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Aranhas: Aliadas espirituais de ATWA

atwa aranhas Aranhas: Aliadas espirituais de ATWA

“Eu pensei uma vez que até uma aranha tem uma teia, e então eu encontrei uma aranha cega que só pulava, e não tinha um amigo e não tinha nada. Qualquer coisa que cruzasse seus sentimentos era atacada, picada, e comida. Elas são tão espertas, podem andar nos bolsos das trevas até chegar aos olhos de um homem e picá-lo. Os detentos as odeiam. Elas são minhas amigas espirituais, e eu aprendi que se você não entrar no espaço delas elas não entrarão no seu”.

- Charles Manson

 Aranhas: Aliadas espirituais de ATWA

© 2012 ATWA Brasil


ATWA e os poderes dos animais

atwa poderanimais ATWA e os poderes dos animais

Os poderes dos animais são intensos e reais. No entanto, eles não são valorizados ou mesmo reconhecidos pela sociedade moderna como tendo algum valor ou significado. Na verdade, eles são geralmente descartados como mera superstição. Aqueles que reivindicam respeito a essas qualidades inerentes (que alguns chamam de dons e bênçãos dos animais) são rotulados de várias formas como primitivos, pagãos, bruxos, xamãs, desviantes sociais, e pervertidos – sexualmente e espiritualmente. Em outros casos, são rotulados simplesmente de insanos.

Pessoas que apreciam os poderes dos animais, muitas vezes subliminarmente, não apenas sonham com certos animais, mas também os reverenciam. Elas veneram esses animais porque eles fazem parte da totalidade e da santidade divina da criação. Que algumas criaturas são domesticadas e vistas como criações humanas importa muito pouco, porque sua santidade permanece, exceto para aqueles que continuam a percebê-los de outra forma.

Um mito celta fala o seguinte: “Aquele que beijar uma salamandra não será ferido pelo fogo”. Esse fragmento folclórico refere a uma época quando os seres humanos viviam muito mais próximos da natureza, como as comunidades rurais e os caçadores-coletores da velha Europa. Nesse caso, beijar uma salamandra não se tratava de uma busca pelo poder que o homem poderia vir a alcançar, mas sim de um simples ato de reverência e adoração. Em outras palavras, apenas os cegos irão se importar se o beijo da salamandra é refutado cientificamente ou medicamente. A diferença entre a realidade material e realidade e espiritual é uma questão de grau, e não de natureza ou racionalidade. Mas essa questão, que é intuitiva e empática, é rejeitada como ilusória – o mundo dualista da ciência cartesiana e da medicina mecanicista.

Os poderes da natureza – das rochas, das árvores, dos animais – foram muito celebrados por nossos antepassados. Eles eram certamente mais sensatos, mas não mais primitivos do que nós. Eles não almejavam o poder de controlar e explorar a vida e seus processos e elementos como nós, os supostamente “mais civilizados”, fazemos. Mas por quê? Talvez porque eles fossem menos inseguros, menos numerosos do que nós, e certamente não dependentes da tecnologia para desesperadamente explorar os recursos que a natureza oferece.

Alguns se referem a essa época dos nossos antepassados como a nossa Era Dourada. Foi durante essa época, quando os seres humanos eram essencialmente caçadores-coletores, que inicialmente se reconheceu o poder dos animais e da natureza – bênçãos e dons transmitidos de uma geração para a outra em mitos e lendas, posteriormente romanceados, analisados objetivamente, e descritos como paganismo, como animismo supersticioso, como totemismo primitivo, irracional e sem sentido.

Nos dias de hoje, retornar a essa visão de mundo ancestral de respeito e reverência pelos poderes, bênçãos e dons dos animais é se tornar um herege, um seguidor da ideologia e idolatria pagã e, portanto, um adorador do Diabo. Mas o Diabo é Pã, o deus pagão de chifres que vigia as criaturas selvagens, e que ataca aqueles que estão separados da ordem natural e que, portanto, temem tudo o que é selvagem (incivilizado), bestial (subumano), e aparentemente irracional.

Os animais incorporam a qualidade de autenticidade, o seu reino servindo de espelho da nossa própria falta do mesmo, refletindo nossos artifícios, ilusões e egoísmos. Começar a entender e aceitar as cobras e aranhas e ver sua divindade intrínseca e seu lugar dentro do todo da vida é começar a aceitar a si mesmo. Mas algumas crianças são ensinadas a ter medo, desprezo, e a destruir tais criaturas. Raramente elas aprendem a reverenciar e compreender profundamente os animais. Por conseguinte, o seu próprio lugar dentro do todo não pode ser realizado.

Os animais expressam emoções de forma muito similar aos nossos sentimentos e modos de expressão. Eles gritam e se contorcem quando sentem dor, e fecham os olhos com profunda satisfação de contentamento. Nós também, e nessa troca de estados subjetivos e modos de expressão, os animais refletem nossa própria natureza animal.

Quanto mais claramente observamos esse espelho, limpo das cinzas do karma e do egoísmo humano, maior é o nosso acesso aos poderes dos animais. E se fosse para olhar para os animais refletidos nesse espelho, o que veríamos? O poder e a aura ártica do urso polar, a vontade e a sabedoria do lobo, a agilidade e a consciência do veado. Mas quando olhamos para nós mesmos nesse espelho, o que vemos? Devemos pensar seriamente nisso.

Ao utilizar os poderes dos animais, podemos reaprender a sermos nós mesmos, autênticos e naturais. Quando comparamos a graça, a perfeição e a dignidade dos animais com a nossa própria imagem, vemos a dissonância e contemplamos a realidade da nossa inferioridade.

 ATWA e os poderes dos animais

© 2010 ATWA Brasil


21 de junho: O dia dos solstícios

atwa solsticio1 21 de junho: O dia dos solstícios

O Sol atingiu hoje, às 8h28, o ponto mais ao norte de sua trajetória no céu.

O dia de hoje (21 de junho) marca o Solstício de Inverno para nós no hemisfério sul. Trata-se de um fenômeno astronômico usado para marcar o inicio do inverno.

O Solstício de Inverno ocorre quando o Sol atinge a maior distância angular em relação ao plano que passa pela linha do equador, ou seja, o afastamento máximo do astro em relação a nós. Marca também o dia mais curto do ano no hemisfério sul – isso é, com menos horas de luz natural por aqui. Em São Paulo, o Sol nasceu às 6h47 e vai e pôr às 17h28.

A partir de agora, o Sol começa a voltar em nossa direção, até atingir sua altura mais meridional em dezembro, quando teremos o Solstício de Verão.

A data era de grande importância para diversas culturas antigas, que de um modo geral a associavam simbolicamente às aspectos como o nascimento ou renascimento. Muitas festas tradicionais surgidas na Europa (e disseminadas pelo restante do mundo com a expansão da civilização ocidental) estão ligadas ao ciclo do analema, como a Páscoa, o Natal e diversas celebrações pagãs.

Para quem mora acima do equador, isso tudo se inverte. Com o Sol alto no céu hoje, os povos do hemisfério norte comemoram o Solstício de Verão.

Os solstícios de 2010

Milhares de neopagãos dançaram e saltaram em alegria nesta segunda-feira quando o Sol se elevou sobre o círculo de pedras de Stonehenge, na Inglaterra, marcando o Solstício de Verão do hemisfério norte. Na Bolívia, índios aimará celebraram seu ano novo, que coincide com o Solstício de Inverno do hemisfério sul.

Cerca de 20 mil pessoas lotaram o local pré-histórico em Salisbury, no sul da Inglaterra, para ver o alvorecer às 4h52, hora local, após uma tradicional festa que já havia durado a noite inteira. O evento costuma atrair milhares de participantes com estilos de vida alternativos, que aguardam a aurora na Pedra do Calcanhar, um pilar localizado do lado de fora do círculo. Enquanto o Sol de erguia, uma mulher escalou uma das pedras do círculo e tocou uma corneta de chifre, dando as boas-vindas ao dia mais longo do ano para o hemisfério norte. Tambores, pandeiros e gritos reverberavam ao fundo.

Na Bolívia, milhares de devotos celebraram o Solstício de Inverno, também conhecido pelos índios aimará como Willka Kuti, ou Retorno do Sol. Próximo ao lago Titicaca, Tiwanaku é um dos pontos magnéticos que atraem peregrinos de todos os cantos do mundo. “Os habitantes do norte festejam o nascimento de Jesus e o ano-novo do calendário gregoriano”, diz Dom Lucas, presidente do Conselho de Amautas (sábios) de Tiwanaku. “O início do ano sempre coincide com o começo do inverno, quando a terra está descansando, preparando- se para um novo ciclo. Por isso, aqui no sul, celebramos o Willka Kuti no final de junho”. Os incas de Cuzco também marcavam essa data com a Festa do Sol, o Inti Raymi. O festival Inti Raymi moderno recomeçou em 1944 e vinculou a efeméride natural com o dia de São João, em 24 de junho.

Feliz Solstício!

Abaixo, imagens do Solstício de Inverno do hemisfério sul e do Solstício de Verão do hemisfério norte nesse ano de 2010:

 21 de junho: O dia dos solstícios

© 2010 ATWA Brasil


Árvores de Natal: Perder ou perder?

natal Árvores de Natal: Perder ou perder?

Uma Breve História das Árvores de Natal

A origem da árvore de Natal é mais antiga que o próprio nascimento de Jesus Cristo, ficando entre o segundo e o terceiro milênio AC. Naquela época, uma grande variedade de povos indo-europeus que estavam se expandindo pela Europa e Ásia consideravam as árvores uma expressão da energia de fertilidade de ATWA, ou a Mãe Natureza. Por isso lhes rendiam culto. A árvore era um símbolo pagão de adoração à natureza, em festas relacionadas principalmente a solstícios – o ciclo contínuo da vida.

O carvalho foi, em muitos casos, considerado a rainha das árvores. No inverno, quando suas folhas caíam, os povos antigos costumavam colocar diferentes enfeites nele para atrair o espírito da natureza, que se pensava que havia fugido.

Mas essa origem têm pouco haver com as árvores de hoje. A árvore de Natal moderna surgiu na Alemanha, e suas primeiras referências datam do século 16. Foi a partir do século 19 que a tradição chegou à Inglaterra, França e Estados Unidos. Depois, já no século 20, virou tradição na Espanha e na maioria da América Latina – incluindo o Brasil.

Árvores de Natal e a Sociedade Consumista

Desde a globalização das árvores de Natal, essa prática que nasceu como uma reverência a ATWA se tornou apenas mais uma mera indústria – mais um mercado de exploração. O sentido foi rapidamente perdido. A profundidade da falta de consciência é tamanha que poucos sabem hoje o significado das árvores de Natal. Alguns associam a Jesus Cristo, obviamente. Outros pensam somente como uma peça de decoração. Outros a vêem apenas como o objeto que dá sombra aos presentes – mais um crime contra o espírito de ATWA. Tudo caminhou em paralelo à adoração do Deus Dinheiro, e assim tudo foi perdido.

Nesse contexto contemporâneo, vale entender o paradoxo e o peso dessas decisões. Criou-se uma situação insustentável, em que ter uma árvore de Natal é dificilmente um bem para ATWA, a simplicidade da vida.

Para ilustrar essa questão, vale considerar a cultura de Natal dos Estados Unidos, que foi exportada para a América Latina – com o Papai Noel vermelho da Coca-Cola, a árvore com luzes e às vezes coberta de neve, etc. É em grande parte o Natal americano que nós comemoramos no Brasil.

De acordo com um recente estudo da Universidade de Illinois, são cortadas aproximadamente 31,3 milhões de árvores todos os anos para enfeitar os lares americanos. Outras pesquisas passadas afirmam que esse número varia entre 33 e 36 milhões. Esse é um mercado enorme nos Estados Unidos, que foi aberto em 1850, quando árvores de Natal passaram a ser vendidas comercialmente. Até recentemente, todas as árvores de Natal eram cortadas de florestas naturais. Com a destruição do que restava das florestas americanas, passou-se então a produzir árvores de Natal para o corte. Plantar para matar. Em 2009, uma árvore de Natal nos Estados Unidos custa em média 41,50 dólares. Isso significa que algo em torno de 1,3 bilhões de dólares foram gastos em 2009 para enfeitar os lares americanos. Agora pense na competição em Copenhague sobre quem gastaria mais ou menos, todos regulando migalhas para tentar resgatar ATWA. O que poderia ser feito para balancear o desmatamento ou a destruição de habitat com 1,3 bilhões de dólares anuais?

No Brasil, essa questão caminha em paralelo com outro paradoxo: as árvores de Natal artificiais. Alguns consideram essas árvores uma solução para o assassinato generalizado de árvores na época do Natal, mas a verdade passa longe disso. Trata-se hoje de um caso de perder ou perder quando se fala de árvores de Natal.

No mundo, existe o embate evidente do interesse econômico entre produtores de árvores naturais e os vendedores das artificiais, como uma forma de concorrência, sobre a qual podemos encontrar milhares de páginas na Internet. Essa concorrência é clara para qualquer brasileiro, porque o sentimento por trás da compra da árvore é puramente material – o respeito por ATWA parece ter morrido. No sul do Brasil, por exemplo, temos magníficas coníferas plantadas nos jardins sem nenhuma decoração, tendo ao seu ao lado a artificialidade do resíduo (ou popularmente lixo) das árvores feitas de garrafas PET ou outros “plásticos”, induzindo um falso respeito e que este plástico não vai logo após o Natal virar resíduo ou lixo novamente.

Nessa competição entre perder e perder, no Brasil parece que as árvores de lixo venceram. Em uma breve pesquisa na Internet, usando as palavras “plantio de árvore de Natal natural”, encontra-se meia dúzia de sites, e a mais recente matéria é de um produtor que espera vender, de árvores plantadas tipo Tuia, no Paraná, algo em torno de 100 mil reais este ano, o equivalente a umas 5 mil unidades. Nossos artesanatos de garrafas PET são úteis, devem ser estimulados, mas não resolvem o fim do PVC, que volta a ser plástico com dificuldade de eliminação natural.

Enfim, o paradoxo é esse: plantar para matar, ou simplesmente poluir? Não existe vitória ou honra nessa guerra. O homem parece ser capaz de plantar uma árvore se ela for convertida em dinheiro, mas incapaz de fazê-lo por ele mesmo e pela Terra. Árvores de lixo? O lixo não deixa de ser lixo, e lixo nós temos mais do que somos capazes de lidar. Um símbolo de vida foi transformado em apenas mais um mercado, e é simples assim como chegamos onde estamos. Podemos orar, pregar e nos emocionar, mas estamos de joelhos diante do Deus Dinheiro.

Que o plástico das árvores artificiais continue com os bons produtores chineses ou coreanos e que agricultores brasileiros sejam estimulados a plantar e plantar florestas, inclusive para o Natal. Seria o mínimo para fazer do Natal uma verdadeira comemoração.

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© 2009 ATWA Brasil