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Madre de Dios: Urgência por ATWA na América do Sul

atwa madrededios Madre de Dios: Urgência por ATWA na América do Sul

Visitantes não são bem-vindos em Guacamayo – uma das maiores áreas de garimpo ilegal do mundo, tão grande que é visível do espaço. Esse ponto, em meio à densa Floresta Amazônica do Peru, marca o início de onde árvores, plantas e animais não são mais encontrados. A vida natural foi substituída por um vasto deserto, pontilhado com barracas cobertas com lonas de plástico azul, onde milhares de garimpeiros vivem. Estamos diante da corrida do ouro do século 21, que está destruindo rapidamente a região conhecida como Madre de Dios (Mãe de Deus) da Amazônia, na região sudeste do Peru, que abriga a mais rica biodiversidade da Terra.

Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente do Peru, estima-se que cerca de 10 mil garimpeiros ilegais já depredaram mais de 18 mil hectares da floresta virgem, despejando no processo cerca de 40 mil toneladas de mercúrio por ano sobre a terra e os rios da região. E tudo isso pela corrida do ouro, que abastece mercados europeus como Londres e Zurique.

Guacamayo representa a maior operação de garimpagem ilegal em Madre de Dios, embora inúmeros outros locais tenham surgido recentemente. A região, que nasceu há apenas três anos, ocupa hoje cerca de 155 quilômetros quadrados, crescendo a cada dia. Isso tudo acontece além das concessões de mineração legais, cujo número, de acordo com os sindicatos de mineiros, saltou de 500 em 2004 para mais de 2.600 hoje. O valor do ouro, que duplicou nos últimos dois anos e está em um recorde de alta atualmente, alimenta essa febre – uma conseqüência dos receios dos investidores sobre a crise econômica mundial.

Uma nova estrada que cortou um trecho enorme desse território uma vez inacessível está permitindo toda essa atividade. Os 1.600 quilômetros da Rodovia Transoceânica conectam os portos fluviais da Amazônia do Brasil com os portos do Oceano Pacífico do Peru. Após 40 anos de planejamento e construção, a estrada foi finalmente inaugurada em dezembro de 2010, acompanhando a alta do ouro e o aumento da exploração ilegal do minério. A rodovia é vista como o projeto do século da infra-estrutura da América do Sul. Mas ela representa a morte para o meio ambiente local, e desencadeou uma onda de exploração de terra e corrupção.

A Rodovia Transoceânica tornou muito mais fácil trazer os suprimentos essenciais exigidos para a extração do ouro: gasolina, tratores, escavadoras pesadas, e o mercúrio usado para separar a areia do metal precioso. O mercúrio, altamente tóxico, é importado dos Estados Unidos e da Espanha, e é vendido abertamente em lojas. Assim como o Ministério do Meio Ambiente do Peru, organizações ambientais estimam que mais de 40 mil toneladas do produto sejam despejadas todos os anos na região, poluindo rios a ponto de o dano ser irreparável.

Anteriormente, grande parte da região de Madre de Dios poderia ser alcançada somente por pequenas embarcações. Mas a nova rodovia vai causar a mesma trilha de destruição que foi deixada no Brasil, quando a seção foi concluída em 1980. Os efeitos no Peru, porém, serão gritantes. Madre de Dios é a fonte da Amazônia, a bacia superior, onde tudo nasce. O modo como as sementes são dispersas, e os peixes que se deslocam para essa região para se reproduzir, são a base do ciclo de nutrientes. Se Madre de Dios desmoronar, tudo vai desmoronar – inclusive no Brasil.

Portanto, resgatar Madre de Dios é uma urgência por ATWA. Trata-se de um reflexo perfeito das ações humanas em todos os níveis da vida: a economia mundial (humana), a falta de visão (humana) com relação à ordem natural, a ignorância alarmante das massas (humanas), e o sistema explorador chamado por alguns (humanos) de “progresso”. E tudo isso retorna para ATWA.

Brasileiros, servidores da natureza nos Estados Unidos do Brasil: vocês têm o problema e a solução.

Abaixo, algumas imagens de Guacamayo, em Madre de Dios:

 Madre de Dios: Urgência por ATWA na América do Sul

© 2011 ATWA Brasil


Antropoceno: O karma da humanidade em ação

atwa antropoceno Antropoceno: O karma da humanidade em ação

A humanidade pode estar no alvorecer de uma nova era: os seres humanos têm feito enormes mudanças sem precedentes no planeta, e com isso podem ter inaugurado um novo período da história geológica. A chegada do período Antropoceno pode incluir a sexta extinção em massa da história da Terra.

Através da poluição, crescimento populacional, urbanização, viagens, mineração e utilização de combustíveis fósseis os seres humanos alteraram o planeta de maneiras que serão sentidas pelos próximos milhões de anos. Cientistas temem que a humanidade tenha causado danos que levarão à sexta extinção em massa da história da Terra, com milhares de plantas e animais sendo exterminados nos próximos anos.

A nova época, apelidada de Antropoceno – significando “novo homem” – seria o primeiro período do tempo geológico da Terra moldado pela ação de uma única espécie. Embora o termo tenha sido usado informalmente entre os cientistas há mais de uma década, ele passou agora a ser considerado como um termo oficial.

Um novo grupo de trabalho de peritos já foi estabelecido para reunir todas as provas que corroborassem a reconhecer o Antropoceno como o período sucessor do Holoceno, em que vivemos atualmente. Os cientistas irão considerar as mudanças que as atividades humanas trouxeram para a biodiversidade terrestre e para a estrutura das rochas, bem como o impacto de fatores como a poluição e a extração mineral.

Eles concluem: “O Antropoceno representa uma nova fase na história tanto da humanidade como da Terra, quando as forças naturais e as forças humanas se tornaram interligadas, de modo que o destino de um determina o destino do outro. Geologicamente, este é um episódio marcante na história deste planeta”.

Dr. Jan Zalasiewicz, co-autor do relatório, acrescentou: “Sugere-se que estamos na linha de produção de uma extinção em massa catastrófica para rivalizar com as cinco grandes perdas de espécies e organismos no passado da Terra”.

Não há dúvidas: o karma da humanidade está em ação. O ciclo contínuo do todo da vida está retornando, e foram as ações humanas que aceleraram os ponteiros dos relógios.

O sábio mártir Charles Manson diz: “ATWA não são pessoas. ATWA é ar, árvores, água e animais trancados em zoológicos”.

Em outras palavras, a ordem não é o homem, mas o sistema de suporte de vida do nosso planeta. É o todo da vida, do qual nós fazemos parte. Nós somos parte do todo, e não gerenciadores do todo. É o resultado do coletivo das nossas ações que está nos destruindo, porque as nossas ações vão além dos limites que o mundo nos reservou. Pensar como ATWA é pensar em todas as vidas como uma única vida – é abandonar a ética antropocêntrica que está enraizada em nós. Esse é o caminho para resgatar do caos o que é perfeito!

Para ler o artigo original, clique aqui

 Antropoceno: O karma da humanidade em ação

© 2010 ATWA Brasil