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Sangue de ATWA derramado no Japão

atwa golfinhos japao Sangue de ATWA derramado no Japão

O trucidamento de 20 mil golfinhos, porcos-do-mar, e pequenas baleias ocorre anualmente no Japão. Todos os anos, começando em 1º de setembro e se estendendo até março do ano seguinte, pescadores organizam uma armadilha prendendo famílias inteiras de pequenos cetáceos em uma baía rasa e rochosa, onde sem piedade matam os animais com facas, martelos, e outras armas. A baía onde o trucidamento anual acontece é localizada próximo a uma vila chamada Taiji. É o sangue de ATWA sendo derramado em vão pelo homem. Mas será que o sangue do homem que será derramado por ATWA será em vão?

 Sangue de ATWA derramado no Japão

© 2012 ATWA Brasil


Baleias ilustram a perfeição de ATWA

atwa baleias Baleias ilustram a perfeição de ATWA

O caso da caça de baleias ilustra perfeitamente a unicidade de ATWA – a união e interdependência de todas as formas de vida em nosso planeta. O crime contra a sobrevivência desses animais esboça a ignorância dos homens, das mentes do dinheiro. Enquanto essas vidas são roubadas, transformadas em lucro para uns poucos, o caçador parece cego quanto à realidade de que o golpe é também contra a vida dele mesmo: no sistema da unicidade da vida, aquela vida é a sua vida. O carma natural retornará.

As nações pró-caça perpetuaram mitos para justificar a matança. Esses mitos são disseminados pela mídia de alguns dos países pró-caça, como a Noruega, o Japão e a Islândia, e financiados por outros atores comerciais envolvidos no processo da caça.

Entre os principais mitos, está o de que as baleias comem muito peixe, reduzindo os estoques pesqueiros, deixando menos para os seres humanos. Trata-se de um argumento egoísta, típico da ética antropocêntrica do homem moderno, que posiciona o homem como administrador legítimo dos assuntos do planeta. Não passa de falta de inteligência e conhecimento sobre ATWA, o sistema de suporte de vida do planeta Terra. Os mares vêm convivendo com os peixes e as baleias há milênios – até que os humanos chegaram. O maior impacto nesse relacionamento se deu com o desenvolvimento da tecnologia a vapor, que possibilitou “arrastões” para pilhar os oceanos. Obviamente, o homem é a espécie invasora.

Outro mito comum é a ironia de que “a caça é feita de forma humanitária”. Logicamente, é humanitária mesmo, considerando que se trata de assassinatos para abastecer os desejos e confortos dos humanos. Mas não é esse o argumento dos criminosos. Com “forma humanitária”, os assassinos querem dizer que os animais não sofrem com a perda das suas vidas. Os caçadores dizem que eles usam arpões com explosivos para matar os animais “rapidamente”. Ironicamente, esse argumento não considera a vontade da baleia de sobreviver. Mesmo assim, os pontos do argumento não passam de mitos: a Comissão Internacional da Baleia estima que a morte leva, em média, 14 minutos – se o arpão for atirado com eficácia. Se não, pode ultrapassar uma hora. As baleias que não morrem imediatamente são supostamente alvejadas com rifles, mas é comum também que elas sejam arrastadas até se afogarem.

Esse último mito foi desmascarado absolutamente com imagens divulgadas recentemente pela Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA, na sigla em inglês). O vídeo mostra um baleeiro norueguês usando arpões explosivos para matar as baleias em 23 de maio desse ano. A tripulação passa 22 minutos tentando se certificar de que a baleia está morta. O mamífero sofre por cerca de duas horas e depois é atingido por um outro arpão lançado pelo navio norueguês, quando finalmente morre. Se for isso que os criminosos querem chamar de “forma humanitária”, então que fique evidente que se trata de tortura e assassinato – nada além disso.

Sobre esses crimes, está marcada para o dia 21 de junho uma reunião da Comissão Internacional da Baleia, em Agadir, no Marrocos, em que os 88 países membros vão votar uma proposta da comissão de permitir a caça controlada do animal. Ironicamente, o Japão estaria comprando votos de pequenas nações para ganhar apoio pró-caça. Países como São Cristóvão e Nevis, Grenada, Ilhas Marshall, Kiribati, Guiné e Costa do Marfim se mostraram interessados em negociar seus votos na comissão. Eles estariam recebendo ajuda financeira do Japão em troca de seus votos favoráveis à caça. Alguns países alegaram que o Japão também ofereceu dinheiro para gastarem nas despesas da reunião da comissão e até mesmo garotas de programa para ministros e diplomatas.

Dessa forma, se faz a lei pelas mãos dos homens: mais um exemplo de como atuam as mentes do dinheiro em conflito com ATWA. Se a comissão aprovar a caça das baleias, será interessante saber se, no futuro, será lembrado que o genocídio contra esses animais foi aprovado em troca de dinheiro e prostitutas japonesas.

O ciclo e a perfeição de ATWA estão claros para todos que vêem. Um sistema perfeito e harmônico, em equilíbrio com tudo o que vive nesse planeta. Nem todos os homens são iguais, mas o coletivo denuncia a espécie: um câncer que se multiplica sem controle nas células do corpo da Terra, destruindo esse equilíbrio a cada dia.

Um exemplo dessa perfeição dos sistemas vivos é encontrado na recente pesquisa da Universidade Flinders, na Austrália, sobre como as fezes de baleias ajudam a absorver o dióxido de carbono do ar – exatamente o que os homens estão se provando incapazes de fazer com as próprias mãos, tecnologia e bom senso. A beleza é impressionante: as baleias do Oceano Antártico liberam cerca de 50 toneladas de ferro em suas fezes por ano, o que estimula o crescimento de plantas marinhas (fitoplâncton) que absorvem gás carbônico durante a fotossíntese. O processo resulta na absorção de cerca de 400 mil toneladas de carbono, mais do que o dobro do que as baleias liberam na respiração, segundo o estudo dos australianos. Eis aqui um exemplo de um ser vivo responsável, capaz de sobreviver em aliança com o planeta.

O fitoplâncton é a base da cadeia alimentar marinha nessa parte do mundo, e o crescimento dessas pequenas plantas é limitado à quantidade de nutrientes disponível, incluindo o ferro. As baleias se alimentam basicamente de lulas no fundo do oceano e defecam nas águas mais próximas da superfície onde o fitoplâncton pode crescer, tendo acesso à luz. O fitoplâncton é consumido por animais marinhos minúsculos – como o zooplâncton – que, por sua vez, são consumidos por criaturas maiores que fazem parte do cardápio das baleias. Um ciclo fechado, perfeito. A interferência do homem resulta em roubar uma peça desse quebra-cabeça em equilíbrio. Os efeitos disso não são limitados à cadeia alimentar marinha.

Esse caso das baleias serve como testemunha da perfeição de ATWA e da guerra declarada pelo homem contra o sistema de suporte de vida do planeta. Mitos são disseminados por aqueles que lucram com o crime; os criminosos compram a lei dos fracos e ignorantes com moedas e prostitutas; o desequilíbrio do que é perfeito é incentivado; e para terminar, o ciclo é fechado: os erros voltarão contra os homens, pois a vontade de Deus é uma e será respeitada. O erro é não compreender que contra ATWA não existe vitória – ou você está lutando pela vida, ou está lutando pela morte.

 Baleias ilustram a perfeição de ATWA

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Escolas para o século XXI

atwa escola Escolas para o século XXI

Abaixo, um artigo interessante sobre o que o autor chama de “ensino ecológico”. Trata-se de uma análise do sistema de ensino atual, e algumas idéias para corrigir os erros e integrar os seres humanos novamente ao mundo animal do qual eles pertencem. Algumas partes do artigo original foram cortadas.

“Na sociedade industrial, a maioria considera o sistema educacional, do primário ao doutorado, caro demais, maçante e pouco eficaz. Acham que este precisa de uma reforma radical, mas não sabem como proceder. Uns afirmam que a falha se deve à falta de verbas para laboratórios, bibliotecas, equipamentos, salários e novas instalações – ponto de vista defendido, obviamente, por educadores profissionais. Do outro lado, estão aqueles que defendem o abandono de grande parte do sistema atual para criar um sistema de escolas organizadas como empresas.

Ambos concordam, porém, quanto aos objetivos básicos da educação: primeiro, equipar a sociedade com uma força de trabalho de “categoria mundial” para competir com vantagem na economia global. Segundo, fornecer a cada indivíduo os meios para “progredir” ao máximo.

No entanto, existem motivos melhores para repensar a educação, ligados às questões de sobrevivência humana que dominarão o mundo no século XXI. A geração que hoje está estudando terá que fazer aquilo que nossa geração não conseguiu ou não quis fazer: estabilizar a população mundial, fixar e depois reduzir a emissão de gases que ameaçam mudar o clima, proteger a diversidade biológica, reverter a destruição de florestas e conservar o solo, cuja erosão diária atinge milhões de toneladas.

As gerações futuras precisam aprender a utilizar melhor a energia e os materiais disponíveis. Precisam aprender a usar a energia solar sob todas as suas formas. Precisam eliminar a poluição e o desperdício. Precisam aprender a administrar recursos renováveis. Precisam iniciar a imensa tarefa de restaurar, da melhor forma, os danos causados à Terra nos últimos 200 anos de industrialização. Nenhuma geração teve que encarar tamanho programa de trabalho. Continuamos, porém, a educar nossos jovens como se não houvesse nenhuma emergência planetária. A crise que enfrentamos é principalmente uma crise da mente, da percepção e dos valores – portanto, um grande desafio para as instituições que formam mentes, percepções e valores. Um desafio educacional.

Continuando com a mesma educação, que nos permitiu industrializar a Terra, somente vamos piorar a situação. Isso precisa ser dito com ênfase, porque a crise ambiental não é provocada principalmente por pessoas ignorantes, sem escolaridade. É provocada por pessoas de boa formação que, segundo Gary Snyder, “ganham rios de dinheiro, vestem-se impecavelmente, formam-se nas melhores universidades, apreciam pratos finos e lêem bons livros, enquanto orquestram investimentos e leis que arruínam o mundo”. São homens e mulheres com diplomas universitários, educados para pensar que dominar a natureza é nosso direito legítimo. Não estou querendo ir contra o ensino, mas falar a favor do tipo de ensino que prepara as pessoas para um estilo de vida apropriado a um planeta com biosfera sujeita às leis da ecologia e da termodinâmica.

As habilidades, aptidões e atitudes necessárias para industrializar a Terra não são necessariamente as mesmas que vamos precisar para curar a Terra ou para estabelecer economias e comunidades sustentáveis. Os grandes desafios ecológicos requerem uma alteração das matérias, do sistema e dos objetivos do ensino, em todos os níveis. Entretanto, o historiador Jaroslav Pelikan, da Universidade de Yale, tem dúvidas quanto à capacidade da universidade para enfrentar esta crise, que não só é ecológica e tecnológica, como também educacional e moral.

Para construir uma ordem mundial sustentável, precisamos desmontar o frágil andaime de idéias, filosofias e ideologias que constituem o currículo escolar moderno. Isso requer cinco medidas. Primeiro, precisamos desenvolver verdades mais abrangentes e ecológicas. Os arquitetos da visão atual que temos do mundo, principalmente Galileu e Descartes, consideravam tudo o que podia ser pesado, medido e somado mais verdadeiro do que aquilo que não pode ser quantificado. Em outras palavras, se não podia ser quantificado, não contava. A filosofia cartesiana era cheia de tropeços ecológicos, que os discípulos de Descartes desenvolveram ao grau máximo. Sua filosofia separava o homem do mundo natural, despia a natureza do seu valor intrínseco e segregava a mente do corpo.

Se quisermos salvar espécies e ambientes, precisamos de um conceito mais amplo da ciência e de um raciocínio mais abrangente, que une o conhecimento empírico com as emoções que nos fazem amar e, às vezes, lutar.

Descartes e seus discípulos estavam errados: não se pode separar os sentimentos do conhecimento, o objeto do sujeito; não podemos separar a mente ou o corpo do contexto ecológico e emocional.

Ciência sem amor não pode oferecer um motivo para apreciar o pôr do sol, nem pode oferecer um motivo objetivo para valorizar a vida. Esses motivos precisam vir de fontes mais profundas.

Segundo, precisamos desafiar a presunção contida no currículo oculto, que entende que o domínio da natureza pelo homem é bom; que uma economia de mercado crescente é natural; que todo conhecimento, independente de suas conseqüências, é igualmente valioso e que o progresso material é nosso direito. Tornamos-nos incapazes de resistir à sedução da tecnologia, do conforto e do ganho imediato. Sob esse ponto de vista, a crise ecológica é questão de discernir entre vida ou morte, benção ou maldição, e de aprender a escolher a vida.

Terceiro, precisamos reconhecer o fato de que o currículo moderno ensina muito sobre individualidade e direitos, mas pouco sobre cidadania e responsabilidade. A emergência ecológica somente pode ser resolvida quando um número suficiente de pessoas adquirir uma idéia mais ampla do que significa ser cidadão. Esse conhecimento precisa ser cuidadosamente adquirido em todos os níveis de ensino.

Não se trata apenas de um problema político e social. Hoje, deveríamos ver o quanto dependemos das comunidades mais amplas de seres vivos. Nossa linguagem política não sugere esta dependência. A palavra “patriotismo”, por exemplo, é destituída de conteúdo ecológico. É preciso que ela venha a significar o uso feito da terra, florestas, ar, água e vida selvagem. Abusar dos recursos naturais, desgastar o solo, destruir a diversidade natural, desperdiçar, tomar mais do que o necessário ou deixar de repor o que foi usado – tudo isso precisa, no futuro, ser considerado falta de patriotismo. É preciso que “política” volte a significar, como disse Vaclav Havel, “servir a comunidade e servir aqueles que virão depois de nós”.

Quarto, precisamos questionar o conceito amplamente difundido de que nosso futuro é de constante evolução tecnológica e que isso é bom. A fé na tecnologia permeia todo o currículo, aceitando cegamente a noção de progresso. Entretanto, esse progresso não é um caminho escolhido de forma consciente, mas uma crendice tecnológica que avança sem controle através da história. Essas crendices são incorporadas nos aos métodos pedagógicos, sem questionamento. Conhecer a linguagem do computador, por exemplo, transformou-se em meta nacional – incentivada em geral pelos vendedores. Esse fundamentalismo tecnológico precisa ser questionado. As mudanças tecnológicas estão nos levando para onde queremos? Qual é o efeito da tecnologia sobre nossa imaginação, em questões sociais, éticas e políticas? E qual é o seu efeito ecológico?

George Orwell tinha prevenido que o “fim lógico do progresso tecnológico é reduzir o ser humano a algo parecido com um cérebro encerrado em uma garrafa”. O pesadelo de Orwell está se transformando em realidade, graças também às pesquisas realizadas nas melhores universidades – pesquisas contrárias às nossas reais necessidades. Nossas necessidades são necessidades do espírito, mas nossa imaginação e criatividade concentram-se na matéria.

Um quinto desafio desponta no horizonte, solapando a mais antiga e confortável das premissas: que educação somente pode ter lugar em instituições “educacionais”. Escolas e universidades são caras, lentas, com pouca imaginação, oprimidas pelo peso da tradição e da autocongratulação. Oferecem currículos com disciplinas que pouco correspondem à realidade. A educação ecológica visa provocar uma mudança na ênfase, na lealdade, no afeto e nas convicções, para preencher a lacuna existente entre o homem e seu meio ambiente.

Trata-se menos de remendos no status quo do que de um rompimento com antigos conceitos, com a camisa-de-força dos currículos e até com o confinamento em salas de aula e prédios escolares.

Educação ecológica exige, antes de qualquer coisa, a reintegração da experiência no ensino, porque a experiência é um ingrediente indispensável ao raciocínio. Uma boa maneira para obter essa reintegração é utilizar o campus universitário como laboratório para o estudo de alimentos, energia, materiais, água e saneamento. A pesquisa do impacto ecológico de determinada instituição transforma questões abstratas complexas em dimensões compreensíveis – em escala que permite a busca de soluções. Isso representa um antídoto para o desespero sentido pelos alunos quando compreendem os problemas mas são incapazes de efetuar mudanças.

Precisamos ir além. O velho currículo foi elaborado com o objetivo de ampliar ao máximo o domínio do homem sobre a Terra. O novo currículo precisa ser organizado para desenvolver conhecimento ecológico e habilidade prática, essenciais para enquadrar as coisas em um mundo de micróbios, plantas, animais. O modelo ecológico vai cuidadosamente entrosar os objetivos humanos com o mundo natural, para orientar os objetivos humanos. O planejamento ecológico requer capacidade de olhar além das disciplinas, para ver o mundo no contexto mais amplo; requer ampliação do conhecimento ecológico – saber como a natureza trabalha – através de todo o currículo. Significa ensinar aos jovens os fundamentos daquilo que precisam saber para ampliar o horizonte, para criar uma civilização movida à luz solar; que utiliza energia e riquezas com grande eficiência; que preserva o solo, as florestas e a diversidade biológica, que desenvolve empresas locais e regionais sustentáveis; e que repara os danos infligidos à Terra durante toda a era industrial.

Mas, precisamos ir ainda mais longe. Chegou o momento de voltar a unir as disciplinas. Para tanto, sugiro que dediquemos parte do currículo, em todos os níveis, ao estudo de um aspecto ou lugar do nosso meio ambiente – um rio, montanha, vale, lago, solo, pântano, determinado animal, pássaros, o céu, a orla marítima ou até mesmo uma pequena cidade. Rios, montanhas, lagos são reais; disciplinas são abstratas. O que é real estimula todos os sentidos, não só o intelecto. O conhecimento curricular normalmente é isolado da realidade e muitas vezes é difícil relacioná-lo a realidades ecológicas concretas. Os alunos precisam aprender a apreciar, respeitar e, quem sabe, até mesmo amar uma parte específica do mundo, antes de adquirir o poder implícito no conhecimento puramente abstrato. Se o jovem compreende como o mundo funciona em um sistema integrado e por que esse conhecimento é importante para seus objetivos e seu estilo de vida, ele vai saber também como conseguir uma economia sustentável.

Defensores do currículo convencional acreditam que o domínio de uma disciplina, oferecendo conhecimento especializado, é um fim em si. Aconselho revertermos essa prioridade para colocar o conhecimento dentro de um contexto ecológico específico. Desta forma, vamos engajar todos os sentidos dos alunos, não apenas sua inteligência, para que se apaixonem pelo mundo natural. Podemos também ensinar as limitações do conhecimento a respeito de determinado aspecto da natureza – e este é o começo da sabedoria ecológica.

Educação ecológica requer também mudanças no funcionamento e nas prioridades de escolas e universidades, assim como no seu modo de operar. Por exemplo, na pesquisa mencionada, os alunos descobriram maneiras de reduzir custos, melhorar serviços, diminuir o impacto sobre o meio ambiente e ajudar a economia local. O princípio é simples: aquelas instituições que pretendem induzir os jovens a tornarem-se adultos responsáveis devem elas próprias mostrar responsabilidade pelo mundo que os jovens herdarão. Instituições de ensino muitas vezes medem seu desempenho pelo investimento por aluno ou pela porcentagem de docentes com Ph. D.. Do ponto de vista ecológico, temos outro conjunto de indicadores da qualidade:

1. Emissão de dióxido de carbono por aluno;
2. Porcentagem de materiais reciclados;
3. Porcentagem de material reciclado adquirido;
4. Uso de produtos tóxicos;
5. Porcentagem de energia renovável consumida;
6. Porcentagem de dejetos orgânicos transformados em adubo;
7. Quantidade de água usada por aluno;
8. Porcentagem de alimentos servidos na cantina, que foram cultivados organicamente;
9. Carne consumida por aluno.

Pensamos que o ensino é feito em edifícios, mas achamos que a construção e operação desses prédios nada têm a ver com educação. Isto é um erro. O currículo oculto na arquitetura acadêmica constitui uma espécie de pedagogia cristalizada, cheia de preconceitos relacionados ao poder, à maneira como as pessoas aprendem, como se relacionam com o mundo natural e como se relacionam uns com os outros. Existem, porém, oportunidades educacionais: o projeto ecológico abrange o paisagismo, a engenharia solar, a seleção dos materiais de construção, a escolha de materiais de consumo duráveis e recicláveis e a eliminação do lixo e dos dejetos.

Por fim, algumas palavras sobre o objetivo da educação ecológica. Na maioria das vezes, ouvimos que o ensino é útil porque aumenta as possibilidades de promoção e de ganhar a vida. Preparamos os jovens para aquilo que os orientadores chamam de “carreira”. Raramente mencionamos aquilo que era chamado de “vocação”. Sob uma perspectiva mais ampla, isto é tolice. Os alunos deveriam ser estimulados, antes de qualquer coisa, a descobrirem sua vocação: aquilo que lhes desperta paixão, que realmente gostariam de fazer. A vocação indica o que queremos fazer de nossa vida. A carreira é um plano friamente elaborado para obter segurança e um pouco de “prazer”. A carreira quase sempre se revela profundamente insatisfatória, não importando a renda. A vocação não é algo calculado, mas o resultado de uma conversa interior sobre aquilo que importa na vida e a contribuição que queremos dar a este mundo. A vocação começa como intuição. É arriscada. É mais inspirada do que premeditada. A carreira é um teste de QI; a vocação é um teste não somente da inteligência, mas também de sabedoria, caráter, lealdade e força moral. A pessoa sempre pode achar uma carreira dentro de sua vocação. É muito mais difícil encontrar, ao longo da vida, uma vocação na carreira. Quando a pessoa opta pela segurança, a sorte está lançada. Em última análise, a carreira é falta de imaginação e sinal de que achamos o mundo pobre em possibilidades.

Precisamos encorajar os jovens a encontrar em sua vocação um trabalho bom e necessário. O trabalho melhor e mais necessário no mundo atual procura, de mil maneiras, sintonizar os valores, as instituições, as expectativas e o comportamento humano com o respeito à Terra em que vivemos. Esta é hoje a tarefa da educação.”

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 Escolas para o século XXI

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Leni Riefenstahl: Fotos submarinas

Abaixo, uma linda coleção de fotos submarinas feitas pela artista Leni Riefenstahl:

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Superpopulação e eugenia

dna atwa Superpopulação e eugenia

Considerando as ameaças da superpopulação mundial, é vital procurar idéias hoje que possam diminuir o aniquilamento que virá amanhã. Obviamente, não será possível sustentar no ritmo de vida do homem de hoje uma população de 9 bilhões de pessoas na Terra em 2050. Aliado a isso, está comprovado que as massas são incapazes, voluntariamente, de se adequar e fazer a sua parte hoje pelo futuro. Quando o dia chegar em que não haverá comida, água e abrigo para todos, caberá àqueles que estiverem melhor adaptados decidir quem embarcará no barco da vida e quem será abandonado. As idéias são muitas, e todas merecem atenção.

 

Prof. José Roberto Goldim

Ao longo da história da humanidade, vários povos, tais como os gregos, celtas, fueginos (indígenas sul-americanos), eliminavam as pessoas deficientes, as mal-formadas ou as muito doentes.

O termo Eugenia foi criado por Francis Galton (1822-1911), que o definiu como:

“O estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja fisica ou mentalmente”.

Galton publicou, em 1865, um livro intitulado “Hereditary Talent and Genius”, onde defende a idéia de que a inteligência é predominantemente herdada e não fruto da ação ambiental. Parte destas conclusões ele obteve estudando 177 biografias, muitas de sua própria família. Galton era parente de Charles Darwin (1809-1882). Erasmus Darwin era avô de ambos, porém com esposas diferentes, Darwin descendeu da primeira, por parte de pai, e Galton da segunda, por parte de mãe. Darwin havia publicado “A Origem das Espécies” em 1858.

No seu livro, Galton propunha que “as forças cegas da seleção natural, como agente propulsor do progresso, devem ser substituídas por uma seleção consciente e os homens devem usar todos os conhecimentos adquiridos pelo estudo e o processo da evolução nos tempos passados, a fim de promover o progresso físico e moral no futuro”.

O argentino José Ingenieros publicou, em 1900, um texto, posteriormente divulgado como um livro, denominado “La simulación en la lucha por la vida”. Neste texto, incluem-se algumas considerações eugênicas, tais como:

“Por acaso, os homens do futuro, educando seus sentimentos dentro de uma moral que reflita os verdadeiros interesses da espécie, possam tender até uma medicina superior, seletiva; o cálculo sereno desvaneceria uma falsa educação sentimental, que contribui para a conservação dos degenerados, com sérios prejuízos para a espécie”.

Em 1908, foi fundada a “Eugenics Society” em Londres, primeira organização a defender estas idéias de forma organizada e ostensiva. Um de seus líderes era Leonard Darwin (1850-1943), oitavo dos dez filhos de Charles Darwin. Ele era militar e engenheiro. Em vários países europeus (Alemanha, França, Dinamarca, Tchecoslováquia, Hungria, Áustria, Bélgica, Suíça e União Soviética, dentre outros) e americanos (Estados Unidos, Brasil, Argentina, Peru) proliferaram sociedades semelhantes. Segundo Oliveira, a Sociedade Paulista de Eugenia foi a primeira do Brasil, tendo sido fundada em 1918.

Na edição de 1920, Ingenieros ressaltou, em nota de rodapé, que as suas opiniões haviam sido confirmadas pela rápida difusão das idéias eugenistas em diferentes partes do mundo.

O 1º Congresso Brasileiro de Eugenismo foi realizado no Rio de Janeiro, em 1929. Um dos temas abordado era “O Problema Eugênico da Migração”. O Boletim de Eugenismo propunha a exclusão de todas as imigrações não-brancas. Em março de 1931 foi criada a Comissão Central de Eugenismo, sendo o seu presidente Renato Kehl e o Prof. Belisário Pena um dos membros da diretoria. Os objetivos desta Comissão eram os seguintes:

1- Manter o interesse do estudo de questões eugenistas no país;

2- Difundir o ideal de regeneração física, psíquica e moral do homem;

3- Prestigiar e auxiliar as iniciativas científicas ou humanitárias de caráter eugenista que sejam dignas de consideração.

Em vários países foram propostas políticas de “higiene” ou “profilaxia social”, com o intuito de impedir a procriação de pessoas portadoras de doenças tidas como hereditárias e até mesmo de eliminar os portadores de problemas físicos ou mentais incapacitantes.

Vale lembrar que as idéias eugenistas alemãs se originaram do trabalho do Conde de Gobineau – “Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas” – publicado em 1854. Antes, portanto, das idéias darwinistas terem sido divulgadas e do termo “Eugenia” ter sido criado. O Conde de Gobineau esteve no Brasil, onde coletou dados. Neste ensaio foi feita a proposta da superioridade da “raça ariana”, posteriormente levada ao extremo pelos teóricos do nazismo Günther e Rosenberg nos anos de 1920 a 1937. Outro autor alemão, Gauch, afirmava que havia menos diferenças anatômicas e histológicas entre o homem e os animais, do que as verificadas entre um nórdico (ariano) e as demais “raças”. Isto acabou sendo objeto de legislação em 1935, através das “Leis de Nuremberg”, que proibiam o casamento e o contato sexual de alemães com judeus, o casamento de pessoas com transtornos mentais, doenças contagiosas ou hereditárias. Para casar era preciso obter um certificado de saúde. Em 1933 já haviam sido publicadas as leis que propunham a esterilização de pessoas com problemas hereditários e a castração dos delinquentes sexuais.

Jiménez de Asúa propunha que a Eugenia deveria se ocupar de três grandes grupos de problemas: a obtenção de uma descendência saudável (profilaxia), a consecução de matrimônios eugênicos (realização) e a paternidade e maternidade consciente (perfeição).

A profilaxia seria obtida através de ações tais como: combate às doenças venéreas, prostituição e pela caracterização do delito de contágio venéreo.

A realização ocorreria através de casais eugênicos e do reconhecimento médico pré-matrimonial.

A perfeição proporia meios para que fosse possível a limitação da natalidade, os meios anticoncepcionais, a esterilização, o aborto e a eutanásia.

Com o desenvolvimento das modernas técnicas de diagnóstico genético, do debate sobre os temas do aborto, da eutanásia e da repercussão da epidemia de AIDS, muitas destas idéias são discutidas com base em pressupostos eugênicos, sem que este referencial seja explicitamente referido.

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