os dias”, já dizia Charles Manson no passado. Sangue, assassinatos e violência são o que as pessoas querem – é o que parece lhes completar. A mídia alimenta esses sentimentos porque é explorando esses sentimentos das pessoas que elas “vendem crime” em troca de anúncios publicitários. Um ciclo contínuo.

Para os que estão de acordo com a vida e com o espírito, o relógio parou em agosto de 1969. Tudo o que veio depois disso é um ciclo de crime e violência, alimentado pelo que as pessoas realmente têm dentro delas. Sentadas na frente das telas das televisões, ou agora na frente das telas do computador, as pessoas saciam a sua fome por sangue – sem essas telas, provavelmente estaríamos falando do verdadeiro “Helter Skelter” nas ruas das cidades.

Não o “Helter Skelter” do filme de ficção. Não o “Helter Skelter” do promotor Vincent Bugliosi, que inventou essa teoria e vendeu por dinheiro em seu próprio livro e para todos esses filmes sensacionalistas. Mas o “Helter Skelter” de Charles Manson: a confusão das pessoas do nosso planeta.

“Se você precisa culpar alguém, você não pode olhar no espelho. Você pode olhar, mas para realmente ver você precisa conhecer você mesmo primeiro e acima de tudo.”
- Charles Manson

 O poder da televisão

© 2010 ATWA Brasil


Charles Manson: 75 anos de pura vida

manson mundo1 Charles Manson: 75 anos de pura vida

“É apenas uma questão de vir para a percepção de que tudo é agora. Respirando, e expirando. Eu tenho o mundo inteiro respirando e expirando. E eu estive por cem milhões de anos fazendo isso. Essa é a minha vontade, e eu sou Deus. E não me importa que você não goste disso, ou não acredite nisso. Não importa. Eu poderia deixar cair esse corpo aqui e seguir em frente, e ser mil estrelas.”

-Charles Manson

 

Charles Milles Manson nasceu em 11 de novembro de 1934, há 75 anos. Filho de Ada Kathleen Maddox e William Manson. Afirma-se freqüentemente que Manson nasceu como “Sem Nome Maddox”. Isso é absolutamente falso, não existe nenhum documento que cite “Sem Nome Maddox”. Charles Manson nasceu com o nome “Charles Milles Maddox”.

 

A Família Maddox

“Eu sou um hillbilly. Eu vivo nas montanhas. Eu faço moonshine. Eu tenho uma longa espingarda, e eu atiro bem longe. Eu sou Deus nos vales. Eu deixo as mulheres irem para a igreja – dá a elas algo para fazer. Mas eu sei quem Deus é, e eu sei quem Jesus é, e eu sei quem o Diabo é, e eu realmente não preciso de nada na planície porque a montanha mantém a luz. Mas quando as montanhas estão morrendo, então eu tenho que descer para a planície, e eu tenho que balancear a situação – impedir que elas sejam destruídas pela mineração, ou que derrubem as árvores até que nada exista mais. Então é por isso que eu estou pagando pelos últimos 40 anos, onde o meu tio Jess me enviou.”

-Charles Manson

 

“Eu passei a visitar a minha mãe na prisão quando eu ainda estava começando a andar. Quando ela saiu, ela veio e me pegou em um lar adotivo, e me colocou em uma escola para meninos. Assim, eu fui educado pelos militares.”

-Charles Manson

 

“Meu avô disse à minha avó que na Primeira Guerra Mundial ele estava em pé sobre um corpo, e ele viu uma Bíblia no bolso do rapaz que ele havia matado. Ele estendeu a mão, pegou e começou a ler a Bíblia. Lá estava uma foto daquele homem com sua esposa e seus filhos, dois, três filhos, você entende? E ele tinha uma corrente com uma cruz. E ele olhou para a cruz, e ele olhou para baixo, e ele viu a si mesmo. Ele disse: ‘O que eu estou fazendo aqui lutando contra o meu irmão?’ Ele voltou e disse à minha avó: ‘Eu estava lutando meus irmãos, e eu nem sei por quê’.”

-Charles Manson

 

Charles Manson é neto de Charles Milles Maddox, maquinista da B&O Railroad, e Loraine Nancy Ingram Maddox, uma devota cristã Nazarena, ambos de Morehead, em Kentucky. Manson nasceu durante os tempos difíceis da Grande Depressão. Sua mãe foi para a prisão por furto quando ele ainda era uma criança, então boa parte dos seus primeiros anos foi passado com os seus avôs, em Kentucky, e seu tio e tia, na Virgínia Ocidental.

 

A Família Manson

“Eu não estou entregando a minha alma. Eu não estou rendendo o meu pai. Eu não estou desistindo do meu pai. Meu pai bebe uísque escocês e toca gaita – faz o que quer fazer, você sabe. Eu não vou entregar isso. E eles me dizem: ‘Seu pai está morto’. Meu pai nunca morre, cara. Não existe tal coisa como a morte.”

-Charles Manson

 

Manson é um sobrenome escocês de origem viking, a versão inglesa do sobrenome escandinavo Magnusson, que significa filho de Magnus. Magnus era um nome comum entre a aristocracia escandinava. Magnus, que significa “grande” ou “magnífico” em latim, se tornou um nome mais comum durante a Idade Média, quando várias nações européias, e suas casas reais, introduziram-no por terem se convertido ao cristianismo católico, cuja língua oficial é o latim. Esse foi especialmente o caso da realeza e nobreza escandinava. Como um nome próprio escandinavo, ele foi inspirado pelo governante dos francos, Carlos Magno, cujo nome em latim era “Carolus Magnus”, e era entendido em nórdico antigo como “magn-hús”, ou “casa da força”. A palavra “magnus” está enraizada no termo indo-europeu “Mag”, que é de onde palavras como mágica, magia, magos, magnitude, magistrado, entre outras, derivam.

 

O Clã Gunn

“Tenho crianças na escuridão onde os highlanders caminham, tenho cavaleiros nas batalhas das sombras da minha alma.”

-Charles Manson

 

O sangue de Manson é escocês e irlandês. Ele é do clã Gunn, vindos do nordeste da Escócia, das regiões de Caithness, Sutherland e das Ilhas Orkney. As origens do clã Gunn são traçadas na Noruega, descendentes do lendário Sweyn Asleifsson, conhecido como o “Último Viking” e progenitor do clã. Do seu neto, Gunni, é de onde o nome Gunn foi escolhido para batizar o clã.

 

No 11º dia do 11º mês

“Eu sou um filho dos militares. Todos os aposentados de todas as guerras me criaram. A farda é meu pai. Então, eu acreditava que eu tinha direitos em um tribunal, e que tudo o que eu tinha que fazer era levar os meus problemas ao juiz e ele iria corrigi-los. Porque eu senti que o juiz era a autoridade, era Deus, era o nosso pai, era o militar, era o país.”

-Charles Manson

 

O dia 11 de novembro é Dia dos Veteranos nos Estados Unidos (e Dia do Armistício em muitas partes do mundo). Nossos pais, avós e demais antepassados morreram em batalhas para construir e preservar os nossos direitos de hoje. O pai de Charles Manson morreu no campo de batalha para proteger e preservar os direitos dele, que foram roubados quando Manson teve o seu direito da 14ª Emenda Constitucional, de representar a si mesmo em um tribunal, anulado no caso Povo da Califórnia contra Manson, em 1970.

 

Os Direitos de Charles Manson

“Você entra em um cemitério e olha para todos os mártires do coração, todos os homens que deram as suas vidas a Deus e ao país, e então você vem e diz: ‘Onde Charlie errou?’ Será que Charlie errou? Ou foi o oceano do movimento espiritual no mundo para trazer mudança para esse planeta? Será que isso começou antes de Charlie nascer, e todo mundo estava errado?

O presidente dos Estados Unidos é supostamente o líder de nós [americanos]. Bom, vocês não podem me escolher como líder da sua família e depois dar imunidade a Nixon. Ele matou muito mais gente do que o Charlie.”

-Charles Manson

 

Charles Manson, que seus antepassados e membros da família estão no registro de combates na Revolução Americana de Independência, na Guerra Civil Americana, Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial e Guerra da Coréia, foi negado o seu direito constitucional de se defender em um tribunal de justiça e recebeu a pena de morte por crimes que ele não cometeu e nunca foi acusado de ter cometido. A pena de morte no estado da Califórnia foi anulada, e Manson foi condenado à prisão perpétua, com possibilidade de liberdade condicional.

Charles Manson esteve injustamente preso pelos últimos 40 anos. Antes da sua última libertação da prisão, no Equinócio da Primavera de 1967, Manson já havia cumprido 22 anos trancado atrás das grades desde que ele colocou fogo em sua escola aos 9 anos de idade. Ele foi criado por veteranos da Primeira Guerra Mundial e da Segunda Guerra Mundial. Aos 13 anos de idade, ele foi colocado na escola Gibault para meninos, e continuou a ser colocado em várias instituições do governo ao longo da década de 1940 e início dos anos 1950 por furto e roubo de carros. Ele fugiu da maioria das instituições em que foi colocado. Alguns dos lugares onde Manson viveu durante esses tempos foram o Natural Bridge Honor Camp, National Training School for Boys, em Washington DC, Federal Reformatory, Petersburg Federal Reformatory e Chillicothe Federal Reformatory. Manson foi criado principalmente por veteranos aposentados, que trabalhavam nessas instituições. O presidente Nixon, que declarou Manson culpado “direta ou indiretamente” pelos assassinatos de agosto de 1969, foi um advogado e sabia que o que ele estava fazendo era ilegal – ele condenou Manson antes do julgamento acontecer.

 

Charles Manson no Mundo

Manson tem servido um total de mais de 62 anos em prisões e instituições do governo dos Estados Unidos. Mais tempo do que qualquer cidadão americano vivo hoje. Ele passou toda a sua vida com rebeldes, revolucionários, veteranos, guerreiros, juízes e guardas.

Ele suportou o inferno, teve os seus direitos negados, seus filhos levados, sua música roubada e destruída, seu rancho queimado, suas cartas destruídas, seus amigos proibidos de vê-lo. Manson foi envenenado, queimado com produtos químicos, espancado, teve costelas e dentes quebrados, passou dias amarrado, foi torturado, incendiado, usado pelo sensacionalismo dos meios de comunicação há 40 anos e amaldiçoado pelos astros de Hollywood. Mas Charles Manson sobreviveu, em pé, para o fogo da eternidade. Ele é o irmão universal de todos os homens que deram as suas vidas no serviço à verdade, honra e justiça.

Esse mês de novembro, ele completou 75 anos de pura vida. Devemos honrar Charles Willis Milles Maddox Mac Manson pelo seu sacrifício, combate, dedicação, coragem, inspiração e amor.

Agradecimentos ao irmão Hay Hay pelo artigo original. Esse artigo é fruto da dedicação dele.

Leia sobre. Entenda a verdade. Não deixe o SEU fogo apagar.

logo final

© 2009 ATWA Brasil


Algumas perguntas frequentes sobre Charles Manson e ATWA

 Algumas perguntas frequentes sobre Charles Manson e ATWA

Essa compilação de perguntas frequentes foi construída a fim de responder a algumas das dúvidas mais comuns sobre Charles Manson e ATWA.

1. Poderia me fornecer um breve sumário da história de Charles Manson e de seu histórico criminal?

Charles Manson nasceu em Cincinnati, no estado de Ohio dos Estados Unidos, em 11 de novembro de 1934. Ele viveu com sua mãe solteira até os cinco anos de idade, quando ela foi detida pelo crime de roubo a mão armada. Depois disso, ele permaneceu com diversos familiares até ela ser libertada em 1942.

Manson viveu novamente com sua mãe até 1947, quando ela o colocou na Gibault School for Boys, no estado de Indiana. Ele fugiu do internato 10 meses depois, mas a sua fuga não durou muito. Poucos dias depois, o garoto de 14 anos foi detido nas redondezas, acusado de ter cometido uma série de pequenos assaltos.

Manson foi encaminhado para o Juvenile Detention Center, uma espécie de FEBEM dos Estados Unidos, também no estado de Indiana. Depois de alguns dias, ele foi transferido para o famoso Boys Town, em Nebraska, um centro de detenção juvenil para “crianças em risco”. Mas a estadia dele no local também foi breve. Depois de apenas três dias, Manson fugiu novamente. Capturado novamente dias depois, Manson foi encaminhado para outro centro de detenção juvenil – dessa vez, o Indiana School for Boys, em Plainfield. Ele permaneceu por mais de dois anos no local, sem registros de que tenha tentado escapar.

Mas em 1951, com 17 anos de idade, Manson fugiu. Essa escapada durou um pouco mais do que as anteriores, mas Manson foi outra vez preso, dessa vez dirigindo um carro roubado no estado de Utah. Pela primeira vez ele foi acusado de um crime federal, tendo atravessado fronteiras estaduais. Manson foi então transferido primeiramente para o National Training School for Boys, um centro de detenção federal em Washington DC, e depois para o Natural Bridge Training Camp, em Virgínia, ainda em 1951.

Manson permaneceu nesse estabelecimento até meados de 1952, quando passou a ser detido em reformatórios federais. Ele foi primeiramente transferido para o Federal Reformatory de Petersburg, no estado da Pensilvânia. Ainda no mesmo ano, foi encaminhado para o Federal Reformatory de Chillicothe, em Ohio. Finalmente, em 8 de maio de 1954, Charles Manson foi libertado dos centros de detenção. Até esse momento da vida de Manson, em que completou 20 anos de idade, ele havia passado 7 anos em prisões espalhadas pelos Estados Unidos.

Em 1955, Manson casou-se com uma garota chamada Rosalie Willis. Quando completaria um ano em liberdade, ele foi detido em Los Angeles, mais uma vez conduzindo um veículo de procedência duvidosa. Dessa vez, Manson foi sentenciado a 3 anos de prisão em regime fechado na prisão federal de Terminal Island, em San Pedro, na Califórnia. Ele cumpriu a pena inteiramente, e foi libertado em 1958.

Como havia se tornado costume, Manson foi novamente preso pouco depois. Em 1959, antes de completar um ano em liberdade, ele foi detido na Califórnia por ter forjado cheques. A sentença dessa vez foi 10 anos de provação, em que qualquer novo delito o colocaria novamente em uma prisão federal.

Em 1960, Manson foi preso em uma suposta violação do Ato Mann. Essa lei americana de 1910 proibia o “transporte de mulheres para questões imorais”. Basicamente, Manson havia sido acusado de ser o cafetão de algumas mulheres na Califórnia. Sendo assim, Manson quebrou o seu período de provação, e foi condenado a 7 anos e meio de prisão em regime fechado. Manson cumpriu a sentença em dois locais: primeiramente em McNeil Island, em Washington, e depois em Terminal Island, na Califórnia, onde havia cumprido os 3 anos entre 1955 e 1958.

Manson finalmente foi libertado de Terminal Island em 1967. Para a maioria das pessoas, e especialmente para mídia corporativa, a vida de Charles Manson se resume ao período que se inicia nesse momento, em que ele é libertado na Califórnia em meio ao auge da cultura hippie americana. Manson permaneceu livre até outubro de 1969, quando foi preso pelos crimes de incêndio e roubo de veículos. Em dezembro de 1969, ele foi acusado de homicídio pelos crimes que assombraram Los Angeles e que marcaram seu nome na história. Manson foi condenado à morte em janeiro de 1971, mas com a mudança nas leis penais do estado da Califórnia em 1972, a pena foi alterada para prisão perpétua.

Nas últimas décadas, Manson vem tentando conseguir liberdade condicional, mas teve seus apelos negados em todas as ocasiões, permanecendo assim encarcerado na Corcoran State Prison, na Califórnia, em unidade especial de isolamento da penitenciária, onde também se encontra cumprindo prisão perpétua o assassino do senador Robert Kennedy, Sirhan Sirhan. Sua última tentativa em audiência, obviamente negada, foi em 2007. A próxima será em 2012. Charles Manson permanece detido nos Estados Unidos há 40 anos.

2. Por quais crimes Charles Manson foi condenado em 1971?

Pelo caso que se tornou conhecido como Assassinatos Tate-LaBianca. Ele foi condenado por sete contagens de assassinato de primeiro grau e uma contagem de conspiração para cometer assassinato. Ele também foi condenado por outros dois assassinatos de primeiro grau, pelas mortes de Gary Hinman e Donald “Shorty” Shea.

3. Que sentenças Charles Manson recebeu em 1971?

Originalmente, Manson foi condenado à morte pelos Assassinatos Tate-LaBianca. Pelos assassinatos de Gary Hinman e Donald “Shorty” Shea, ele foi condenado à prisão perpétua. A sentença de morte foi posteriormente alterada para “prisão perpétua com a possibilidade de liberdade condicional” quando o Tribunal Supremo dos Estados Unidos aboliu a pena capital no estado da Califórnia. Sendo assim, Manson cumpre hoje a sentença de prisão perpétua.

4. Onde está Charles Manson nesse momento?

Ele está atualmente encarcerado na California State Prison em Corcoran, na Califórnia, a prisão de segurança máxima no estado. Ele permanece no setor 4A-4R, onde frequentemente é encaminhado para o regime de solitária.

5. Quando acontecerá a próxima tentativa de liberdade condicional de Charles Manson?

Manson tem o direito de pedir liberdade condicional mais uma vez em 2012. Na realidade, não passará de mais uma brincadeira. Os advogados que decidirão o futuro de Manson já deixaram claro que ele nunca deixará a prisão.

6. O que Charles Manson faria se deixasse a prisão hoje?

Essa é uma das perguntas que Manson respondeu mais vezes desde que foi condenado em 1971. “Eu não quero sair”, “Sair e sentar um pouco em algum lugar”, “Ir para outro país”, “Ir para o deserto” e “Eu já estou fora da prisão” são as respostas mais comuns dadas por Manson.

7. Charles Manson era o líder de um grupo de seguidores?

De forma alguma. Manson sempre negou ser um líder. A maioria dos amigos que faziam parte da chamada “Família Manson” também confirmaram que não existiam líderes e seguidores – eram somente amigos. Ser o líder de um suposto grupo foi o meio encontrado pelo estado da Califórnia para incriminar Manson pelos assassinatos de 1969, em que ele não teve participação alguma. Com o passar do tempo, isso ficou mais e mais claro. Até mesmo os promotores que condenaram Manson voltaram atrás em muitas das histórias mirabolantes que haviam vendido para os jornais e revistas durante o julgamento.

8. Existe ainda uma “Família Manson”?

Nunca existiu uma “Família Manson”. Esse termo foi inventado pela mídia corporativa sensacionalista quando Manson foi detido em 1969, e foi desde então usado pelas autoridades do estado da Califórnia e figuras envolvidas no caso de Manson a fim de rotular um certo grupo de pessoas e criar uma falsa impressão sobre o relacionamento entre essas pessoas. Na suposta “Família Manson”, Charles Manson seria o pai, um “líder”, e portanto responsável pelas atitudes dos seus “seguidores”. Fato é que Manson ainda tem contato com muitos admiradores e amigos, muitos deles antigos conhecidos da década de 1960. Mas a suposta “Família Manson”nunca existiu.

9. Posso contatar Charles Manson? Se sim, como?

Como qualquer outro condenado nas prisões dos Estados Unidos, Charles Manson pode receber cartas normalmente. Apesar disso, as restrições são muitas, e ele recebe muito mais cartas do que é capaz de responder. Em alguns casos, ele poderá passar uma carta de um novo contato para um amigo, que responderá em nome dele. Para enviar uma carta para Manson, o endereço é:

Charles Manson, B-33920
4A 4R PHU Unit
P. O. Box 3476
Corcoran, CA 93212
United States

10. Quem está por trás da Ordem de ATWA – Brasil?

Um grupo de amigos e simpatizantes de Charles Manson que mantém contato com ele e que apóiam a sua visão ecológica sobre o futuro dos seres humanos e da vida na Terra.

11. O que eu posso fazer para colaborar?

Essa é uma pergunta com infinitas respostas. Cada um sabe o que é capaz de fazer para colaborar com Charles Manson e ATWA. Quem sabe, a melhor resposta para essa pergunta é uma segunda pergunta: o que você faria por Manson e ATWA? Conte-nos, e certamente qualquer apoio é necessário.

logo final

© 2009 ATWA Brasil


Uma breve “biografia oficial” de Charles Manson

Para aqueles que não conhecem a história de Charles Manson, o criador do acrônimo ATWA, aqui vai uma breve biografia. É importante reconhecer, porém, que a vida de Manson foi muito polemizada. Isso dificulta muito separar o que são fatos e o que são mitos. Portanto, chamamos essa breve biografia abaixo de “biografia oficial”, uma vez que ela é baseada no que se tornou mais conhecido e aceitável como “realidade” – pelo menos pela mídia e a maioria das pessoas. Em momento algum sugerimos que a história abaixo é inteiramente fatual. Quando possível, citações do próprio Manson serão utilizadas para dar credibilidade aos fatos.

Charles Milles Maddox Manson, nascido em Cincinnati, nos Estados Unidos, em 11 de novembro de 1934, se tornou conhecido no final da década de 1960 por ser uma figura particular relacionada a um grupo de jovens que cometeu vários assassinatos, entre eles o da famosa atriz de Hollywood, Sharon Tate, esposa do diretor de cinema Roman Polanski.

Charles Manson com 14 anos de idade

Charles Manson com 14 anos de idade

Filho de uma jovem mãe com problemas familiares e um pai ausente, Manson passou a ser um freqüentador assíduo de reformatórios juvenis em diversas regiões dos Estados Unidos. “Eu não tinha mãe e eu não tinha um pai. Aonde você vai quando você não tem uma família?” disse Manson, explicando a sua infância nos reformatórios. Ainda quando criança, ele foi entregue a um abrigo de crianças por sua própria mãe. Esse foi o começo de uma infância conturbada. Entre suas diversas saídas e fugas dos reformatórios, Manson foi preso algumas vezes pelos crimes de falsificação e pequenos furtos.

Manson em meados de 1960

Manson em meados de 1960

Em 1964, aos 30 anos de idade, Charles Manson acabava de cumprir uma pena de dez anos quando foi parar no centro mundial da cultura hippie: Haight-Ashbury, um distrito da cidade de São Francisco. Manson se considerava um “hobo”, termo em inglês usado para designar os migrantes sem lar fixo, que vagavam pelo país comendo do que encontravam e dormindo onde se sentiam cansados. Fora da prisão, Manson acabou por se instalar na região de Haight-Ashbury, e tornou-se conhecido entre os círculos de jovens hippies. Manson era um excelente compositor musical, e vivia com seu violão pelas ruas de São Francisco. No auge da contracultura, Manson se tornou uma figura conhecida entre os jovens, que o seguiam para conhecer a sua música e seus costumes peculiares.

Foi tocando as suas músicas nas esquinas de Haight-Ashbury que os jovens hippies adotaram Manson como um ícone. É importante deixar claro, porém, que Manson nunca se considerou um hippie. “Eu era um beatnik na década de 1950, antes de os hippies existirem. Eu dancei ao som de Acapulco, e eu fumei Acapulco antes de vocês saberem o que isso era. E eu vivi nas tumbas [...] enquanto vocês iam para a escola. Você vê? Eu vivo em outro mundo. Eu vivo no mundo das pessoas das ruas”, disse Manson em uma entrevista na década de 1980. Manson saiu da prisão e voltou ao “mundo de fora” no auge da cultura hippie, e pouco sabia sobre como as coisas haviam mudado durante o longo período em que ele permaneceu isolado da sociedade. Foi com a sua música que os hippies abraçaram Manson.

A "Família Manson" no Spahn Ranch

A "Família Manson" no Spahn Ranch

Em função de troca de favores, Manson e seus jovens amigos hippies conseguiram um local para morar próximo a Los Angeles. Eles se alojaram no Spahn Ranch, um rancho onde foram gravados filmes famosos de faroeste, como Duelo ao Sol, e diversas cenas de séries de TV, como Bonanza e Zorro. Um cenário de cidade do oeste permaneceu instalado no rancho durante a estadia de Manson e seus amigos na década de 1960. O Spahn Ranch recebeu esse nome de um fazendeiro, George Spahn, que comprou a propriedade em 1948 e lá vivia em 1968, quando Charles Manson apareceu procurando um local onde pudesse morar. O Sr. Spahn permaneceu morando no local junto com Manson e seus amigos. Em troca de o grupo ajudar o já debilitado Sr. Spahn com o trabalho puxado do rancho, eles puderam se hospedar em uma das casas do local.

Mais de um ano depois, em 9 de agosto de 1969, um grupo de amigos de Manson invadiu uma casa alugada pelo diretor de Hollywood, Roman Polanski, em 10050 Cielo Drive, na região de Bel Air de Los Angeles. Os jovens assassinaram a esposa de Polanski, Sharon Tate, e mais quatro amigos do casal. As vítimas foram baleadas, esfaqueadas e espancadas até a morte, e o sangue delas foi usado para escrever mensagens nas paredes e porta da residência. Uma das escrituras foi “Pig” (”porco”, em inglês). Na noite seguinte, o mesmo grupo invadiu a casa de Rosemary e Leno LaBianca, matando os dois de maneira semelhante. As mensagens escritas na parede da casa com o sangue das vítimas dessa vez foram “Helter Skelter“, “Death to Pigs” (“morte aos porcos”) e “Rise” (“levante-se”). Os assassinatos de Sharon Tate, seus amigos e do casal LaBianca pela ficaram conhecidos como Assassinatos Tate-LaBianca.

Porta da casa de Roman Polanski com escritura "Pig"

Porta da casa de Roman Polanski com escritura "Pig"

Segundo a acusação e a “história oficial”, baseados em testemunhos dos amigos de Manson que cometeram os crimes, os assassinatos teriam sido planejados por Charles Manson. O objetivo seria começar uma guerra que, segundo a teoria, seria a maior já travada na terra, denominada “Helter Skelter“. A “história oficial” indica que esse nome corresponde ao título de uma música dos Beatles onde haveria uma quantidade de mensagens subliminares. Charles Manson, porém, já explicou em diversas entrevistas que para ele “Helter Skelter” significava somente “confusão” – era o que ele ouvia na música dos Beatles, barulheira e berros, e o que ele via nas ruas dos Estados Unidos. Durante o julgamento do caso, a acusação formalizou uma história em que, para Manson, “Helter Skelter” seria uma guerra entre negros e brancos, em que os brancos seriam exterminados da Terra. Nesse contexto, ao enviar seus amigos para cometer os assassinatos, devido ao caráter racista dos Estados Unidos, algum negro seria acusado pelos assassinatos, o que faria com que os confrontos explodissem pelas ruas. Como Manson e sua “família” eram todos brancos, planejavam esconder-se em um poço, supostamente denominado por Manson como “poço sem fundo”, em algum lugar no deserto californiano, assim que a suposta guerra começasse.

Linda Kasabian, que denunciou Charles Manson

Linda Kasabian, que denunciou Charles Manson

Linda Kasabian, uma das integrantes da comunidade hippie e participante das duas noites dos assassinatos, depois de cerca de um mês resolveu fugir e denunciar Charles Manson e os outros integrantes à polícia, além de depor contra eles em seu julgamento. Segundo Kasabian, ela não concordava com os assassinatos, apesar de ter participado e ter permanecido com os assassinos em Spahn Ranch nos dias seguintes. Ela conseguiu um acordo com a acusação, o Estado de Los Angeles, para testemunhar contra Manson em troca de imunidade e uma nova vida, com nova identidade para ela e sua filha recém-nascida e uma pensão do governo. Os depoimentos de Kasabian foram vitais para a condenação de Manson, uma vez que ela testemunhou que tudo havia sido planejado por ele, que seria uma espécie de líder espiritual da comunidade. Sem o depoimento de Kasabian, dificilmente Charles Manson seria condenado.

Charles Manson é preso em 1969

Charles Manson é preso em 1969

Manson, então com 37 anos, foi acusado de seis assassinatos e levado à Justiça, juntamente com Charles ‘Tex’ Watson, Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Leslie Van Houten. Embora acusado de líder da “Família Manson”, como o grupo de amigos se tornou conhecido após o escândalo, ele alegou não ter participado pessoalmente de nenhum dos crimes. Manson declarou durante o julgamento o seu ódio profundo pela humanidade, chamando os membros de sua “família” de “rejeitados pela sociedade”. “Eles são as suas crianças. Eu não as criei, vocês as criaram. Elas fizeram o que vocês ensinaram a elas”, disse Manson durante o julgamento. A promotoria se referiu a ele como “o homem mais maligno e satânico que já caminhou na face da Terra”, e o quinteto foi sentenciado à morte em 1971. Mas com a mudança nas leis penais do estado da Califórnia em 1972, a pena de todos foi alterada para prisão perpétua.

Charles Manson em 2009, mais de 60 anos em prisões

Charles Manson em 2009, mais de 60 anos em prisões

Enfim, Manson esteve em reformatórios e prisões desde os 9 anos de idade. Hoje, com 74 anos, ele passou mais de 60 anos da sua vida em centros de detenção. Ele permanece encarcerado na Corcoran State Prison, na Califórnia, em uma unidade especial de isolamento da penitenciária. Sua última tentativa em audiência para libertação condicional, obviamente negada, foi em 2007. A próxima será em 2012.

logo final

© 2009 ATWA Brasil