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As cores do universo

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 As cores do universo

© 2012 ATWA Brasil


[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (13)

Abaixo, a décima terceira postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Os objetivos destas pessoas – dos homens dentro do Tempo, por excelência – são sempre objetivos egoístas, mesmo quando, devido à sua magnitude material e importância histórica, eles transcendem imensuravelmente a vida do próprio homem, assim como de fato acontece, às vezes. Isso porque o egoísmo – a justificação da “parte” por mais espaço e mais significado do que lhe é naturalmente atribuído no quadro da totalidade – é a própria raiz da desintegração e, portanto, uma característica indissociável do Tempo. Pode-se dizer, praticamente, que quanto mais uma pessoa é completamente e inexoravelmente egoísta, mais ela ou ele vive “dentro do Tempo”.

Mas, como temos dito, o egoísmo se manifesta de muitas maneiras diferentes. Ele pode encontrar expressão na luxúria da mera satisfação pessoal, que caracteriza o libertino sem vergonha; ou na ganância insaciável do avarento pelo ouro; ou na ambição individual do aspirante a honras e posição social; ou na ambição familiar do homem que está preparado para sacrificar todos os interesses de todo o mundo pelo bem estar e pela felicidade de sua esposa e filhos. Mas o egoísmo também pode aparecer na exaltação da tribo ou da nação de um homem acima de todas as outras tribos e nações, não por seu valor inerente à hierarquia natural da Vida, mas apenas por ser a tribo ou a nação específica daquele homem. O egoísmo pode aparecer – ou melhor, muitas vezes aparece – na exaltação indevida de todos os seres humanos, não importando o seu nível de degradação, acima de todo o resto da criação viva, irrespectivamente da saúde e da beleza destes últimos – a paixão que inspira a tirania secular do “homem” sobre a Natureza. O “amor pelo homem” não está em harmonia com os direitos e deveres ordenados por Deus para cada espécie (assim como para cada raça e cada indivíduo), mas existe num espírito de mera solidariedade entre parentes, bons ou maus, dignos ou indignos, apenas porque são os seus próprios. Homens “dentro do Tempo” sabem apenas diferenciar o que é seu e o que é dos outros, e eles amam a si mesmos em tudo o que é deles.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (13)

© 2011 ATWA Brasil


[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (12)

Abaixo, a décima segunda postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Parte 1

Capítulo 3 – Homens dentro do Tempo, acima do Tempo, e contra o Tempo

Todos os homens, na medida em que eles não estão libertos da escravidão do Tempo, seguem o caminho degenerativo da história, sabendo disso ou não, e gostando disso ou não.

Poucos realmente e completamente gostam dessa situação, mesmo em nossa época – e muito menos em idades mais felizes, quando as pessoas liam menos e pensavam mais. Poucos seguem em frente sem hesitações, sem olhar, em algum momento ou outro, tristemente para o distante paraíso perdido que eles sabem, na sua consciência mais profunda, que eles nunca entrarão; o paraíso da Perfeição dentro do tempo – uma coisa tão distante do presente que as primeiras pessoas sobre as quais temos conhecimento lembram apenas como um sonho. No entanto, eles seguem o caminho fatal. Eles obedecem a seu destino.

Essa submissão à terrível lei da decadência – essa aceitação da escravidão do Tempo por criaturas que vagamente sentem que poderiam ser livres dela, mas que acham que essa é uma tarefa árdua demais para ser apostada; que sabem de antemão que nunca teriam sucesso, mesmo que tentassem – está no fundo da infelicidade incurável do homem, lamentada vez após vez nas tragédias gregas, e também muito antes destas terem sido escritas. O homem é infeliz porque ele sabe, e porque ele sente – em geral – que o mundo em que ele vive e do qual ele faz parte não é o que deveria ser, e o que poderia ser, e o que, na verdade, foi na aurora do Tempo, antes da decadência se armar, e antes da violência ter se tornado inevitável. Ele não é capaz de honestamente aceitar esse mundo como o seu – especialmente não aceitar o fato de que tudo está indo de mal a pior – e ainda assim ser feliz. Por mais que ele tente ser um “realista” e arrancar do destino o que ele puder, quando puder, ainda assim um anseio invencível sobre algo melhor continua no fundo do seu coração. Ele não pode – em geral – desejar o mundo como ele atualmente é.

Mas poucas pessoas – tão raras quanto aquelas libertadas, para as quais o Tempo não existe, e talvez ainda mais raras do que isso – desejam tal mundo; e agem de acordo com essa vontade. Estas são as mais aprofundadas, os agentes mais impiedosos e eficazes das forças da morte na Terra: extremamente inteligentes, e por vezes extraordinariamente perspicazes; sempre sem o mínimo de escrúpulos; trabalhando sem hesitação e sem remorsos no sentido de acelerar a queda da história e (mesmo que não consigam enxergar a situação claramente dessa forma) a chegada da sua conclusão lógica: a aniquilação do homem e de toda a vida.

Naturalmente, eles nem sempre vêem tão longe. Mas quando o fazem, ainda assim eles não se importam. Como a Lei do Tempo é o que é, e como o fim deve naturalmente chegar, para eles vale a pena conquistar todo o lucro que for possível durante esse processo que, afinal, mais cedo ou mais tarde, trará o fim. Como ninguém é capaz de recriar o esperado Paraíso perdido – ninguém senão a própria roda do tempo, depois de ter completado o seu ciclo – então para eles, que podem esquecer completamente essa distante visão, ou que nunca foram capazes de vislumbrar seu brilho; eles, que sufocam em si mesmos o anseio pela Perfeição, ou melhor, eles quem nunca puderam experimentá-la; então assim, para eles vale a pena tentar espremer desse momento (minutos ou anos, pouco importa) todos os prazeres intensos e imediatos que eles puderem, até que chegue a hora em que eles deverão morrer. Para eles, vale a pena deixar a sua marca no mundo – e forçar as gerações a lembrá-los – até a hora em que o mundo morrer. Assim eles se sentem. Para eles, tanto faz o que eles podem causar de sofrimento para os homens ou outros seres vivos agindo como eles agem. Tanto os homens como as demais criaturas são obrigados a sofrer, de qualquer maneira – eles pensam. Qualquer coisa vale, através deles assim como através de outros, se isso puder avançar os objetivos destas pessoas.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (12)

© 2011 ATWA Brasil


[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (11)

Abaixo, a décima primeira postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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A “verdade desagradável” é que o pacifismo, a não-violência e assim por diante, são, na maioria das vezes, apenas ferramentas em serviço das forças de desintegração; truques desonestos para blefar os tolos, para enfraquecer os fortes, e para colocar milhões de covardes e hipócritas (a maioria do mundo) contra as poucas pessoas cuja inspiração política, perseguida implacavelmente pelo seu fim lógico, poderia, talvez, mesmo agora, parar a decadência do homem.

Como foi dito no início, a não-violência só pode existir em um mundo em que a ordem temporal sócio-política é, na escala humana, uma réplica da eterna Ordem do Cosmos. Qualquer pregação eficaz – e qualquer prática parcial – de pacifismo na política, ou seja, dentro do tempo, fora de tal ordem temporal, leva apenas, em última instância, a uma maior violência; a uma maior exploração da natureza viva, e a uma maior opressão do homem nas mãos daqueles que trabalham pelas forças da morte. Mas, há milênios que a ordem perfeita deixou de existir. Ela deve ser recriada antes que a paz possa florescer. E ela não pode, agora, ser criada de novo sem violência extrema, exercida, desta vez, com um espírito altruísta, por homens de visão.

O melhor caminho para aqueles que desejam sinceramente uma paz justa e duradoura seria, portanto, naturalmente, fazer todo o possível para entregar o mundo para os homens de visão, o mais rapidamente possível; ou pelo menos, não tentar impedi-los de conquistá-lo. Infelizmente, a maioria dos pacifistas ou não querem realmente a paz, e apenas fingem querer, ou então realmente querem tal coisa, mas apenas sob certas condições ideológicas que são incompatíveis com a realidade agora, e que se tornarão mais e mais incompatíveis até o final do atual ciclo histórico. Qualquer violência praticada contra seres humanos os choca. As pessoas que apóiam abertamente o uso da força – seja no espírito mais desinteressado e para o melhor dos propósitos – são, por isso mesmo, um anátema em seus olhos. Ajudá-los a conquistar e dominar o mundo? Oh, não! Tudo menos isso! Os ideais dos homens de visão podem muito bem ser ideais da “Era Dourada”; mas os métodos deles! – a atitude cínica deles em relação à vida humana; a perseguição implacável e impiedosa para a eliminação até mesmo de possíveis obstáculos para a realização rápida de seus objetivos altruístas; sua “lógica terrível” (para citar as palavras de um oficial francês na Alemanha ocupada, depois desta guerra) – os nossos pacifistas nunca poderiam se aliar a estes! Como resultado, eles representam algo muito pior – e geralmente sem saber. Pois, através da sua recusa em encarar os fatos e tomar a única atitude razoável que um verdadeiro amante da paz deveria tomar, eles se tornam instrumentos a serviço das forças de desintegração.

Não é possível ter ambas as coisas: quem não está com as eternas Forças da Vida e Luz, está contra elas. A menos que se viva “fora” ou “acima” do Tempo, caminha-se no sentido da evolução inevitável da história – ou seja, no sentido da decadência e dissolução – ou em protesto contra a corrente dos séculos, em uma luta amarga e aparentemente impossível, mas, no entanto, ainda assim bela, com os olhos fixos sobre os ideais eternos que podem ser traduzidos integralmente para a realidade material uma só vez, no início de cada ciclo sucessivo, por cada nova e sucessiva humanidade. Mas é verdade que a minoria corajosa de homens de ação que lutam “contra o Tempo” por ideais da “Era Dourada” é obrigada a tornar-se, conforme o tempo passa, mais e mais cruel em seu esforço para superar uma oposição universal cada vez mais bem organizada e cada vez mais evasiva. E por essa razão, torna-se cada vez mais difícil para que os pacifistas os sigam. Com toda probabilidade, eles continuarão a preferir identificar-se com os agentes mentirosos das Forças das Trevas. E isso é natural. Mais uma vez: está dentro da lei do tempo. As forças da morte devem ter praticamente todo o mundo sob seu controle antes da vinda de um novo recomeço, que sempre nasce como uma reafirmação do triunfo da Vida.

E assim, dia após dia, ano após ano, agora e no futuro, os poderes conflitantes da luz e das trevas não deixam de travar a sua luta mortal, como sempre fizeram, mas cada vez mais ferozmente na medida em que o tempo passa. E na medida em que o tempo passa, a luta também será mais e mais entre uma violência abertamente reconhecida e abertamente aceita, e uma violência desonestamente dissimulada, sendo a primeira colocada a serviço do mais alto propósito da Vida na Terra – ou seja, a criação de uma humanidade ideal, ou de uma humanidade aos moldes da “Era Dourada” – e a outra, colocada a serviço dos inimigos da Vida. E será assim até que, após a queda final – o “fim do mundo” como nós o conhecemos – a liderança da sobrevivência da humanidade caia para aquela elite vitoriosa que, mesmo em meio à decadência geral do homem, nunca perdeu a fé nos eternos valores cósmicos, nem a vontade de desenhar a partir deles, e somente a partir deles, as suas leis de ação.

Essa elite irá, então, não mais ser obrigada a recorrer à violência para impor sua vontade. Ela irá governar sem oposição em um mundo pacífico, em que a Nova Ordem dos seus sonhos será, para todos, o único estado natural e racional das coisas. Até que o homem esqueça novamente a Verdade imutável, volte a agir como se as leis de ferro de causa e conseqüência não lhe afetassem, e novamente se deteriore.

Nada pode parar a roda do tempo.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (11)

© 2011 ATWA Brasil


[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (10)

Abaixo, a décima postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Essa desonestidade geral sobre a violência, que tem se tornado progressivamente mais comum desde os primórdios da história, está clara hoje na forma como as pessoas deliberadamente escondem de si próprias e dos outros os horrores que eles perdoam, mas que ainda assim são incapazes de justificar.

Muitas das atrocidades cometidas contra os animais com a intenção de avançar conhecimentos médicos são tão terríveis que, apesar de suas alegadas “justificativas”, é “do interesse da ciência” – e do interesse das questões comerciais do mercado de patentes de medicamentos – não permitir que o público saiba sobre elas. E o público é deliberadamente mantido na ignorância – induzido a acreditar que esses horrores não existem realmente, ou que eles não são, na realidade, tão sanguinolentos quanto parecem ser. Sendo assim, logicamente as inúmeras crueldades cometidas por mera curiosidade ou por luxo, ou por diversão, são as mais escondidas – negadas sutilmente. Milhares de tolos bem-intencionados, que falam sobre o suposto “progresso moral” da nossa época, não têm idéia alguma sobre o que se passa em institutos científicos, no comércio de peles ou nos circos.

Milhares de pessoas igualmente bem-intencionadas e igualmente insensatas, que não questionam o que lhes é dado para ler e sabem pouco além do que lhes é oferecido, também não fazem idéia sobre os horrores perpetrados por seus compatriotas em países de outras pessoas como colonos ou como membros de exércitos de ocupação, ou melhor, não fazem nenhuma idéia sobre o que se passa em seus próprios países, atrás das grades, nas câmaras de tortura para a investigação política, e nos campos de concentração. Na verdade, na Inglaterra e em outras nações democráticas, muitos têm a impressão de que seus governos nunca toleraram coisas tais como campos de concentração e câmaras de tortura para seres humanos. Apenas “o inimigo” tinha essas coisas – isso é o que essas pessoas acreditam. Anos atrás, elas teriam de admitir que “todo mundo tem” essas coisas, e deveria tê-las, porque não se pode executar uma guerra sem esses acessórios desagradáveis, mas extremamente úteis. Mas agora a hipocrisia sobre a violência atingiu o seu ápice. Nunca houve no mundo tanta crueldade, aliada a uma tentativa tão generalizada de escondê-la, de negá-la, esquecê-la e, se possível, fazer com que os outros também a esqueçam. Nunca as pessoas têm sido tão dispostas a esquecê-la, com cenários externos “decentes” e agradáveis – casas e ruas em que nenhuma tortura de homens ou animais pode ser vista ou reconhecida – desde que, evidentemente, não seja a crueldade “do inimigo”. A única vez em que homens e mulheres modernos não tentam minimizar horrores, mas na verdade os exageram (e muitas vezes deliberadamente os inventam) é quando esses são (ou são apresentados como) os horrores do “inimigo” – nunca os seus próprios. E isso é em si apenas uma instância adicional da característica geral dos nossos tempos: o amor pelas mentiras.

O que virou o mundo inteiro tão amargamente contra os francos defensores dos métodos cruéis tanto no governo como nas guerras, não é tanto que eles fossem violentos, mas o fato de que eles eram verdadeiros. Mentirosos odeiam aqueles que contam as verdades desagradáveis, e que agem em conformidade com elas.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (10)

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[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (9)

Abaixo, a nona postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Temos falado de dois tipos de violência. Em nenhum caso a diferença na natureza desses dois tipos é mais evidente, talvez, do que na atitude dos defensores – ou condizentes – de cada um com relação à criação viva fora da humanidade.

A violência franca e corajosa, que qualquer idealista com uma visão real é obrigado a usar assim que ele tentar traduzir sua intuição da verdade eterna em ação, em um mundo teimosamente degenerado, curvado sobre a sua própria destruição, é a violência que, dizemos, nunca é exercida – e nunca poderia, logicamente, ser exercida, salvo, talvez, em certos casos de urgência vital – contra quaisquer outras criaturas vivas que não sejam pessoas. Seu único propósito é esmagar, tão rápida e completamente como for possível, toda a resistência a uma ordem sócio-política imposta muito cedo para ser apreciada por todos aqueles a quem ela afetaria. Como veremos, ela não afeta apenas os seres humanos. Ela inclui, e deverá abranger, também, no longo prazo, todos os seres vivos. Caso contrário, ela não seria uma ordem baseada na verdade eterna, e a violência usada para impô-la não se justificaria. Mas apenas os seres humanos podem e se opõem a essa ordem. Apenas eles são, portanto, à medida que se tornam obstáculos ao seu estabelecimento ou à sua manutenção, vítimas justificadas da violência necessária daqueles cujo dever é defendê-la. Como conseqüência do fato de que eles não têm nada a ver com a formação da sociedade humana, os animais inocentes nunca são atormentados por homens que acreditam que, em todo caso, a tortura pode somente ser dispensada quando aplicada para avançar fins impessoais políticos que estejam em harmonia com os princípios eternos.

Esses homens não toleram a imposição de dor sobre as criaturas que vivem para pesquisas destinadas, nas mentes dos torturadores e dos seus apoiadores, a aliviar os sofrimentos da humanidade doente ou para satisfazer simples desejos por informações “científicas”. Porque se eles realmente são expoentes dos ideais da “Era Dourada” – homens de ação, com a consciência da verdade eterna e um amor ardente pela perfeição – não há chance de eles compartilharem, seja sobre a humanidade ou sobre as doenças, ou sobre a ânsia mórbida por um ocioso conhecimento a qualquer custo, os preconceitos comuns que têm vindo a se desenvolver, há séculos, como resultado da crescente decadência deste mundo. Eles não podem acreditar que todas as vidas humanas, degeneradas como possam ser, sejam, necessariamente, válidas de serem salvas. E eles devem acreditar que a melhor forma de erradicar as doenças não é descobrindo novos tratamentos para ensinar homens e mulheres a viverem vidas mais saudáveis, mas sim, antes de tudo, fortalecendo as raças naturalmente privilegiadas com uma política sistemática e racional, aplicada, em primeiro lugar, à arte básica da procriação. E eles devem sentir um desprezo para com todas as formas de pesquisa inúteis, sem falar da curiosidade criminal sobre o mistério da vida, que transformou centenas de homens como Pavlov, ou Voronoff – ou Claude Bernard – em verdadeiros monstros.

Há mais. A ideologia do forte naturalmente anda de mãos dadas com repulsa por todas as formas de crueldade para com os lindos animais indefesos. Nietzsche exaltou a bondade como a maior força do super-homem – “a última vitória do herói sobre si mesmo”. E a bondade que não abrange toda a vida não é bondade de forma alguma. A bondade que leva o homem a “amar os seus inimigos” sem exigir que ele ame as criaturas inocentes da terra, que não lhe causaram nenhum dano intencional; a bondade que o aconselha a poupar as vidas dos homens, mas o permite perseguir e comer os outros animais, e vestir suas peles, ou é hipocrisia ou imbecilidade. A ideologia do forte rejeita esses dois mil anos de contradição com desprezo.

Isto é tão verdade que as únicas pessoas que têm, em nossos tempos, se esforçado para criar uma ordem sócio-política sobre a base de uma tal ideologia; as pessoas que defendem mais consistentemente a violência saudável, necessária, que é indissociável de qualquer luta contra as forças da decadência – os fundadores da Alemanha nacional-socialista – são precisamente aquelas que expressaram o amor mais sincero por toda a Natureza em seu sistema educacional, e fizeram tudo o que podiam para proteger, por lei, tanto os animais como as florestas; é tão verdadeiro, que o líder que os inspirou – Adolf Hitler, agora tão descaradamente caluniado e tão amargamente odiado por um mundo inútil – não só se absteve de carne em sua própria dieta diária, mas é , pelo que sei, o único governante europeu que já contemplou seriamente a possibilidade de um continente sem matadouros, e ele realmente tinha a intenção de tornar esse sonho uma realidade, logo que pudesse.

Compare isso com o tratamento das criaturas nas mãos da maioria das pessoas que negam os indivíduos e raças superiores o direito de serem implacáveis em sua heróica luta contra o Tempo; daqueles que gostariam que nós acreditássemos que eles “amam os seus inimigos” e que eles têm um verdadeiro horror com relação a quaisquer atrocidades! Nós vimos, e nós vemos todos os dias, como os hipócritas tratam os seus inimigos – quando eles os pegam. E nós sabemos quais atrocidades eles podem executar contra outros seres humanos – ou ordenar, ou pelo menos tolerar – quando elas se adaptam às suas finalidades. Eles tratam os animais da mesma maneira. Eles consideram os crimes ocultos diariamente cometidos contra os animais neste mundo cada vez mais perverso, como uma coisa natural, tal como fazem com os que são cometidos contra os homens e mulheres que eles consideram como “fanáticos perigosos”, “criminosos de guerra” e assim por diante.

Naturalmente, eles acham boas desculpas para justificar sua atitude – e sempre farão isso; a lógica foi concedida ao homem para que ele pudesse se justificar aos seus próprios olhos, seja qual for a monstruosidade que ele possa decidir apoiar. Mas suas premissas são totalmente diferentes daquelas das pessoas altruístas que lutam com brutalidade consistente pelos ideais de harmonia com a perfeita ordem cósmica. Seu argumento básico é “o interesse da humanidade” – de forma indiscriminada; o “interesse da humanidade” como um todo; da “maioria” dos seres humanos, bons, maus e indiferentes; e apenas dos seres humanos. Seus ideais – expressão da tendência decadente do Tempo, que acelera o homem para o seu fim – são qualquer coisa, exceto ideais da “Era Dourada”.

Qual é a humanidade que os agentes de bom coração das forças da escuridão querem realmente “salvar”, à custa de sofrimentos indizíveis infligidos a criaturas saudáveis, inocentes e belas nas câmaras de tortura da “ciência”? Certamente não a elite forte e orgulhosa da humanidade, à espera do seu dia para começar um novo ciclo histórico, sobre as ruínas do mundo atual. Esses homens e mulheres que pertencem a essa minoria saudável não precisam de tal medicamento laboriosamente descoberto, e não iriam aceitá-lo. Não. A maioria dos nossos contemporâneos que defendem a imposição de dor sobre as criaturas que vivem em prol da “pesquisa” está preocupada com o alívio do “sofrimento” da humanidade. Eles são cheios desse amor mórbido para com os doentes e os aleijados, os fracos e os deficientes de todo tipo, que o Cristianismo colocou na moda e que é, sem dúvida, um dos sinais mais nauseantes da decadência do homem moderno. Sejam eles professos cristãos ou não, todos se apegam à crença idiota de que é um “dever” salvar, ou pelo menos prorrogar, a qualquer custo, qualquer vida humana, mesmo que sem valor – um dever de prolongar a vida simplesmente porque é uma vida humana. Como conseqüência, eles estão dispostos a sacrificar qualquer número de animais saudáveis e bonitos, se imaginarem que isso poderá ajudar a corrigir os corpos de pessoas que, na maioria dos casos, não teriam sido permitidas a viver, ou melhor, nunca nem teriam nascido, em uma sociedade bem concebida e bem organizada. Em seus olhos, um idiota humano vale mais do que o modelo mais perfeito de vida animal ou vegetal. De fato, enquanto a nossa espécie se degenera, a sua vaidade cresce! E essa vaidade ajuda a manter os homens satisfeitos, embora eles sejam completamente afastados da visão da perfeição, gloriosa e saudável, que dominou a consciência do mundo em sua juventude e que ainda é, e permanecerá até o fim, a visão inspiradora de uma minoria decrescente.

Os relatos das atrocidades cometidas contra os animais inocentes, a fim de encontrar meios para combater doenças em uma humanidade mais e mais contaminada, ou até mesmo a fim de encontrar meios para incentivar vícios para um número cada vez maior de degenerados, encheriam livros inteiros. As abominações semelhantes realizadas por mera curiosidade científica, também. Este não é o lugar para ponderar sobre esse assunto horripilante. No entanto, quando lembramos que as pessoas que desculparam esses e outros horrores, ou melhor, que aprovaram esses horrores – que admiraram alguém como Pasteur, e que nunca disseram nem uma palavra sequer contra outros, como Claude Bernard ou, neste século, Pavlov – quando lembramos que essas pessoas tiveram o descaramento de serem juízes em 1945, 1946 e 1947, e que, com o consentimento do mundo, sentenciaram à morte os médicos alemães, justa ou injustamente acusados de terem realizado experimentos muito menos cruéis a inimigos ativos ou potenciais de tudo o que eles amavam e defendiam, então é um nojo a profundidade de hipocrisia que a humanidade tem alcançado em nossa época. Porque nunca antes, talvez, tal exposição teatral de indignação sobre determinados atos de violência tenha caminhado de mãos dadas com uma tolerância universal de atos de violência muito mais horríveis.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (9)

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[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (8)

Abaixo, a oitava postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Quanto à violência que é usada para avançar os objetivos de guerra das forças da morte, ela é e sempre foi de dois tipos: por um lado, dirigida contra a própria Vida – primeiro, contra toda a inocente Natureza, e então contra os interesses vitais da alta humanidade, em nome do “plano comum” – e, por outro lado, contra os homens em particular que, cada vez mais conscientes da realidade trágica dessa idade da escuridão, adotam uma posição em favor do reconhecimento dos valores eternos da Vida e do restabelecimento da ordem de acordo com a sua verdadeira e eterna base.

De fato, na tentativa de trazer o triunfo da desintegração lenta, mas constante, da cultura, a violência é cada vez menos necessária. O mundo evolui naturalmente para a desintegração, com um ritmo cada vez mais acelerado. Poderia ter sido necessário, uma vez, empurrá-lo desfiladeiro abaixo. Mas isso não tem mais sido necessário, há séculos. O mundo caminha sobre a sua própria destruição, sem ajuda. Nesse sentido, portanto, os guerreiros da desintegração desfrutam de uma tarefa fácil. Eles só têm de seguir e enaltecer as tendências viciosas da maioria cada vez mais desprezível dos homens para se tornarem os queridos do mundo. Mas, em sua guerra contra os poucos, mas mais conscientes e práticos expoentes dos valores mais elevados – os defensores da hierarquia natural das raças; os adoradores da luz, da força, da juventude – eles são (e estão vinculados a ser) cada vez mais violentos, ou melhor, mais e mais implacavelmente cruéis. O ódio deles cresce enquanto a história se desenrola, como se eles soubessem – como se eles sentissem, com a agudeza da percepção física – que cada uma de suas vitórias, espetaculares como possam parecer, os traz para mais perto da queda final redentora na qual eles se encontram vinculados a perder, e da qual seus superiores, agora perseguidos, serão obrigados a emergir como os líderes da Nova Era – os super-homens, no início do próximo ciclo de tempo – mais do que nunca como deuses. O ódio deles cresce, e sua ferocidade também, com a aproximação da queda redentora e, junto com ela, o alvorecer da Nova Ordem universal, tão inevitável como a chegada da primavera. Como a história dos últimos anos tem mostrado – como a história da escura Europa (e dos orgulhosos, mas pobres japoneses) mostraria hoje, se apenas os seus horrores escondidos fossem revelados – nada é pior em termos de violência do que a perseguição dos melhores homens e mulheres do mundo pelos agentes das forças da morte, nesse último período da “Era das Trevas”. Assim como as crianças da Luz, esses também – embora por motivos contrários – agem sob a pressão inflexível do tempo. Eles têm poucos anos para tentar acabar com a eterna ideologia divina; para esmagar o máximo de seus adeptos que puderem, antes de serem, eles próprios, transformados em pó em uma guerra fratricida de demônios contra demônios.

Eles estão com pressa – não como a heróica elite, por impaciência generosa; não por um desejo de ver a “Era da Verdade” ser restabelecida antes de seu tempo, mas apenas por uma luxúria febril; por uma vontade de roubar do mundo, para si mesmos, todas as vantagens materiais e todas as satisfações da vaidade que forem possíveis, antes que seja tarde demais. E conforme o tempo passa, essa pressa se transforma em delírio. O único obstáculo em seu caminho que ainda os desafia – que irá sempre desafiá-los, até o fim – é precisamente essa elite orgulhosa a qual o desastre não desanima, a qual a tortura não pode quebrar, a qual o dinheiro não pode comprar. Consciente ou inconscientemente, sejam eles próprios completamente maus, ou apenas cegos por uma estupidez inata, os agentes da desintegração guerreiam contra os homens de ouro e aço com uma fúria infernal, sem esmorecer.

Mas deles não é a violência franca e desavergonhada dos inspirados idealistas que lutam para trazer de volta, rapidamente, a elevada ordem sociopolítica que é boa demais para o mundo indigno de sua época. A deles é um tipo de violência covarde, safada, escondida, mais e mais eficaz por ser, do lado de fora, mais enfaticamente negada, tanto pelos miseráveis que a aplicam ou aceitam, como pelos estúpidos bem-intencionados que realmente acreditam que tal coisa não exista. Ela é motivada por sentimentos que não se pode apresentar, mesmo em um mundo degenerado, sem correr o risco de derrotar o próprio propósito: por puro ódio, enraizado na inveja – o ódio dos fracos inúteis com relação aos fortes, por não outro motivo senão por eles serem realmente fortes; o ódio das almas feias (encarnado, mais frequentemente, em corpos não menos feios) com relação aos de grande beleza natural; com relação à nobre, magnânima, abnegada, e real aristocracia do mundo; o ódio do infeliz, e mais ainda, do tedioso – daqueles que vivem apenas por seus bolsos, e não têm nenhum motivo para morrer – com relação àqueles que vivem, e estão prontos para morrer, por valores eternos. Assim é, cada vez mais, a violência generalizada dos nossos tempos, cada vez menos reconhecida, em seu disfarce sutil, até mesmo para as pessoas que realmente sofrem com ela.

Os povos da antiguidade sabiam melhor do que nossos contemporâneos sobre quem eram seus amigos e quem eram seus inimigos. E isso é natural. Em um mundo correndo para sua perdição, é natural o aumento da ignorância – a ignorância precisamente dessas coisas que se deve conhecer melhor para sobreviver. Os antigos sofriam, mas sabiam a quem amaldiçoar. Os homens e mulheres modernos, como regra, não sabem; realmente não se importam de saber; são preguiçosos demais, cansados demais, próximos demais do fim do seu mundo para se darem ao trabalho de questionar qualquer coisa seriamente. E os malandros espertos, eles próprios os autores de todo esse mal, os incitam a jogar a culpa sobre as únicas pessoas cuja infalível sabedoria e amor poderiam tê-los salvado, se eles quisessem ter sido salvos; sobre essa elite odiada que se posiciona contra a corrente do Tempo, com a visão do glorioso novo Início por trás da desgraça do mundo atual, clara e brilhante diante de seus olhos. A totalidade do montante de baboseiras escritas e contadas desde o final da Segunda Guerra Mundial (e mesmo antes do seu final, nos jornais e nas estações de rádio controladas pelos Poderes Democráticos) sobre os sofrimentos dos povos europeus, é o exemplo flagrante mais recente desta campanha sistemática de mentiras, mais e mais comum na medida em que as forças da desintegração se tornam, com o tempo, mais bem sucedidas e secretas. A Europa está em ruínas – consequência de seis anos de bombardeamentos desumanos. As Nações Unidas fizeram o bombardeio, a fim de acabar com o Nacional-Socialismo – a única coisa que poderia ter restaurado a ordem e a sanidade na Europa, se o altruísmo absoluto, combinado com genialidade, fosse capaz de virar a maré do tempo em um mundo condenado. E agora as pessoas dizem que o Nacional-Socialismo é responsável por todos os males que os bombardeios tenham causado, e que o seu inspirador fundador é o maior egoísta megalomaníaco que já pisou nesta terra. Algumas pessoas acreditam nisso – até mesmo na Alemanha; ou estavam preparadas para acreditar em 1945, antes que tivessem um gosto do substituto que as democracias lhes ofereceriam no lugar do regime muito criticado. A maioria das pessoas acredita nisso no resto da Europa. Os vilões insidiosos, completamente desonestos com relação à violência, que definiram o tom dessa propaganda, têm uma tarefa fácil: eles trabalham no sentido do Tempo: para a desordem, levando à desintegração; para a destruição de tudo o que ainda é forte e valioso no momento presente da humanidade; de tudo o que é destinado a sobreviver, apesar de tudo, a vinda da destruição. E eles exploram muito as características de uma época decadente: o ódio de toda a disciplina óbvia e de toda a liderança visível e tangível (e responsável), aliado à crescente arrogância, aumentando a imbecilidade, e, conseqüentemente, aumentando também a ingenuidade.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (8)

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