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[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (4)

Abaixo, a quarta postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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A suposta “humanidade” dos nossos contemporâneos (em comparação com seus antepassados) é apenas uma falta de coragem ou falta de sentimentos fortes – um aumento de covardia, ou uma crescente apatia.

O homem moderno é escrupuloso sobre as atrocidades – até mesmo sobre a brutalidade comum, sem imaginação – apenas quando os objetivos para os quais as ações atrozes ou simplesmente brutais são executadas são odiosas ou indiferentes com relação a ele. Em quaisquer outras circunstâncias, ele fecha os seus olhos para quaisquer horrores – especialmente quando ele sabe que as vítimas nunca podem retaliar (como é o caso com todas as atrocidades cometidas pelo homem contra os animais, para qualquer fim que seja), e ele exige, no máximo, que não seja lembrado delas com muita frequência ou convicção. Ele reage como se houvesse classificado as atrocidades sob duas categorias: as “inevitáveis” e as “evitáveis”. As “inevitáveis” são aquelas que servem ou deveriam servir para a finalidade do homem moderno – em geral: “o bem da humanidade” ou o “triunfo da democracia”. Elas são toleradas, ou melhor, justificadas. As “evitáveis” são aquelas que são ocasionalmente cometidas, ou supostamente cometidas, por pessoas cujo objetivo é alheio ao seu. Só elas são condenadas, e seus autores reais ou supostos – ou inspiradores – são marcados pela opinião pública como “criminosos contra a humanidade”.

Quais são, afinal, os sinais dessa suposta “humanidade” maravilhosa do homem moderno, de acordo com aqueles que acreditam no progresso? Já não temos hoje em dia – eles dizem – as execuções horríveis dos tempos antigos; traidores não são mais “enforcados e esquartejados”, como era costume na gloriosa Inglaterra do século XVI; qualquer coisa que se aproxime da crueldade da tortura e execução de François Damien, na praça central de Paris, diante de milhares de pessoas vindas com o propósito de vê-lo, em 28 de maio de 1757, seria impensável na França moderna. O homem moderno também não defende a escravidão, nem ele (em teoria, pelo menos) justifica a exploração das massas sob qualquer forma. E suas guerras – até mesmo suas guerras, monstruosas como podem parecer, com seus aparatos elaborados de máquinas demoníacas – estão começando a admitir, no seu código (ou assim se diz), certa quantidade de humanidade e justiça. O homem moderno é horrorizado pelo simples pensamento sobre os hábitos dos povos antigos durante períodos de guerra – como o sacrifício de doze jovens troianos sob o herói grego Pátroclo, para não falar dos menos antigos, mas mais atrozes sacrifícios dos prisioneiros de guerra do deus da guerra asteca, Huitzilopochtli (mas os astecas, apesar de relativamente modernos, não eram cristãos, nem, pelo que sabemos, crentes no progresso como um todo). Finalmente – dizem – o homem moderno é mais amável, ou menos cruel, com relação aos animais do que seus antepassados eram.

Uma enorme quantidade de preconceito em favor de nosso tempo pode permitir que pessoas sejam conquistadas por tais falácias.

Certamente, o homem moderno não “defende” a escravidão; ele a denuncia com veemência. Mas ele a pratica, no entanto – e em maior escala do que nunca, e com muito mais planejamento do que os antigos jamais poderiam – tanto no Ocidente capitalista como nos trópicos, ou (do que se ouve fora de seus muros impenetráveis) mesmo no único Estado que supostamente é, hoje, o “paraíso dos trabalhadores”. Existem diferenças, claro. Na Antiguidade, até mesmo o escravo tinha horas de lazer e alegria que eram propriedade dele; ele tinha seus jogos de dados, à sombra das colunas do pórtico de seu mestre, suas piadas grosseiras, suas conversas, sua vida livre fora de sua rotina diária. O escravo moderno não tem o privilégio da vadiagem, de estar totalmente despreocupado, nem que seja por meia hora. Seu suposto lazer é cheio de entretenimento compulsório, tão exigente e muitas vezes tão triste quanto o seu trabalho, ou – na “terra da liberdade” – envenenado por preocupações econômicas. Mas ele não é abertamente comprado e vendido. Ele é apenas tomado. E tomado não por um homem que, de alguma forma, é pelo menos superior a si mesmo, mas por um gigantesco sistema impessoal, sem qualquer corpo para se chutar, ou uma alma para amaldiçoar, ou uma cabeça para responder por suas ofensas.

E da mesma forma, antigos horrores certamente desapareceram dos registros dos chamados homens civilizados, com relação à justiça e às guerras. Mas novos e piores horrores, desconhecidos nos tempos “bárbaros”, apareceram em seu lugar. Um exemplo simples é arrepiador o suficiente para comprovar isso. O julgamento prolongado não de criminosos, não de traidores, nem regicidas, nem magos, mas dos melhores personagens líderes da Europa; a sua condenação injusta, depois de meses e meses de todo os tipos de humilhação e tortura sistemática moral; e o seu enforcamento final, da forma mais lenta e cruel possível – aquela farsa sinistra, encenada em Nuremberg, em 1945-1946 (e 1947) por um bando de covardes e hipócritas vitoriosos, é incomensuravelmente mais nojenta do que todos os sacrifícios humanos de pós-guerra do passado unidos em um, inclusive aqueles realizados de acordo com o conhecido ritual mexicano. Porque pelo menos lá, por mais doloroso que possa ter sido o processo tradicional de matar, as vítimas eram francamente levadas à morte para o deleite do deus tribal dos vencedores e dos próprios vencedores, sem qualquer pretensão macabra de estabelecer “justiça”. E eles eram, aliás, escolhidos de todas as fileiras de combatentes capturados, e não malignamente selecionados da elite do seu povo. Nem a elite do povo vencido representava, na maioria dos casos – como de fato ocorreu no julgamento da vergonha dos nossos tempos progressivos – a própria elite do seu continente.

Quanto às atrocidades impensáveis como as que ocorreram na França e na Espanha, e em muitos outros países a partir da Idade Média, pode-se encontrar um grande número de episódios da recente guerra civil espanhola – para não mencionar o registro não menos impressionante dos horrores realizados, ainda mais recentemente, pelos “heróis” da resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial – que são tão horríveis quanto e, muitas vezes, ainda piores.

Curiosamente – embora eles digam que “odeiam essas coisas” – um número considerável de homens e mulheres de hoje, quando falta a coragem para cometer atos horríveis, pessoalmente, parecem estar dispostos como sempre a assisti-los sendo realizados ou, pelo menos, a pensar sobre e regozijá-los, apreciando-os de forma indireta, se negado o prazer mórbido de ver. Essas são as pessoas que, na Inglaterra moderna, se unem diante das portas da prisão sempre que um homem está para ser enforcado, esperando só Deus sabe que tipo de emoção doentia pelo simples fato de ler o anúncio de que “a justiça foi feita” – pessoas que, se apenas dadas uma oportunidade, correriam para assistir uma execução pública, ou melhor, uma queima pública de bruxas ou hereges, com certeza tão rapidamente quanto seus antepassados uma vez fizeram. Esses também são os milhões de pessoas, considerados “civilizados” e aparentemente bondosos, que se revelam de forma tão clara logo que uma guerra eclode, ou seja, tão logo eles se sentem incentivados a mostrar o tipo mais repugnante de imaginação nas descrições competitivas sobre o que “infligiriam” aos líderes do inimigo, se ele – ou mais frequentemente ela – tivesse irrestrita liberdade para agir. Tais são, no fundo, aqueles que tripudiam sobre o sofrimento do inimigo morto após uma guerra vitoriosa. E são milhões deles: milhões de selvagens vicários, desprezíveis e ao mesmo tempo cruéis, a quem os guerreiros da chamada idade do “barbarismo” teriam completamente desprezado.

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 [Savitri Devi   O Relâmpago e o Sol] (4)

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[Savitri Devi - "O Relâmpago e o Sol"] (3)

Abaixo, a terceira postagem da tradução em desenvolvimento do livro “O Relâmpago e o Sol”, de Savitri Devi – cortesia da ATWA Brasil.

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Ainda permanecem os argumentos sobre a “tolerância religiosa” dos nossos tempos e a nossa “humanidade” em comparação com a “barbárie” do passado. Duas piadas, para dizer o mínimo!

Recordando alguns dos horrores mais espetaculares da história – a queima de “hereges” e “bruxas” nas fogueiras, o massacre indiscriminado de “pagãos”, e outras manifestações não menos repulsivas do que a civilização cristã na Europa, como a conquista da América, de Goa, e de outros lugares – o homem moderno é cheio de orgulho quanto ao “progresso” realizado, em uma linha, pelo menos, desde o fim da idade das trevas do fanatismo religioso. Por pior que sejam os nossos contemporâneos, eles pelo menos deixaram de cultivar o hábito de torturar as pessoas para tais “insignificâncias”, como a concepção da Santíssima Trindade ou as suas ideias acerca da predestinação e do purgatório. Esse é o sentimento do homem moderno – porque as questões teológicas perderam toda a importância nas suas vidas. Mas nos dias em que as igrejas cristãs perseguiam umas às outras e incentivavam a conversão das nações pagãs, por meio de sangue e fogo, ambos os perseguidores e os perseguidos, os cristãos e aqueles que queriam se manter fiéis aos credos não-cristãos, encaravam essas questões como vitais de uma maneira ou de outra. E a verdadeira razão porque ninguém é condenado à tortura nos dias hoje pelas suas crenças religiosas não é que a tortura, como tal, tenha tornado-se desagradável para todos, na civilização “avançada” do século XX, e não que os indivíduos e os Estados se tornaram “tolerantes”, mas apenas porque, entre aqueles que têm o poder de infligir dor, quase ninguém tem qualquer interesse vívido e fundamental na religião, e muito menos na teologia.

A suposta “tolerância religiosa” praticada pelos Estados modernos e seus indivíduos brota de qualquer outro pensamento, exceto uma inteligente compreensão e amor por todas as religiões como expressões simbólicas das poucas verdades essenciais e eternas – como a tolerância hindu faz, e sempre fez. Essa suposta “tolerância” é, em vez disso, resultado de um desprezo grosseiramente ignorante sobre todas as religiões; de uma indiferença para com as verdades que vários de seus fundadores se esforçaram para afirmar, vez após vez. Isso não é tolerância de forma alguma.

Para avaliar até que ponto os nossos contemporâneos têm ou não o direito de se vangloriar de seu “espírito de tolerância”, o melhor é observar seu comportamento para com aqueles a quem eles decididamente olham como os inimigos de seus deuses: os homens que, por acaso, têm pensamentos contrários aos deles não com relação a alguma ladainha teológica, em que eles mesmos não estão interessados, mas com relação a alguma ideologia política ou sócio-política que eles vêem como “uma ameaça à civilização” ou como “o único credo pelo qual a civilização pode ser salva.” Ninguém pode negar que, em todas as circunstâncias, e especialmente em tempos de guerra, todos eles realizam – na medida em que eles têm o poder – ou justificam – na medida em que eles não têm, eles próprios, a oportunidade de realizar – ações que em todos os aspectos são horríveis como as que foram encomendadas, realizadas, ou toleradas no passado, em nome de diferentes religiões. A única diferença é, talvez, que as modernas atrocidades a sangue frio só se tornam conhecidas quando os poderes ocultos em controle dos meios de condicionamento do rebanho – da imprensa, do rádio e do cinema – decidem, para fins nada “humanitários”, que elas deveriam ser; ou seja, quando são atrocidades do inimigo, e não deles mesmos – e nem dos seus “corajosos aliados” – e quando a sua história é, portanto, considerada como “boa propaganda”, no sentido da subseqüente onda de indignação que se espera criar e do novo incentivo que se espera dar aos esforços de guerra. Além disso, depois de uma guerra, realmente travada ou supostamente travada por uma ideologia – o equivalente moderno dos amargos conflitos religiosos do passado – os horrores com ou sem razão que teriam sido perpetrados pelos derrotados são os únicos a serem transmitidos para todo o mundo, enquanto os vitoriosos tentam o máximo possível fingir que o seu Alto Comando nunca fechou os olhos diante de quaisquer horrores semelhantes. Mas na Europa do século XVI, e antes; e entre os guerreiros do Islã, envolvidos na “Jihad” contra os homens de outras religiões, cada um dos lados estava bem ciente dos atrozes meios utilizados, não apenas pelos seus adversários para os seus “fins sórdidos”, mas também por seu próprio povo e pelos seus próprios líderes, a fim de “extirpar a heresia”, ou para “enfrentar o papado”, ou “pregar o nome de Allah aos infiéis”. O homem moderno é mais um covarde moral. Ele quer as vantagens da intolerância violenta – que é natural – mas ele foge das responsabilidades da mesma. Progresso, também.

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Belo Monte: Brasil e sua autodestruição

atwa belomonte Belo Monte: Brasil e sua autodestruição

Na semana passada (dia 26), o líder eleito pelo povo brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assinou o contrato de concessão da Usina de Belo Monte, que será construída no Rio Xingu, no Pará. Ao fazê-lo, ele assumiu o papel de líder esperado por aqueles que o elegeram: “O que está acontecendo hoje aqui é o fim de um período em que as pessoas tinham medo de governar”, disse o presidente. Depois de 30 anos de críticas, com escândalos variando de obras superfaturadas a crimes ambientais e contra a vida, o Brasil aceitou dar mais um passo a caminho da sua autodestruição – com aval do povo brasileiro.

A usina de Belo Monte, que será a segunda maior do Brasil, atrás apenas da binacional Itaipu, e custará pelo menos R$ 19 bilhões (sem contar todos os roubos pelo caminho), vai ser um desastre ambiental. A construção vai aniquilar o Rio Xingu e aqueles que dependem dele para sobreviver, humanos e não-humanos. Mas para as mentes de dinheiro, essas preocupações não passam de obstáculos a serem atropelados. Pouco eles sabem, mas a cova que estão cavando também lhes pertence.

O ex-secretário de meio ambiente de São Paulo, Walter Coronado Antunes, descreveu o projeto como o “pior projeto de engenharia da história de represas hidrelétricas do Brasil e talvez do mundo”. A população que depende do Rio teme a seca na Volta Grande, local habitado por índios. Isso porque a água terá seu curso desviado para um reservatório, uma área que será alagada, e com isso a vazão será reduzida por um trecho de 100 quilômetros.

Os danos materiais dessa obra serão contabilizados no futuro. Mas o resultado desse golpe contra a vida será conhecido tarde demais, quando ATWA responder aos crimes humanos contra toda a natureza. Nessa guerra, não há vitória a ser conquistada pelos homens.

Do lado do respeito à vida, uma forte mobilização da parte dos índios irá acontecer. As lideranças das aldeias indígenas que serão afetadas pela construção da usina de Belo Monte afirmam que vão usar todas as armas na luta para evitar que a obra seja concretizada. Luis Xipaia, da aldeia tukaia, diz que 4 mil índios estão prontos para lutar. “O Governo federal só vai construir a usina se matar os índios que vivem aqui. O Rio Xingu vai ficar vermelho de sangue”, declarou Xipaia.

Todos aqueles que amam a vida – que respeitam a autoridade de ATWA – devem embarcar nesse combate. Permanecer sentado é fazer parte do problema. Não agir é tomar uma posição, e nesse caso, de declarar guerra contra ATWA. Vocês foram alertados.

 Belo Monte: Brasil e sua autodestruição

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Violência em ATWA

atwa violencia Violência em ATWA

No dia 18 de abril, alguns criminosos com apoio da prefeitura e outros homens de paletó sediaram o evento de puxada de cavalos em Pomerode, Santa Catarina. O show foi organizado pelo Clube do Cavalo, e aconteceu próximo ao Clube de Caça e Tiro Germano Tiedt. Alguns manifestantes compraram a briga pelos animais, uns ficaram feridos, e se houve algo de positivo em tudo isso foi que o evento em si passou a ser conhecido por um número maior de pessoas, entre as quais algumas certamente terão algum senso se justiça.

É importante ter deixado a poeira baixar. Muita gente tomou partido de um lado ou outro pelo calor do momento, e como tudo que envolve a cabeça dos humanos, as coisas vêm e vão, as lições não são aprendidas e os erros se repetem no futuro. Que tenha ficado claro que uma guerra pela vida não é vencida com cartazes e câmeras. Propaganda e convencimento são as armas do inimigo, e aceitar essas armas como legítimas é cair nas teias dos covardes.

O ser humano é violento por natureza. O que coloca um limite nessa violência é a violência que o outro aparenta ser capaz de infligir contra você. Não são necessários exemplos complicados para entender isso: o medo das conseqüências é o que organiza a nossa sociedade. As pessoas não deixam de matar porque respeitam a vida, mas sim porque temem as conseqüências da punição. Isso explica o porquê de os assassinatos diários de todos os tipos de animais, para alimentação humana ou outros fins, permanecerem constantes e impunes. Não existe uma ordem que puna os criminosos, e por isso os crimes continuam. Trata-se de um exemplo claro da violência humana, aceita como natural pela maioria mesmo que inconscientemente.

Pessoas passivamente pacifistas costumam dizer que “violência gera violência”. Não é o caso. Violência ineficaz gera mais violência ineficaz. Se a sua violência agride o inimigo, e não o elimina, então você o enche de coragem e motivação para agredi-lo de volta com maior ênfase. Você bate, e toma, e bate, e toma de novo. Tudo o que isso faz é distanciar ambos os lados da raiz do problema, do motivo de tudo ter começado. Mas violência bem dirigida pode resolver muitas coisas, acordar muitas pessoas, e acender a chama da ordem. Esse deve ser o caso quando se trata de uma questão de justiça contra injustiça. Não deve haver nenhuma barreira para a determinação da justiça – todos os meios são legítimos.

O sábio mártir Charles Manson diz: “Crime é qualquer coisa que é feita contra a sua sobrevivência. Qualquer pecado que seja cometido contra a sua vida é um crime. A lei é a vontade de Deus. A lei deve ser respeitada e considerada como a vontade de Deus, e não como alguma brincadeirinha a ser usada para fins burocráticos e mentirosos. O problema é: o nosso ar está morrendo. Tudo que é um pecado contra o ar é um pecado contra a sua vida.”

Portanto, um crime contra tudo o que permite a vida é um crime direto contra a sua sobrevivência, e uma afronta à vontade de Deus, que é a harmonia da vida. A violência, nesse caso, pode ser a ferramenta para a aplicação da vontade de Deus, a arma contra a injustiça, o maior golpe contra a barbárie:

“O Senhor é homem de guerra; o Senhor é o seu nome.” (Êxodo 15:3)

“Maldito aquele que fizer a obra do Senhor fraudulosamente; e maldito aquele que retém a sua espada do sangue.” (Jeremias 48:10)

“Porém, das cidades destas nações, que o Senhor teu Deus te dá em herança, nenhuma coisa que tem fôlego deixarás com vida. Antes destrui-las-ás totalmente, [...] como te ordenou o Senhor teu Deus.” (Deuteronômio 20:16-17)

As passagens acima ilustram esse pensamento. Está do lado do crime aquele que deixar de lutar pelo que é justo e correto, aquele que permitir que os crimes dos homens ofusquem a vontade de Deus. E a missão é simples: destrua-os totalmente, como ordenado por Deus. Isso é uma indicação da violência eficaz – não dê golpes para permitir que o inimigo lhe golpeie. Nunca. Mantenha-se do lado da verdade, da justiça e da harmonia, e faça o que o seu coração mandar para estabelecer a ordem da vida.

Em outras palavras, se o seu amor pela vida dos pobres animais abusados de Pomerode é real e infinito; se o seu sentimento de justiça e de combate ao crime prevalece; se você encara o seu martírio como justificado pela causa da sua missão; então você deve levar a guerra ao inimigo, e cortar o mau pela raiz. Não jogue pedras hoje, porque amanhã o inimigo jogará pedras maiores sobre você. Faça o que tiver que ser feito, e não dê chance do inimigo existir amanhã. Nesse caso, o crime do inimigo é uma trivialidade de poucos. Até onde o inimigo seria capaz de ir para manter essa trivialidade viva? A história indica que ele lutará pouco. Então vá e faça a vontade de Deus, e saiba que os corações que andam na verdade estão contigo.

O sábio mártir Charles Manson diz: “Triste como poderia parecer para alguns, o medo é a grande necessidade. As pessoas têm crescido maiores do que Deus porque elas simplesmente não temem.”

E Manson disse: “Você poderia tentar contar às pessoas. Eu acho que levaria um terço das pessoas serem crucificadas e abandonadas para que os outros dois terços vissem e aprendessem. Isso, é claro, se você amasse tanto assim as pessoas para aceitar um trabalho desse tamanho.”

Portanto, pelas palavras dos sábios está claro que o medo estabelece as regras. Se a sua violência pelo que é correto é maior do que a violência do inimigo pelo que é trivial, então você irá prevalecer. Faça da guerra a sua guerra!

 Violência em ATWA

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A conexão entre alimentação e violência

atwa pitagoras A conexão entre alimentação e violência

“Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor.”
-Pitágoras de Samos (570 – 497 a.C.)

Há mais de 2500 anos, uns poucos entre muitos tinham a sabedoria inata sobre as regras da natureza – as leis de ATWA, da harmonia e da sobrevivência do todo da vida nesse planeta. Para todos os homens, trata-se de uma lógica simples: comer animais é ter cumplicidade em um assassinato de um ser vivo desconhecido e inocente. Mas é necessário ser mais do que um ser humano comum para compreender, aceitar e agir de acordo com a resposta moral para essa lógica. Afinal, como é que o homem reclama de violência nas cidades quando ele pratica assassinatos todos os dias ao comprar e consumir vidas perdidas? Existe uma linha de sabedoria inata que separa aqueles que entendem esse fenômeno daqueles que lêem em argumentos como esse simplesmente um caso de “loucura”.

O homem se alimenta com violência todos os dias. Alguns praticam os crimes eles mesmos, mas a maioria depende de assassinos contratados para que os animais cheguem às casas com aspecto purificado, com pouca semelhança ao momento em que deixaram de viver. E as pessoas se alimentam com a morte dos outros, e dizem não compreender a sempre presente violência pelas ruas. Tirar a vida de um ser humano é tão imoral quanto tirar a vida de uma vaca, um porco ou uma galinha. Os gritos de “socorro” do homem, quem sabe, nos afeta mais do que os uivos dos animais, mas isso é somente uma questão de compreensão dos sons. Ambos gritam pela vida, com vontade de viver. Sendo assim, não é somente criminoso o homem que pratica tal crime, mas também burro, ingênuo, impróprio e impuro. Há mais de 2500 anos, os sábios eram os sábios e os ordinários eram ordinários.

O argumento de Pitágoras em favor da dieta sem animais tem três “pontas” (como um triângulo):
- Veneração religiosa
- Saúde física
- Responsabilidade ecológica

Essas razões continuam a ser citadas até hoje. Enquanto sempre houve vegetarianos na população mundial, muitos escolheram esse caminho mais por necessidade do que por preferência. O mundo medieval considerava vegetais e cereais como comida para animais. A carne era símbolo de status da classe alta: quanto mais alguém comia carne, mais elevada era a sua posição na sociedade – de forma que somente a pobreza compelia as pessoas à substituição de carnes por vegetais.

Vegetarianismo é com frequência ligado a religião, e segundo alguns argumentos, a força dessa relação parece se vincular diretamente à longevidade de cada credo religioso. O relativamente jovem Islam (1300 anos), por exemplo, não tem cultura vegetariana forte. Os budistas, por outro lado, seguindo os princípios de não-violência, têm praticado vegetarianismo por 2500 anos. O Hinduísmo possui princípios vegetarianos que datam de 5000 anos. Judeus citam uma passagem bíblica como prescrição da dieta original:

“E Deus disse, Eu vos dei cada semente de erva, que estão por toda a terra, cada árvore, nas quais estão os frutos de semente; para vocês elas servirão de comer” (Gênesis 1:29).

Evitar o consumo de carne e jamais comer porco ou mariscos era uma provação (símbolo de pesar e tristeza), voltada também para a restrição dos desejos e prazeres do corpo. O Cristianismo primitivo, com suas raízes na tradição judaica e no paganismo europeu, via o vegetarianismo de maneira similar – um jejum modificado para purificar o corpo: evitar a carne é uma forma de reforçar a disciplina e a força de vontade necessária para resistir às tentações. Isso tornou as restrições dietéticas muito comuns no comportamento cristão da época. E essa crença foi passada adiante, ao longo dos anos, de uma forma ou de outra – por exemplo, a proibição de carne (exceto peixe) da Igreja Católica Romana nas sextas durante a Quaresma.

Enfim, parece existir uma clara conexão entre a sabedoria do homem, o avanço espiritual de acordo com a sobrevivência, e o verdadeiro combate à violência. É necessário ter uma inteligência inata para compreender a importância do respeito ao todo da vida, e somente esse respeito pode afastar a violência do homem. O homem que se alimenta com violência não é capaz de escapar de ser violento, porque ele conscientemente aceitou esse papel. Acontece que a maioria das pessoas não é capaz de enxergar isso – elas roubam vidas, e reclamam da insegurança das cidades. Um paradoxo da ignorância, quem sabe.

Para ATWA, todas as vidas são uma única vida. Ar, árvores, água, animais – o sistema de suporte de vida do nosso planeta. O homem deve respeitar essa lei simples, resgatar e pagar pelos crimes cometidos contra a vida, e esse é o verdadeiro caminho para a salvação. A crença para chegar a esse ponto não interessa – o importante é compreender que o respeito à vida é algo sagrado, além do mundo material que nos cerca. Se não for feito em paz, será feito com violência e ódio, e que não exista dúvidas disso. Os soldados da vida estão ansiosos.

Mas enquanto isso, uma imagem de bronze de Pitágoras tem vista para o porto antigo de sua aldeia homônima, Pitágoras, na ilha grega de Samos. Mais de 2500 anos se passaram desde que ele se sentou sobre estas margens, e questionou o significado da vida. Ironicamente, é quase impossível encontrar uma refeição vegetariana em qualquer um dos restaurantes que circundam o cais do porto hoje. Pitágoras ainda seria gratificado de saber como amplamente sua doutrina vegetariana se espalhou, mas talvez um pouco decepcionado que é pelo seu teorema matemático que ele é mais lembrado.

Um homem sábio, em meio ao caos dos ignorantes, e um esboço da conexão entre a alimentação e a violência.

Para ler a matéria original, clique aqui

 A conexão entre alimentação e violência

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ATWA e uma nova ética

atwa flor1 ATWA e uma nova ética

O texto abaixo foi escrito baseado em um comentário de J. Howard Moore, de 1907:

Os habitantes da terra são conectados uns aos outros pelos laços e obrigações de um parentesco comum. O homem é simplesmente um de uma série de consciências, diferindo em grau, mas não em espécie, dos seres abaixo, acima, e ao redor dele. A Grande Lei – “aja com os outros como você agiria com uma parte de você mesmo” – é aplicável a todos os homens, e não apenas aos homens, mas para todos os seres. Existe a mesma obrigação de agir com um alemão ou um japonês como se eles fossem uma parte do seu próprio organismo como a de agir da mesma forma com os norte-americanos ou ingleses. E, além disso, existe o mesmo motivo para agir dessa forma com cavalos, cães, gatos, aves, peixes, como há em agir assim com outros homens. Restringir a aplicação dessa moral tão completa para a espécie humana é uma prática ditada exclusivamente pelo egoísmo humano. A restrição é feita não porque é lógica, mas porque somos diminutivos – pensamos no mundo como se fosse nosso.

Como seria para algum grupo distinto dos habitantes de um mundo isolar-se eticamente dos outros, observando entre si uma conduta de acordo com essa Grande Lei, mas ignorando-a em sua conduta em relação aos demais, agindo com relação a todos os outros, embora esses outros sejam como eles em todos os aspectos essenciais, como se eles estivessem desprovidos de todos os direitos comuns e as sensibilidades de uma consciência comum? É imaginável que os homens teriam qualquer dificuldade em ver claramente a insustentabilidade de tal atitude? E ainda assim, seria tão lógico que qualquer outro grupo de animais fizesse isso quanto é para os homens fazê-lo. Fato é que as filosofias do mundo têm sido desenvolvidas por, e do ponto de vista de, uma única espécie, e elas ainda são gerenciadas e mantidas de acordo com o interesse dessa espécie.

A prática e a compreensão do que é conhecido como “moralidade” são tribais e antagônicas. Elas são herdadas, e não raciocinadas. Elas foram entregues a nós, e não geradas por nós. Elas surgiram como resultado da condição militante das coisas, no meio da qual, e em conformidade com, a vida que tem sido desenvolvida sobre a terra.

O ideal da obrigação social é maior do que a família e os amigos, maior que a cidade e o estado em que se nasce e cresce, maior do que a espécie. Não existe inimigo em qualquer lugar, nem mesmo no inferno, para o ser que é verdadeiramente moral – apenas irmãos. O coração universal é irmão além de todos os limites de forma, cor, arquitetura e acidentes de nascimento – em cada lugar onde estremece uma alma viva. A Grande Lei serve como a cura e consolo de todos. A obrigação moral é tão extensa quanto a capacidade de sentir.

O homem se definiu como o “paradigma da criação”. Isso é, claramente, uma avaliação exagerada. O homem não é mais que um modelo de animal quanto o universo é um modelo de universo. O homem é um fanático, e na sua concepção de si mesmo e em sua estimativa da importância relativa de si e dos outros, ele demonstra os pontos fracos da sua espécie. O tratamento do homem com os seus companheiros e, especialmente, a sua conduta em relação às formas de vida diferentes anatomicamente da dele, são de molde a carimbá-lo como sendo qualquer coisa outra, exceto um animal ideal.

Os seres humanos têm sido suficientemente ousados e dedicados uns aos outros ao ponto de evoluir para se tornarem os donos da Terra, mas em vez de reconhecer as suas responsabilidades e converterem-se em preceptores para as raças vencidas, como uma raça ideal teria feito, acabaram se tornando os destruidores do universo. Em vez de se tornarem modelos e mestres do mundo em que eles conquistaram, e se esforçarem para melhorar as naturezas defeituosas, e orientar aqueles por meio dos quais eles foram elevados em distinção, eles se tornaram os inimigos arrogantes, proclamando-se os animais de estimação da criação, e ensinando uns aos outros sobre outras raças, que não passam de enfeites para pastos, objetos de consumo ou passatempo para os homens.

Eles pregam que é a relação ideal entre seres associados que um pense e aja com outros como ele gostaria que os outros pensassem e agissem com ele. Esse ideal da integridade social foi descoberto dois ou três mil anos atrás, e tem sido ensinado pelos sábios da espécie desde então. Mas, na aplicação dessa regra, os seres humanos a restringem hipocritamente aos membros da sua própria espécie. Nenhum ser não-humano é inocente o suficiente, ou é suficientemente sensível ou inteligente, para se isentar dos males mais terríveis, se for por esses males que o conforto humano, a curiosidade, ou o passatempo sejam providenciados. A nossa própria felicidade, e aquela dos outros da nossa espécie, se presume ser tão relevante que nós sacrificamos sem hesitação os interesses mais sagrados dos outros, a fim de que os nossos interesses possam prevalecer. Até mesmo em troca de vaidades humanas, florestas são silenciadas e comunidades de seres vivos são transformadas em pilhas de mortos e moribundos. Seres lindos que povoam os bosques com música e juvenilidade são obrigados a partir desse mundo sem vida.

Apenas olhe para as cenas que encontramos em nossas cidades. Elas são arrepiadoras o suficiente para horrorizar qualquer ser com o mínimo de sensibilidade. Um exército de carniceiros com os pés no sangue, mergulhando suas facas contra a carne de outros seres vivos, que se contorcem e gritam, em vão; suínos desamparados, balançando por suas patas, com o seu sangue jorrando de suas jugulares cortadas; bois com os olhos inocentes olhando para o pólo mortal dos machados, e momentos depois, deitados sob o seu leito da morte; um ambiente em permanente rotatividade com os gemidos e gritos dos moribundos, ruas abarrotadas de funerais nunca concluídos; cadáveres pendurados por ganchos nas esquinas; e homens e mulheres que se vestem bem e vão orar e pregar, e depois sentam duas vezes por dia em suas casas e atacam os restos de alguma pobre criatura que foi assassinada anteriormente pelas suas próprias mãos ou pelas mãos de assassinos contratados. E o homem fala muito de violência e criminalidade, não é surpreendente?

Mortes, mortes e mais mortes – uma matança contínua, universal, por toda parte. Seria esse o universo modelo? Ou o animal modelo? Ou em algum momento da ética do homem algo seguiu por um caminho errado, em que a arrogância e o amor-próprio permitiram a abertura de uma guerra santa contra tudo o que é vivo? E pior do que isso – poucos no presente momento são capazes de perceber o que está acontecendo ao seu redor diariamente.

Basta lembrar, quando você se encarregar de suas tarefas diárias, onde quer que você esteja e não importando o que você estiver fazendo, que cada vez que o relógio tocar, 6500 vidas inteligentes, inocentes e altamente sensíveis tiveram suas cabeças esmagadas com machados e suas gargantas cortadas. E eles lutaram, se estremeceram, e viram o mundo desaparecer de seus olhos, aqui, no nosso mundo, no mundo que nós construímos. E lembre-se também que esse massacre terrível continua, e continua, e continua, dia após dia, mês após mês, ano após ano.

E aqueles que pregam e falam em nome da vontade de Deus, que seqüestram a autoridade divina, olham com indiferença e leviandade para essa realidade, uma hemorragia grande como os continentes. Essa fé não tem créditos para os homens que pensam.

Os homens e mulheres que têm responsabilidade pelos crimes comuns da nossa civilização fariam melhor ao parar de dar dinheiro para os missionários e pregadores e investir em si mesmos, porque cometem a cada dia de suas vidas crimes mais perversos do que aqueles que eles dizem condenar em suas escrituras. Deus tem pena desse mundo que o homem inventou.

Alega-se que o homem não pode ser constantemente humanitário, porque é necessário que ele explore os outros de várias maneiras a fim de suprir as suas necessidades e desejos. Esse é o contra-argumento mais comum com relação à crítica da ética humana. É o mais comum porque é o mais egoísta. Tão proeminente é o egoísmo da psicologia humana, e das filosofias que surgiram a partir dessa psicologia, que as acusações mais naturais e convincentes para qualquer proposição são aquelas solicitadas apelando para os instintos egoístas. A questão que surge na mente do homem comum, quando uma mudança no regime do mundo é sugerida para ele, não é o que vai ser o efeito da mudança sobre o universo, mas qual será o efeito sobre ele mesmo – sobre esse átomo do universo tão zelosamente separado do restante do todo da vida.

O homem tem sido assim por muito tempo, acostumado ao privilégio indiscutível da espoliação, se imaginando ser o centro de tudo o que existe no mundo. É por isso que quando uma hipótese surge que parece contestar essa condição, não importando a justiça da proposição quando vista de um ponto de vista imparcial, ela é imediatamente classificada como a alegação de um ingênuo, eliminada assim que é demonstrado ser capaz de interferir com a conveniência humana ou prazer.

Uma nova ética é necessária, e a nova ética do homem não nascerá daqueles que desfrutam das vaidades do presente. É imperativo se distanciar do modo de vida atual, olhar para dentro estando fora, e eliminar passo a passo o clico de hipocrisia, ódio e violência que domina a sociedade moderna. O paradoxo de condenar a violência, mas praticá-la todos os dias em casa, faz parte do desequilíbrio do aspecto de vida contemporâneo. Trata-se de uma realidade simples de compreender, e é a continuidade disso sem questionamento que condena o homem em todos os sentidos.

 ATWA e uma nova ética

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O poder da televisão

televisao sangue O poder da televisão

Estranhamente, a ATWA Brasil recebeu no dia de hoje mais de dez vezes o número habitual de visitas e comentários. Da noite para o dia, o interesse por Charles Manson e ATWA se multiplicou.

Seria mágico, se não fosse tão ordinário. Ontem, às 23:00 horas, um canal da rede aberta de televisão passou um filme fictício, “baseado em fatos”, sobre os crimes que aterrorizaram a alta sociedade de Hollywood, na Califórnia. Ao que tudo indica, a audiência foi muito alta.

Um verdadeiro experimento contemporâneo sobre o poder da televisão sobre as massas: um filme “baseado em fatos” foi o suficiente para movimentar milhares de pessoas. E pensar que muitos historiadores e acadêmicos ainda falam da Alemanha, Hitler e a Segunda Guerra Mundial como se o poder da televisão fosse espantoso. Estamos em 2010, mais de 70 anos depois da subida ao poder to Terceiro Reich, e o poder da televisão é o mesmo.

As pessoas se comportam de uma maneira curiosa. Recebemos e-mails e comentários de pessoas recontando cenas do filme, criticando Charles Manson e os seus irmãos e irmãs de ATWA pela história fictícia que o filme mostrou. Essas pessoas, obviamente, não pesquisaram nada sobre o verdadeiro caso de agosto de 1969 antes de se sentirem confiantes para expor as suas idéias tão pouco formuladas em público. Se esse fosse o caso, provavelmente teríamos recebido mais e-mails e comentários questionando mais sobre a realidade, e não sobre o filme.

“A televisão vende crime e violência todos os dias”, já dizia Charles Manson no passado. Sangue, assassinatos e violência são o que as pessoas querem – é o que parece lhes completar. A mídia alimenta esses sentimentos porque é explorando esses sentimentos das pessoas que elas “vendem crime” em troca de anúncios publicitários. Um ciclo contínuo.

Para os que estão de acordo com a vida e com o espírito, o relógio parou em agosto de 1969. Tudo o que veio depois disso é um ciclo de crime e violência, alimentado pelo que as pessoas realmente têm dentro delas. Sentadas na frente das telas das televisões, ou agora na frente das telas do computador, as pessoas saciam a sua fome por sangue – sem essas telas, provavelmente estaríamos falando do verdadeiro “Helter Skelter” nas ruas das cidades.

Não o “Helter Skelter” do filme de ficção. Não o “Helter Skelter” do promotor Vincent Bugliosi, que inventou essa teoria e vendeu por dinheiro em seu próprio livro e para todos esses filmes sensacionalistas. Mas o “Helter Skelter” de Charles Manson: a confusão das pessoas do nosso planeta.

“Se você precisa culpar alguém, você não pode olhar no espelho. Você pode olhar, mas para realmente ver você precisa conhecer você mesmo primeiro e acima de tudo.”
- Charles Manson

 O poder da televisão

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Assassinos impunes

cenadocrime Assassinos impunes

Média e número total de animais que morreram para alimentar os americanos em 2008:

Frangos

Número total de animais mortos: 8,13 bilhões (7,67 bilhões para carne, 458 milhões para ovos)
Número médio de animais mortos por consumidor: 27,5 (26 para a carne, 1,5 para ovos)
Número médio de animais consumidos durante a vida: 2.147 (2.028 para carne, 120 para ovos)

Perus

Número total de animais mortos: 269 milhões
Número médio de animais mortos por consumidor: 0,91
Número médio de animais consumidos durante a vida: 71

Suínos

Número total de animais mortos: 117,6 milhões
Número médio de animais mortos por consumidor: 0,40
Número médio de animais consumidos durante a vida: 31

Novilhos e bezerros

Número total de animais mortos: 40,8 milhões
Número médio de animais mortos por consumidor: 0,14
Número médio de animais consumidos durante a vida: 10,8

Coelhos

Número total de animais mortos: 2,4 milhões
Número médio de animais mortos por consumidor: 0,009
Número médio de animais consumidos durante a vida: 0,69

Peixes

Número total de animais mortos: 6,5 bilhões
Número médio de animais mortos por consumidor: 22
Número médio de animais consumidos durante a vida: 1.700

Mariscos

Número total de animais mortos: 64 bilhão
Número médio de animais mortos por consumidor: 218
Número médio de animais consumidos durante a vida: 17.000

TOTAL DE ANIMAIS TERRESTRES

Número total de animais mortos: 8,56 bilhões
Número médio de animais mortos por consumidor: 29
Número médio de animais consumidos durante a vida: 2.261

TOTAL DE ANIMAIS DO MAR

Número total de animais mortos: 71 bilhão
Número médio de animais mortos por consumidor: 240
Número médio de animais consumidos durante a vida: 19.000

TOTAL DE ANIMAIS

Número total de animais mortos: 80 bilhão
Número médio de animais mortos por consumidor: 270
Número médio de animais consumidos durante a vida: 21.000

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Estamos nos reproduzindo para a extinção

overpopulation Estamos nos reproduzindo para a extinção

Todas as medidas para impedir a degradação e a destruição do nosso ecossistema serão inúteis se não reduzirmos o crescimento populacional. Em 2050, se continuarmos a nos reproduzir no ritmo atual, o planeta terá entre 8 bilhões e 10 bilhões de pessoas, de acordo com uma previsão recente da ONU. Trata-se de um aumento de 50 por cento. E ainda assim, opiniões encomendadas pelos governos, como o Relatório Stern, do Reino Unido, não mencionam a palavra “população”. Livros e documentários que abordam a crise climática, incluindo o documentário do político americano Al Gore, “Uma Verdade Inconveniente”, não param para discutir o perigo do crescimento mundial da população. Essas omissões são estranhas, dado que uma duplicação da população, mesmo que cortássemos a utilização de combustíveis fósseis e encerrássemos todas as nossas usinas de carvão, vai mergulhar-nos em uma idade de extinção e desolação jamais vista desde o fim da era mesozóica, 65 milhões de anos atrás, quando os dinossauros desapareceram.

Estamos experimentando uma obliteração acelerada de todas as formas de vida do planeta – estima-se que 8.760 espécies morrem por ano – porque, simplesmente, há pessoas demais. A maior parte dessas extinções é resultado direto da crescente necessidade de energia, habitação, alimentos e outros recursos. O crescimento populacional, como E. O. Wilson disse, é “o monstro na terra”. Espécies estão desaparecendo em um ritmo de cem a mil vezes mais rápido do que antes da chegada dos seres humanos. Se o atual ritmo de extinção continuar, o Homo sapiens será um dos poucos seres vivos no planeta, os seus membros violentamente lutando entre si por água, alimentos, combustíveis fósseis e, talvez, pelo próprio ar, até que eles também desapareçam. Enquanto a Terra é vista como a propriedade pessoal da raça humana, uma crença abraçada por quase todos, estamos destinados a em breve habitar um terreno biologicamente baldio.

As populações das nações industrializadas mantêm os seus estilos de vida sem se preocupar porque eles têm o poder militar e econômico para consumir uma parcela desproporcional dos recursos do mundo. Os Estados Unidos sozinhos engolem cerca de 25 por cento do petróleo produzido no mundo a cada ano. Ironicamente, essas nações exibem um crescimento populacional estável, ou até mesmo negativo, como suficiente. Foi então deixada aos “países em desenvolvimento” a questão de lidar com a crise da população emergente. Índia, Egito, África do Sul, Irã, Indonésia, Cuba e China, cuja política do filho único já evitou o acréscimo de 400 milhões de pessoas na Terra, todos têm tentado instituir medidas de controle populacional. Mas na maior parte do planeta, o crescimento da população ainda está explodindo. A ONU estima que 200 milhões de mulheres no mundo não tenham acesso à contracepção. A população dos países do Golfo Pérsico, junto com Israel e os territórios ocupados da Palestina, dobrarão em duas décadas, um aumento que vai coincidir com o declínio da produção de petróleo na região.

As regiões superpovoadas do globo irão invariavelmente devastar seus ambientes locais, derrubando florestas e as poucas áreas naturais remanescentes, em uma tentativa desesperada de produzir alimentos. O esgotamento e a destruição dos recursos acabarão por criar um problema de superpopulação nas nações industrializadas também. Os recursos que os países industrializados consideram seu direito de primogenitura se tornarão mais difíceis e mais caros de se obter. A elevação do nível do mar no litoral, que pode submergir nações costeiras, irá prejudicar a agricultura e deslocar milhões, que irão tentar fugir para as áreas do planeta onde a vida ainda será possível. O aumento das temperaturas e as secas já começaram a destruir as terras de culturas na África, Austrália, Texas e Califórnia. Os efeitos desta devastação logo se espalharão dentro das nossas fronteiras. Dados científicos atuais sugerem que, com base em estilos de vida atuais, a população sustentável do Reino Unido – o número de pessoas que o país é capaz de alimentar e sustentar com a sua própria capacidade biológica – é de cerca de 18 milhões de pessoas. Isso significa que, em uma época de extrema escassez, cerca de 43 milhões de pessoas na Grã-Bretanha não seriam capaz de sobreviver. A superpopulação vai se tornar uma séria ameaça à viabilidade de muitos países industrializados no momento em que o consumo ainda relativamente barato de recursos do mundo não poderá mais ser mantido. Esse momento pode estar mais perto do que pensamos.

Um mundo em que 8 a 10 bilhões de pessoas estão competindo pelo que restará dos recursos naturais não será pacífico. As nações industrializadas que, tal como fizeram recentemente no Iraque, farão uso das suas forças armadas para garantir um fornecimento estável de combustíveis fósseis, minerais e outros recursos não-renováveis na vã tentativa de manter um estilo de vida que, no final, será insustentável. O colapso da agricultura industrial, que só é possível com o petróleo barato, vai levar a um aumento da fome e doenças. Talvez o caos e o derramamento de sangue serão tão grandes que o problema da superpopulação será resolvido através da violência, mas isso é dificilmente um conforto.

James Lovelock, um cientista britânico independente que passou a maior parte de sua carreira fora do campo tradicional de pesquisas advertiu a várias décadas que perturbar o delicado equilíbrio da Terra, o qual ele refere como um corpo vivo, seria uma forma de suicídio coletivo. “A atmosfera da Terra – 21 por cento de oxigênio e 79 por cento de nitrogênio – não é comum entre os planetas”, observa ele. Esses gases são gerados e mantidos em um nível de igualdade para os processos da vida pelos próprios organismos vivos. Oxigênio e nitrogênio desapareceriam se a biosfera fosse destruída. O resultado seria uma atmosfera de gases com efeito similar ao de Vênus, um planeta que é, por conseguinte, centenas de graus mais quente do que a Terra.

Lovelock afirma que a atmosfera, os oceanos, as rochas e o solo são entidades vivas. Eles constituem, segundo ele, um sistema auto-regulador. Lovelock, em suporte a essa tese, olhou para o ciclo em que as algas nos oceanos produzem compostos sulfurados voláteis. Esses compostos atuam como sementes para formar nuvens oceânicas. Sem essas “sementes” de sulfuretos de dimetilo, as nuvens oceânicas de resfriamento estariam perdidas. Esse sistema de auto-regulação é notável porque mantém as condições favoráveis para a vida humana. Sua destruição não significaria a morte do planeta. Não significaria a morte das formas de vida. Mas isso significaria a morte do Homo sapiens – dos seres humanos.

Lovelock defende energia nuclear e energia térmica solar. Essa última, diz ele, pode ser produzida por enormes espelhos montados em desertos como os do Arizona e do Saara. Mas ele adverte que essas etapas serão ineficazes se não fizermos o controle do crescimento populacional primeiro. Ele acredita que a Terra está superpovoada por um fator de sete, ou seja, sete vezes mais pessoas do que a Terra é capaz de suportar considerando os níveis de consumo atual. À medida que o planeta se aquece – e ele acredita que não podemos fazer nada para parar este processo – a superpopulação tornará fútil todos os esforços para salvar o ecossistema.

Lovelock, em seu livro “A Vingança de Gaia”, explica que se nós não cortarmos radicalmente e imediatamente as emissões de gases de efeito estufa, a raça humana pode ainda não morrer, mas será reduzida a “uns poucos casais férteis”. Lovelock diz que um crescimento populacional contínuo fará com que a redução do uso de combustíveis fósseis seja impossível. Se não reduzirmos as nossas emissões em 60 por cento, algo que só poderá ser alcançado mantendo distância dos combustíveis fósseis, a raça humana estará condenada, ele argumenta. O tempo está acabando. Essa redução nunca acontecerá, diz ele, a menos que consigamos reduzir drasticamente a nossa taxa de natalidade em nível mundial.

Todos os esforços para estancar os efeitos da mudança climática não levarão a nada se não praticarmos um controle vigoroso da população. O crescimento da população é muitas vezes esquecido, ou na melhor das hipóteses considerado uma questão secundária por muitos ambientalistas, mas é tão fundamental para a nossa sobrevivência como a redução das emissões que estão derretendo os pólos gelados do planeta.

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